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A mostrar mensagens de outubro, 2004
Fezadas para-peri-proto-filosóficas Sempre que estou para comprar o “ Diferença e Repetição ” do G. Deleuze releio a sua primeira frase «A repetição não é a generalidade», e volto a ter a certeza que Deus existe; prescindo do livro, poupam-se uns cobres e umas horas de leitura de filosofia gira mas estéril.
Fezadas de que isto um dia se há-de saber tudo «Le meilleur ouvrage est celui qui garde son secret le plus longtemps» Paul Valery em “Tel quel - Littérature“, ed. Gallimard , agora perdi a porra do nº da página, mas andava a abrir páginas à toa há mais de meia hora, a ver se depois podia dizer «abri um livro ao calhas e encontrei logo isto...»
Isto não passa dum apenas armado em quase tudo No passado dia 23 de Outubro o Azul Cobalto aparentemente terminou uma série de posts intitulados “causa e efeito” ; eram dos textos mais luminosos que se encontravam pela blogosfera (que eu leio, claro) pela qualidade da sua escrita, e pela força e agudeza com que interpelavam quem os lia com olhos de ver (isto está a ficar um bocado manteigoso, mas como ela me parece boa cozinheira certamente saberá o que fazer com tanta manteiga). Hoje então apetece-me escrever isto: Imitações de causa e efeito #0 ou da presunção do pseudo-ficcionista de fim-se-semana Um conto que valha a pena tem sempre duas histórias a “seduzirem-se” ou a “provocarem-se” uma à outra, chafurdando ou não; que nunca se devem resolver, mesmo que se encontrem. Acho que cada um depois deve agarrar as duas como se fosse um maníaco por variáveis promíscuas e à solta, fugindo daquele insonso e irritante sinal de igual que não passa dum paramento da causalidade, ou dum paleativ...
Outras fezadas, mas mais de trazer por casa Dos deuses e das mulheres. Se lhes conseguires gravar o olhar nunca te irão abandonar.
Fezadas com piada e no momento certo «Morrerei rezando o credo, mas não me enforques até eu dizer «creio na ressurreição da carne» Unamuno em “A agonia do Cristianismo” citando uma frase dum personagem do poeta catalão Juan Maragall quando estava à beira de ser enforcado
Saladinha de polvo Pior que uma terra de compadrios é uma terra de comadrios.
Por mais que se diga que o poder tem horror ao vazio, o poder continua a ser um mero (se bem que com carinha de garoupa, pronto) lugar imaginário, uma espécie de Aleph a servir da calço à mesa da távola redonda em Camelot. Com o Merlin a chatear a cabeça à Morgana porque ela nem uma merda duma mesa conseguia manter enfeitiçada em condições e ela a responder que ele se fosse queixar ao menino Jesus porque esse é que era carpinteiro. O rei Artur estava já um bocado em brasa com a situação, o Aleph não parava quieto, e pediu ao Lancelot para pôr cobro à situação desequilibrada, mas claro, o gajo queria lá saber daquilo se estava entretido com a Genoveva a dar pulos no colchão de água e esse nem precisava de calços porque quando mais abanasse mais o santo graal agradecia, e enquanto a espada aguentasse o balanço por ele tudo bem. Mas isto tudo foi só para introduzir nova dose para o dicionário não ilustrado , que agora já não pode passar da meia dúzia de entradas por sessão por estrita imp...
Contos da papelaria Ele hoje sentia mesmo a necessidade de escrever qualquer coisa dura sobre as mulheres, mas não lhe ocorria nada assim de repente, e por isso foi para o balcão da papelaria. Chovia lá fora e então elas olhavam para o reclame da loja, que se exclamava incompreensivelmente “sexo”, e acabavam por entrar, estimando que iriam ali juntar o útil ao agradável. Calhava-lhes logo um homem armado em sedutor, que falava para elas com ar de impingidor mas que lhes aviava depois o seu olhar comercialmente arrebatador. Muitas delas presumiam que um homem assim só pensaria em comê-las. Como se fossem pasta de celulose, que era espremida e enrolada dose por dose, até ficar um produto sequinho, sem impurezas, fibroso quanto baste e que ainda daria para absorver mais romance se houvesse pachorra para acabamentos especiais. Então subitamente ficavam todas frígidas, como se duma epidemia se tratasse, como se aquela papelaria lhes corrompesse as hormonas, as filhas da puta das hormonas, f...
O coliforme fiscal uma mera história de amor Vivia ele alegremente entalado entre duas colectas indiciárias e uma dupla tributação até que um dia lhe veio a corrente fria da dedução estragar o equilibrado descanso. Olhou de esguelha para a última liquidação oficiosa inverteu o ónus da prova e pôs-se ao caminho: também ele queria um off-shore só para si. Foi saltando entre os benefícios fiscais que lhe foram aparecendo e chegou a estabelecer uma boa amizade com uma delimitação negativa de incidência que vivia numa lacuna, só que aquilo não podia ter futuro porque ela não se sujeitava à primeira retenção na fonte que lhe aparecesse. Souberam esquecer-se um do outro, e não ficaram mágoas a pagar por conta: a isenção de amor ainda era possível, só haveria que reinvestir o valor de realização e aproveitar bem os coeficientes de correcção, porque o que hoje é verdade ontem pode ter sido mentira. Lembrou-se dos anos em que foi atribulado pelo lucro consolidado, pelas penalizações de ter amado...
Contos do assim também eu Olho para ela na televisão, é magrinha e fria, escanzelada diria, escanzelada é expressivo, confesso que tenho um fraquinho por ela, como se calhar por todas as mulheres que têm um aspecto enganosamente frágil, mas não não é para as proteger, quando se gosta de proteger uma mulher já a estamos a estragar, já estamos a fazer o que qualquer celofane faria e até com outro aconchego; voltando a ela, não gosto de falar das mulheres em geral, é dela que eu gosto nesta história, eu cá sou adepto de enredos monogâmicos, eventualmente pluriorgásmicos mas isso não sei se vai dar porque estou inesperadamente cansado e tenho a restrição das 25 linhas, e ando distraído, por exemplo já me ia distraindo dela que é a razão desta história, agora está a jantar num restaurante fino, deixa que lhe toquem na mão, eu sou muito ciumento com as mãos de quem gosto, felizmente ela não sabe que eu gosto dela, poderiam cair-lhe mal os meus ciúmes, enfiaram-na foi num penteado que não a b...
Hoje não vou gastar dinheiro em títulos A pior coisa que se pode fazer à tristeza é dar-lhe com o espanador das falsas alegrias. A tristeza deve ser tratada como a poesia popularucha: catrapiscando as rimas de melhor efeito, afagando a brejeirice, fugindo do género livre armado aos cágados, vagueando entre o abananço e o arrebitanço, levantando a saia e fingindo olhar para o lado, endeusando a malandrice. Nenhuma sã tristeza é errática e definitiva, valha-nos mesmo uma sã tristeza para absorver as alegrias como um radar, porque ela é acolhedora como uma genuína sopa dos pobres. Estava eu armado em parvo a procurar as consequências politicas deste pensamento quando reparo que uma entrevistadora do Ramos Rosa aparece no “Mil Folhas” do Público (entrevistar poetas é a mesma coisa jogar às palavras cruzadas com o pai natal na bicha do Toys ’R us) a citar Heiddegger quando este diz que “o ser humano é inabitável”; ora lá porque esse gajo viveu a sua existência "com escritos" a vid...
Contos do é-me indiferente Contaram-me, eu não vi, ela tinha sido abandonada por ele. Chorava, mas eu não vi, porque não gramo ver mulheres a chorar, mas não sou eu é o tipo que está a escrever isto, para mim é-me indiferente, se choram é porque o corpo lhes está a pedir isso, e se o corpo duma mulher é caprichoso no leito também deve ser no pranto. Acabou por parar de chorar, fixou a alma, focou o corpo e partiu para outra, parecia um homem. Não, não era puta, eu não sou dos que precisa de putas para escrever um conto, a mim basta-me um gaja qualquer, até uma gaja séria me dá nos dias bons. Hoje é um dia bom e ela foi tomar chá, podes continuar agora tu, ninguém olhava para ela porque se topava à distância que estava em fase de explorar e cuspir, e nenhum homem das redondezas queria aventura, todos queriam amores de passeio, e ela não estava para aí virada; ele há muitos homens sérios mas eu para mim isso é-me indiferente, se são sérios é porque fodem melhor assim, nem sei o nome dela...
Outono com Buttigliones em flor Hoje vou revelar o teor da entrevista de recrutamento do comissário Buttiglione, ou lá o raio como é que o gajo se chama, levada a cabo pelo nosso Duroni. Duroni – Mr Botognoni, you have been highly recommended by mr Burlesconi, please sit down, be comfortable… Butignone (‘dasse comequestamerdassescreve ) – Tankiu, my hass is very sensitive… Duroni – This conversation is only a proforma; proforma is almost latin, I appreciate very much the classics… Botignoli – I’m very classic too; I’m even more classic than Xéxeneca, or Burlesconi, or Alberto John Garden, or Horacio, and sorry about my macaroni english Duroni –No problem, my english is also a little bit tagliateli. Baidauei… I heard some noise of bottom around your person, but I suppose is only bad intentioned people like the portuguese left block Bestignini – I know, I’m used to be misunderstood Duroni –You are “used”!?...This is not a good signal…have you some… strange passive sexual behaviours … Bro...
Isto é apenas um post rápido. Se arrancarem com força não dói Então mas se o governo já não pode ir dando umas borlas aos velhinhos, aos pobrezinhos, aos reformados, aos paralíticos, aos funcionários públicos, então fazia demagogia com quem? Com “lampiões”, não?
Voltemos pois à queda da folha Hoje em estilo de literatura comparada, até porque isto é uma casa séria Quando começava o Outono de há 50 anos, Camus escrevia nos Carnets (1) que «Dieu n’est pas nécessaire pour créer la culpabilité ni punir. Les êtres y suffisent. C’est l’innocence à la rigueur qu’il pourrait fonder.» Isto é a chamada ideia agradável ao ouvido; Camus já tinha mandado o existencialismo às malvas e agora de vez em quando andava a dar manteiga a Deus, esquecendo-se de que haveria alguma leve possibilidade de nós – os “seres”, para os amigos - termos sido engendrados pela “cabecinha” atrevida do Criador. Agarrou-se assim a uma das mais enganadoras – e engenhosas - dicotomias da nossa condição: culpa-ingenuidade, e sai-se com esta quase “forrest-gumpada” a. t. (antes de T.Hanks). Este deus da virgindade, este deus feminino tipo mãe de toda a ingenuidade é uma construção literária para quando as rimas ou os aforismos já não estão a sair tão escorreitos. Eu cá gosto de ver De...
Eu em sinceramente não vejo a razão para cagente não apossamos a votar também realmente Hoje não há portuguesito que se preze, quer ele tenha blog quer não tenha, que não seja especialista em política americana. Agora qualquer pingente sabe que o bush defende os interesses do pitroil e que o kerry alimenta o lobby dos molhos, agora qualquer artolas sabe que o americano médio é um bronco e que nova york não reflecte a américa profunda, agora qualquer sopeira sabe que quase foderam clinton por causa duma putéfia que não gastava dinheiro nas limpezas a seco, agora qualquer parolo sabe que a indústria do armamento é como do pão para a boca para a economia americana e esses gajos é que mandam em tudo, agora qualquer reformado saído da bicha da caixa sabe que o futuro da américa se decide naqueles barbecues que os gajos fazem como nos filmes, ou então quando rezam o pai-nosso a dar as mãozinhas, agora qualquer professor mal colocado no intervalo dum algoritmo sabe que o americano médio é bur...
Carta aberta aos gajos que pensam ter sido namorados da minha filha, ou que pensam que são, ou que pensam que podem vir a ser Se calhar ainda vou ter de apagar isto mais tarde...ou mais cedo. Reparem numa coisa, reparem no drama que se vos apresentará: ela construiu a imagem do homem perfeito baseado em mim. É uma fasquia demasiado alta para vocês. Irão ter enormes problemas de afirmação pessoal; eu percebo-vos, não será nada fácil, e a vossa auto-estima nem irá ao sítio lendo a revista xis todas as semanas. Correreis o risco de ser apenas uns pés de página, ou umas notas de rodapé, quanto muito, nos melhores dias, podereis aspirar a fazer de legenda colorida, reconheço: é duro e cruel; e até calculo, ela ser-vos-á duma exigência sufocante pois eu estarei sempre a povoar as suas memórias como aquele mito com que vos tereis de comparar. A minha imagem, entre o pedestral e a redoma, estará a minar-vos o caminho, a empedrar-vos o sapato, essa imagem que eu construí como filigrana, como u...
Porque isto é mesmo assim Nenhum lagarto pode olhar para um sete a um e ficar indiferente Era como olhar para a Elizabeth Hurley e ficar a pensar no Corto Maltese. E de passagem, é pá, já não há saco para o Corto Maltese
E agora uma calimerada para desenjoar Tenho pena de não ser uma ternura de homem. Tenho mesmo pena disso. De não saber dizer aquelas palavras que fazem os coraçõezinhos rebentarem como uma colmeia de favo ao léu. Tenho pena de não conseguir entrar na alminha de ninguém, de não provocar nem um suspirozinho, nem um calorzinho, já nem falo em estremeções, falo duma lagrimita a cair aos trambolhões. Os músculos olham para mim impávidos, secos, sem se esgadanharem demasiado por dar sinal de vida, já nem falo de grandes suores de esforço, falo dum pinguito a escorrer pelo pescoço. Não sou capaz de promover um olhar cândido e entregue, não sou capaz de atrair uma cabeça para repousar esquecida no meu colo, já nem falo dum coração em chaga ou a brilhar ao luar, falo duma feridita a sangrar. Tenho pena de não ser uma ternura de homem, em calhando, só sirvo para desenjoar.
Na barbearia Desde que a gilette inventou a lâmina dupla em que uma puxa o pêlo para fora e a outra... empurra o pêlo para dentro, praticamente não ficou mais nada por inventar. Na chamada política concreta apenas se fazem variações no after-shave. O segredo está em vivermos de poros fechados para não arder muito.
Apenas para aliviar da taquicardia A memória é um fenómeno radical, um tema estruturante e desestruturante ( se calhar pensavam que eu não sabia dizer estas palavras ). Ou tudo é memória, ou a memória só atrapalha. Somos filhos da memória e somos pais da memória. É a mítica história do incesto a actuar.
Este agora é para limpar Dedicado às mulheres virtuosas em geral. Um homem, em bom rigor, não pode ser virtuoso pois sendo a cabeça de casal, e dado que é no meio que está a virtude, são duas situações incompatíveis. «Já te referi, se bem te lembras, como tem havido pessoas que, por um mero impulso irreflectido, foram capazes de vencer situações geralmente objecto ou de desejo ou de temor pelo comum dos mortais: há exemplos de quem tenha abandonado a riqueza, há exemplos de quem tenha posto a mão sobre as chamas, de quem não deixasse de sorrir em plena tortura, de quem retivesse as lágrimas nos funerais dos próprios filhos, de quem enfrentasse a morte com intrepidez, de facto, uma paixão, um movimento de cólera, uma ambição podem chegar para que desprezemos o perigo. Ora daquilo de que é capaz um instantâneo impulso de alma excitada por um qualquer estímulo, não o será muito mais ainda a virtude, cuja força é contínua, e não dependente de um ímpeto de momento, a virtude – cujo apanágio...
Ora aqui está um post também muito indicado para crianças. E para outros espécimes em fase de consolidação de personalidade. Ou do “deixei crescer em mim o meu inimigo” (*) Tristes dos que precisam de dar exemplo para convencer, desconsolados dos que precisam do seu próprio exemplo para que lhes obedeçam, desafortunados dos que precisam do exemplo de alguém para descobrir o bem das suas vidinhas; não passam de meros peregrinos de ruínas, os que correm atrás duma figura exemplar. O “dar o exemplo” é mais uma prisão construída pelo moralismo atrofiado dos coitadinhos das convicções. Quando para levar alguém a fazer algo também temos de o fazer, é porque não passamos dum holograma de ética fluorescente. E pior, se para sermos respeitados também temos de prestar vassalagem ao tal de “dar o exemplo”, então esse respeito vale tanto como o riso do palhaço rico a olhar para as tropelias do palhaço pobre. Este tão afamado “dar o exemplo” foi uma invenção de última hora, com as calças a cair e j...
Como é Outono, temos a caldo outonado. No fundo, a opinião pública apenas se distingue da opinião púbica porque enquanto esta se revela no meio dos “pêlos” a outra é nos “portantos”. O dicionário não ilustrado foi ver as notícias nas entranhas, perdão, entradas 886 a 900 Delito de opinião – Crime de índole sexual pois a vítima muitas vezes antes de abrir as pernas acaba por abrir a boca. Liberdade de expressão – É aquele tipo de liberdade que depois de muito bem espremida , vai-se a ver era só casca e caroço. Censura – Sem cura . Doença de natureza crónica mas que se manifesta em crises agudas depois de algumas crónicas.( ao fim de semana já se sabe que os trocadilhos são inevitáveis ) Princípio do contraditório – Onde acaba o dedo e começa o supositório. Comentador político – A verdadeira “mulher objecto” da sociedade da informação. O poder dos “media” – É dar-se ao luxo de ser “extremado” e não precisar de rever posições pois estão sempre aconchegados junto à cópula do poder. Pre...
“Le pinceau voyageur” Reparo por estes dias que deixei há muito de ter necessidade ou mesmo impulso em emitir opiniões. Nem saberia explicar bem porquê. Talvez alguma preguiça, talvez falta de jeito, talvez até já trejeito, talvez mesmo vontade mortiça. Mas também são demasiados talvez para uma só vez. Encontrei uma metafórica explicação num livro muito especial sobre Alechinsky ( um dos meus pintores preferidos), em que ele é citado por Marcelin Pleynet, falando sobre o seu quadro “Central park” de 1965 ( o primeiro com as “ remarques marginales ” que lhe são tão peculiares): « J’allais bientôt me déshabituer de la peinture à l'huile. Elle ne m’avait jamais permis ces regroupements, allitérations et va-et-vient». É isso, sempre que posso ( mas nem sempre é possível esse luxo de não termos opiniões) cada vez me afasto mais dos silogismos de ocasião, dos pastiches de espátula arregaçada, ou de trincha opinativa alçada, no fundo gostava de poder dizer «je ne cherche que des pensées q...
Mas quem não arrisca não petisca Um dos riscos que corre quem fala é que o mandem calar. Um dos riscos que corre quem manda é que tenha de falar.
God at blogger – live ( para desenjoar) De Gérard de Nerval ( in “vers dorés“) (1) Souvent dans l’être obscur habite un Dieu caché ; Et, comme un œil naissant couvert par ses paupières Un pur esprit s’accroît sous l’écorce des pierres Estaria muito próximo dos aconchegantes lugares comuns se dissesse que quando me encontro com um cepticismo forte ou fino, com uma descrença negligente ou quase ontológica, com um desespero existencial ou irónico, com um mal incompreensível e descarnado, ou até com um aparvalhamento geral, me aproximo bastante mais de Deus. A verdade é que Deus é também refúgio; isto é básico. Ora mais inesperado é que Ele também se refugia na nossa alma. Esta sim é a verdadeira revolução do “cristianismo revelado”. O resto é dalguma maneira adereço da nossa condição. Mas Deus aparentemente também não nos quis a navegar numa crença despida. Nota técnica: Muitos ateísmos ou agnosticismos, não passam de panteísmos mal resolvidos. Os que-se-foda-isso-tudo-ismos é apenas preg...
Rennie, o libertador A efervescência dos dias vem fornecida numa pastilhinha de ministro tolo com comentarista capcioso. Cada país dissolve-se no que pode. Em qualquer dos casos ajuda sempre agitar bem. Se estiver morninho acho que as moléculas ainda gostam mais. Somos um país com muita química, nem fodemos nem saímos do enzima.
Os verdadeiros manuscritos do Mar da Palha ou do grande segredo dos parodiantes do Sião “O céu estava turvo e gorduroso, parecia um colestrol de nuvens e as tribos estavam assustadas. O gado ora andava mortiço ora agitado, as galinhas chocas só queriam pôr ovos quando lhes dava na real gana e as pastagens viviam reféns do tal vento que só era bom quando soprava do lado dos bons casamentos. Parecia um dos tais momentos em que história ia dançar o vira a seu bel-prazer. Os chefes das tribos começaram a pensar que talvez fosse a hora de darem as mãos ( o beijo na boca ficaria para uma situação limite). O chefe Santana, o chefe Portas, o chefe Sócrates e o chefe Louçã começavam a tomar consciência de que não podiam passar mais o tempo apenas a gamar as peles uns aos outros, depois de já terem acabado há muito os ursos na floresta, e após a grande saga da deriva securitária em que deixaram até de precisar de estar a pau com os ursos. O povo entretinha-se saltando de tribo em tribo, limitand...
(E se fosse o Kundera a dizer isto) um título em itálico e entre parênteses já diz muito da falta de confiança no texto. Mas é que ouvi dizer que os disparates serão os últimos benefícios fiscais a ficar de pé. Pensava que era só uma consulta de rotina e estava apenas ligeiramente preocupado com o ensimesmamento revelado por alguns posts dos últimos tempos, até aborrecido, se calhar, com a absoluta falta de um mínimo de qualidade dos mesmos e ainda para mais ninguém me tinha obrigado a editá-los, mas ora, também isto não seria nada demais, apenas o costume, o número de leitores deveria ter estabilizado na pedagógica oscilação entre 7 e 9, a vaidade dos dois dígitos estava arredada, a ausência da fita métrica de visitantes continuava a garantir a paz de consciência , nada demais mesmo; só que logo após ter entrado e dado os primeiros passos no consultório da Dra Girassol reparei que a coisa estava preta, dou de caras com o olhar dela, mesmo camuflado numa franja simbólica, faiscava pre...
Santanas, Sócrates, Portas, Louçãs, Rebelos, Pachecos, Tavares, Expressos, Públicos, DNes, Siques, canaizuns, têvêis, têessiefes, antenazuns e cêénienes Venha Deus e escolha. O diabo parece que já não quer ter nada a ver com isto. Diz que tem uma reputação a defender.
Cantinho do desfazedor Dedicado a todos que se traumatizam com utilização do “que”. Mais um bocadinho de sex war , em versão light . Mas vou-me lixar, está mais que visto. Que outono. Mas que outono é este. Que coisa, que este calor que faz descompensa que nem queiram saber. Isto é um bocado escrita de gaja, não é? Que é, porque um homem que se preze já não está na idade dos “que”, que isto de dizer “que” tem que se lhe diga, que coisa, que eu não estou a conseguir sair disto. Um homem só abusa dos “que” se for um homem inseguro, que esteja sempre dependente dum “que” alheio, dum “que” de confiança, duma prove dos “que”. Uma mulher não, uma mulher que abuse dos “que” é porque gosta que sejam amigos dela, que sejam compreensivos com ela, que sejam tudo o que ela sempre sonhou que podiam ser os homens que deus lhes teria colocado no caminho que ela escolheu. Que isto é tudo verdadinha, pois que mesmo sendo isto a escrita típica de gaja tola que eu não sou, afianço-vos que não sou, e nada...
Isto é apenas um Outono mal conversado Eu adorava ter uma controvérsia com alguém mesmo que fosse em prósia ; Alimentava-me esta merda, podia ser até sobre uma coisa prosaica, mas vá lá dum assunto que não me fosse assim muito adverso, eu sei, eu tenho muita prosápia, muita conversa, mas sou pessoa que não deixaria ninguém apeado, não poria ninguém de lado, até lhe daria razão se estivesse prái virado, mas, já se sabe, coitado, seria enxovalhado, é que eu não brinco em serviço, e por isso, se querem reboliço, vá, dêem o paleio ao manifesto, que eu tomo conta do resto, e até pode ser que ainda venham a ganhar o céu com todo o escarcéu que se venha a montar, não tenham medo, isto é só a brincar, é que eu agora não tinha ninguém com quem conversar.