Encomendam-se passados, paga-se com futuros. «viver é sempre escrever sem borracha, não se pode emendar o que ficou para trás; se {o remorso} pudesse, ao menos, ajudar a remendar o que fica para a frente já não seria mau» A.Lobo Antunes ( DN, 21 de Outubro de 2000)
Mensagens
A mostrar mensagens de 2005
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Tu queres ver que eu era um ganda maricas e não fazia uma lista ó um balanço ó lá o que é sobre aquilo que marcou o ano: 1. A injecção de xanax que enfiaram há uns tempos naquele rapaz o bill murry e que chegou ao ponto da minha mulher me fazer uma festa durante o ‘flores partidas’. ( mas depois descobri que era o movimento do braço para conter alguma expressão mais inconveniente ou um intermitente bocejar) 2. Como felizmente passou mais um ano em que não li nenhum livro completo queria aqui salientar uma frase da donna tartt que ainda me rendeu uma sms de belo efeito :«nós pensamos que temos muitos desejos, mas na verdade temos apenas um. (...) viver para sempre» 3. Destaco o disco do jamie lidell (‘multiply’) mas essencialmente porque foi o primeiro que conseguiu sacar da minha filha um carinhoso e revolucionário ( se bem que com alguns laivos comiserativos vejo agora uns meses depois): «emprestas-me esse». 4. Sendo o ano do desaparecimento político do nosso narciso miranda isso acab...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Continuação de Boas Festas Cake ‘short skirt / long jacket’ I want a girl with a mind like a diamond, I want a girl who knows what's best, I want a girl with shoes that cut, and eyes that burn like cigarettes. I want a girl with the right allocations, Who is fast, and thorough, and sharp as a tack. She's playing with her jewelry, She's putting up her hair, She's touring the facility and picking up slack. I want a girl with a short skirt and a long jacket. I want a girl who gets up early, (gets up early!) I want a girl who stays up late, (stays up late!) I want a girl with uninterrupted prosperity,(uninterrupted!) Who uses a machete, to cut through red tape. With fingernails that shine like justice, and a voice that is dark like tinted glass, She is fast, and thorough, and sharp as a tack. She's touring the facility and picking up slack. I want a girl with a short skirt and a long, long jacket. (na na na na.....) I want a girl with the smooth liquidation, (smoot...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Christmatrix O grosso das heresias que animaram os primeiros séculos do Cristianismo andavam à volta essencialmente da natureza humana e divina de Jesus e respectivos adereços. Com o aparecimento da PSPortatil estas questões poderão voltar à liça porque, porra, um dogma não é de ferro. Prevejo uma contra reforma da terceira geração baseada num jogo entre Nestorianos e Monofisistas em que o Menino Jesus é raptado por um copta que vive amantizado com uma presbiteriana, e ganha o que conseguir obrigar um montanista a entrar num restaurante sem utilizar a tecla F1 nem fugir para os ortodoxos. A Nintendo se ainda for a tempo poderia ficar com os royalties das seitas gnósticas, ganhando quem provocasse mais cismas sem recurso a iconoclastas. Acho que fazem falta hereges com mais tomates e menos direitos de autor. Mas se Deus quiser ainda voltarei a esta coisa das heresias porque vale a pena. Estão para a fé como a insegurança, o ciúme e um bocadinho de obsessão para o amor: imprescindíveis p...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Bom natal Ternura & carinho. Hoje coloquei como missão natalícia recuperar a reputação destas duas palavras. O decadentismo ético de teor existencialista que assola a espécie e a faz carregar cada vez mais um pessimismo irónico-expiatório (topem-me só a categoria deste intróito, que me isenta praticamente de mais quaisquer outras erudições) teve, entre muitos outros efeitos perversos, este de relegar para as caixas negras do discurso intimista-amoroso ou do discurso de registo humorístico-sarcástico estas duas palavras de tanto conteúdo e riqueza, diria mais: preciosidades de corpo e de alma. Aparentemente as suas terminações indiciariam dois opostos estéticos: o ‘ura’ e o ‘inho’ - fazendo lembrar o anúncio antigo das canetas BIC : ‘ BIC laranja da escrita fina, BIC cristal da escrita normal’. No entanto estamos na presença de dois vectores duma mesma força que poderão funcionar como autênticos acumuladores de energia para usar naqueles momentos em que até o timbre da voz do alheio...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Amores ainda em estado praticamente novo Desenjoando um pouco da democracia com os amores dum ditador à portuguesa do tempo em que não havia debates, nem VPV escrevia crónicas, nem MMG apresentava telejornais. Mas já o Benfica era levado ao colo, e Cunhal tinha sido preso com Carolina Loff, a tal que «trajando maillot, tinha uma influência enorme para a captação de vontades» (*) «Vai álgido o tempo e invernoso, mas apesar disso são longos os passeios nos arredores da aldeia, ou pelos córregos da Urgeiriça e do Buçaco. Christine está em puro enlevo, e Salazar possuído por sentimento que há muito não conseguia. (...) Agora, que a vida para ela mudou de sentido e de rosto, promete a Salazar ser paciente e doce, e obedecer-lhe para sempre. (...) E diz mais a Salazar: beija-lhe as mãos, num amor imenso, total: e que beija as suas cartas.» in ‘Salazar’ – vol. IV – ‘o ataque’, de Franco Nogueira, Liv. Civilização, pags 251,252 (*) retirado do texto dos arquivos da Pide citados em ‘Alvaro Cunh...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
My M.’Mena Mónica (condensed) side of the soul Naquele ano apenas me faltou aparecer um anjo e ir às putas. L.Freud tinha sido nomeado para a short list do Turner e eu lia duma forma diferente pela primeira vez aquele familiar dele mais conhecido, coincidência ou não passei a ter sonhos mais descontrolados e imprecisos, pus Dostoievski numa prateleira, por um triz Anna K. não foi para a enfardadeira e agarrei-me à pele. Alguma sabedoria tinha-me ensinado que desenfreado era a pior forma de galopar, e isso fez-me rodear fossos que luziam como espelhos de água, mas não deixava de lutar entre uma vertigem de mustang e um entardecer de cavalo de cortesia. Afligia as hostes com uma pose de playboy a rezar o terço já me chegaram a recapitular. Pela primeira vez a frieza duma mão certamente mal afagada afastou-me duma fornicação desejada e também saíram as primeiras lágrimas depois duma canção certamente também ouvida vezes demais. Mas Deus esteve sempre por perto, está na Sua natureza ali...
My Tony de Matos side of the soul
- Obter link
- X
- Outras aplicações
O Dicionário não ilustrado hoje mostra que só o amor nos salva. Mas pelo sim pelo não eu cá levava bóia. As frases do nosso enamoramento em tantas entradas quantos os dias que o mês já leva. ( 1141 a 1149) ‘Nunca compreenderás o quanto te amo’ – Constatação de registo agnosticizante que revela uma condição de irracionalidade entre a angústia fragilizante e o fascínio pelos carapauzinhos fritos dum dia para o outro ‘Nunca conseguirei dizer o quanto te amo’ – Constatação de registo peri-afásico, que corre o risco de descambar numa gestualidade demasiado exuberante e que geralmente coloca a boca em locais originalmente apenas destinados às mãos e ao Dystron ‘Amar-te-ei até sucumbir’ – Revelação de um amor que apenas é refém da nossa condição biológica, e que vai de lua nova em lua nova olhando para as marés como um surfista quando sonha com aquela onda gigante que lhe daria para impressionar definitivamente as miúdas. ‘Causa-me dor tanto amor’ – Fenómeno verificável nalgumas relações amo...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Desmaker residence Check out lover Aprimorava especialmente os rituais de saída. Entusiasmava-se a dar pormenores sobre o consumo até ao esgotamento do minibar, reflectia sobre os canais obscenos pagos à parte, sobre os cheiros a alfazema dos carrinhos das camareiras, sobre as coxas medidas pelo olhar no bar do último andar, sobre os olhares furtivos de elevador, todos eles dispensando motivos e provocando ardor; e mesmo que não lhe perguntassem desenvolvia com alguma minúcia as peripécias da sua estadia, em que nenhuma noite teria sido fria, acabando por seduzir uma plateia de grumetes, recepcionistas de saia travada e outros comensais de face corada que ficavam encantados pela forma como ele descobria tanta riqueza num banal fim de semana em meia pensão, sem sexo desprotegido, nem nenhum amor escondido numa suite com crucifixo e com vista para Valedicere, e como desencantava encantos escondidos no acto de se ir embora cantando pestanejares de canto de olho. Mas ele era um profissiona...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Apenas picando o ponto Tudo tem rosto Tem tudo olhar... Nevoa-antegosto Do decifrar! Sobe em meu sêr Um mêdo a Deus... Quero não ver Os mudos ceus... Porque o seu claro Azul sem fim Sem ter olhos olha Com olhos p’ra mim... Paro em meu frio Limiar da alma... Como (?) o arrepio Que cerca a calma Em que me cerco De Deus e teu E em mim me perco Por todo o céu. do F.P. ( do espólio)
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Revelações da córnea «O meu deus é apenas a transcendência que vislumbro a espaços nos olhos dos meus filhos» leio no controversa maresia . Primeiro achei aquele tipo de frase de belo efeito para consumo de agnóstico entre dois scones, depois senti ali uma bonita lamechice literária de mãe, depois vi um lugar comum sacudindo a desmetafisiquizada incomodidade de não acreditar em Deus, depois fiquei lixado e invejoso por não sentir transcendência nenhuma quando vejo os olhos dos meus filhos, depois ainda pedi ao sacana do meu filho mais novo para parar de piscar os olhos, e antes de ir ao que interessa ainda pensei que Deus se manifesta de muita maneira mas privilegia as dissimuladas porque infelizmente gastou a verba para milagres pirotécnicos há uns anos atrás. É muito difícil encontrar Deus se apenas o procuramos na bondade das coisas ou das pessoas, como quem procura Neptuno no recheio duma santola, e é por isso que ainda dou algum crédito à filosofia, à teologia e à metafísica que l...
temas desfracturantes
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Y ahora umas entradas levezinhas, sans peur de estar cara a cara avec la realité, mas just in case, e para não deixar dúvidas, calling the oxes by the names. O dicionário não ilustrado nas entradas 1132 a 1140. Proibição de Padres maricas – Todos poderão discutir a escolha, da mesma maneira que eu hoje teimava em chamar raineta a um pêro golden. O supermercado das reclamações está sempre aberto mas felizmente o código de barras tem dono. Autobiografia da Mª de Filomena Mónica – (Retirado o ligeiro pormenor de não ter lido e de ter prometido à minha mãe que não lia) acho que seria sempre um mero aperitivo para as memórias da Fátinha Felgueiras Beijinhos lésbicos no recreio – Manifestação de carinho em que a inocência faz de língua, a pouca-vergonha faz de lábio, e a modernidade libertário-hipócrita anda de mão dada com o puritanismo. Cócegas opcionais. Crucifixos nas escolas – Apesar de Deus nosso Senhor ter dito ao bom ladrão para deixar de catrapiscar o calendário da Pirelli mesmo ...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Fusionblog «Bom. Concentrai-vos e fazei mas é o que tendes a fazer, sem ondas. O resto eu controlo daqui. Remotamente. Sim, com tudo o que o advérbio implica » (*) e olhando para a pantalla resignadamente mas procurando aguentar-me «tendo a risibilidade como fio condutor»(**). (*) blogame mucho (**) frenchkissin
- Obter link
- X
- Outras aplicações
O conto dos achocolatamentos desviantes Sonhava-se o Ferrero roché a viver embrulhado num papel dourado, sendo fantasia por fora e doce avelanado e crocante por dentro, com baronesas a suspirarem afrontadamente por ele, mordomos a transportarem-no numa bandeja, qual andor de prazer, e vivendo resguardado numa caixa climatizada de raiz de nogueira lacada e forrada a cetim, fazendo duma travessinha Cantão o seu boudoir; tanto servia para se derreter aos poucos como para ser trincado aos repelões, e mostrava-se irrecuperavelmente sensível aos caprichos da translação do planeta e da camada de ozono. Por outro lado o Mon chéri sentia-se um turbilhão de cereja por dentro, sentia que tinha poros a menos e demasiada ternura emulsionada para sair, era um magma de sensibilidade reprimida, imaginava-se pólen e queria ir abanar pralinadamente o seu cacau ao vento, não valorizava a companhia sedutora das trufas e estremecia deslumbrada e inesperadamente com a presença do pau de canela. Sentiam-se a...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Romaria à Senhora da Sufrágica Consolação Editorial break: isto-é-mas-é o verdadeiro blog político Como julgo ser de todos sabido nada de marcante na vida recente da sociedade portuguesa se deve a algo que algum Presidente da República tenha feito, dito, pensado, insinuado, elocubrado, recalcado, suspirado, sacudido o rabo, sublimado, rangido os dentes, ululado, piviado, ou qualquer outro movimento mais ou menos kamasutrico. Mas de certa forma acho isto um misto de injustiça, ignorância e falta de sensibilidade, e assim deixo aqui também uma dúzia dos momentos mais marcantes da presidência da república portuguesa nos últimos 25 anos; no fundo poderá alguém querer fazer daqui a uns tempos um congresso chamado ‘Portugal, que passado’. 1º - Discurso de Sampaio no 5 de Outubro de aqui há cinco anos que permitiu adormecer o meu filho mai novo depois duma birra que já se arrastava desde o 28 de Setembro - (no entanto cheguei a temer o pior com um ronco despropositado dum senhor fardado da 5ª...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
contradanças "E tudo [ cof cof ] que eu [ agora ] posso te dar / É solidão [ nem por isso ] com vista pro mar [ rio, sff ] / Ou outra coisa [ pastéis de Belém? ] prá lembrar [ é a idade, filho ] // Se você quiser [ se não? dá no mesmo ] eu posso tentar [ quer dizer... ] mas / Eu não sei dançar [ o problema é o inverso ] / Tão devagar [ ou isso ] prá te acompanhar [ pois... ]" Marina Lima, "Não sei dançar" (2003)
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Maria, ( sim, agora dirijo-me directamente a si, e em serpentina, para não me poder agarrar ) Nos primórdios da psicanálise Freud escrevia que a «consciência de hamlet (outra vez este gajo) é a sua sensação inconsciente de culpa». Inaugurava-se assim aos poucos aquilo que G. Steiner chamaria de «metáforas controladoras», referindo-se aos mitos em oposição às «metáforas paralelas do pecado» que seriam estruturantes para as visões teológicas. Ora a ‘confissão’ nasce essencialmente no seio dum processo reconciliatório, longe de ‘sensações inconscientes’ sejam elas do que forem, e antes a responder aos apelos de união com Deus que sentem as almas que dalguma forma o reconhecem. A ‘forma’ actual do sacramento até é tardia – trazida para a europa ocidental por missionários irlandeses, julgo – mas não desvirtua o essencial da religião, ou religiosidade se quisermos adverbiar a conversa, que é ligar e converter (a par da dimensão vocacional). O mecanismo/método/doutrina/literatura/mitologia/en...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
"Passando-lhes pelo estrado" 6. Síntese Confessamos que estamos a chegar desalentados e fatigados ao fim deste estudo, verificamos afinal que o homem é um mero lubrificante, é um mero encerador de estrados em pavimento flutuante, um betume que tem sempre de estar à cor senão vai destoar com a madeira, e por isso está cientificamente provado que há muitos que trocam essa merda toda por um ladrilho brilhante, às cores, e onde depois se possa passar com um pano e, desde que não se escorregue, já está.
- Obter link
- X
- Outras aplicações
reflexos e actos fal(h)ados “Seria errado supôr uma oposição onde existe uma relação de cooperação” (*) Numa conferência de 1893 Freud aborda a etiologia da histeria expondo pela primeira vez a noção de afecto como um dos elementos que liga alma e corpo, ou seja, as componentes psíquica e física do ser humano. Mais tarde, e ainda sobre a histeria, concluirá existirem três modalidades gerais através das quais se processará o aliviar da excitação na sequência do processo traumático na base da sua génese: o movimento, a fala e a associação. Em 1891 é publicada a que muitos investigadores consideram ser a primeira verdadeira obra teórica de Freud (**) em que se clarifica alguma da relação entre a histeria e o uso das palavras e onde se encontra, de forma simples e clara, explicação para alguns mistérios quase insondáveis da natureza humana em geral (e da blogueira em particular): "há casos em que os afásicos sensoriais não dizem nem sequer uma palavra compreensível mas desbobinam síla...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
E agora um pavesezinho mal passado em molho de cioran, servido com um montaignezinho a cavalo. As senecazinhas fritas acabaram por amolecer um bocado. «Amiúde se me tem afigurado que mesmo os bons autores erram ao obstinarem-se a conceberem-nos como um todo coerente e constante». Na verdade essa polifonia da nossa condição perpassa-nos a existência, e alguns encontram o «segredo da adaptação à vida mudando de desespero como de camisa», enquanto outros admitem que «não nos libertamos de uma coisa evitando-a mas só passando através dela». Dá mesmo a ideia que «só somos desgraçados por culpa própria». Constato que para viver decentemente basta lutar contra a supersticiosidade da alma, sabendo simultaneamente abraçar a sua iluminada e intrigante transcendência e a sua apaziguadora e perturbadora imanência. Em suma: um grande foda-se (senão nem aqueles gajos vendiam livros nem o padre borga escrevia canções). Espero que tenham degustado.
- Obter link
- X
- Outras aplicações
apontamentos de fenomenologia ( ou da hermenêutica em versão so-letra-da ) Na língua de Camões - a quem Eugénio de Andrade atribuía a dádiva de "(um) aprumo de vime branco, (um) juvenil ressoar de abelhas, (uma) graça súbita e felina, (uma) modulação de vagas sucessivas e altas, (um) mel corrosivo da melancolia" - pode dizer-se "um burro não é um cavalo", em alternativa a dicionários especializados na arte vanguardista da fusão entre a epistemologia do cromo de futebol, a gnoseologia da centerfold da playboy e a semiótica do postal natalício dos ctt.
candidatos
- Obter link
- X
- Outras aplicações
O conceito ‘candidato esfinge’ abriu todo um leque de possibilidades epistemológicas para a ciência política. O dicionário não ilustrado jamais poderia ficar alheio a esta nova perspectiva e esboça novos enlaces nas entradas 1123 a 1131 Candidato pirâmide – Tipo de candidato especialmente indicado para guardar as múmias do regime Candidato vitral – Tipo de candidato que faz muito melhor efeito se tiver alguém a iluminá-lo por trás Candidato menir – Candidato com real peso específico na sociedade civil Candidato Jardim Suspenso – Tipo de candidato que tem as suas raízes num país em que o pessoal já esteja pelos cabelos Candidato Altamira – Tipo de candidato que em poucos traços pode transformar um país que esteja na fossa num paraíso etnográfico Candidato Taj-Mahalianio – Tipo de candidato que governará com a magnanimidade de quem está a celebrar um grande amor Candidato Pompeia – Tipo de candidato feito para renascer das cinzas Candidato Acrópole – Tipo de candidato especializado no t...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
"Passando-lhes pelo estrado" 5.3. Factores aleatórios Teremos de saltar as 'festas com as costas da mão' porque o Patriarcado acabou de ameaçar não distribuir esta merda nos retiros do "verbo divino" e acabaremos por nos concentrar finalmente no 'dedilhar'. Antes de mais tem de ficar bem claro que todas as perversões relacionadas com a algema de dedos estão vedadas a este estudo, e que todos os trabalhos de campo se efectuaram após o devido aquecimento dos referidos dedos em reuniões de conselhos pedagógicos (ou como é que se chamam essas coisas em que gajas quarentonas vestidas de turcas se juntam para suspirar por homens belos, apolíneos e de gravata à espera de ser tirada e que lá não se encontram, obviamente). Feito este prévio esclarecimento, não podemos fugir à evidência de que onde há um dedo terá de haver ou uma luva, ou uma tecla, ou um buraco. Ora este estudo não arranjou verba para o piano, já chegou atrasado à secção de marroquinaria e po...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
‘We must say of Freud: after him there is only commentary’ (*) Ao ler Clara F.Alves no Expresso a escrever isto « numa conversa que tive uma vez com George Steiner, queixava-se ele de que a literatura, e o romance como grande arte, tinha deixado de focar e tocar a história do mundo para a poder organizar com a imaginação» lembrei-me logo daquela vez em que eu e o Freud fomos comer uns caracóis ali à Rua da Esperança e em que ele espantado e intrigado por eu não usar os palitos chupando directa e deliciadamente os caracóis da casca, acabou por me dizer à laia de desabafo científico: é por estas e por outras que eu concluo que tive uma infância infeliz e não soube aproveitar devidamente o processo amamentativo ao estar sempre a pensar em como por os palitos ao meu pai. (*) in ‘Where shall wisdom be found’ de H. Bloom, pag 240, ed. da Penguin group
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Vá Anybal pega no cavaquinho e nessa voz suja e surpreende-nos «After saying that the words are the important thing, Dylan then proceeds to caress the melody, first on harmonica and then with his voice, until the song sounds less a political anthem and more like a lover’s question» in texto que acompanha o cd ‘Bob Dylan – no direction home: the sound track' a propósito da versão de ‘Blowin’ in the wind’ que é apresentada no filme de Scorcese.
- Obter link
- X
- Outras aplicações
"Passando-lhes pelo estrado" 5.2. Variáveis dependentes Temos de confessar agora que nutrimos pelo movimento sobre o qual nos iremos debruçar de seguida um carinho especial; trata-se da 'roçadela de polegar'. As combinações de estrado escolhidas são 1) o percurso braço-ombro-costas-rabo, que será uma carreira expresso temos de reconhecer, e 2) a zona traseira da coxa desde a dobra do joelho (ai que arrepio) até à sempre recorrente e omnipresente nádega esquerda (a nádega direita foi poupada ao estupro científico e foi oferecida em fermol aos artistas plásticos); aqui a velocidade e a intensidade são absolutamente determinantes, nelas se joga todo o sucesso do fraseado mímico-erótico do polegar; e crucial: a mulher tem de sentir que o olhar do homem está a acompanhar o movimento, é verdade, momentos ouve em que algumas desabafaram 'mas olha lá e tu estás a olhar para onde' quando se apercebiam que o polegar estava nas costas dela mas o resto estava virado para ...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
o drama (ou a prodigiosa questão) Who’s there? [W. Shakespeare, Hamlet] Numa das suas obras sobre o real, Clément Rosset (*) chama a atenção para a faculdade humana e quase mágica de oferecer resistência à informação externa não conforme com a expectativa e o desejo, de usar o livre arbítrio e ignorá-la se necessário fôr e mesmo de se lhe opôr, enquanto realidade, através da recusa da percepção com vista ao encerramento da controvérsia e do debate. O sucesso reside, por conseguinte, no paradoxo que é usar cabeça, olhos ou ouvidos para não entender, ver ou ouvir. (*) Rosset, C. (1988). Le principe de cruauté . Paris: Éd. Minuit.
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Moon again (e conforme prometido) Hamlet - Em verdade, ser grande Não é agitar-se sem argumento válido, Mas encontrar com grandeza motivo de querela numa palha Quando a honra está em jogo (…) Ah que doravante meus pensamentos Sejam feitos de nada ou sejam sangrentos Pag 183, da ed. bilingue da Lello, com tradução da Sophia de M.B.
- Obter link
- X
- Outras aplicações
tip / quiz 1. Jerónimo acusa Cavaco de «gerir silêncios» [TSF] 2. Iago (avvicinandosi molto ad Otello e sottovoce): Temete, signor, la gelosia! / È un'idra fosca, livida, cieca, / col suo veleno / sè stessa attosca, / vivida piaga le squarcia il seno. [Otello, 2º acto] Com quantos (az)Iagos nos fará a vida cruzar?
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Back to earth Talvez vote cavaco, sim talvez vote cavaco. Não estou a ver bem porquê, mas talvez vote cavaco. Aliás mais ou menos sei, a alternativa seria um poeta do terceiro mundo ou um tipo que pode ficar gagá a todo o momento; todos podemos aliás. Mas parece-me pouco, parece-me uma coisa feita assim com pouca honra, não sei ( é pá agora vinha mesmo a calhar uma outra do Hamlet de que me lembrei, mas não sei de cor, no próximo post acrescento à laia de bónus) mas realmente o que me espanta é o entusiasmo todo em torno de cavaco – incluindo alegorias com mais ou menos citroen, mais ou menos bolo-rei. É que me fica sempre esta questão entalada: mas o Cavaco, prof Cavaco como lhe chamam – o que daria umas boas rimas mas o poeta anda distraído com o hip hop - ao certo ao certo poderá fazer o quê? Sim, o quê? Convence os chineses a comprarem as ilhas selvagens para plataforma logística, convence os sindicatos alemães a deixarem fazer cá os carros todos, obriga os esturjões a virem desova...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Presidenciais alternativas ou do culto da personalidade entre duas cavadelas de adubo Hamlet – (...) Um rei gordo e um pedinte magro nada são senão iguarias variadas: dois pratos, mas para uma só mesa Rei – Ai de nós! Hamlet – Um homem pode pescar com um verme que comeu um rei, e comer um peixe que jantou esse verme Rei – Que queres tu dizer com isso? Hamlet – Nada. Só mostrar-te que um rei pode desfilar através das tripas de um mendigo E face a poetas, a comunas, a economistas ou a republicanos profissionais fico com um certo desencanto – mas não melancólico, valha-me isso – por não se encontrar aquilo que H. Bloom dizia no ‘Cânone Ocidental’ sobre Hamlet : um «livre artista de si mesmo», alguém que «dissolvesse as demarcações entre as ordens da natureza e do jogo». Mas eu já desço à terra. Dá muito trabalho ser terra à terra, é coisa de agricultor.
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Mi casa es tu casa Quando Deus se revelou na sua versão literária-exegética – porque obviamente também se revela constantemente naquilo que se convencionou chamar ‘coração de cada um’ – sempre deu a entender que existiria uma ‘casa do Pai’. Esta toponimização aplicada à transcendência pode aparentar ser uma abébia metafórica de Jesus para que nós apanhássemos - e nos aconchegássemos - melhor as ideias de salvação, de vida eterna, de céu, de paraíso. Mas eu cá topei-o bem: não há Deus sem sítio, não há amor sem lar. Não há religião sem fios, não há alma sem pele.
- Obter link
- X
- Outras aplicações
"Passando-lhes pelo estrado" 5. Materiais e procedimentos (ou metodologia) Escolhemos como metodologia um sistema de base matricial: uma 'técnica' para 'duas zonas'; a variável 'velocidade' será introduzida sempre que se considerar pertinente. Procuraremos não sucumbir ao mero efeito estético e por isso ficam afastadas, por exemplo, as combinações 'roçar de polegar' /'mamas' e 'dedilhar'/'costas' (esta últimas têm inclusivamente tratamento autónomo nos estudos sobre drenagens linfáticas, pois as investigações de campo fizeram ressaltar algumas incomodativas respostas do género "as gajas querem mas é massagens à borla"). Evoluamos pois. 5.1. Variáveis independentes Para o originalíssimo movimento denominado 'apalpar' escolhemos as combinações pouco óbvias com a zona 'entre-pernas-vindo-de-baixo', e com a zona 'colina-ascendente-da-nádega-esquerda-vindo-de-poente'; como adereço epistemológ...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Quase filosofia A questão que realmente me assola a mente neste momento nem são os mandatários da juventude, nem o sexo criminoso antes dos 18, nem a falta que sinto do peseiro, reparem bem: é a questão dos ‘porta-vozes’. Todos sabemos que a vida seria bem mais difícil sem porta-chaves, nem sei o que faríamos sem porta-bagagens, sem porta-estandartes já se aguentaria melhor mas em todo caso também é bem vindo, o porta-luvas será um caso de duvidosa utilidade e há mesmo quem tenha com ele uma relação difícil, mas também lhe encontro potencialidades para esconder restos de bolachas oreos, o porta-Portas agora está um bocado em baixo com aquele rapaz o Ribeiro-que-ventila-Castro (uma espécie de Nuno Cardoso da direita) mas o rapaz das feiras voltará certamente um dia, quando o Cavaco estiver no intervalo entre uma fatia de bolo rei e uma condecoração ao Saramago, estou-me a desviar – e afinal não tive nenhum sonho marado, volta Freud estás perdoado – mas critica crítica é aquela situação ...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
quase religião (porque "o pecado, esse já se sabe, está na carne". ou na influenza das aves) descongelam-se no micro-ondas; envolvem-se no pó de uma sopa instantânea de marisco para ficarem a parecer panados sem o serem (o rigor não interessa nada para o caso); depois deitam-se num pyrex amanteigado (convém usar margarina, também não vale a pena mais despesa), cobrem-se de natas (daquelas em conta das linhas brancas dos supermercados) e deixa-se a arrastar no micro-ondas aí por uns 3000 segundos, em banho-maria; acompanha obrigatoriamente com arroz, salada e vinho branco parece complicado? não é! vendo bem não é sequer necessário usar qualquer tempero específico para fazer estes "filetes de pescada expresso", tão de encher-o-olho quanto desenxabidos e intragáveis, valha-lhes a santa. ou outra coisa qualquer
- Obter link
- X
- Outras aplicações
My nhiqui nhiqui side of the soul Não gostei de ver Madonna com aqueles brincos horrorosos, fazem-lhe na cara o mesmo efeito que Manuel Alegre na corrida presidencial que dá ao país um ar de bidonville a maquilhar-se, como um país de farófias que um dia sonharam ser profiteroles, parecemos uma Venezuela a recauchutar-se em realismo mágico, como se não nos bastasse ser um país de pitágoras que é constantemente encornado pelas hipotenusas. Mas foge-me a lógica, sou puxado para o trocadilho, apetece-me adormecer num sofisma e empolar o que me falta; hoje se sonhar, vai sair merda. Se amanhã ainda tivesse coração poria a boca no trombone, mas felizmente a tal de lua nova já se está a baldar.
- Obter link
- X
- Outras aplicações
"Passando-lhes pelo estrado" - Toda a mulher é uma lição - Parte II - Afagando e andando 4. Notas prévias Na dialéctica em análise o papel das mãos assume uma posição muito sensível, delicada mesmo. É o clássico dilema do investigador: onde termina o cientista e começa o homem; ou o drama do artista: onde termina o modelo e começa a amante; ou mesmo, não o esqueçamos nunca, o drama do homem do lixo: onde termina o trabalho e começa a merda. Escolhemos para objecto deste capítulo desde os movimentos mais clássicos como o 'apalpar', até aos menos evidentes como o 'roçar de polegar', passando pelas sempre enigmáticas 'festas com as costas da mão', sem esquecer o febril 'dedilhar' nas suas mais diversas combinações estilísticas. O acto de 'espremer borbulhas' foi afastado da análise pela sua evidente falta de gosto e por apenas servir o cruel desiderato de uma das partes. Existe uma premissa que deverá ser de imediato vertida porque é trans...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
"Passando-lhes pelo estrado" 3.4. Perspectiva panteísta Antes de passarmos às mãos importaria reflectir sobre os locais onde os lábios efectivamente podem trazer um real valor acrescentado no estrado feminino. Afastado o mistificado, ou pelo menos sobrevalorizado, pescoço, teremos forçosamente de avançar para as zonas de maior valor ginecológico. Face à extensão e riqueza do corpo feminino teremos de nos concentrar nesta breve exposição apenas nalgumas. Aqui avançaríamos para as sempre muito interessantes zonas de fronteira. Escolheria duas: aquela que fica entre as protuberâncias mamárias e o umbigo, e uma outra, também não menos eriçadora do pêlo, entre o final das costas e o início da encosta descendente das dunas de retaguarda. Cremos que ambas as zonas foram criadas por Deus e julgamos que terão sido mesmo aí que nasceram as primeiras heresias panteístas. Não era caso para menos. É nessas zonas de antecâmara que parece tudo se jogar; é aí que parece se revelarem os passo...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
"Passando-lhes pelo estrado" 3.2. Perspectiva sensório-motora Acabou no entanto por ser depositada muita esperança no mero movimento arrastado dos lábios sob o estrado dérmico. Esse "roçar labial "absolutamente carregado de insinuação, era uma resposta masculina à acusação de 'táctica barata' com que muitos lábios-em-kiss-module viam ser catalogada a sua humilde actuação. Este movimento deslizante de lábios, numa primeira fase, conseguia parecer transportar consigo o tão falado, e elogiado, pela sensibilidade feminina: poder do implícito. Mas como não foi até agora localizado nenhum espécime do género masculino da raça pura que se tenha chegado a satisfazer com esse conceito, ele passou a ser um mero refúgio de frustrações canalizadas para a literatura. 3.3. Perspectiva psicológica: Freud, Piaget e Vigotsky Menos prosaico que estes dois movimentos referidos anteriormente no que concerne aos lábios, mas julgamos de valor epistemológico não inferior, é a denom...
politica a granel
- Obter link
- X
- Outras aplicações
The country club O dicionário não ilustrado com entradas avulsas entre todos os santos e os fiéis defuntos, mas a piscar o olho ao limbo dos inocentes. (1110 a 1122)- fui acrescentando até à capicua Constituição – Documento que começa a ficar para as democracias modernas como o livro dos Salmos para o catolicismo. Poderes presidenciais – Tipo de poderes tão bem definidos que deixariam o Leviathan a pedir ao Hobbes para escrever tudo outra vez. Magistratura de influência – Sofisticado processo que permite o nariz penetrar em locais para onde não foi chamado. Pingo ( de vergonha, claro) a evitar. Procuradoria geral da Republica – Local selecto onde a República faz de palheiro, o cidadão de agulha e a lei faz de palha. Políticos profissionais – Os que descontam para a caixa mesmo que depois não dêem uma para ela. Política – Actividade nobre que assim relega para um segundo plano a actividade isidoro. (Em qualquer caso entram picados e saem enchidos). Sessão legislativa – Tipo de convençã...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
big brother pbx Ouvido hoje numa radio: "todos têm um talento que devem descobrir e desenvolver nem que seja recorrendo ao auxílio das fadas de Neverland". Deve residir nesta crença a explicação para haver quem pretenda ensinar antes de aprender a soletrar. ['musa intertextual' e 'francesinha especial' não são sinónimos: rimam e é tudo]
- Obter link
- X
- Outras aplicações
"Passando-lhes pelo estrado" 3. Anatomo-fisiologia do ósculo Mas voltemos à verdadeira dialéctica: lábios versus mãos. É aqui onde realmente se joga todo o destino dum homem que não queira viver apenas dando lustro ao soalho do divino estrado feminino. 3.1. Perspectiva bio-físico-química O lábio é sem dúvida um instrumento que foi bafejado pela benesse da localização estratégica. Vizinho do nariz, vizinho dos dentes, porteiro da língua, condómino da bochecha, parece aquela ave que todas as reservas ecológicas gostariam que lhes viessem desovar em cima. Este bolbo sanguíneo apresenta dois prosaicos movimentos ao seu dispor. O mais clássico é o chamado 'beijo' e é talvez o exemplo mais acabado do sucesso sexual periclitante e instável. Já foram observados tanto a resultarem na mais valente e empolgante fornicação (designação derivada da culinária alentejana e que descreve o momento em que o cozinheiro mete o cação no forno) como a resultarem no mais desanimador 'ago...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Génesis revisitado Socraates depois da maioria absoluta avisou as tribos que Deus lhe tinha dito num sonho que com ele a descendência socialista seria numerosa como o pó da terra, e que bastaria lá haver pelo menos um justo (actualmente tinham dois: a mme Barroso e o Guterres) para serem poupados àquela dose da dissolução com que levaram os Sodoma Lopes e Gomorra Portas. Preparavam-se assim para viver todos contentes, e até tinham feito um pacto (isento de corte de prepúcio, contudo) de que se garantissem que circunlixavam o povo rapidinho nos dois primeiros anos talvez Deus os iluminasse com um candidato em condições para a presidência. Constatando o meio uterino do partido a envelhecer a olhos vistos, Socraates desesperou, adiantou-se ao Criador, e informou que iria gerar um candidato de nome Soaares, moço este que certamente garantiria uma prole socialista a crescer que nem estrelas no céu. A coisa parecia poder correr normalmente, o outro possível e incómodo candidato (pode fazer d...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
"Passando-lhes pelo estrado" 2. Anatomo-fisiologia da cerviz Comecemos por uma lateralidade procurando criar ambiente, pois até um texto técnico precisa dum ambiente descontraído para ser bem recebido; detenho-me por isso no pescoço da mulher, que é aparentemente uma atracção logo aos primeiros acordes das hormonas, que só se aguentam calmas quando os sustenidos estão embebidos em bemol. Mas desmistifiquemos sem demora: tirando o caso quase zoológico de Celine Dion, o pescoço duma mulher é um dos grandes equívocos do erotismo; e fica já arrumado o postulado: nem todo o arrepio é uma descarga hormonal. A mulher utiliza esta ilusão de que no pescoço se situa uma espécie de aleph do prazer para ir ganhando tempo, para dar a entender ao homem que tem pontos sensíveis afastados do centro de gravidade. Ora um ponto sensível que esteja longe do epicentro não passa duma figura a dar serventia à retórica poética, dum entreposto manhoso, dum posto de muda de montada, duma senha de raci...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
"Passando-lhes pelo estrado" - Toda a mulher é uma lição - Parte I 1. Preâmbulo A grande dúvida da vida de qualquer homem é se deve começar a abordar uma mulher - no esplendor do seu estrado - com os lábios ou com as mãos. Com o coração está fora de questão porque, como já se sabe, o risco deste vir a amolecer os movimentos dalguns músculos mais sensíveis e essenciais é muito grande. Fazê-lo à base de 'paleio' será sempre uma solução de 'recurso', ou seja, basta ver o resultado da fusão gráfica dos conceitos: é um mero 'recreio'. Este texto é praticamente científico, não cairá jamais na divagação lírica, nem mesmo se esta ajudasse a rimar, nem na divagação onírica, nem mesmo se ajudasse a sublimar recalcamentos, nem cairá na divagação humorística mesmo que esta ajudasse quimicamente ao sempre difícil orgasmo, intelectual entenda-se.
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Ou o nó da gravata Qualquer mulher que se preze é uma exigente executora de metas difíceis. Quando conhece um homem mune-se de uma tabela swat e começa por proceder a uma avaliação da tarefa em causa. Em seguida, elabora um plano de actuação que o transforme no super-homem com que sempre sonhou. No entanto, o resultado do trabalho, a que dedica por vezes anos de afinco, não consegue, alguma vez e ainda que por aproximação, deixá-la satisfeita. A cada dia que passa mais se apercebe terem-se as mudanças planeadas, quando executadas, transformado em defeitos. Não é que não goste do trabalho feito, não gosta é do efeito. Única conclusão lógica, inteligente e pragmática, possível: é do nó, e não do tecido, o defeito. [ Bom, este é um tema tabu aqui na «casa» mas, dadas as circunstâncias, a tentação foi mais forte. E livre-se de emigrar, nem com aquela algaraviada sobre despedida se safa! ]
- Obter link
- X
- Outras aplicações
cada um sabe onde lhe aperta o sapato quando num fim de tarde em que o sol se punha ali à beira-rio (há sempre este cliché, não? mas foi mesmo assim) confessei a alguém (a quem na devida altura - e perante a sua ofuscante elegância em beges e azuis - expliquei dever ser a barriga masculina aos quarenta e tais mais calo sexual que pneu) que gostaria de viver, ainda que por um dia apenas, na pele de um homem (outro inevitável cliché com a atroz vulgaridade das conversas privadas em voz alta ao telemóvel ou no café), não estava realmente nadinha à espera de poder um dia experimentar viver na pele-blog deste... ah, calço abaixo de 39, faxavor
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Homens de flesh & bones Talvez resultado da leitura do novo e badalado blog sociedade anónima e sobre o efeito duma febre que só espero não esteja relacionada com uma canjita que comi à atrasado (e gajo que não se refira a esse 'blog de meninas' no prazo duma semana pode ser considerado complexado) (Este é um texto praticamente teórico, e revelador de que os homens também não têm pruridos nenhuns em falar dos seus problemazinhos, sejam eles a masturbação em grupo, sejam os terços às quintas feiras, sejam a paixão pela playstation, sejam o primeiro beijo lambuzado ou ressequido, sejam a incapacidade de dizer a um amigo que a mulher dele é como as botas da tropa… marcha sempre) {1} É sabido que para o homem a sua barriga assume uma simbologia de carácter dinâmico, e tem para com ela uma relação de altos e baixos ou, para utilizar uma expressão que dá sempre muito boa serventia: de amor-ódio. Freud acabou por menosprezar esta fracturante problemática em favor da sensaborona ‘...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
«Where is the "I"?» (*) ainda sobre a história universal, adão e eva in(ex)cluídos, em 25 linhas e mais um pouco: 1. "I never painted my dreams, I painted my own reality" (**) e sobre o recurso ao distanciamento, ainda que ao preço do coração, como forma de recusa à trivialidade: 2. "These canvases I've painted I did with my own hands; they wait for you upon the walls to please you as I planned." (***) [(*) Frida Kahlo, in catálogo à exposição "Frida Kahlo", na Tate Modern (9 Junho - 9 Outubro 2005), Tate Publishing (p. 31) - (**) Frida K., idem, contracapa - (***) Frida K., idem, para o convite à exposição de 1953 (p.8)]
- Obter link
- X
- Outras aplicações
De shorts história Julgaram-se amantes nesses últimos anos. Tinham feito tudo como mandava o catálogo: encontros furtivos e fins de semana prolongados, ora beijos meramente prometidos ora beijos sofregamente concretizados, ora simples escapadelas ora sofisticadas programações, sexo seguido ou não de boas refeições, confidências arrastadas, passeios à beira mar, despedidas desconsoladas, corações sempre a dançar. Até que um dia descobriram o fingimento que alimentavam. Afinal ambos eram solteiros, livres, descomprometidos, mas achavam isso tão insuportável que alimentaram assim um crime artificial que lhes desse sentido àquela culpa estúpida que sentiam por aparentemente tudo lhes ser permitido. Ela ao descobrir a fraude da fraude pegou na roupa dele e atirou-a pela janela fora, ele riu-se e fez o mesmo com as roupas dela. Ficaram ambos apenas com uns calções horríveis, daqueles que não enganam ninguém: nem tapam, nem insinuam, nem espevitam, nem castificam. Mas a força metonímica do ce...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Só me apetece escrever textos de despedida Se Deus por acaso quisesse fazer isto outra vez de novo e me pedisse a opinião, eu dizia-lhe. Ai dizia, dizia. Para já, àquela não a fazia sair duma costela, é logo algo que sai um pouco de esguelha, fica condicionada a simbologia, fica prejudicada a genealogia, acho que foi mal pensado, teria antes escolhido uma tíbia ou uma falangeta, e viu-se, deu logo azar com o Caím e com o Abel, e depois foi por aí fora; e pelo menos teria feito uma pausa com aquilo que aconteceu com o Abraão, era muito tribo, era muita confusão, demasiado deserto, demasiadas tendas, demasiado borrego assado, eu cá essa cegada teria saltado, e depois de ver os etruscos e os egípcios com tanto figurão, e tanta figurinha, e tanto enchumaço, nãnã, eu não teria avançado tão rápido, eu teria pensado melhor, teria mesmo repensado, e ter-me-ia certamente assustado com aqueles gregos todos a trabalhar em seco, borrifando-se para a saída e borrifando-se para o beco, aí teria feit...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
a gebak dos lagartos uma ordem sua, já se sabe... quando, na minha inocência, esperava por uma indicação salvífica da demissão (*) daquele rapaz loiro e encorpado que em pequenino deve ter-se empanturrado de koggertjes e de poffertjes (**) e até já tinha preparada uma faixa de homenagem a dizer tot ziens! em letras azuis desenhadas a rigor, eis que sobre mim se abate a notícia de ter sido, afinal e mal feitas as contas, aquele rapaz moreno, musculado e de aspecto pacífico criado a migas de couve e bifinho da lezíria (***) a ser demitido, carago! (*) leia-se pontapé naquele sítio que deixa de ser costas, para me deixar de eufemismos inúteis (**) ultimamente tem-me apetecido muito mandá-lo comer, sei lá!, bolbuisjes ? mas não sou mãe dele nem digo palavrões por causa da manutenção do bom nome da família (***) e que, esse sim de forma generosa e determinada, tanto tem contribuído para o bom lugar do clube que me afaga o coração [ nota de rodapé: aqui para nós, a carolina deve ter ...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Basicamente, um post de futebol para gajas (*) O actual momento futebolístico está marcado por diversas circunstâncias que apenas estão ao total alcance do universo feminino. Tomemos o caso de Nuno Gomes. A menina. Esse maravilhoso jogador conhecido na Europa pelo movimento arredondado que faz com a mãozinha no cabelo em torno da orelha, de repente torna-se de igual modo notado porque começou a marcar golos. A última vez que o conseguiu foi precisamente no sábado passado, onde acabou por ser acolitado pelos defesas-tipo-araras de uma equipa treinada por aquele moço holandês que já fez mais pelo ensino do inglês que duas reformas educativas juntas, dado hoje não haver puto que antes de sair para a bola não se chegue à mãe e lhe peça um ‘white handkerchief’. Poderia dissertar um pouco mais sobre estes inesperados sudários da futebolidade, simbologias para novas vias sacras, mas preferia antes deixar definitivamente claro que todos os problemas do futebol moderno se situam no equilíbrio e...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Manual de estereotipagem rápida ( blogue sem disfunção eréctil, mas que não rime, será sempre meio apanascado) Pegue-se selectivamente num tique E apetrechemo-lo dum belo par de pernas; Exageremos-lhe depois o andar remoçado, Façamos um suspiro parecer um chilique Tudo recheadinho com umas piadas modernas E teremos uma figurinha em ponto rebuçado Com o tique já em forma de trejeito E todo ele a apoderar-se do sujeito O povo estará então pronto a babar-se de gozo; É o momento certo de apelar ao belo efeito Tirando-lhe a casca, mostrando-lhe bem o caroço Resumindo, temos assim nesta fase: O ventre já está à mostra, E o rabo já está quase; Só falta tirar a última crosta Antes que a rima se atrase e comece a fazer fernicoques, ou outros tormentos, no maravilhoso reino dos berloques e dos afrontamentos. E é nestes preparos que chegamos à parte final, Temos o sujeito já meio em pelota À mercê da infalível técnica do ‘tal e qual’: enquanto a divina excepção arrota A regra torna-se uma flatulê...