Soltas Mas antes bem soltas que darem mau atavio. Não aprecio xadrez. Infelizmente não aprecio a noite. Mas adoro silêncios. E palavras estéreis. They shut me up in Prose- / As when a litle Girl / They put me in the Closet - / Because they liked me “still” -. E. Dickinson Só se desfazem rebanhos quando eles existem. Quando se vêem carneiros despassarados e de badalo em riste, dos que fingem não ser do rebanho, nem me apetece tricotar-lhes a lãzinha. Está quase sempre ressequida e suja. Não produz “Softest clothing, wooly, bright” como diz W. Blake. Escrever textos a procurar a piadola também dá cada vez menos pica, porque já há muitos profissionais no ramo e que têm de ganhar a vida. Agora escrever disparates é que ainda dá gozo. E aí só se encontram amadores. Incapazes de clonar contribuintes modelo, e esgotando-se o esperma para a inseminação artificial de receitas, o estado confiscador vira-se agora para as técnicas tradicionais da reprodução animal com o “cruzamento entre o fisco e...
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A mostrar mensagens de fevereiro, 2004
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E-o-que-é-que-isso-interessismo em estado puro Passam os dias e eu continuo ali sentado naquela cadeira feito parvo sempre à espera que aconteça qualquer coisa. Já me começam a doer as costas mas eu não me importo. Até passei pelas brasas, confesso. E sonhei que as palavras voltavam a mexer-se e a escarafunchar-me o espírito indolente e amorfo. A memória é traiçoeira e ainda me esqueço daquilo que lá descobri. Daquilo que lá "vivi". Não quero correr esse risco. -«Que conversa balofa» diz-me o subconsciente de serviço. -«Cala-te estúpido, deixa-me estar aqui sentadinho em paz». Agora só faltava que não me deixassem carpir o que me apetece. Chiça, mas estas “ripas” da cadeira já me estão a marcar o lombinho. Cabrões dos escoceses que dormem em cima de qualquer pedregulho. Eu não estou habituado a uma natureza tão agressiva, e também sempre me fizeram as vontadinhas todas, essa é que é essa. -« Parvo és tu, porque enleares-te numas palavras não é viver». -«Insolente, ignorant...
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Uma alma em aprovação de contas A economia da salvação é a verdadeira ciência oculta. Não há orçamento, nem plano de negócios que resista a uma revelação que despreza os objectivos de controlo do mercado, para se deixar levar pelas pequenas coisas do economato da alma. Bancos em transe, empregados boquiabertos, fornecedores a verem a coisa mal parada :“...Na verdade, que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder-se ou arruinar-se a si próprio” diz-se na “comunicação” de Lucas aos “accionistas”. As linhas dos gráficos começam a tremelicar, e já se suspira pelo velhinho papel milimétrico para nos podermos orientar neste casino de opções estratégicas desbaratadas. Os minoritários acotovelam-se nos corredores a ver o que fazem os accionistas de referência. «Vou vender tudo» diz de repente o samaritano do fundo de pensões. Instala-se a bagunça no sector dos fariseus que estavam a contar com uma mais-valia já apalavrada. Os penetras da concorrência esfregam as mãos e major...
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Danças com Russos. O império russo quando estertorava sob aquilo que hoje se chamaria a “diplomacia da influência” de uma czarina importada, de cabeça feita por um “bruxo” oportunista, e refém de um filho hemofílico, assistiu a momentos fascinantes que prenunciavam a revolução, ou aquilo que Pushkin previa como uma “ Rússia tumultuosa, insensata e cruel ”. Um dos últimos primeiros-ministros “joguetes” de Alexandra & Rasputine foi Boris Stürmer. No auge do descontentamento contra este “artista” incompetente e corrupto, um deputado liberal chamado Milliukov teve um discurso incendiário na Duma. Desta cessão – nos finais de 1916 - do parlamento russo ficam-me ( li tantas vezes estas histórias em “miúdo” que até parece que estive lá ) imagens que hoje são “bem-vindas”. Milliukov ia intercalando as suas acusações ao governo da altura com a famosa interrogação: “ Estupidez ou traição ? ”.Tempos de guerra onde o “inimigo” se emboscava de baioneta e não com “acordos parasociais”, “ memora...
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Será a neura aos tropeções Será espelho mal amestrado.... Uma das constantes tensões que o cristianismo deixou ( para quem se quer tensionar, claro ) foi a da nobreza da discrição, com a grandeza do exemplo. Sem “idolatrar” as palavras bíblicas, mas também sem as evitar, recolho do dia de hoje a frase “de” S. Mateus : «...Quando deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a direita, para que a tua esmola fique em segredo». Isto é de facto assombroso de ouvir da boca do tal que fazia “milagres pirotécnicos”. É a expressão de uma moralidade simples, “básica”, e até eventualmente previsível ( as coisas que um gajo diz...), mas não me parece que esteja tão fortemente gravada assim – ab inicio – no lombo da natureza humana. A dita Revelação ainda tem destas coisas. A discrição – quando não neurótica – e o esquecimento próprio – quando não esquizofrénico – são desafios à nossa condição. Sermos pó e em pó nos irmos tornar ( se eu não dissesse isto hoje até me estranharia a mim própri...
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O “corso carnavalesco” que desfilou a dizer mal de Santana soou-me ao carro alegórico do “complexo”, logo seguido do carro alegórico da “parola obsessão”. O Rei Momo este ano entregou-se cedo demais aos caprichos dos que julgam ser os sambistas mais valiosos. O novo dicionário não ilustrado apresenta hoje o “caderno de encargos” a satisfazer para se entrar no carro alegórico dos comentadores de turno, mascarado de candidato presidencial sério. ( entradas 511 a 526) ”Ter Perfil” – Possuir um contorno bem definido que invalida o sfumato daVinciano, mas garante que não se confunde com a paisagem “Ter Paixão” – Arrebatamento que produz um efeito espantoso principalmente se for daqueles que têm em anexo uma percentagem do PIB “Ter uma ideia” – Condição de inestimável valor. Definir ideia é uma questão a ver depois das eleições. Bastando ter só uma, dá para facilitar e viver mais relaxados. Se tivermos duas, estamos dispensados da sempre maçadora contagem de neurónios. “Ter um projecto” – M...
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Lost in Passion "A Paixão de Cristo". Não vi o filme claro. E nada devo ao chamado ultra conservadorismo católico - mais claro ainda. Acredito na "verdade histórica" dum Deus-filho-de-Deus que encarnou e morreu por nós. E aparvalho-me no mistério que isso encerra. Sou de me deixar levar mais pelas "imagens" do que pelas "palavras". Sem medos e sem falsos respeitos. Não me encaixo naquela “categoria” dos "amigos cristãos" a quem a rua da judiaria pede opinião, mas não me importo de seguir, mesmo com atraso as suas pistas. O "Deus católico" deixou-nos uma extraordinária, desconcertante - e pouco óbvia - mensagem: não quis que tudo rolasse à volta d'Ele. Deixou a "imagem" e a "palavra" no ponto certo sem nos colocar sequestrados por nenhuma delas. O "Mundo" e o "Paraíso" ficaram a bailar no mesmo palco. Como doutrina compagina um caminho difícil e rigoroso, que valoriza o sacrifício e a...
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O eu inconsequente e palavroso Enternecem-me os que se insurgem contra a escrita afirmativa e arrogante. Chegam a insultá-la, aí sim já cheios de “peremptoriamentes”, sem pudores e carregadinhos de frases feitas, às vezes até aliviando das pisadelas do inconsciente. Porquê ficar incomodado com quem não se perde nos pruridos da dúvida, na tolerância semântica e nas justificações de carácter. Porque faz tanta comichão quem não tem medo de estar errado? Quem põe na vitrina um discurso titubeante e meramente aproximativo, está muitas vezes a refugiar-se naquela balofa e falsa humildade que serve para comprar aquiescências e para vender bonomias de vão de escada. Ser «seguro de si», não é uma questão de escrita. Escrever para demonstrar que somos frágeis e titubeantes é tão amorfo e redundante, que só serve para atolar a mente de metáforas. Quem jorra sentencioso apenas desiste da mordomia que é espojar-se no banho de leite aguado da coerência e da racionalidade que nem amacia, mas que emba...
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Flesh. Flesh. Flesh. Acabei por ficar com o Lucien Freud na cabeça. Por acaso acho que é um pintor que revela mais do que apenas a sua pintura. Sinto que acaba por ficar “ofuscado” pelo F. Bacon (com quem obviamente se influenciou e conviveu) e isso é algo que me atrai: alguém que fica ensombrado por outros que são mais fulgurantes, radicais, mais de “encher o olho”. A “nova” figuração na pintura “produziu” dos mais interessantes – fantásticos diria mesmo – artistas (Hooper foi até uma das primeiras “discussões” de que eu dei conta aqui na blogosfera doméstica). E L. Freud tem um percurso peculiar que vale a pena avaliar. Ele “parte” dum classicismo inicial (agora menos conhecido), fruto duma aprendizagem “tradicional” no estúdio dum retratista (Cedric Morris ), bem misturado com uma intensidade psicológica penetrante e suavemente desesperante (chegaram a chamá-lo o “Ingres do existencialismo” ) Só que “cansa-se”, e fazendo apelo a uma alteração na técnica específica da sua pintura, va...
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"Para Deus foste intermédio de alegria conseguida" A montanha mágica junta-me Lucien Freud e Sta Teresa e pôs-me a alma caliente . Sinto que tenho de dizer qualquer coisa. Até para afastar os perigos do existencialismo blogosférico que está num novo ciclo de ataque peripatético. Parece que vivemos mas sartre rizados, essa é que é essa. Eu gosto imenso daqueles blogues que vivem por conta própria. Olham para a carne viva de L. Freud e para alma em ferida de Sta Teresa sabendo que o homem é mais que a sua cruz, mais que a sua vida, mais que a sua imagem, mas também não deixa de ser tudo isso, e intensamente. O homem é um ser complexo, claro, não vale a pena fugir deste lugar comum, que ao mesmo tempo se busca e se repele. Tem temor pelas zonas de fronteira, encanta-se com o consolo das extremidades ideológicas, e anda ufano nas ilusões de conhecer e desfrutar. Ninguém quer ser apenas um gajo porreiro. Força Luís, lança-te serra acima. Eu fico cá em baixo com “ closed eyes ” e “...
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Mystic River. Guerra aberta ao bucolismo Estava indeciso entre falar da Fátinha Abadessa de Felgueiras ou abordar a importância do rio Trancão. Bem, este último também merece um momento de glória. Devo-lhe esta excitação de anti-poesis. É de facto um dos momentos marcantes da minha ligação ao mundo, esse em que passo sobre o Trancão vindo na auto-estrada de regresso a Lisboa. O anoitecer naquele vale mítico cria-me uma predisposição interna para penetrar nos mistérios da existência, que não há terapia da fala que me faça desembuchar. O serpenteio daquela dádiva da natureza pela badalhoca suburbanidade, o desprezo com que fedeu anos a fim sem prestar contas à delicatessen, e o ar vaidoso com que agora se afunila lamacento junto do regaço amaneirado dum Tejo indiferente, fazem-me olhar para ele do alto dum viaduto passado a ferro e gáspea, como quem procura uma resposta em forma de segredo. Um coração de azia que quer purgar sobre um rio de enxovia. Lisboa irá aparecer “pós- bidonvílica”...
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Salada Easy Lovers Ontem ouvia Feitas do Amaral citar Sá Carneiro que supostamente teria dito que era “nosso” hábito «para evitar falar do difícil falamos do fácil». É um bocadinho uma dialéctica de feira, mas serviu para mostrar que “eles-os-sábios” não se perdem com miudezas. A vida mostra-nos muitas vezes que o fácil é bem mais terrível que o difícil. Mas o sonho de qualquer um é ser ele a próprio a definir o que é fácil e o que é difícil. Escolher os amantes a dedo para brilhar com o beijo que repenicamos melhor. A actividade política – talvez a par da artística – é a que gere melhor os graus de liberdade da equação do difícil e do fácil. Primeiro, porque escolhe o que vai ser variável e o que vai ser solução, e depois porque também pode determinar a todo o momento quais as operações algébricas que os vão relacionar entre si. É a matemática das expectativas lubrificada pela geometria dos interesses. A actividade política constrói-se – naturalmente - sobre um tapete de ambições. Ca...
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Para sossegar desta cegarrega das simbologias ficam aqui uns valdispert sintéticos do novo dicionário não ilustrado , porque isto há que poupar nas perplexidades para depois poder gastar nos disparates genuínos. Um trocadilho não faz as vezes dum Bloody Mary, mas substitui bem um cházinho de tília. ( entradas 501 a 510) Símbolos de Masculinidade – Os que enquanto vão e vêm fazem folgar as costas Símbolos de Feminilidade – Os que raramente se vêm mas frequentemente se racham Símbolos de Poder – Os que fazem o roto desprezar o nu Símbolos de Subserviência – Os que condenam os que calam a não terem concerto. Símbolos de Fertilidade – Os que arredondam a saia e põem o credo na barriga Símbolos de Virgindade – Os que nos deixam de boca aberta, mas nos dão piedosamente a ocasião de a fechar sem trincar a língua. Símbolos de Justiça – Os que fazem as piruetas da costa de Malabar em cima dum colchão de penas. Símbolos de Anarquia – Os que apresentam os domadores incontornáveis em cima da cord...
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Nem todas as luas têm fases. Nem todos os mares têm marés. Passo bem ao lado da ideia de que “há um tempo para tudo”. Quando as pessoas se deixam paramentar assim pela farpela do tempo passam a ser acólitos dum deus que se limita a ser marcador de ritmo. Ir avançando na vida olhando para a lavagem dos dias e confundi-la com uma purificação alquímica, impede-nos de recuperar os pós “mal perdidos” pela filtragem grosseira do tempo. E assim se vão forjando muitas “mitologias do desenvolvimento”. Algumas ainda valem pelos rituais dançantes, ululando os corpos pintados em torno da fogueira mítica. O resto pouco mais. O homem tem muita dificuldade em se desenvencilhar da espiral própria da sua condição. Resolve-a muitas vezes sobrevalorizando e adaptando os simbolismos de inversão: A “metamorfose” alivia - enganando - a dificuldade da mudança, e safa-nos dos arriscados malefícios de olhar para trás. Por isso às vezes nem enxergamos que a maré-cheia não mata a maré vazia. Que bom que é hoje s...
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Uma sinfonia de címbalos simbólicos. Eu cá vivo a toque de caixa. Preambulo Andante Penso já estar devidamente provado que desprezar o mundo é a primeira condição a cumprir para o podermos amar. É uma conclusão como outra qualquer. Hoje permite-me extrapolar que o homem é – ele sim - um mero símbolo religioso. Usado ostensivamente pelos filósofos, e abusado indecorosamente pelos políticos. E nos chamados “dias que correm” também emburkado pelas notícias, que já de si também andam enchouriçadas de mundos religiosamente simbolizados. Dislates ma non troppo As gajas são apenas gajas. Os gajos parece que também pouco derivam disso. Vivemos um impasse na retórica sexual. A costela do Génesis relegou o cromossoma Y para o simples lugar de símbolo religioso. Será que eu estou mesmo a perceber o que estou a escrever? O Avatares e o Terras são dois blogues que constroem no seu fluxo uterino uma ponte entre uma esquerda vaidosa e uma direita reprimida. Esse religare tão peculiar faz também d...
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O novo dicionário não ilustrado não podia perder a oportunidade de dizer que o namoro é uma chocha convenção que não convence. Andar de mão dada é uma das vergonhas da espécie. Felizmente as comichões acompanham-nos em permanência. Mas prontos: love is back in business. “Surfing on a rocket”. ( entradas 491 a 500) Desejo – Está para a razão como o melaço está para a ração. A ausência de salivagem foi a prenda que o criador nos reservou. Paixão – Material de que são feitas as lagartas que transportam o tanque dos sentimentos para o campo de batalha. Permitem que se passe por cima de tudo sem dar conta de nada. Estamos por conta da qualidade da blindagem. Ciúme – Borla que o sentimento de turno oferece quando não tem troco para o freguês que está ao balcão. Só que esses trocos perdidos podiam ter dado para comprar uma sinceridade que estivesse em saldos. Sexo – Caloria de efeito embriagante que pode fazer duma alma ansiosa um camião desgovernado, e duma alma deprimida um tractor revolta...
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Mentalidades. Em saldos. O apelo à concorrência é uma pura mistificação, a roçar o bluff, que adorna as ideologias (???) ultra liberais. Constatar que é preciso estar a competir para se ser competente, é constatar a mediocridade de não se ter energia própria e auto estimulação suficiente para se ser sempre competitivo. Por outro lado, anunciar a sadia concorrência é outra falácia que só faz vender papel, encher comícios em forma de congressos, e atirar poeira aos olhos dos incautos. Qualquer empresa busca arruinar os seus concorrentes. Excepto quando: 1. Não se tem concorrentes (o monopólio é o sonho recalcado) 2. Se vive em ambiente de cambalacho (a bela da combinação é um orgasmo garantido; romper uma combinação é um duplo orgasmo) 3. Se aceita uns concorrentes pequeninos que vão tendo estratégias suicidas, e que depois serão comprados em “liquidação total”. (É uma das formas de sucesso mais bem vista na praça) Só existe concorrência desleal. É uma alavanca, sim senhor, mas não levan...
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Eis o regresso dos velhos mitos energéticos. O poder é força. A força é energia, a energia é movimento...blá blá blá blá....blá blá blá blá. Somos um país aberto ao exterior. Dizem. Para não nos abafarmos a nós próprios com tanta pujança interna. Deduzo. O novo dicionário não ilustrado também está apostado em demonstrar que a salvação está nas energias renováveis. E é que qualquer uma nos calha muito bem. ( entradas 485 a 490 ) Energia eólica – Quando se vive ao sabor do vento a secreta esperança é que o sopro se acabe por afeiçoar a nós, e nos brinde com o bafo quentinho da retoma mundial a encher o nosso balão. (e que não haja um cabrãozito dum espanhol com um alfinete por perto...) Energia de combustão – Quando se é refém de uma chama de ignição externa, resta-nos ir dando o nosso contributo despejando os gases de forma discreta e organizada, mas veemente, e esperar que a faísca alheia não nos apanhe com as calças completamente em baixo. Energia das marés – Quando a força bate às ho...
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Adolescer fare niente Uma miúda adolescente vive num mundo de fantasias. O pai de uma miúda adolescente vive num submundo de recalcamentos, complexos e baralhações. Esta coisa da adolescência faz vender papel impresso aos quilos. Quer no estilo psicopanfletário, quer no estilo papel psicouché, quer no estilo científico recheado de entrevistas trabalhadas e análises cuidadas. Crescer é outra fatalidade cada vez mais sofisticada da nossa condição. Essa é que é essa! Uma das ideias que dá mais gosto apreciar é a de que a adolescência é um segundo nascimento. Forças ocultas dão essa oportunidade (?) ao mamífero indefeso que usa calças sem cós, apresenta o umbigo como um estandarte, e o telemóvel como piercing sonoro. Namorando a vida adulta, a adolescente anda de mãozinha dada com a parvoíce, e segue esse caminho traçado com uma segurança própria de quem parece que sabe que se irá rir dele no futuro. Mas quem “progenita” este processo está reduzido a uma imagem a defender: disfarçar a hesi...
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Real Politik. Virtual Bloguitik. Banal Erotik. 1.Sinto-me muitas vezes como aquele crítico de cinema que primeiro escreve a crítica e depois escolhe o filme. 2. Só que hoje não há nenhum “filme de jeito” para escolher. Tirando o Bruno que é muito melhor a escrever sobre mamas que sobre futebol. O que só lhe fica bem. ( ...eu hoje devia é ficar de bico caladito...) 3. Mas agora lembro-me que noutro dia li num jornal da Espanha profunda ( e popular ) que Zapatero “era um guirigay e que votar nele era um acto de heroísmo ideológico que se devia fazer tapando o nariz”. Muitas vezes as ideologias servem mesmo para evitar que certas “cenas” cheirem mal. É por isso que eu acho muito bem que existam a “esquerda” e a “direita” que é para os caixotes do lixo estarem sempre à mão. Pôr Zapatero sentado ao lado de Guterres nas reuniões da Internacional Socialista é estar a dar aos espanhóis uma fortíssima inclinação de voto: “ Então mas não foi aquele gajo que deixou os rapazitos aqui do lado...”....
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PIG’s IN SPACE P ortugueses I nteligentes e G arbosos no Espaço «Temos de nos libertar dos espartilhos administrativos, temos de nos libertar dos recalcamentos orçamentais, temos de nos libertar do nosso atávico miserabilismo» Foi com estas palavras que Durão deu início ao conselho de sábios que ia lançar as bases para o programa espacial português. «Fazer jus à nossa história, fazer truz-truz às portas da glória» foi o lema criado pela agência de publicidade de turno. Estavam nomeados dois grupos de trabalho para encontrar o nome da nave espacial, que era a primeira fase do processo. O “grupo populista” liderado por Valentim Loureiro e Narciso Miranda tinha apresentado duas propostas: “Traineira das estrelas” ou “ Cacilheiro lunar”. Durão foi avisando que não se poderiam fazer alusões à via Láctea depois do escândalo da Parmalat. O “grupo intelectual” liderado por V. Graça Moura e MM Carrilho espumando com raiva da concorrência sugeria “ Pégaso da Andrómeda” ou “Caravela do Olimpo”. N...
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O incidente de recusa de país Como me enternecem os que julgam que não lhes saiu na rifa o seu “país natural”, país que realmente mereceriam. Sentem-se com direito a uma nacionalidade mais digna; a nação-fatalidade apouca-os. O seu gosto refinado não é correspondido pela portugalidade servida no prato dos dias. Só cá se mantêm nesta casa de pasto, porque também sentem que sem eles o País ainda se desgraçaria mais. Um jugo suave é o pedido que fazem para que pelo menos lhes reconheçam o sacrifício. Obrigado compatriotas. Por nos privilegiarem com o vosso exemplo de lúcida e imolada resignação. Que o Supremo vos conceda na eternidade a Pátria que hoje vos falta. Aos outros desgraçados que continuam a pensar que os caramelos espanhóis são péssimos porque se agarram à placa, só lhes resta ficar com o sorrisinho estúpido das queijadinhas de Sintra coladas ao céu da boca, e ir continuando a viver e a aliviar a bexiga ao sabor do vento. Bem...pelo menos têm três possibilidades... Os que mijam...
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Hoje o novo dicionário não ilustrado foi inspirar-se outra vez na fútil fatalidade dos factos e atacou de retro ( ou seja ... inspirou-se nas terminações). (Eu bem sei que é legal escrever estas coisas, mas agora estou preocupado em saber se será legítimo – coisa que certamente o Bruno me esclarecerá depois de depurar um bocadinho a sua deliciosa - e suavemente “aduladora”? – ausência de preconceitos) (Entradas 475 a 484) Inimputável – Político que usa como justificação para as suas atitudes, os mesmos argumentos que levam os cidadãos normais a deixarem de puder usar faca e garfo sem limitações Responsável – Político que usa os mesmos argumentos que o demagogo, mas que não tem o dom da palavra, nem agrada às miúdas. Presidenciável – Político que, ou agrada às miúdas, ou então às avós delas. Elegível – Lugar político tipo guarda-fato, onde se põe a rapaziada que se ajusta aos cabides disponíveis, que não se atrapalha com o cheiro da naftalina, nem se incomoda que o estejam sempre a mu...
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Novelo em desatino. Tomara que o desates com a tua arte. Causas e Efeitos à parte. Que não te seja nicotino. Entre MIA da de COUTO “O parto da água não tem testemunha” E a mim rebentam-me as águas nesta estúpida ansiedade de ser estéril. “Evitando juntar o inútil ao desagradável” Fico-me quase sempre pelo pior dos dois. “Os frutos só caem é na cabeça de quem abana a árvore” Apetecia-me acreditar que abençoadas são as árvores que só se abateram pelo peso dos seus frutos. “A bondade da água é o seu incansável retorno” E a maldade do vento é o seu súbito desdém, próprio dos que julgam que nunca lhes poderão pedir contas. “A água é amante incerta” Mas amar também é a incerteza armada ao pingarelho da certeza. “Cada metade é ainda o mundo todo” E a outra face nunca é apenas meia moeda, nem, infelizmente, existem meias verdades “Vejo o que vejo, deixo o espreitar para a girafa” Sim, e porquê querer ver as coisas por cima, se elas se fazem por debaixo. “Olhei em volta: o mundo não tinha nad...