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E, afora este mudar-se cada dia, Outra mudança faz de mor espanto: Que não se muda já como soía. Camões
Luna Park Pode um desejo imenso / Arder no peito tanto, / […] / Que faz que leia mais do que vê escrito. - Camões, L. V., Ode VI
1st «Canção, não digas mais; e se teus versos / à pena vêm pequenos, / não queiram de ti mais, que dirás menos.» Luís Vaz de Camões, «Canção V», in Canções e Elegias
no frost guruism (ou colectânea expresso de insubstantivos advérbios de moda. ou pastéis de massa tenra com manteiga e banha) "Que dias há que n’alma me tem posto Um não sei quê, que nasce não sei onde, Vem não sei como, e doi não sei porquê." Que a blogosfera é um imenso 'intertexto' (antigamente chamava-se plágio à praga mas 'mudam-se os tempos, mudam-se as vontades' como lá dizia o rapaz d'outras eras) todos quantos por aqui andam o sabem e o refraseamento, acuradamente contextualizado de acordo com as regras do pós-modernismo, dá lugar a um moderno cânone: mudam-se os nomes, mudam-se os autores (se bem que não seja próprio dar nas vistas). O canonizador moderno e autorizado, naturalmente apoiado numa das abundantes e multiparadigmáticas cátedras disponíveis no mercado selectivamente aberto da glorificação inter-pares, é a versão no frost da arca congeladora que era a censura à antiga: por redução lapidar decide quem, como, o quê e porquê dar a conhece...
É tudo uma questão de método. E duma insónia das boas, claro. Depois de ver meio mundo rendido ao método George (que estará certamente para a crítica literária como o método Milton está para a esterilização de biberons) vejo-me compulsivamente levado a testá-lo face a um dos monumentos mais significantes do nosso património literário que é a lírica camoniana na sua versão sonetada, tanto mais que também o vejo arredado - tal como a até há pouco tempo injustiçada MRPinto – da corrente crítica literária ( senão vejamos há quanto tempo o mil folhas não faz a recensão dum soneto de Camões; meu Deus, nem o Abrupto) Quero antes de tudo dizer que abracei este projecto com o coração limpo de quaisquer preconceitos e, diria mesmo, prenhe do afã de me encontrar com a verdadeira literatura, com a verdadeira força do génio. E foi assim que ataquei a caderneta dos sonetos tomado duma força quasi obsessiva que me fez ferozmente sublinhar, riscar, dobrar cantinhos, desenhar simbolos fálicos, marcar ...
Rattlesnaking ( em modo Playstation, usarei as teclas, pode continuar com o 'joystick' ) Mundson: Gilda, é decente? Gilda: Eu? [longa pausa] Gilda: Claro. Sou decente. (*) Expediente(s): a) Erro seu, a ficha usb, e o acesso à respectiva porta, são as únicas escolhas genuínas de uma Eva- chip ; ao invés nada se pode adiantar ou prever em relação à velocidade de processamento (confiar nas indicações mais ou menos mistificantes da rotulagem pode levar a logros danosos) pelo que a qualidade da compatibilidade dependerá da correlação positiva entre publicidade e desempenho. Existe no mercado 'software' susceptível de se tornar poderoso auxiliar nos casos mais rebeldes. b) Imagem inovadora a sua da estatística como objecto propiciador de sensações físicas, cumprimento-o por ela. O meu silício preferirá sempre cócegas menos algébricas mas mais subtis, desenhadas pela imperfeita sabedoria das mãos. c) Submissa, pergunto-lhe como me prefere: ofendida ou agradecida? d) Ou, porqu...
( Da transgressão. Sei muito poucos poemas de cor. Um dos que sabia, era este do Camões: “Transforma-se o amador na cousa amada/Por virtude do muito imaginar/Não tenho logo mais que desejar/Pois em mim tenho a parte desejada”.Disse sabia, porque já não sei. Esqueci-o. Mantinha-o guardado para um momento especial, e quando o usei acho que estraguei tudo. A poesia deve ter um instinto matador nas minhas mãos. Desgraçamo-nos mutuamente, se calhar. Só que eu nem desconfiava disso. Estúpido. Nunca o li como um poema de amor. Sempre vi nele um formidável elogio poético à cumplicidade; reforço: à cumplicidade pura, cristalina, de fina, de filigranada prisão, forte, de siderúrgica fusão. Difícil de descobrir, difícil de sustentar, mas difícil de matar. É até das poucas coisas que sedenta e sacia ao mesmo tempo, e que tem o condão de colocar o desejo na redoma do encantamento. Onde nem a imaginação presta vassalagem ao pecado. Mas isto se calhar são só parvoíces minhas, mas são parvoíces das qu...
A neura de mão em mão à deriva nas nervuras duma sina O que diria um psicoterapeuta : - está aí a desenvolver-se um mecanismo pré-depressivo O que se diria no meio dumas cervejolas: – Foda-se, sirvam mais uma caneca àquele gajo Picasso diria: - Tens de ver ao mesmo tempo as várias faces do problema O que diria a revista xis: - Reconcilia-te contigo e com o teu mundo O que diria a mãezinha: – Tu tens-te alimentado mal filho O que diria Camões: “Que dias há que na alma me tem posto Um não sei quê, que nasce não sei onde, Vem não sei como, e dói não sei porquê” O que diria uma filha: – Bem talvez não seja o melhor momento de lhe pedir para... Ivan Gontcharov poria o seu Oblomov a dizer: - Isto agora passava era com uma boa soneca O que diria uma secretária: – O Sr Dr quer que lhe vá buscar alguma coisa O que diria uma gaja qualquer, num bar qualquer, num hotel qualquer, dum país qualquer : - Então os negócios não lhe correram bem, deixe lá...Mas eu já cá o tinha visto com melhor cara.....