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A mostrar mensagens de janeiro, 2006
Luna Park Os homens não são todos iguais.
Über-ich Isto casamentos assim já não se fazem Fui votar. Porque a minha mulher me obrigou. Ainda estive para inventar. Mas votei em quem ela me mandou.
Desmaker memória Eu acho que este dois gajos também deviam ir a votos «(...) Acontece que os juízos do Vasco revelam em muitos aspectos uma ignorância quase enciclopédica assim como uma modesta vivência da arte que oscila entre o sociológico e o documental ( com alguma atracção pelo piadético). Porque o universo do Vasco é exíguo; É mesmo um daqueles casos exemplares em que à extrema vivacidade de espírito não corresponde nenhuma inteligência profunda das coisas. Como a isto se junta uma total incapacidade de definir e conceptualizar ( o que, no fundo, o impede de ser um verdadeiro historiador, entregando-o aos prazeres mais fáceis da biografia ensaística ou da reportagem historicizante), fica-se por uma espécie de empirismo buliçoso, acéfalo e assíduo da fisga. (...) Creio que no Vasco existe, num plano afectivo, o pressentimento daquilo que lhe escapa, embora ao nível intelectual a visibilidade disso lhe seja inacessível.» do tal, agora afoitamente açoitado, Eduardo Prado Coelho, fal...
O dicionário não ilustrado , para matar saudades e deserotizar um pouco o ambiente vai tratar ‘do voto’. (apesar de já não ser um tema virgem no dicionário, mudo o ângulo de abordagem – isto agora está a soar-me mal…). E faço assim simultaneamente a minha homenagem aos esforçados apologistas de todas as candidaturas, principalmente aqueles que o conseguem fazer sem soltar um mínimo ‘foda-se’ que seja. Entradas 1150 a 1161 Utilidade do voto – Característica que está para o poder democrático como o digestivo no contexto duma refeição lenta e pesada. Legitimidade do voto – É uma combinação da correspondente ao proxeneta com a correspondente ao cliente Manipulação do voto - Como não dá para pegar com pinças porque não dá jeito para dobrar e enfiar na urna, acabamos muitas vezes por queimar as mãos Dispersão do voto – Forma de aproveitar melhor a peneira com que se tapa o sol. Concentração do voto – Mecanismo que se desencadeia quando se revela a sua faceta feminina. Uma maioria é sempre ...
Successfolie Eu acho que quem já foi encornado, já comeu lagosta estragada, já andou de metro, não adormeça no cinema, já viu e tocou num órgão sexual alheio ao vivo e a cores, é bom em sinónimos, misturasse bem tempos verbais, tenha um pequenino complexo físico, tome diuréticos, leia gajos apaneleirados, e consiga melancolizar entre duas sandes mistas tem mais hipóteses nesta coisa dos blogues. No caso da política basta ser bom em sinónimos.
Sofa-for-Food No entanto, se me tivesse dado para uns versinhos do oscar wilde em cima dum arco-íris teria sido bem pior. E os tempos nem seriam para menos. A evolução do país nos últimos anos é muito fácil de sintetizar: no início dos anos 90 a excitação oficial era em torno duma nova fábrica de automóveis, numa combinação mirífica de ‘incorporação nacional’ clusterizada, hoje é por causa duma fábrica de sofás. Seremos salvos pelo ikealismo adamsmithizado.
Quando um tipo sente o impulso de ‘editar’ uma borboleta com uns versinhos do eugénio de andrade por cima, das duas uma: ou está a chamar à atenção dos deuses porque já não come um bife em condições há muito tempo, ou almoçou bitoque duas vezes seguidas.
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Apenas para ir mantendo isto ao nível da crosta terrestre sem matar muito a cabeça Depois da bola, da ejaculação precoce e da poesia automática, um desporto nacional que tem angariado bastantes adeptos é gozar com o E. Prado Coelho. Pois eu admiro visceralmente o tipo. Consegue aquele pleno existencial composto por não precisar de saber fazer rigorosamente nada, nem de ter planta de apresentação nenhuma, nem necessitar de demonstrar, comprovar, vender, comissionar, leiloar, ratear, geometrizar, concessionar, calcular, parametrizar nada daquilo que escreve para se desenrascar à grande e à francesa. No fundo eu também não sei fazer nada de nada, mas acabo por ter que fazer qualquer coisa para conseguir dar uma imagem minimamente aceitável de mim próprio. O gajo não; o gajo está-se a borrifar. Escreve sobre o que lhe apetece, como lhe apetece, quanto menos interessar o tema, melhor, e vive alegre e descaradamente disso. Ser apenas diletante comparado com o EPC é como ser torneiro mecânico...
Nasa – departamento Génesis renovado Actualizem please: Stardust eris stardust reverteris
Acreditares em roda livre (IV) Ela tinha grande relutância em acreditar num Deus de cartilha. Seria talvez medo de perder graus de liberdade, seria medo de ter de conviver com coisas que não percebia, seria apenas falta de pachorra. Enfim, ia-se sublimando em virtudes humanas, em éticas de atestado, num suspiro de racionalismo filigranado com técnicas de sobrevivência desenvolvidas para savanas áridas e desertas. É de facto preciso ter alguma paciência para se ser crente e é preciso ter uma alma com aptidão para se aparvalhar e ao mesmo tempo para se concentrar nem que seja em serviços mínimos. Num belo dia de crepuscular encomendado numa casa de postais ilustrados, a brisa do rio poderia ter-lhe dado inspiração para raciocinar assim: ora se para levarmos uma vida cosmologicamente sadia nos basta pensar que provavelmente aquela merda da lei da gravidade e da atracção dos corpos está certa e a porra da lua não nos vai cair em cima dos cornos um dia destes, então porque é que não poderia...
The fröliche Country Eu fico sempre um bocado roído por dentro quando me lembro daquela Nietzshezada de que ‘se Deus quisesse tornar-se um objecto de amor, deveria ter começado por renunciar primeiro ao papel de juiz’. Mas acaba por me passar rápido. Aliás eu fico sempre para lá de três quartos de fodido sempre que alguma coisa deste descabelado se me passa pela esponja encefálica, tirando as vezes em que tem piada. E quase todos os tipos excessivos e redutores têm piada. Aliás agora criou-se a ideia de que só meia dúzia de tipos têm realmente piada, nada de mais falso, a generalidade das pessoas tem piada, tem humor genuíno; por exemplo, ainda o amigo Nietzche quando diz que a ‘principal razão do mal-estar existencial são os efeitos funestos do ar abafado’ (comi aqui umas quantas palavras mas isso também faz parte), está outra vez a ter piada, mas o artolas que cá veio noutro dia arranjar os estores disse o mesmo e não tinha a consciência que praticamente parafraseava esse mesmo tipo ...
Acreditares imaginados em roda livre (III) Alimentava a fé de bons sentimentos. Era um risco, já lhe tinham avisado, mas a fé dele tinha-lhe aparecido no calor dum berço e não a concebia fora do alcance dessas brasas que são uma consciência tranquila e um coração apegado a valores seguros, mesmo não se entendendo a esmiuçar demasiado quem os segurava. A mística profunda perturbava-o, os Doutores da Igreja pareciam-lhe de quando em vez ora distantes ora envoltos em demasiada apologética, e ele sentia que não precisava de fortalecer a sua convicção com tácticas intelectualmente desesperadas, antes considerava essencial ter capacidade de aceitar zelosamente, de perdoar e de se esquecer o mais possível de si próprio: tinha aprendido que nos podemos perder no reino do nosso eu subjectivo; não o percebia por completo, mas convivia serenamente com essa lacuna metafísica. Só que era um risco, já lho tinham avisado, ter uma fé de suaves assimilações, sem desequilíbrios, só que ele dava-se bem a...
Estarei "grávido de um beija-flor"? Esta coisa dos blogs faz-nos sentir algo ovularmente corporativos. E eu já tive várias faltas. Já faltei à dos ‘contos mínimos’, praticamente faltei à Menamonica, faltei à doutrina dos plágios, faltei à entrada da Constança CS, estou a faltar à ‘da escrita erótico-pirosa portuguesa’. Qualquer dia rebentam-se-me as águas.
Acreditares imaginários (II) com sequelas em roda livre Tinha ouvido dizer ao Ortega que «os homens podem dividir-se em três classes: os que se crêem Don Juan, os que acreditam tê-lo sido e os que acreditam que o poderiam ter sido, mas não quiseram» e então, no intervalo entre dois pecados veniais e uma Ave-maria rezada às arrecuas, decidiu-se por deixar Deus fazer o servicinho à maneira d’Ele. Começou num estilo calvinista, metade cantado metade dançado, compatível com paleio de entardecer, e definiu para si dois ou três complexos do foro intimo para o acompanharem e que lhe garantissem pelo menos um aspecto intelectualmente interessante mas piedosamente aconchegavel. Foi acometido do dom apostólico da versatilidade e tanto reconfortava viúvas que extravasavam indulgências como concubinas que deficitavam carências. Na afectividade fácil e no verbo afoito encontrava o adubo que lhe faltava na doutrina débil, e nos dias de soberba mais acicatada achava-se um S. Francisco de bordel, um m...
Encosta tua cabecinha e chora Soares com o ‘black out’ tenta o que todos tentaríamos nesta altura: que sintam a falta dele; tenta que simulemos, com uns dias de antecedência, o que poderá ser o país tendo como presidente Cavaco, e sem ele. Sem Soares. Entregues a um recreio de Sócrates, Marques Mendes e com as sombras dançantes de Vitorinos e Portas e Borges, e sem ele, sem Soares para nos defender dum Cavaco, desse bolo rei por abrir. Tenta dizer-nos baixinho: é pá pessoal e se eu vos deixar sozinhos com estes gajos e o Cavaco, vocês depois choram no ombro de quem? Vá uns dias à experiência: o teste do ombro.
A manutenção das espécies Existem, pois, razões de sobra para que as questões que toda a gente tem a presunção de entender – amor e política – sejam aquelas em que houve menor evolução. Ortega y Gasset (em 1925)
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assim... assim... e assim? ® JL, 05. Tinta da China e marcador sobre papel. Colecção particular.
Contos de acreditares imaginados Deus já tinha entrado no coração dele antes de ler Ratzinger escrever que «a experiência com Deus – a experiência a que chamamos fé, só quem entra nela consegue descobrir alguma coisa; só quem participa da experiência formula perguntas, e só quem pergunta recebe respostas.» Nunca se tinha identificado na angústia pascaliana, nunca tinha sentido o apelo a alguma inevitabilidade da submissão da razão, e também nunca tinha encontrado suficiente segurança e consolo num resumo jesuítico género ‘no que é necessário, unidade; no duvidoso, liberdade; em tudo, caridade’. Preocupava-o aquela lógica de que a fé era algo difícil de se viver sozinho, mas acabava por só ganhar força acreditando em algo que outros já tivessem acreditado com lucro, procurando não desperdiçar nem Graças, nem Vontades. Não tinha coração nem cabeça para contradições, e safava-se melhor com mistérios e scrabbles de heterodoxias, fugindo a sete pés da ‘salvação alcançada num cepticismo que ...
Ainda está disponível o pelouro das fotocópias para entregar na Iberdrola Ou Narciso Miranda vai para administrador da EDP ou isto perde completamente a sua coerência.
Um gajo chega atrasado 2000 anos e corre o risco de ficar prejudicado. «Pois àquele que tem dar-se-á e terá em abundância; mas àquele que não tem, até o pouco que tem lhe será tirado. É por isso que lhes falo em parábolas, porque vêem sem ver e ouvem sem ouvir nem entender. (...) Quando a vós, felizes os vossos olhos porque vêem e os vossos ouvidos porque ouvem» Mt 13 10-17 O meu maior ‘pecado intelectual’ é pensar que a Revelação para quem não assistiu na versão live é o cabo dos trabalhos. Assistir ao toldamento, à inquietação e à perplexidade da condição de crente é algo que não deixa de me encantar.
Conto das «perversas polimorfas» (*) : every body hurts Ele gostava de metonimizar as mulheres como marcas de electrodomésticos. Catalogava-as pelo seu comportamento sexual com uma linguagem já muito própria. Mas eram coisas que só ele decifrava, encaixariam apenas no seu peculiar código lírico-libidinal. A Candy. A possibilidade de criar um ambiente de vibração sem que ele começasse logo a verter fluidos por todo o lado era uma das suas prorrogativas. Tinha uma espantosa capacidade de vedar os excedentes da excitação mais preliminar, e fazia-o ingenuamente pensar que era ele que estava a escolher o programa mais acertado. Mesmo naqueles dias em que ele arriscava a estoicidade e capacidade de abstracção dela e punha os Lambshop a cantarem ‘I hate Candy’, ela demonstrava que não era uma amante problemática e oferecia-se sem restrições para todas as posições que lhe parecessem letras do alfabeto grego. O estrebucho final resumia-se a uma espremidela - de pontos negros, afinal; glutões n...
Alguns alongamentos ainda Pareceu-me ouvir dizer que a mulher tem um ‘sexo sentido’. Mas pode-me ter faltado alguma letra.
Apenas fazendo um banal aquecimento Mulher que não apresente uma ligeira, mas bem definida, peculiaridade (*) de fala nunca será completamente sedutora. (*) Tique, dificuldade, perturbaçãozinha, flic-flac no palato, hesitação crónica, enrolamento, gaguez, drible de vogais, arrastamento, dislexia, sopinha de massa, ventilação, carregamento de erres, distorções fonéticas, etc
Ano novo : bate pop popmente como quem riffa por mim Detesto escrever sobre o acto de escrever e afins. Por isso vamos já despachar isso para o ano todo; e com um rapaz de quem gosto que é para não ter de sujar muito as mãos. {1} Sincère ? J’écris afin de ce qui était vrai ne soit plus vrai. Prison montrée n’est plus une prison. {2} Le gouache résiste davantage à l’eau. Elle fait son petit mortier contre les évanescences qui la guettent. Elle tente de respecter les intentions de l’auteur, du respectable auteur ! Ne me convient pas. {3} Je parle de ma grande et première impression. Ensuite, bien sûr, il est possible que je retombe dans les distractions, et qu’il me vienne à l’esprit une pensée morale comme on dit. Il faut même m’y attendre (*) E como estamos em maré de arrumar já as coisinhas para o ano todo, o próximo post deverá ser hardcore. A publicidade é mais interessante invenção do homem depois da memória e ambas têm uma relação circense com a realidade. Mas depois o resto do an...