Quaresma XXXVI Apenas porque isto é, sem dar muito nas vistas... «Nesse mesmo momento, o suor amontoado nas sobrancelhas correu-me de súbito pelas pálpebras abaixo o cobriu-as com um véu morno e espesso. Os meus olhos ficaram cegos, por detrás desta cortina de lágrimas e de sal. Sentia apenas as pancadas do sol na testa e, indistintamente, a espada de fogo brotou da navalha, sempre diante de mim. Esta espada a arder corroía-me as pestanas e penetrava-me nos olhos doridos. Foi então que tudo vacilou. O mar enviou-me um sopro espesso e fervente. Pareceu-me que o céu se abria em toda a sua extensão, deixando tombar uma chuva de fogo. Todo o meu ser se retesou e crispei a mão que segurava o revólver. O gatilho cedeu, toquei na superfície lisa da coronha e foi aí, com um barulho ao mesmo tempo seco e ensurdecedor, que tudo principiou. Sacudi o suor e o sol. Compreendi que destruíra o equilíbrio do dia, o silêncio excepcional de uma praia onde havia sido feliz. Voltei então a disparar mais q...
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Quaresma XXII Como um ....chamado Olegário Benquerença me..... o serão... «il faut mettre ses principes dans les grandes choses. Aux petites, la miséricorde suffit.» … agora só dá mesmo para esta coisita dos ‘Carnets’ de Camus (vol III, Galimmard, pg 19). Que Deus perdoe o .... do árbitro porque eu agora não estou a conseguir. E que a omissão dos palavrões me conceda a indulgência em conformidade. No entanto, uma pitada de misericordia também já ajudava.
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Voltemos pois à queda da folha Hoje em estilo de literatura comparada, até porque isto é uma casa séria Quando começava o Outono de há 50 anos, Camus escrevia nos Carnets (1) que «Dieu n’est pas nécessaire pour créer la culpabilité ni punir. Les êtres y suffisent. C’est l’innocence à la rigueur qu’il pourrait fonder.» Isto é a chamada ideia agradável ao ouvido; Camus já tinha mandado o existencialismo às malvas e agora de vez em quando andava a dar manteiga a Deus, esquecendo-se de que haveria alguma leve possibilidade de nós – os “seres”, para os amigos - termos sido engendrados pela “cabecinha” atrevida do Criador. Agarrou-se assim a uma das mais enganadoras – e engenhosas - dicotomias da nossa condição: culpa-ingenuidade, e sai-se com esta quase “forrest-gumpada” a. t. (antes de T.Hanks). Este deus da virgindade, este deus feminino tipo mãe de toda a ingenuidade é uma construção literária para quando as rimas ou os aforismos já não estão a sair tão escorreitos. Eu cá gosto de ver De...