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A mostrar mensagens de dezembro, 2011

Os pendentes de cristine

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Apesar de não se saber ao certo qual a verdadeira face e o papel do FMI na cena financeira internacional, Lagarde terá certamente vários pendentes para o ano que vem. Daí que seja importante analisar que tipo de brincos enquadrados nesta categoria ela utiliza. E então gera-se(-me) o pânico: Largarde abusa mais que a conta do brinco em pendente. Sabe-se desde tempos imemoriais que o brincos foram a maior falácia que se instalou no mundo do embelezamento feminino, trazendo consigo aquela ideia peregrina de dar uma luzinha à cara, de dar amplitude às feições, rasgos de personalidade e mais o caneco. O mundo está num virote e Cristina, podendo-se limitar a uma perolazita discreta apenas para fazer o gosto à parolice, não, de vez em quando brinda a já de si sensível comunidade internacional com um par de pendentes que descontrolariam qualquer tarado em fase de negação. O pendente lobular é um atentado ao bom gosto e um óbvio recuo no contributo que o feminino tem de dar à humanidade pós ja...

treta à terça

Só há duas atitudes esteticamente decentes a tomar em relação àquilo que não se percebe: ou se idolatra ou se escorraça. Este ano o nobel da literatura foi entregue a um caramelo sensível portador dum veículo de comunicação chamado 'sueco', algo que se mostra tão incapaz tanto para fazer relatos de bola (o verdadeiro teste a uma língua) como para engatar miúdas (inclusivamente as suecas, que, como se sabe, adoram pretos subsarianos por causa das línguas que utilizam e semióticas afins). Para além dessa deficiência, um indivíduo que se dá a conhecer por um nome a roçar o desenho animado americano, decidiu introduzir-se nos meandros da indescritível arte de juntar palavras simulando pequenos partos sem dor e que nalgumas culturas peripatéticas se convencionou chamar de poesia. Dessa escolha para a vida resultaram pequenas obras de marcenaria sem madeira denominadas poemas e que foram bastante apreciadas inclusivamente por gente que tem de profissão apreciar, designadamente os apr...

e boas festas aos mercados também

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nº 2 do governo espanhol nº 2 do governo português

Boas Festas

Acordo Monetário da Praia do Meco artigo 1º Face à inoperância do discurso da tanga, do pintelho e do marimba, e não se vislumbrando evolução favorável para o contexto internacional de desequilíbrio entre a riqueza produzida e a quantidade de activos monetários em circulação. artigo 2º Considerando que faliram os conceitos de moeda refúgio, moeda padrão, moeda símbolo, moeda valor e moeda gorjeta. artigo 3º Levando em conta que as várias dicotomias que dividiram os homens, e as utopias que os uniram, se mostram tão desactualizadas como actuais.                                                                         ...

verso à terça

Cedo ao rasto de restos que me tenta até ti (...) Posso disturbar o teu espaço? Entrar e ficar a ver? (...) Procuro com a precisão de poros a mulher dentro da pedra. (...) Desenrolas (...) o novelo que te veste (...) lavo-o até ao teu cheiro até respirar de ti o perfume verdadeiro. [abandalhamento de: ] João Luís Barreto Guimarães, no poema 'Imersão', em Rés-do-Chão
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- Romy, que pensas sobre esta merda? - Não sei o que te diga, acho que saí no momento certo - Mas acabaste por não me conhecer - sim, foi pena, mas vejo-te agora daqui - Mas aí há filtros, não me tocas - Todos temos mais que uma dimensão - Porra, isso é conversa, em cada momento só há uma dimensão - O segredo está em não viver os momentos - Aquele sifilítico maluco do bigode está aí ao pé de ti? - Sim, passa por aqui de vez em quando para falar com a Lou - Foda-se, essa gaja está aí contigo? - Sim, mas fazia mais sucesso por aí... - Não me digas... - Por aqui já não resulta aquele esquema do finge que vai e não vai - Pois é, isso aí para as mulheres é mais ingrato... - Que queres dizer com isso, oh ajóta? - Sabes bem, as mulheres são sinuosas por causa daquela coisa da serpente - Olha, queres uma boa, noutro dia estive com ela! - Com quem, com a serpente!?... - Sim, e olha que nem me pareceu má rapariga - Estás a brincar, a serpente era uma gaja? - Sim, o Adão tinha mais que uma coste...

autobiografia instantânea

A bateria só tem 15 minutos, rasguei-me um pouco ao lado do picotado e saiu um pó esverdeado, típico duma soberba reprimida à base de cacetadas bem dadas de moralismo cirúrgico, mas persistente; apresento um cheiro adocicado quando virado para a luz, acre na sombra, deitei-me um pouco no pires, ao mais pequeno contacto com a  humidade real começaram as bolhas de susceptibilidade, o metal da lâmina da faca foi acolhido primeiro com desconfiança, depois com crueldade e finalmente com resignação, sim faca, para me mexerem bem teve de ser com uma faca, ria-me quando vinham para mim às colheradas. Feito em montinho - já só tenho 10 minutos de bateria - pareço impreparável para o contacto com o leite e muito menos com o forno. A minha pasta inicial é repelente, sou desajustado para amores à primeira vista, quando chega o primeiro garfo cheio de proselitismos deixo-me ir, ponham mais leite que se lixe, serei tarte, serei torta, bolo, rolo, seria o que quisessem. Sete minutos. En...

austeridade

Ela pediu-lhe para ele descrever uma cena com os dois de mão dada a ver o luar. Ele ficou relutante pois sentia que perdera momentaneamente o jeito para escrever com as emoções ao colo. Afinal de contas ele não era um escritor, um escritor tem de saber escrever em qualquer circunstância, tal como um canalizador tem de saber desentupir um cano mesmo que a mulher lhe tenha posto os cornos. Mas ele sentiu-se desafiado, qualquer coisa lhe mexeu no cordelinho da lírica competitiva e pôs a imaginação e as letras ao caminho. Pensou nos dois com as caras encostadas, entre o encosto suave do acaso e a tangente do desejo, primeiro a tentarem distinguir a tabela periódica dos cheiros e depois, já com um cheiro comum bem constituído, a avançarem para a Corte do céu. Dá muito trabalho construir um cheiro comum mas depois ele faz muito milagre por conta própria. Um céu estrelado a dois é uma moeda seguríssima, quem a possui pode considerá-la uma recordação de refúgio. Ele, entreta...

verso à terça

É apenas que este calor e este movimento são como o movimento e o calor de uma mulher. Não é que haja no ar alguma imagem, Nem o fim nem o princípio de uma forma: Há o vazio. Mas uma mulher em oiro puro Queima-nos com o roçar do seu vestido E uma dispersa abundância de ser, Mais definida por aquilo que ela é - Porque ela é desencarnada, Transportando os cheiros dos campos estivais Mostrando o taciturno e no entanto indiferente, Invisivelmente nítido, o único amor. Wallace Stevens, in The Auroras of Autumn (trad. de Maria Andresen de Sousa, para 'Antologia')

'Souverainirs'

A soberania é um tema relaxante. Seguindo a velha máxima de que só damos verdadeiro valor àquilo que perdemos, acho que devemos perdê-la um pouco. Essencialmente para: darmos uma boa causa aos nossos netos. Diz-se que só lhes vamos deixar dívidas, montes de velhos para mudar as fraldas, ideologias esclerosadas, auto-estradas para manter, lares e hospitais sem verbas para mudar fronhas, então para compensar temos de lhes deixar uma causa decente para eles voltarem a lutar por algo digno. Estou pois de acordo em perdermos um pedacito dessa coisa que se convencionou chamar soberania, uma espécie de domínio político sobre nós próprios, aquilo que no nosso corpo biológico chamamos de controlo da incontinência; sim, estou de acordo, por uns anos, só mijaremos quando, onde e como uma troika qualquer nos condescender, e a dita soberania passará a ser apenas un bom recuerdo, algo entre o cheiro da castanha assada e os brincos pendentes de filigrana. Renascerão assim os espíritos verdadeiramente...

the sense of a pending

Estamos rodeados de dívidas eternas que apenas podemos gerir: o nosso sócrates (tão nosso património como o fado) deu um exemplo que originou uma colecção outono-inverno de vestes rasgadas, mas tem obviamente toda a razão. À semelhança da dívida que um filho tem para com os pais, dum aluno com um professor, tal como o que se passa num amor não correspondido, ou com uma vacina dada no momento certo, já para não falar do maravilhoso mundo do religioso, toda a experiência humana está cheia de dívidas eternas que apenas administramos o melhor que a nossa precaridade galáctico-filosofica nos permite nesta economia mística de meios. [Aliás, a dívida perpétua, saberão muitos, é um instrumento absolutamente normal, equilibrado, e que se pode e deve aplicar a situações às quais se adeqúe, como num banal empréstimo à habitação (os filhos e os netos e os bisnetos que vão pagando os juros pois podem lá continuar a viver) e é um instrumento financeiro recorrente. A dívida resulta dum excedente e...

verso à terça

E muitas coisas É preciso manter, como sobre Os ombros o peso Da Lenha. Mas os atalhos são Adversos. Pois dissociados, Como cavalos, avançam os unidos Elementos e as antigas Leis da Terra. E há uma ânsia que sempre impele para o desregramento. Porém muito É preciso manter. E a fidelidade urge. Porém nem para a frente nem para trás queremos Olhar. Deixamo-nos embalar, como O barco que no mar baloiça. F. Hölderlin, in Hinos Tardios (Trad. de Mª Teresa Dias Furtado)

O Destino das Espécies

O vocábulo de origem italiana (se bem que introduzido por cá via o francês ou espanhol charlatan ) ciarlatano, eventualmente fusão dum vocábulo turco dzar-la (falar ruidosamente) com cerretanus (habitante de Cerreto, local na Úmbria onde terão aparecido na Idade média os primeiros vendedores ambulantes reconhecidos pela bela da lábia a vender remédios milagrosos), deu origem no muito nosso charlatão , conceito que deverá ser tratado com uma dignidade à prova de balas, tratados e moedas únicas. Antes de tudo eu defendo a tese de que existe uma alma charlatã, uma espécie de aperfeiçoamento dum transcendental aristotelo-kantiano, que impregna todo o conhecimento e todo o relacionamento, e introduz mais uma gloriosa inversão no maravilhoso mundo da realidade: é a ilusão que fundamenta a verdade. Como qualquer categoria de primeira ordem que se preze, o charlatão tem direito a uma caracterização rica e multifacetada e é a isso que o dicionário não ilustrado hoje se vai dedicar, ...

O perigo do método

Se há coisa em que sou medianamente especialista é em escolher métodos perigosos. Aplicar a freudojunguice às situações que menos lhe fariam apelo é uma das minhas predilecções. Gosto adicional e designadamente de inventar expressões e de dizer que foram de freud (ou de churchill ou até mesmo de dostoievski, e uma ou outra de picasso, - não podem ser personagens inventados, nem sequer pouco conhecidos ou obscuros pois movo-me em ambientes onde a credibilidade é um valor essencial ) , e como é impossível desmentirem-me costumo ser absolutamente contundente & convincente, desde que seja também bom e barato o que leve no cabaz, obviamente. Claro que lido intermitentemente com a indiferença, a desconfiança, o leve desprezo, (nunca dei azo a desprezos de nível olímpico), a surdez táctica e , obviamente, a insinuação educada de pura charlatanice. De todas estas situações a que mais me gratifica é a de charlatanice, pois acaba por reconhecer um talento genuíno e, mais, existe uma charlata...

O Padrão Louro

A melhor moeda da história é a mulher. Evitemos a indignação fornecida pela aparência escandalosa da afirmação e concentremo-nos na análise. Tudo pode ser mensurável naquilo que quisermos e, portanto: em mulheres; por outro lado todos sabemos que existem umas mulheres melhores que outras e inclusivamente a famosa lei de Gresham (também famosamente revisitada por Cavaco) pela qual a moeda má expulsa a moeda boa, ao contrário do que se supõe, nasceu da experiência dele com uma prima cozinheira que o mantinha refém à conta duma receita de entrecosto estofado com cominhos mas que acabou a coser meias para um orfanato depois de ter aparecido uma outra moça que colocava o seu entrecosto em zonas que Gresham nem supunha possuir. Se no caso do decadente papel-moeda o seu valor sempre foi único, ou seja, uma unidade de moeda , qualquer que ela seja, vale tanto seja para comprar batatas seja para comprar fivelas para sapatos Valentino, no caso da mulher-moeda esta permite um salto verdadeir...