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A mostrar mensagens de novembro, 2008

a verdade inventa-se

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Banco Romeu e Caixa Julieta

Contra os conselhos da paternidade reguladora um private banking apaixonou-se por uma caixa de crédito agrícola. Namoraram vários anos às escondidas, fora do perímetro contabilístico, até que se expuseram em excesso aos mercados e tiveram de assumir a relação. Aproveitaram um veículo que tinha ficado adormecido depois de uma tomada de posição agressiva em cimenteiras do norte de África e fugiram levando apenas os trapinhos que tinham no balanço. Viveram períodos de paixão arrebatada, com pouco eram felizes, meia dúzia de clientes fiéis e algumas relações que não lhes exigiam alvará bastavam-lhes para cumprir diariamente o voto eterno de fidelidade em torno de um amor, um spread e uma cabana. Mas um dia o mal parado também lhes haveria de bater à porta e o romantismo da caixa de crédito começou a vacilar. Tinha sonhos de um dia também poder entrar para um ou outro Project finance, nem que fosse uma barragem, ou mesmo um projecto de rega gota a gota. Tudo coisas que um private banking nã...

Boas práticas & Equilíbrio sistémico

Penso que se conseguíssemos encontrar e condenar alguém que fosse banqueiro-pedófilo-presidente-de-clube-de-futebol-autarca arrumávamos os assuntos todos duma só penada e com menos despesa e maçada. Em Portugal a malandragem nunca leva a coisa completamente a sério e mantém sempre na sua vida zonas nebulosa, legal e irritantemente saudáveis, nichos de honestidade e bons costumes que em nada os dignificam, nem à nação que maternalmente os alberga. Inclusivamente a nova moda de branqueamemto de dentes, transformou, de forma obscena, os crimes de colarinho branco em crimes de canino branco. Não dignifica, repito. Depois de Pablo Escobar é muito mais difícil ser malandro. Todos me parecem escanzelados, todos me parecem de ejaculação rápida, todos me parecem maus de boca e, não raras vezes, já nos surgem com problemas cardio-vasculares. Ora quem não nasce com mãos de cozinheiro deveria ter mãos de justiceiro, e qualquer cidadão de tendências exemplares que se preze deveria, pelo menos uma v...

Danoninho country

Numa semana quase prendemos o oliveira e costa dos mirós, quase pusemos a pão e água o rendeiro das fortunas, quase extraditámos o vale e azevedo, quase limpámos a casa pia, quase reformámos o constâncio, quase reformámos a ferreira leite, os jogadores do estrela da amadora quase receberam os ordenados, os lagartos quase marcaram meia dúzia de golos com o Barcelona, e os professores quase que disseram que não se importavam de ser auto-avaliados. .

Easy Come Easy Stay

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Deus, ao contrário do que a piedade, o bom senso, e o temor me levariam a afirmar, é muito previsível. Ou seja, just after de eu ter definitiva e arrogantemente despachado o meu corrimento sobre a suposta melhor música que me acompanhara durante este ano que o calendário e o movimento de translação farão estrebuchar no trintaium-do-doze , é evidente que Ele me haveria de esfregar no trombil o verdadeiramente and truly melhor disco do ano. Nem esperou pelo Natal.

Sol na moleirinha em Novembro, Natal em Dezembro

No que concerne a balanceamentos de ano vou já despachar o musical; do que ouvi, designadamente, e do que não ouvi, mais consignadamente – pois quando não se está muito confiante deve-se trabalhar à consignação. Ora, e já para arrumar um dos departamentos técnicos mais controversos, o do melhor disco que não ouvi do ano, será o dos ‘Mercury Rev’, o corrector automático está sempre a corrigir para ‘ver’ em vez de ‘rev’ - tudo o que é automático é estúpido, já se sabe; os rapazes vêm cá este mês mas não os vou ver, perfiro, adoro e prefiro escrever perfiro, preservar (abençoado corrector automático que me está também sempre a salvar esta palavra) aquelas merdas a que chamam de a memória & imaginário, e o disco até tem pinta de ser bom no género fode-imaginários. O primeiro primeiro (o corrector aqui estrebuchou um pouco com a repetição) melhor disco que acompanhei do ano foi o dos ‘American Music Club’; inclusivamente gostei ! Ser bom não implica que se goste, reparem na subtil subti...

Cucurbitantemente

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Foi batido o record pessoal de 127 gramas, seguidos e bem mastigados, durante a audição dos 3. 47 minutos de ‘ As Long As I Can Hold My Breath’ de Harold Budd, do incontornável - tanto seja pela esquerda como pela direita - ‘ Avalon Sutra’ , do ano de tutauzand'for. .

the black cat tales

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‘Um fogo lento a trabalhar por dentro das árvores’

De tempos a tempos é também de muito bom-tom citar o ‘ dias felizes’ ; mas sem abusar: «Há uma cacofonia no ar. A palavra (…) perde-se e as imagens empobrecem» «Arqueólogos israelitas descobriram um texto em hebraico com 3000 anos. Se a notícia está correcta, “julgar”, “escravo” e “rei" foram as primeiras palavras decifradas» «O Princípio da Incerteza começa numa capela. As capelas são mais secretas do que as igrejas, não têm o fausto dourado, e ao silêncio juntam um certo abandono — parecem casas de arrecadação velhas, talvez o sejam, em parte.» .

Dabliu.

Estranhei imenso não ver por aí citado o artigo de Rui Ramos no Público de anteontem. Esperei, esperei, mas nada. E foi uma prosa shaken, not stirred , que merece uma repescagem: «vão chegar ao fim oito anos de simplicidade, um tempo em que todos os problemas do mundo tiveram apenas um nome: George W. Bush» «O ódio ao presidente americano foi a mais próspera indústria intelectual do planeta» «Há que admitir: não é fácil imaginar alguém mais adequado para o papel de bode expiatório universal» «os problemas que forçaram Clinton e Bush a ser quem foram não acabaram com as presidências deles. Em breve, teremos de lhes dar outro nome» .

agora que o MEC voltou à estrada

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reparem neste Quino em 1977, no 'Homens de Bolso'

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Ana Cardia

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Magaglianes

«(...) lui, come bon pastore, non volse abbandonare lo suo gregge (…) Spero in Vostra signoria illustrissima [che] la fama di uno sì generoso capitano non debba essere estinta ne li tempi nostri . Fra le altre virtù, che erano in lui, era lo più costante in una grandissima fortuna che mai alcuno altro fosse al mondo: sopportava la fame più che tutti gli altri, e più giustamente che uomo fosse al mondo carteava e navigava, e, se questo fu il vero, se vede apertamente, niuno altro avere avuto tanto ingegno nè ardire di saper dare una volta al mondo come già quasi lui aveva dato. Questa battaglia fu fatta al sabato ventisette de aprile 1521 (il capitano la volse fare in sabato, perchè era lo giorno suo devoto), ne la quale foreno morti con lui otto de li nostri e quattro Indii, fatti cristiani, da le bombarde de li battelli, che erano dappoi venuti per aiutarne; e de li nemici se non quindici, ma molti de noi feriti» in ‘ Relazione del primo viaggio intorno al mondo ’, do italiano Antoni...

T.P.C.

O mainstream de turno tem sido bastante injusto com a epopeia neomagalhânica do nosso Sócrates. Não só penso que ele esteve bastante bem na divulgação do seu produto, - certo no timing, no tom, e na metonímia - como colocou o mito no ponto de rebuçado, ou seja, com a pitada de ridículo e a pitada de no sense no registo certo, tal como deixou em aberto uma nova revolução lexical que eu hoje pretenderia destacar. Se atentarmos bem em todo o potencial ero-gramatical que o presente do indicativo do verbo 'magalhar' já revela (eu magalho, tu magalhas, ele magalha, nós magalhamos, vós Magalhães, eles magalham) não será de estranhar que o Dicionário não ilustrado – ‘pensando no produto com maior extensão’, nas entradas 1261 a 1271 - agora se debruce sobre a nova terminologia do Portugal pós revolução magalhânica, o verdadeiro copérnico da nossa modernidade léxica. ‘já te magalhava toda’ – expressão de natureza viril que expõe toda a propensão masculina para fazer realçar na mulher a...