Apenas o sexo dos dias Como se os demagogos e os homens sem ideias não pudessem fazer bom uso do poder. Como se da confusão, da irresponsabilidade, da frivolidade, do jogo de interesses não se pudessem forjar governações fortes e arrebatadoras. Arrepia um bocadinho, concedo, mas bolas, um arrepio sabe quase sempre tão bem, e depois pode-se fumar um cigarrito, ou ficar a olhar para o tecto, ou ficar a treinar o sorriso malandro, ou o meigo, ou ir beber um copo de água, sabe tão bem um copo de água depois dum arrepio, um ginger ale também dá bom efeito, ou pegar num livro ao calhas, tem de ser é ao calhas, e recuperar do estremeção cardíaco como um ciclista trepador, e voltar a treinar o arrepio outra vez, arrepiando caminho até ao “primeiro estranha-se e depois entranha-se” que o Portugal dos Pequeninos recuperou há uns dias com seu muito peculiar empenho, e que eu agora também repesco. Nesta espelunca ( fica tão bem este falso miserabilismo ) eu até já tinha escrito em ...
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A mostrar mensagens de julho, 2004
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Contos do óbvio A Simonetta era uma rapariga com sardas. Ela de facto tinha mais coisas engraçadas, mas eu agora vou-me reter apenas nas sardas. Não se pode dizer que ela vivesse propriamente em função das suas sardas, mas gostava tanto delas que dava ideia duma – levezinha que fosse - obsessão. Gira, mas obsessão, apesar de obsessão ser uma palavra forte, eu sei. Giorgetto não conhecia Simonetta, nem as suas sardas, mas incompreensivelmente já tinha sonhado com elas, com Simonetta e com as sardas dela. No fundo eram duas realidades claramente diferentes, a mulher e as sardas, mas nos sonhos as coisas confundem-se muito, como sabemos. Julgo até que os sonhos existem também para podermos suportar a confusão das coisas. Giorgetto também aparentava ter sardas, mas acho que não lhes dava tanta importância, talvez porque fosse homem, mas isto é apenas uma impressão minha, uma impressão se calhar da família do preconceito, mas isso também não é importante agora, e eu fujo de impressões a se...
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Uma coisa em forma de atchim Está-me a apetecer tanto escrever como levar porrada. «Então porque é que escreves». É para experimentar fazer uma coisa que não me apetece, mas sem ninguém me estar a obrigar... «A isso às vezes dão o nome de...» Não, não, eu não estou mesmo a retirar prazer disto, é apenas para testar a secura da imaginação e ver se ela se dá bem com estes ares abafados. «A ti nunca te falta imaginação, não brinques com as palavras, vá, faz-te mas é à vida e sem lamúrias». Fosga-se, é tão giro dizer fosga-se, já não se pode estar sobre o efeito duma rinite mental, já não se pode escrever como quem espirra, um tipo já não pode ter os seus problemas, e resolvê-los assim sem grandes esquemas. «Podes, não precisas é dos apresentar aqui, sem maneiras e com rimas foleiras». Olha, vai-te lixar: Rap do manipulador Eu cá sou um ingénuo profissional, ninguém me leva nada a mal, e atiro sempre a matar, fingindo assobiar para o ar, e quase nem preciso de paleio, saco tudo o qu...
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Da necessidade. Mais uma, se calhar, estragada pela psicanálise. Como se a alma fosse um rim, no divã, à espera de hemodiálise. Como é bom precisar de alguém, de verdade, e isso ser um inesperado sinal de liberdade. De quem salta livre com um pára-quedas por companhia, companhia, mas que conceito com queda, para ser a mais livre e harmoniosa sinfonia. Não, não o estraguem com sinónimos, esses mimos de judas, eu detesto sinónimos, gosto de me repetir como insinua Kundera, ai quem me dera, poder deitar sempre o meu olhar na alma de que preciso, e ter ali sempre um aviso, por companhia, esta força quase etimológica, em que " com " o mesmo " pão " se alimentam duas almas, como que cozidas num forno de vidrado são, e porque não, até polvilhadas pela lógica, porque só a necessidade faz sentido, tal e qual um corpo forte primeiro foi dorido. Como é acertado precisar, precisar do que é bom, viver da precisa necessidade desse dom, que é querer bem alguém, e alguém que também...
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Hoje o dicionário não ilustrado faz uma pequena viagem ao mundo das figuras de estilo. É que tudo se resume à gramática como sabemos. Entradas 828 a 836. Políticos em aliteração – São os que repetem sempre os mesmos sons pensando que o povo se orienta de ouvido Políticos em anáfora – São os que repetem sempre a mesma palavra no início dos discursos, e assim sabemos logo quando são eles, sem correr o risco de deixar estorricar o refogado Políticos em epanadiplose – São os que nos chagam à grande e que gostam de ter a certeza que nos chagam mesmo. Políticos em quiasmo – São os que vivem a tricotar-nos os neurónios, sabendo de antemão que assim não saímos do mesmo sítio apesar de andarmos sempre entretidos. Políticos em sinestesia – ( é pá isto rima tão benzinho que vai ser uma pena desperdiçar ) São os que põem tudo no mesmo saco desde que não se misturem os cheiros da anestesia ( não resisti, pronto ) Políticos zeugmáticos – São os que tanto servem para a “Defesa” como para as”Artes e ...
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Temos mesmo é que apostar só na mudança de ares Nesta grande secretaria de estado das artes e dos espectáculos, que no fundo é ao que todos nós pertencemos, há um político que devia ser muito mais acarinhado: João Soares. Não entendo o que o mantém afastado do coração das gentes deste meu país. Um homem culto, um homem preocupado com os outros, um homem que pensa pela sua própria cabeça, um homem que não hipotecou o seu coração à usura funcionária da conveniência, um homem que não se vende nas feiras da telegenia, um homem que não renega o apoio dos pais mesmo depois de ter já preenchido o boletim de vacinas, só devia era ser levado ao colo até ao poder, senão mesmo indo em cima dum andor ( até por causa das dores nas costas ). Deverá ser apenas a inveja ( não se pode usar a palavra “ressentimento”porque essa é só o Portas que pode usar ) o que está a impedir que o nosso povo à beira-mar ( pode substituir-se esta expressão por “recurso estratégico” ) plantado possa ser governado no r...
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Da saudade. Ah mas é um sentimento muito batido. Se calhar já nem é sentimento de tanto que lhe bate o vento. É amancebada da lembrança; ficam ali as duas muito chegadinhas, pudicas, à espera de ver qual é que dá o primeiro passo, que nunca será em falso, porque não se podem atraiçoar, estão as duas de mãos dadas, coladas, e viradas para o mar. Para o mar? Mas que lirismo tão gasto, que estepe tão ondulada e com tão pouco pasto, a saudade merece melhor, quando é saudade duns cabelos ao vento, dum tempo sem momento, e dumas palavras de alento. Então e a lembrança, não serve para nada, fica ali encolhida só a olhar para a ferida? Vá, chega-te à frente, oh memória, mostra que és gente. Sangra, dá-te ao manifesto, ajuda a alma que eu agora te empresto a não se vender à saudade a qualquer preço; eu mereço: ter uma saudade benigna, feita de pequenos ganhos, entrelaçados em estrelas, que mesmo fora dos baralhos, são beijos, e vou mas é metê-las no meu saco dos tesouros a rosnar que...
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Discurso de um político anti-populista Em primeiro lugar queria chamar a atenção de que não me vou dirigir a vocês como “portuguesas & portugueses” porque isso é duma ridicularia atroz e para mim vocês serão apenas “utentas & utentes”, ou “contribuintas & contribuintes”, ou “utilizadoras-pagadoras & “utilizadores-pagadores”, abreviando em número e género: escumalha, meros azoinadores dos meus miolos. Depois queria deixar claro que não estou aqui para vos agradar, quero bem é que vocês tenham muitos meninos e que estes sejam dos que não sugam abono de família. Começo pelo assunto que me é mais caro: a política fiscal. Simples, quem tem chega-se mas é com o dinheirinho à frente, e quem não tem dá o corpinho. Foi abolida a escravatura, reconheço, mas água mole em pedra dura tanto bate até que fura, hão-de cá todos vir comer à mãozinha, como era antigamente. Tenho alguns princípios, poucos é certo, porque mesmo num labirinto que se preze só há um princípio ...
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O ambiente é de férias, os ministros estão escolhidos, e os iluminados estarão, não tarda, uns encolhidos e outros esbaforidos. É por isso que saem apenas estas alarvidades, misturadas com rimas lioninas. Os textos do Bruno sobre o Victor Baia são um « esforço que deverá merecer a nossa ternura ». E até me levarão mais além, vendo bem. V. Baia tem o seu próprio fado, joga à bola, só lhe falta ir a pé a Fátima. Reparo agora que praticamente se apresenta como Santana Lopes: « Às injustiças pessoais que tem sofrido responde com um silêncio heróico, jamais respondeu amargo ao ódio invejoso de tantos » Estamos pois na presença dum novo paradigma da alma portuguesa: o mal amado. Esse ser complexo, e jamais redutor, esse ser que só é amado com dor. Almas onde o carisma só atrapalha, almas onde a crista enerva a maralha. É bem verdade que « as mitologias de estado jamais apagam os mitos que moram no íntimo coração dos povos », por isso eu penso que Baía e Santana ainda poderão vir a se...
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Uma das coisas boas dos dias que correm é que finalmente todos sabem quem são os bons e quem são os maus e, haja Deus, todos querem ser dos bons. Como vivemos então dias de moralidade controlada e estável, eu posso dedicar-me à mera parvoíce. No entanto, eu “temo” é que – adaptando o que Pascal Quignard dizia nas “Tábuas de buxo de Apronenia Avitia” – os esclarecidos que apresentam os “pêlos do cu muito eriçados se calhar vivem de alma depilada”. Dopados & Cia O País estava em transe. Ninguém acreditava que pudéssemos ter caído nas malhas do doping. Mas o resultado era inequívoco: uso indevido de santanoides analopeslisantes . Tinham vindo colher uma mijadela do Mondego para as análises, não poderia haver confusão, aquilo era tudo urina nacional. E logo agora que parecia ir tudo tão bem. Telmo Correia com as suas boquinhas tinha atraído maciçamente o turismo gay para a “costa vicentina” – nome esse que se tornou da ordem do fetiche sado-maso com a chamada “chicotada à porto covo...
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Posta restante: "Não se cai no ridículo, sobe-se no ridículo." - António Ferro (Teoria da indiferença – da arte e da vida) O direito de resposta #2 A-da-Gorda, 16 de Julho de 2004 Meu caro senhor Félix A sua atenção e dedicação só se compara à dos suspiros de amêndoa que se me colam ao tabuleiro por mais farinha que lhes ponha por baixo e deixe-me dizer-lhe que agora até fiquei com pena de não os ter tido ao balcão para que os pudesse provar mas lá em casa comem-nos todos antes do amanhecer e, quando me ponho a pensar sobre o assunto, concluo que seja por causa da Lua. Não, eles não uivam à Lua como os poetas e os cães! Comem, simplesmente. Fica assim a perceber por que tenho tanto trabalho na cozinha com tão pouco material no balcão; mas, veja se percebe, o que tenho é com muita atenção aos desejos da clientela. Aliás, já que fala nas "tartelettes" de "causa e efeito" é bom de ver que só as faço por pedido expresso e para clientes muito especiais; às veze...
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Posta restante: "Não se cai no ridículo, sobe-se no ridículo." - António Ferro (Teoria da indiferença – da arte e da vida) O correio dos leitores #2 Oliveira de Cruzes, aos 15 de Julho de 2004 Dª Carlota Ai gostei tanto de ir ao seu estabelecimento esta semana. Então e não é que encontrei lá aquele rapaz o P. Rolo Duarte. Como eu gosto do ver trabalhar. Praticamente não sou capaz de ter nenhuma ideia sem que ele tivesse pensado nela antes. E sempre a falar do filhinho dele, aquilo sim deve ser um pai esmerado. Aquele salame maravilhoso que a senhora lá serve é dedicado a ele, não é? Mas o que eu gostei mais foi da fotografia do cavaleiro no deserto. Vou-lhe fazer uma confidência, sabe que fiquei a pensar que era eu, ali solitário entregue às dunas, sem me preocupar com os meus horários e as minhas canseiras, e esperar que o acaso me trouxesse a minha mata-hari com segredos fascinantes. Tipo um piropo num redemoinho do siroco, ai o que faz ter uma musa assim que quase versejo....
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Apenas Paneleirices. Para desenjoar . Eu tenho de reconhecer que já li esse panasca do Proust. Não o devia ter feito, mas sucumbi à força da curiosidade juvenil. Ora o que se passa é que eu li aquilo quando era puto, e estava-se mesmo a ver, o gajo não tinha quaisquer hipóteses, eu tinha acabado de sair da Enid Blyton e estava a entremear o Júlio Verne com a Agatha Christie. O “florzinhas” caiu ali como uma andorinha de pena mordiscada, a bater asas que nem um colibri! Só me ria, entre sandes de mortadela manhosa que era o castigo que a minha avó me dava por eu lhe ter mentido em relação à catequese. E sabem como é que eu caí naquilo? Foi mesmo coisa de puto (ou de cinquentão, vendo bem...). Estava numa livraria, peguei no livro por engano pensando que eram as “Viagens com Charley” do Steinbeck, e eis senão quando vejo uma miúda toda engraçadinha a olhar para mim embasbacada. Foda-se, comprei logo o 1º e o 2º volume! Claro, ia dando aquele ar de que tinha perdido os meus e que não podi...
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Isto não se vai perceber nada, mas vendo bem não sou o único . Ou: caraças, não leio mais blogs à noite Será que Pacheco Pereira anda a beber do mesmo que Freitas do Amaral? Ou será que leu Hegel nos intervalos entre duas bicas, Camus e S. João da Cruz ( juro que não fiz de propósito para rimar ) O que tem força Sr. Dr. Pacheco Pereira não é o “é”, o que tem força é a “pura possibilidade”. O “é” é apenas um filho da circunstância já em fase de esmorecimento. O ser não tem força intrínseca, e só a ironia do pode ser ( olhe lá anda-se a esforçar, hem! ) é que ainda dá um bocadito de gás à existência ( também é verdade que Sartre depois caiu demasiado nessa esparrela, mas compreende-se porque nessa altura ainda não havia a SIC notícias ) Mesmo Deus que será o “puro ser”, não dá para esse peditório, e mostra que não quer abafar nem a “existência”, nem a “história”, nem o “mal” (seja lá o que essa coisa for). Só se traumatiza com a recuperação do argumento hegeliano quem não entende que a ...
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Por estrita imposição médica tive de voltar às gajas inacessíveis Fui à consulta de rotina da Drª Girassol , e ela advertiu-me que: ou eu começava a tratar dos assuntos sérios seriamente, ou ia terminar a contar anedotas sobre enfermeiras no circo Chen, e mesmo assim só me punham naquelas sessões em que os bilhetes eram oferecidos às viúvas dos flautistas da banda da Carris. E ainda para mais ela estava furiosa porque eu agora m'andava a meter com pessoas que não conheço, só que já ninguém tem pachorra para as minhas tiradinhas armado ao engraçadinho, e então a única safa possível que tenho é usar da minha farta experiência mediurnica para disponibilizar às hostes, que andam arrepiadinhas com a antevisão da forquilha populista do demónio santanista, alguns pontos de socorro da mitologia do feminino. Sim porque o Sol quando nasce é para todos (será isto um mito populista de esquerda?) As verdadeiras mulheres fatais, as que nos poderão então encantar os dias, no dicionário não ilustr...
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Foetor, foetoris Li uns blogs e apeteceu-me... Eu estou muito solidário com Sampaio, até que estou sim senhor. Fico inclusive com pena quando brincam com ele como agora até vi um tal de cómico RAP, a ser citado por tudo o que é lado, numa infeliz comparação entre o choro sentido do compenetrado condecorador de jogadores da bola, e a sua ausência de comoção no momento em que nos condenou à tal governação santanada. Certamente esse Sampaio é o mesmo que se ri das tuas piadinhas, RAP, o mesmo que se calhar até já disse «olha ali está um comuna com jeito para a chalaça». Olha RAP, quando Deus Nosso senhor te forneceu esse dom de dobrares o intestino àqueles que arrastam a barriguinha pela sensaboria dos dias, avisou-te certamente que devias respeitar os que se entregam de alma e coração à causa pública, aqueles que nem podem esboçar um sorrisinho malandro quando vêem a mulher vestida pelo Augustus, e que têm de reprimir em público o riso provocado pelas anedotas porcas que lhes contam nas ...
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Posta restante: "Não se cai no ridículo, sobe-se no ridículo." - António Ferro (Teoria da indiferença – da arte e da vida) O direito de resposta #1 A-da-Gorda, 11 de Julho de 2004 Meu caro senhor F. M. Como sabe é da mais elementar regra de "netiquette" responder a um e-mail e, como tal, vou tentar ajudá-lo a aliviar-se de dramas. Antes de mais, só a sua extrema bondade, aliada à sua pertinaz ironia, podem permitir um tal juízo sobre aquilo a que chama, com alguma impropriedade, "o meu blog". Fazendo fé na sua inteligência, amplamente demonstrada na missiva que me dirige, reconhecerá o seu engano ao chamar "blog" (andei a ligar às amigas todas para perceber a que se referia) ao meu pequeno estabelecimento de "pronto-a-comer". Não sei se tem ideia mas é com ele que pago as contas daquela esteticista minha amiga que mora para os lados de Torres e compro uns sapatitos na Terezinha. No entanto, as suas referências ao "menu" deixar...
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Do fascínio. Quem precisa dele para viver está condenado a ser um eterno parvo. Será refém dos “milagres do Sol”, ansiando sempre pelo revirar dos olhos como se fosse uma alma em versão "flipper". Os “ fascínoras ”, que suspiram por sinais exteriores de deslumbramento, acabam por se arrastar agarradinhos a um ensimesmamento parolo, que por vezes lá vão disfarçando com a dose de frases feitas que lhes aviaram nas catequeses do amanhecer dos dias. Mas como não conseguem alimentar a alma com o sereno dobrar das esquinas dum quarteirão qualquer, continuam a sonhar com os desfiles em palácios que nunca mais terão e, mal dos males, até podem correr o risco de passar ao lado da arca do tesouro só porque ela não aparece engalanada num altar iluminado pelos reclames do êxtase. Tal como não é preciso rasgar as vestes para exorcizar o escândalo, também não é preciso fazer três tendas no deserto – acompanhado de profetas ou não - para ser mordido pela serpente encantada. Tristes dos que ...
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A situação política em três penadas Mais uma de bónus, para ajudar à retoma 1. Versão técnica O poder serve para ser comprado ou exercido. O resto é comentário político 2. Versão piada de bloguista As Anas Gomes pedem o escalpe de Sampaio. Só que com isso não se consegue tecer nem um tapete de casa de banho. ( é pá "ninguém" faz uma dedicatória num artigo de jornal à frontalidade desta moça ) 3. Versão profunda Todos os Herodes acabam por se deixar levar por Salomés, mas na bandeja nem sempre está a cabeça dum João Baptista. Só os déspotas produzem mártires, a democracia produz bananas. 4. Versão minimalista eheheh
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Posta restante: "Não se cai no ridículo, sobe-se no ridículo." - António Ferro (Teoria da indiferença – da arte e da vida) O correio dos leitores #1 Oliveira de Cruzes, aos 10 de Julho de 2004 Olhe menina m. gostei muito do seu blog. Não é nada como o das outras meninas que estão sempre com parvoíces, a falar das suas frivolidadezinhas, e às vezes até a meterem-se com rapazes o que não é de bom tom. Aprecio muito as suas "séries de #", só que como já tem tantas até tive de meter baixa no serviço para poder acompanhar. Mas foi tempo bem empregue porque acabei por descobrir os poemas dum houllebeck, que agora nem sei escrever bem o nome, valha-me Deus que homem tão inteligente, fico-lhe grato para toda a vida. Nem a menina sabe o bem que me faz com aquelas suas tiradas que eu não apanho nada, eu que tenho a mania que apanho tudo, acho que é da parte da minha mãe que era muito magnética, e fico ali a olhar para aquilo e nem me dá sono nem nada como com o coitado do Sam...
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Já nos primórdios (bela palavra) deste blog eu tinha aflorado (outra bela palavra ) a temática ( outra ) da atitude presidencial; ou seja, este órgão de soberania vive em constante ambiguidade sexual porque o que faz...: falo-enconadamente O dicionário não ilustrado segue as audiências privadas nas entradas 812 a 817 Raposas velhas – Meros pilhas galinhas engravatados que, vai-se a ver, afinal só queriam canjinha caseira. Mensageiros Secundários – Artistas armados em descodificadores, mas que pouco mais fazem do que chatear-nos a molécula Cães de fila – Mamíferos domésticos, que na impossibilidade de serem os verdadeiros danados , arrepiam caminho nos guichets dizendo que vêm da parte do dono Coninhas – Seres de condição vaginal, que sendo de origem virginal, percorrem um purgatório menstrual e estabilizam menopausicamente. Pessoas avisadas – Sofisticados sorvedouros de cochichos. Produzem cera para benzer. Pessoas influentes – São as que acabam com o caudal a desaguar numa represa da...
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O dicionário não ilustrado , quer desfazer a imagem de hermético e virou hoje um bocadinho género decifratário. Entradas 801 a 811. Hobbes-secados – Rapaziada que está sempre a ver o Estado todo mijadinho, e que gosta de o estender na marquise virada para o quintal, soprando-lhe com o bafo quente da sua clarividência. O pior são as moscas que gostam muito do quentinho do estendal. Mãos invisíveis – Rapaziada que afaga muito, mas vai-se a ver são meros penteadores da moda Bons Selvagens – Rapaziada que parece viver com os cabelos ao vento mas que afinal tinha era um capachinho bem colado. Racio-cínicos – Rapaziada que escorre o pensamento ao serviço da comunidade, mas no fim esquece-se de sacudir... e pronto, já se sabe, deixa sempre nódoa. Acabam geralmente como meros corretores de apróstatas. ( estarei a recalcar alguma vocação escondida para urologista?) Eminências pardas – Os que pretendem acinzentar as evidências coloridas para fazerem render o peixe e serem os donos dos pregões...
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Hermético eu? Há por aí comentadores que vivem Hobbes–secados . Dormem sonhando com o Leviatã, e depois quando julgavam poder ter sido escolhidos para ”mão invisível”, descobrem que o mais que podem servir é para apresentadores do bigbrother do bordel do poder. As “mentes brilhantes” geralmente atafulham de “lei natural” o que podia ser desanuviado com mera malandrice, e levam muitos outros a pensar que são os “bons selvagens”. Vivem do racio–cínico , que é uma das frutas da época. Vamos lá ver se também não foi amaldiçoada pelos novos deuses de turno. Comam disso, comam... Fiem-se na Sta Sufrágica e não corram.
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Fodassopoulos prahistos, ó caraçasteas Então mas aquelas merdas dos deuses do Olimpo existiam mesmo? Esses panascas complexados, que muitos nem conheciam pai nem mãe, que se acagaçavam todos com uns titãs de esferovite, e que acabaram por se vender aos filmes de desenhos animados para continuarem a poder comprar roupas novas e de marca, agora lembraram-se de vir fornicar um povo abençoado por uma Rainha Santa!? Mas que merda é esta! Esses sacanas que nem conseguiram lugar na última série dos Power Rangers, pensam que são quem! Agora deram em madrinhas de jogadores da bola. Ao ponto que esses gajos se vão rebaixar para chamar a atenção! Têm saudadinhas dos tempos em que comiam caracóis com o Aristóteles, é? Ou será das sardinhadas que faziam com o Homero? (se bem que enjoavam o pimento o que já era sintomático) Agora estão mas é reduzidos a uns fuinhas da porra; são tão deuses como o Narciso (o Miranda, claro) é deus para as peixeiras de Matosinhos. Estou mesmo ali a vê-los a ajudar os ...
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Pronto, vá lá. Sou uma alma incompetente e por isso não aprecio especialmente poesia. Encontro-lhe as palavras demasiado reféns do efeito, e simultaneamente demasiado carrascas para as causas. A poesia também me escandaliza um pouco porque vive de forma excessiva a promiscuidade com a imaginação, abrindo tanto os ângulos que faz tudo parecer uma recta. Mas mesmo assim hoje o novo dicionário não ilustrado , e por motivos óbvios ( SophiaMB ) – que são sempre os melhores – vai tratar dalgumas palavras que dão serventia ao pomposamente chamado discurso poético. Às vezes pisando o risco nas entradas 789 a 800 . Apenas. O mar – Apenas água, que depois de perder a virgindade expõe-se de forma indecorosa, mas que por artes mágicas acaba por ser vista como uma imensa maternidade de ilusões e horizontes. O rosto – Apenas uma mera grilheta anatómica. Podia ter ficado reduzido à sua condição de maquineta fabricante de identidades, mas à última hora foi repescado para acólito de musas em crise. As ...
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Invenções Terapêuticas ...abaixo os "racionamentos semânticos" A Drª Girassol disse que eu me estava a afastar do tratamento, e que estava a ficar pirrónico sempre a bater na tecla do durón barrueso (nome artístico). Não tarda ainda caía na cirrose santanática, e por isso tinha de atalhar rápido com uns comprimidos novos à base de “pólen de palavreado” que parece darem-se muito bem com o meu organismo Eu até estou a tomar isto um bocadinho contrariado, mas a Sra dra ainda impõe muito respeitinho e vai daí, toca a desfazer ( senão arranha no gasganete ): li no blog modus vivendi : “ (...) um homem a valer (...) não pede uma ternura diferente da que é capaz de dar (...) ” de Sándor Márai, in A conversa de Bolzano, ed. Teorema, que eu nunca li, nem faço ideia de quem seja, como de muitos outros dos que lá leio, ao menos não morro estúpido, e que Deus me perdoe, se é que a ignorância tem perdão. Mas como isso é tão mentira! Um homem assim não presta é para nada. Quem só pede aqui...
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Não me está a apetecer largar-lhe a peúga, por isso vou mesmo ajudar o Zé Manuel a fazer a malinha a mais a sua senhora. Oh querido, eu gosto muito de ir viajar contigo mas há uma coisa que ainda me está a fazer espécie. O que é minha flor? Não percebo como é que o Abramovitch não cobriu a proposta da Comissão Europeia. O Mourinho acho que lhe disse que não precisava de tradutor. O quê!? Também tenho de levar esse pullover? Amor! Então esta é a camisolinha de lã que te tricotei quando foste eleito! Eleições? Quais eleições, não me lembro de nada. Ai filho, vais ter de levar as cápsulas do magnésio também. Agora é que estou a ver, achas que podemos pedir ao SLopes para vir cá dar a comida aos peixes? Ele é um querido, vem cá de certeza, mas olha não te esqueças das cassetes dos malucos do riso porque é muito importante continuares com o teu sentido de humor. Olha, sabes quem é que me ligou? Foi o Asnar a pedir para não me esquecer dele. Não sei o que hei-de fazer. Para chefe dos bombeir...
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País de bandeiras desfraldadas, e de almas defraudadas. Vivam a lamechice e os coraçõezinhos de melaço. Vivam os aldrabões e os políticos do bagaço. Vivam os comentadores e as suas dores. Vivam os sapos e os que os têm de engolir. E dedico isto a... Fatinha Felgueiras ( ou se calhar agora também não posso dedicar um texto a uma mulher política !? ) Outra das boas maneiras de desanuviar é continuar a agradecer. Ao cruzes-canhoto, ao respirar o mesmo ar, à voz do deserto (que ainda me deve uma resposta à “pergunta indiscreta” – eu aguento uma resposta indiscreta também), ao jakinzinhos, ao retórica, ao avatares (Bruno: dia, hora e local, a arma, perdão, a marca da cerveja fica à tua escolha). Todos serão muito mais do que os seus links. Muitos políticos e comentadores já não poderão dizer o mesmo.