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A mostrar mensagens de janeiro, 2009

Aureolado

Começou por insinuar-se-lhe algum desligamento erótico do sexo oposto (não sei se gostaram da expressão) durante a campanha eleitoral, depois inferiu-se um certo aligeiramento de métodos aquando da sua licenciatura na nobre e valorosa técnica da engenharia civil, pouco tempo depois constatou-se-lhe uma intempestiva, e arrojada, vocação para a assinatura de exuberantes obras arquitectónicas na beira interior, e inspira-se agora uma diáfana fumaça de proveitosos favorecimentos a certos e circunstanciados licenciamentos quase licenciosos. Pessoal, ao se safar destas todas, e se querem mesmo ver-se livres do homem, julgo que a única hipótese é tentarem apanhá-lo em flagrante delito a roubar as esmolas duma ceguinha no metro.

Cheever regal

Julgo que, para aconchego das almas em geral e alívio do corpo em particular, deveria chamar a especial atenção do amável ouvinte (se encostarem um bocadinho o ouvido ao ecrã prometo que ouvirão um sussurro praticamente indecente) para algo que se me foi dado à revelação há coisa de umas semanas - naquele suplemento de cariz e vocação mainstreamica denominado Ípsilon, se bem que, nalgumas edições larga um pouco de tinta em excesso – ou seja, para a notícia de que vão ser editados em português os contos de John Cheever lá para o solstício. Alerto desta forma singela e antecipada apenas porque se trata dum singular monumento da literatura móderrrna (por exemplo no site da revista ficções apanham uma tradução do conto, absolutamente sem adjectivos que o adjectivem de forma verdadeiramente adjectivada, ‘O Nadador’), e que, se me é permitido sugerir, não me fosse de esquecê-lo, todos deveis ler, nem que seja naquele bocadinho em que não estiverdes a embebedar-vos em notícias sobre outlet’s ...

The dark side of the wool #16

A maldade massaja, o bem apenas relaxa.

The dark side of the wool #15

Rebanho alegre, ovelha suada, lã transpirada, tosquia molhada, fiação enferrujada, tecelagem fodida; Rebanho ansioso, ovelha tensa, lã espessa, tosquia difícil, fiação exigente, tecelagem morosa; Rebanho desorientado, ovelha alarmada, lã eriçada, tosquia fácil, fiação escorreita, tecelagem de primeira; Rebanho em pânico, ovelha à nora, lã espetada, tosquia automática, fiação acelerada, tecelagem de luxo.

Sem esquecer as latas de abertura fácil

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Depois de redescoberto o poder purificador da ganância, o mundo agarra-se a ela com unhas e dentes para não deixar fugir a sua nova estrela bode de expiação. Se os gananciosos apresentarem ainda, de bónus, uma prática regular de bons e recomendados costumes forma-se então o combinado de excelência expiatória que é a ganância com hipocrisia a cavalo. Se a este prato acrescentarmos o docinho que é a arrogância-sobranceira & sorrizinho, temos o perfeito demo-armani do século XXI. Este diabrete dos tempos modernos é um filho da puta perfumado, uma espécie de chanelbrão que nos enche a alma de um ódio praticamente cristão, e que nos resolve todos os justificados tormentos relacionados com a necessidade duma piedosa explicação para o ‘estado do mundo’. O poder terapêutico e ecológico da explícita malandrice gananciosa é um bem da humanidade, só equiparável aos raios laser, aos cacahuetes caramelizados e ao microondas.

Qui tolis peccata mundi

Dá-me uma certa raiva, mas infelizmente eu sempre tive um fraquinho por Bush. Tinha os seus pecados colados à flor da pele, como post-it’s fluorescentes. A arrogância de burgesso com alguns estudos, a religiosidade instrumental e desracionalizada, o populismo de bisonte semi-messiânico, o coração, os pulmões e o intestino ao pé da boca (onde quase que levou com o chinelo), contrição plastificada, maquiavelismo do texas, prenhe de ouvido, esponja de ódios fáceis. Vai-nos fazer alguma falta. Tivemos Bush & a ganância wallstreetica como satanazes de turno, mas agora cada paróquia vai ter de começar a seleccionar novos demónios; a baba e o ranho poderão entrar em conflito de interesses, a malvadez pode pulverizar-se, mas até Jesus aviou com uma vara de porcos endemoninhados pela ribanceira abaixo, com grande aparato, antes de ir tratar dos exorcismos mais calmos.

O segredo de Trouble Mountain VI - a fotonovela

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Sardanapalus era um rico comerciante pelo qual 3 catequistas da paróquia de Alhandra tinham ficado pelo beicinho aquando duma feira de tapetes no Jumbo de Alverca. Largaram tudo, inclusivamente umas bases para copos em corticite oferecidos por um lar de Idosos de Sacavém onde elas iam recolher fraldas mijadas às quartas-feiras, e foram atrás do inebriante perfume a suor das arábias. Mas eis que inesperadamente se descobriu que o Sardanolas afinal apostara todas as suas catequistas e cavalos num fundo do Madoff, pelo que tinha ido tudo pelo cano abaixo. Assim, as moças e os puros sangues iriam agora ter de ser dados de fiança a um usurário arménio. Sardanapalus – Pois filha, mas agora estou cansado e depauperado, julgo que me vou dedicar a recitar salmos, perfumar-me, assobiar a música da ponte do rio kway, e beber um ou outro copito. Menina Cristina – mas eu entreguei-me a ti de corpo e alma; agora nada mais irá fazer sentido. Deixei a minha família, as minhas mini saias, o meu rímel, ...

O Segredo de Trouble Mountain V

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«Adieu, Assyria! I loved thee well, my own, my fathers' land, And better as my country than my kingdom. I sated thee with peace and joys; and this Is my reward! and now I owe thee nothing, Not even a grave.» de Lord Byron, na sua peça alusiva à morte do sarilhoso Sardanapalus, e recolhido aqui num comentário, recheado de pertinência & erudição, - as usual - de mme C.

O Segredo de Trouble Mountain (IV)

Nunca o amor foi algo tão incontroverso: hoje sabe-se que não presta aparentemente nenhum serviço relevante à espécie. É apenas um misto de solidão, desejo e hábitos . A miscigenação amorosa revelar-se-ia assim uma saída. Uma quase réplica erótica do missionarismo evangélico. Uma mulher amada também é uma estrada de Damasco. Uns ombros coríntios, uma pose tessalonicense, um perfil efésio, eventualmente uns gálatas momentos de prazer. Um Deus sempre diferente garante uma revelação permanente. Mas pelos vistos deve haver algum apócrifo iluminado e secreto onde Jesus tenha dito aos discípulos «Filhinhos, ficai sempre por aqui sossegados, jogai juntos um bocadinho de gin rummmy, fazei a sesta depois do almoço e benzei-vos sempre que falardes com comedores de bifanas; desconfiai de olhos muito rasgados, narizes pequenos e preces violentas; eu vou ali ao calvário e já volto, mas não deixem que nenhum pagão se lambuze da nossa canjinha ou debique dos nossos croissants» Ter-se-á escrito quase ...

O Segredo de Trouble Mountain (III)

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Cumpre no entanto deixar claro que o gosto masculino também se pode situar neste extremo do paradigma: (imaginem a força dum piscar d'olho) Ou neste: (imaginem uma pista de obstáculos em conjunto) Tudo uma bela fonte de sarilhos, ressaliente-se. .

O Segredo de Troubleback Mountain (II)

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A actualização da fotografia da Julinha, agora já com o seu vestido cintura de morcela - para além da trancinha in conrona, claro – e ombreira veneziana. Uma cara bem eslavadinha; digo eu. Que o veneno nunca lhe chegue, são os meus votos.

Trouble Mountain

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É com alguma pena que constato ter chegado atrasado a toda a dinâmica alegórica provocada pelas declarações do Cardeal Patriarca no casino da figueira. [No entanto, registe-se, já em 18 de Fevereiro de 2006 , numa série de posts dedicados ao sumptuoso livro ‘Os direitos das mulheres no Islão’ de Murtadã Mutahhari , ed Islâmica ALQALAM, 1988, este vosso criado teve ocasião de alertar para o facto do ‘ homem ser escravo da sua paixão enquanto a mulher é cativa do seu afecto’ . Mas todo esse mês foi muito jeitoso em posts, - eu andava instável de tripa - podem visitar, e deixar uma moedinha] Ainda no que concerne a sarilhos tenho forçosamente de salientar que o que me deixa sempre em completo desequilíbrio moral e hormonal é o contacto - platónico - com mulheres em trancinha. Desta vez a desequilibradora veio da Ucrânia e andou a negociar o funcionamento da canalização com o Putin; do gás, assinale-se. Iulia Timochenko, 1ª ministra da Ucrânia [continuo sem encontrar uma fotografia da moça...

Desejo sem avatar

«eu queria mesmo ganhar isto» é a frase de Ronaldo que mais me fica. A brutalidade duma ambição ainda jovem, ainda sem necessidade de muita camuflagem; absoluta. A maior saudade que tenho dos tempos de juventude é precisamente daqueles momentos em que se via que queria ganhar; apenas ganhar, sem mais merdas, sem as conices (agora chamam-lhes calculismos) da maturidade e da experiência. Era o desejo de vencer ainda no seu estado mais cristalino. A estética beckettiana e existencialista do falhanço é uma decadência. A estética shakespeareana do falhanço é uma fraude. A estética clássica do falhanço é uma mera bizantinice. O melhor falhanço é o que apresenta o pecado original: uma rebelião, uma ilusão, uma condenação, um abandono. A melhor vitória é, obviamente, a da Cruz: uma filha da puta duma certeza de que existe uma vida depois da morte.

O Cristianismo, os bons e os maus.

[1] O cristianismo, apesar dalguma má fama paramentária e dogmática, é grande responsável pelos maiores tesouros do bom relativismo da humanidade. O património que transportamos está irreversivelmente marcado pelos valores do perdão, da misericórdia, da graça, da magnanimidade, da glória e do desprezo dos deuses, tornando assim possível a surpreendente coabitação do bem e do mal que acaba por definir e sintetizar toda a história da presença humanóide neste calhau redondo e azul à beira Sol plantado. Apesar deste toque de midas do cristianismo, que – e independentemente dos agustinianismos mais ou menos mitigados – transforma toda a realidade numa oportunidade de salvação, de desfrute, e de glorificação de Deus, mesclando justos e pecadores que nem broa com bacalhau, Jesus deixou um rasto de deliciosas, deslumbrantes, e muitas vezes inesperadas, separações absolutas de águas. [2] O novo Testamento está pois recheado de relatos onde, num Magistério impregnado de escândalo e oscilante sen...

J’Hamas

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Hezbola-me um pouco a carola que o mundo se sintonize numa merda duma faixa. O melhor enclave que eu conheço é a quinta da marinha, não desfazendo de Cabinda e de São Marino, claro. Mas, querendo ser profundamente sincero, o Alasca dá-me mais pica. Reformulo: o mais arabicamente longe que conseguem ir as minhas preocupações é ali a Alicante, e por causa do torrão, fora isso, a minha alma não se conturba com fatahs, khalids e restantes mahmoudes; no deserto, sabemos hoje, devem construir-se aeroportos, ponto final. Sigo, contudo, todos os dramas da humanidade de forma criteriosa, mas procurando nunca pensar pela minha cabeça pois, como acima se comprova, esta nada me traria de bom. Procuro assim cabeças bem pensantes, que tenham de preferência feito o período de debutação em jacobinismo científico, mas que já tenham distribuído caldo verde na sopa dos pobres. Não valorizo sorrisos amarelos porque não me vão com o template novo. Nevârdelece, d’ont cry for me palestina. João Honório Frago...

Não é que o ano vá muito avançado, mas

O melhor post do ano so far é este: « Só quero que saibas que não te censuro pelo frio que faz ». ‘Dia 8’, no Insónia . Ainda vão ter de esgalhar muito para superar isto.

Mas só a verdade é revolucionária, já se sabe.

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Antoni Tapiés Os únicos homens verdadeiramente invejados pelos seus pares – leia-se, os outros homens - são os que têm sucesso com as mulheres. Aquele je ne sait quoi que transforma um simples macho num – inexplicável - objecto de desejo da fêmea será sempre o maior murro no estômago do orgulho dos outros machos que não estimulam tal gulosa reacção. Regra geral o macho comum resigna-se, («não sei o que é que aquele gajo tem que as gajas ficam todas pelo beicinho») pois este superlativo e genuíno tipo de inveja masculina – o mais entranhado e corrosivo - só é passível de ser gerido na discrição semi-complexada do silêncio e na mais falsa indiferença. Nenhum homem de bolbo raquidiano saudável e anatomicamente equilibrado é capaz de assumir à boca cheia esse atroz sentimento de inferioridade: «o que é que aquele cabrão tem que eu não tenha», é uma expressão que, neste caso, não pode passar sequer da zona da baixa laringe. Dinheiro, poder, talento, nada disso produz mais cobiça que a cap...

Still Life

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Giorgio Morandi, Natura morta, 1956, Oil on canvas. Mart, Giovanardi Collection [Gostava de ter sido pintor. Não são precisas palavras, não são precisas imagens, não é preciso traço, não é preciso memória, não são precisos sentidos, nem é preciso consciência; basta um estado de espírito . ]

no pistachios available

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Sean Scully, 1992, Heart of Darkness , Aquatint on paper, Tate

Estar verdadeiramente in

Desde que a adolescência foi descoberta por algum lobotomizador de mioleiras precoces do sec. XIX que o homem moderno tudo tem feito para tentar prolongá-la o mais possível. Fazer prevalecer os valores fundadores da idade de todas as perversões & inocências deverá ser contudo declarado como uma das condições prioritárias de sobrevivência, se não enriquecimento, da espécie, que só ganhará em saltar, abolindo mesmo, essa invenção de psicologistas pirosos chamada de idade madura - essa sim causadora dos maiores recalcamentos do homo hemorroidaliens que são os drops de ilusão revestidos a responsabilidade. Hoje, o dicionário não ilustrado , nas suas primeiras entradas de 2009, (num estilo mais clássico, entradas 1272 a 1280 ) resolve dar lustro aos grandes princípios da libertação da espécie. Insegurança – É a madrinha de todas as personalidades de excepção. Seja no estilo de Jesus na Cruz, no de Hamlet em Elsinore, ou mesmo no de Harry Potter em Hogwarts, apenas a insegurança provou, ...

Humana Condição

«Tenho um animal singular, meio gato, meio cordeiro. É parte da herança do meu pai. (…) Quando brilha o sol enrosca-se no parapeito da janela e ronrona, no campo corre como louco e ninguém o consegue apanhar .(…) Alimento-o com leite doce, é o melhor para ele, sorve-o em tragos lentos por entre os dentes de predador. (…) Aninhado contra mim é como se sente melhor. Não é tanto uma lealdade invulgar, mas sim o instinto certo de um animal que tem no mundo muitos parentes, mas nenhum irmão de sangue mais próximo. (…) Tem o desassossego de ambos, do gato e do cordeiro, por muito diferentes que sejam. É por isso que a pele lhe é demasiado apertada. A salvação do animal talvez fosse a faca do açougueiro, mas como herança tenho de lha negar.» (Excertos do conto «Um Cruzamento», de F. Kafka; ed. Relógio d’Água)

trompe d'oeil

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Cornelius Gijsbrechts (1670). Reverse Side of a Painting . Óleo s/ tela, 67 x 87 cm. Copenhagen: Statens Museum for Kunst.