Entramos novamente na época alta do achincalhamento de Cavaco Silva (presidente com apelido e doutoramento em York). Com enorme vocação para servir de boneco para os mais diversos artistas dos media , Cavaco Silva, ao longo da sua carreira, praticamente picou o ponto em todos os incidentes propiciadores de gags. E, curiosamente, se qualquer dos incidentes poderia ser objecto dum largo espectro de reações, apenas o seu lado negativo (caricato, vá) sobressaiu (ficou, vá) ; se quisermos resumir: numa idêntica situação, reacção, onde soares se sairia como excêntrico, cavaco sai como saloio. Quando se quis apresentar o cavaquismo ao mundo ele apareceu como uma espécie de tecnocratismo cinzento e pacóvio (já na altura?), focado em resultados práticos e sem nenhuma riqueza ideológica. Mas aparentemente o conceito foi envelhecendo, acompanhando quem lhe deu o nome, e entrou em deficit hermenêutico. Tabus mal geridos, bolos rei mal ingeridos e bancos mal falidos foram fazendo desvanecer ...