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A mostrar mensagens de outubro, 2013

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Certo dia, enquanto de refrescava no golfo de tarento, veio ao salão encefálico de Hipaso de Metaponto a ideia de que todos os verdadeiros problemas apareciam quando se queria produzir qualquer coisa a dois. Um era bom, três era a conta que deus fez, mas dois era aquele número que trazia a maior das complicações. Só que era inexorável: o dois existia realmente, não se podia fugir a essa realidade. Como seria então possível construir um dois por forma a que ele não desse tantos problemas. Agarrou-se então à geometria. Juntou uns pauzinhos em mogno do Quénia, comeu duas romãs e três figos, e foi beber uns copos com o seu mestre Pitágoras que andava deprimido por causa de um cateto que lhe tinha entrado para a vista tentando convencê-lo que a solução estava na raiz quadrada do dois. Impossível, disse-lhe o mestre, nem mates a cabeça, não existe tal número, se alguma gaja te pôs os palitos desenrasca-te por outro lado, não esperes que a matemática te safe. Mas Hipaso não se ficou, meteu...
Chaos isn’t a pit, chaos is a ladder. Mindinho

A arca de Nelo #3

Quando Nelo, ex-nelo agora já Nelão Duarte, desembarcou ali na zona do cais do Sodré, decidiu subir a rua do alecrim para ver como paravam as modas no império. Deixou na barca a maior parte das parelhas e fez-se à calçada apenas com Sócrates que, tal como a sua amiga do peito nelinha moura guedes, estava desejoso de testar a popularidade, mas ninguém o convidara para apresentar concursos pelo que vivia torturado. Chegados à zona da rua das flores e ainda sem tragédia à vista Nelo perguntou-se porque se viam tantos paneleiros num país que precisava de aumentar a sua natalidade. Ninguém lhe respondeu em condições, e ele deu-se conta de que havia relaxamento. Sacou do telemóvel e ditou: tenho de fazer um novo código de costumes, algo que fique para a posteridade e não nos deixe nas mãos de constituições mariconças. A par disso vou então fazer um programa cautelar, ou seja, cada português vai vender uma cautela da lotaria do natal a 4 alemães. No final o pinto da costa faz um sorteio...

A arca de Nelo #2

A arca de nelo está ancorada junto ao mar da palha com vista para a casa dos bicos, onde mme saramaga ainda pensa que estamos todos ceguinhos, e o ambiente no convés é de alguma expectativa: aparentemente portas e passos já foram na enxurrada mas ainda não se percebe se é o momento certo de desembarcar. Inesperadamente aparece um pardal vestido de Wellington a segurar um novo livro de gonçalo m tavares no bico, com o título: ‘pilhagens da minha terra’. Josefa Noémia avisa então Nelo Duarte de que se calhar os ingleses tomaram conta disto para fazerem corridas de galgos. Gera-se alguma consternação entre as parelhas de reserva mas Joana amaral dias, alheia às convulsões, avisa que só vai a terra se estiver garantido que o salão de beleza que lhe estica o cabelo e põe betume na cara ainda está operacional. Nelo acha que está na altura de largar o leme e tomar as rédeas. Reúne toda a tripulação, sobe para uma réplica do cavalo de d. José em gesso, e anuncia: doravante serei proclamado N...

A arca de Nelo

Nelo Duarte depois de ter sido Secretário de Estado da Pachacha social única e dos Medalhões de Vitela foi colocado como embaixador especial do instituto meteorológico na primavera árabe. Após ter sido enrabado na praça Tarhir ao ser confundido com uma jornalista da revista Burda, decidiu mudar completamente de vida e voltar à Pátria para a salvar da revolução em curso que estava a ser conduzida pelos libertários do Termidor orçamental. O seu principal objectivo era juntar num cacilheiro, especialmente decorado pela omnipresente vasconcelas, um casal de representantes de toda esta gesta da reforma do Estado e Barracas afins, fazendo dela uma grande arca para que depois do dilúvio não se perdesse nada e Portugal voltasse a ser aquele sonho quinhentista que sempre foi e do qual nunca devia ter saído. O primeiro casal a entrar foi a menina ferreira leite e o escuteiro bagão que tiveram direito a um camarote com vista para a Trafaria e com o rádio sintonizado na rádio renasce...

giuseppina

Imagem
  pormenor de Josefina do quadro de J-L David

Alice no país das Braguilhas

É evidente que o título pode parecer apenas um chamariz, no entanto hoje vou-vos contar a história de Marilyn Munro, uma sex symbol que fez carreira no competitivo mundo das mulheres fatais através da sua enorme capacidade para criar ilusões nos homens, e deixou uma legião de fans absolutamente arrasados quando decidiu casar com Carroll Higgs, um engatatão escocês que se valia dum talento raro que consistia em conseguir enfiar um protão onde outros apenas – e em sonhos – viam cavernas para aceleradores de platões. Munro & Higgs rapidamente se transformaram no casal de todas as invejas, e estas atingiram o cume quando foram ambos nomeados nobeles da química pela invenção conjunta da cópula anaeróbica. Ora esta cópula consistia num movimento de ligação molecular em que a mulher recitava sem respirar um acto inteiro do Hamlet enquanto o homem fazia dois big bangs sem tirar nenhum protão do túnel de aceleração. Tal experiência apenas foi possível pois Marilyn Munro levantava ...

«Marta, Marta,

andas inquieta e perturbada com muitas coisas; mas uma só é necessária.» Ao evoluírmos no e pelo tempo – fenómeno também conhecido por idade – dois caminhos nos são oferecidos , por regra: o caminho da intolerância máxima (já não estamos para aturar parvos, damo-nos ao luxo de nos irritarmos ou desprezarmos o que não nos agrada, ficamos com aquilo que chamamos pomposa e um pouco petulantemente, exigência, critério, não admitimos manchas em machetes, nem desatinos em isaltinos ), ou então o caminho da tolerância olímpica (aceitamos tudo como fruta da época, compreendemos os defeitos dos outros, vemos anúncios das telhas Umbelino Monteiro com o mesmo prazer que os anúncios dos perfumes da ralph lauren, e se para um martelo tudo é um prego, para um tolerante tudo é vaselina). Ambos são caminhos perturbadores, pois ambos nos puxam para o pior de nós, ou seja, ambos nos exigem uma experiência de racionalidade assistida para a qual não estamos talhados. O único movimento humano n...

Hipóteses de remodelação de Ego #5

Vivermos iludidos é uma inevitabilidade. A grande invenção não é o inconsciente mas sim a dita consciência. No fundo, chamamos ilusão aquilo que realmente existe Desclassificar intelectualmente a realidade é o melhor que fazemos para nos defendermos, dado que temos desvalorizado os sentidos em detrimento do fantasma racional. Doravante apenas o certo:  tatearei, saborearei, cheirarei, verei e ouvirei. Se me sobrar alguma energia apostarei o resto no reflexo condicionado.

The walking bald-headed

Por detrás de uma grande derrota está sempre a vingança de uma mulher. Armando Cigarra bebeu desse fel quando perdeu as eleições à liderança da freguesia de Miranda do Corno. Depois de ter sido tornada pública a sua separação com Zulmira de Lousa, Armando ficou incapaz de colocar todo o seu carisma na campanha e acabou por se arrastar com os dois pés a prometer insanidades mais próprias dum calceteiro reformado. Enquanto isso, Zulmira, caprichando no seu aspecto de falsa fragilidade, ia-se enriquecendo de companhias várias e distintas, gente de poder e influência, distribuindo insinuantes olés ao seu antigo more than everything , que estava careca de saber que a situação tinha acabado com ele e com as suas ambições. Como não bastasse de humilhação para Armando, Zulmira publica com êxito estrondoso um livro sobre a vida do enigmático padre Cunhal, um missionário que introduziu o cristianismo no Cazaquistão e acabou por morrer de cirrose depois de desinfectar um furúnculo no testículo ...