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A mostrar mensagens de fevereiro, 2015

Varoufakis's theorem

the square of the tie is equal to the sum of the squares of the collars

Santos inocentes

Logo quando Louçã se apresentou orgulhosamente sem gravata e ninguém lhe deu uma maioria absoluta por esse arrojo que deveríamos ter desconfiado que os deuses (já) não estavam a olhar por portugal. Entretanto a miséria foi-se naturalmente instalando, confirmando o ostracismo: os americanos já não querem os açores para nada, a galinha angolana deixou de chocar poços de ouro negro e passou apenas a debicar o fundo do mar sacando um liquido viscoso e negro que custa menos que o óleo fula, o Lobo Antunes acho que já nem para decorar prateleiras serve, os espanhóis já nem gastam vaselina a enrabar-nos (no tempo de Mário Conde ainda nos besuntaram com o roquette durante algum tempo), os chineses estão a trocar restaurantes por electricidade em pó, as finas flores da finança já nem rendem como naturezas mortas, e os brazucas, que já não nos ligam pevide há carradas de anos, agora até se dão ao luxo de nos impingir comediantes pois aparentemente já nem as próprias piadas sabemos fazer. ...

parthewanstein

Anatemizados os despotismos, desprezadas as anarquias, e negligenciada a moeda-ao-ar, valorizamos agora os compromissos (designação moralmente superior de negócio) O Dicionário não ilustrado apresenta agora as técnicas de negociação indispensáveis em qualquer processo, estejamos nós do lado do parthenon ou do lado de neuschwanstein. Tabu – tática que introduz uma forte componente de suspense nas negociações, deixando o antagonista sempre a meio caminho entre a irritação e a hesitação Ultimato – tipo de mecanismo que consegue juntar o orgulho e a humildade a comerem do mesmo prato e a deixarem-se regar pelo mesmo vinagrete Fita – tipo de palhaçada adaptada ao circo dos compromissos; o que geralmente lhe falta de colorido sobeja de malabarismo Bluff – tática que consiste em insinuar que o purgatório é a melhor hipótese de fugir ao inferno sem correr o risco de meter os pé pelas mãos na conversa com o céu. Chantagem – mecanismo que se autonomizou do ultimato e que ...

Je sui yes we podemos

Começam a escassear frases simples que não repitam fórmulas gastas. Vamos assim ficando com o ‘ide todos levar no cu’ como reserva civilizacional de densidade de discurso. Quando tiririca avançou com o ‘pior do que está não fica’, todos nos benzemos de incredulidade e sorrimos de malandrice, mas mal sabíamos que estávamos perante o ultimo suspiro de racionalidade que a política como sofrível espetáculo poderia oferecer. Hoje, seja o respeitável escândalo, seja a alarmada incredulidade, seja o pesar contrito, seja a extrema indignação oferecem-nos conjuntos de monossílabos que teriam envergonhado qualquer bovino tresmalhado ao serviço de qualquer tribo praticante de transumância. Julgo que, na antiga suméria, vaca que fosse ordenhada com incitações agora na moda, pouco tardaria em dar dois coices no focinho do ordenhador e estrumar-lhe-ia a tenda em conformidade, enviando-os assim para a sumérdia. Nós, ovinos dos tempos modernos, fieis depositários desta nova transumância com estudo...

Boliqueísmo

Entramos novamente na época alta do achincalhamento de Cavaco Silva (presidente com apelido e doutoramento em York). Com enorme vocação para servir de boneco para os mais diversos artistas dos media , Cavaco Silva, ao longo da sua carreira, praticamente picou o ponto em todos os incidentes propiciadores de gags. E, curiosamente, se qualquer dos incidentes poderia ser objecto dum largo espectro de reações, apenas o seu lado negativo (caricato, vá) sobressaiu (ficou, vá) ; se quisermos resumir: numa idêntica situação, reacção, onde soares se sairia como excêntrico, cavaco sai como saloio. Quando se quis apresentar o cavaquismo ao mundo ele apareceu como uma espécie de tecnocratismo cinzento e pacóvio (já na altura?), focado em resultados práticos e sem nenhuma riqueza ideológica. Mas aparentemente o conceito foi envelhecendo, acompanhando quem lhe deu o nome, e entrou em deficit hermenêutico. Tabus mal geridos, bolos rei mal ingeridos e bancos mal falidos foram fazendo desvanecer ...

A Revolução dos Curtumes

A grande dificuldade em enfrentar a realidade fora do pentágono: feitio do putin, camisas do tsipras, contabilistas do bes, pildra do socras e sombras do gray, leva-me a desviar e concentrar o esforço de sincretismo na maquilhagem de Uma Thurman Em primeiro lugar quero dizer que gostei. Gosto de mulheres-cera, elegias ambulantes ao betume, avatares de faraós. Uma mulher que não se besunte cirúrgica e generosamente de maquilhagem, pura e simplesmente não anda aqui a fazer nada, nem sequer é digna de ter rugas e deverá passar directamente da pele bébé para o curtume. A emancipação da mulher é, sim, uma guerra de curtumes e não de costumes. A outra mulher que marca assim a realidade é: Cristine Lagarde. Nada a ver com a sua FMInilidade, mas tudo a ver, sim, com o look de couro fatal que apresentou naquela última reunião do conselho qualquer-coisa (se houver um mortal que consiga dizer o nome correcto dos conselhos todos que se têm reunido nos últimos tempos terá direito a um lan...

Flor Agreste

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Soares dos Reis, 1881   «o lirismo e a doçura da figura, a sua expressão suave, o sorriso, a sua juventude (…) , esta é seguramente, uma das obras com predisposição para se moldar às histórias que lhe quiserem inventar» do texto que acompanha a foto desta escultura no catálogo do Museu Soares dos Reis