Contos duma gajita Uma vez perguntaram-lhe se era com aquela rapariga com cara de anjo que ele se ia casar. Ele riu-se encavacado - não é uma palavra muito bem esgalhada encavacado - e deve ter ficado com um olhar de miúdo que nem cabia em si de contente e orgulhoso por ter desencaminhado um anjo nem que fosse só de cara. Os anos passaram e ele soube entretanto que essa cara de anjo o achou mesmo um miúdo, se espantou por ele ser ainda um miúdo, se calhar se desiludiu de vez em quando por ele ser apenas um miúdo, e chegou a pensar que não era possível haver ainda miúdos assim e ela ter sido metida numa canja dessas. De facto, se os anjos tiverem pele, a pele deles será assim, como a dela, agora nem sei bem se lhe deves dar isto a ler, não quero que fiques encavacado outra vez, ela vai logo dizer que és parvo, claro, mas isso também faz parte, é uma espécie de bater d’asas, para se manter no ar, para se defender dos voos picados que muitas vezes tem de fazer para te segurar, mal sabe el...
Mensagens
A mostrar mensagens de 2004
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Isto às vezes têm mesmo de se escrever estas coisas. Olhó caraças. For you and I have a guardian angel On high, with nothing to do But to give to you and to give to me Love forever, true Excerto da letra de “ True love ” de Cole Porter. E mainada, porque às vezes com cinco de aridez e uma de lamechice, misturado com umas lágrimas mal contidas, é que se faz um coração de betão em condições. Haja uma boa espátula para barrar, claro está.
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Küsschentherapie uma sessão de parvódia em vários actos, nenhum baseado em factos, senão estes ainda podiam levar a mal. 1.Laisser faire laisser baiser Deixavam-no estar. Ele ficava ali a falar sozinho, pensava que ainda era o padrinho, pensava que ainda era ele que mexia nos cordelinhos. Mas nós alimentávamos aquilo, íamos beijar-lhe a mão aos turnos e ele dava-nos ordens absurdas. A última que tive era para pregar um cagaço a alguém. Só por acaso é que não cumpri. Deixei estar como estava. Ele também estava doido, era muita coincidência aquilo dar certo. Mas antes beijar-lhe a mão a ele do que a outro. Tem de se beijar a mão a alguém, faz de referência, iam dizendo os mais necessitados duma explicação, há sempre gente que precisa duma razão para se consolar, não lhes chega um beijo, passam a vida a deixar-se andar mas depois não conseguem beijar à toa, afligem-se com uma bênção, atarantam-se com a aparência de servidão, pensam que ser livre é beijar quem se quer e esquecem-se que Deu...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
E se isto tudo se resolvesse apenas com uns pozinhos de prelimpimpim Leio alguns olhares compenetrados e sérios sobre a morte e o sofrimento – alheios - reflectindo mais ou menos enigmática e simbolicamente quase sobre tudo; sobre a provisoriedade, sobre andarmos sempre atrasados em relação ao que importa, deambulando sobre os medos, sobre as prisões, metaforizando a falta, a esperança, o optimismo, o pessimismo, hiperbolizando a dor, o inesperado, a vida de fronteira, arremessando ao espelho a parte desesperada da nossa condição, citando até romanos lúcidos, muitos gregos e poucos troianos, e procurando esquecer (bem ou mal) que da nossa natureza é mesmo muito também o cagar e andar. Eventualmente chorar. A morte nunca é uma lição para a vida. Só a vida é uma lição para a vida. Sermos uma tosta de pó com uma vidinha pelo meio é algo só suportável e camuflável à base de muitas citações e alguns jogos de palavras. Isto fora rezar o terço, claro está. Precisar que a carne de alguém arre...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Um conto para desviar o olhar das paredes Tinham-se encontrado primeiro num sonho, que pena ele não dar grande valor aos sonhos, e por isso tinha-se desperdiçado uma ocasião das que não faz um ladrão. E ela até vinha com um ar matreiro, sacudindo franjas, desviando olhares, mas não conseguindo disfarçar um certo arrebatamento, fingindo distanciamento, não, ela não conseguia, era mais forte do que o peito lhe pedia, e o peito duma mulher é danado, porque não foi feito para esconder, merecias outro soutien dizia-lhe ele, algo que te segurasse mesmo, mas eu não sou desses, ele não era dos que queria – ou será “conseguia” - guardar as mulheres só para ele; elas ao princípio até gostavam disso, mas depois fugiam-lhe todas, definitivamente, por isso é que ele não acreditava nessa merda dos sonhos, elas aí sim andavam amestradas, nunca lhe faltavam; ele pediu-me para ver se eu podia dar a volta à coisa e eu decidi dar-lhe uma mão, este no fundo é um conto filantrópico, vou dar a mão a um amig...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Pouco mais de meia dúzia de não-há-nadas-como-realmentes pré-eleitorais, nas entradas nºos 933 a 941 do dicionário não ilustrado . Até porque o futuro está nas nossas mãos, mas o sacana alojou-se na zona das calosidades. Vagas de fundo – Semelhantes às ondinhas no cabelo; acentuam-se passando com a escova da ilusão e fixam-se com o gel demagógico. Alisam enxaguando bem numa mixórdia ácida. Acções concertadas – Tendo-se perdido o ensejo de fazer a boa acção, e dado que já não há velhas para atravessar a rua, entretemo-nos a fazer torneados nas bengalas por consertar. Visão reformista – É uma das mais bem esgalhadas miopias liberais, geralmente vem acompanhada com o estigmatismo conservador, sempre de muito belo efeito – estilo noronha da costa - fora as vezes em que afinal se descobre, por debaixo dos óculos escuros, que eram todos estrábicos e nem sabiam piscar o olho. Ideia para o país – Situação grave e limite, quando ocorre é sinal que o país já lá não vai apenas com a realidade. C...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Fuck up comedy Discurso dum político compenetrado Custa-me muito ver-vos de pernas abertas, parecendo que não há quem vos queira, dais sinal dum povo meio rameira, meio prenhe, em todo o caso ( esta expressão é de muito bom tom nos discursos ) sempre dependente duma compenetrada atenção, sempre dependente do esforço dos orgãos democráticos garbosos, firmes e generosos, e eu estou aqui para dizer presente, podem contar comigo, sou boa gente, venha por trás ou me apresente pela frente. Tendes de depositar confiança no futuro, é bem verdade que se não comerdes o pão todo ele pode ficar duro, mas pensai no valor da firmeza, garantirá que não vos perdereis pelas vielas da tristeza, e não embarcareis numa vida flácida com toda a certeza, ela manter-vos-á compenetrados na vossa missão, e não precisareis de andar a passar de mão em mão. Mas sinto-vos uma nação algo frígida, sem conseguir retirar prazer de nada que lhe façam, nem duma brincadeira, nem duma desgraça, também não podem ser assim, ...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
O discurso dum Outono decadente das mulheres que já não há Vai assim, de vez em quando com uma cadência abrasileirada porque agora acho que só esses gajos é que escrevem bem Alô, eu sou miss Maple, serei almofadada, serei reclinada, serei de doçura injectada ou de mola aconchegada, secarei o seu suor, serei a doida que você quiser, ou melhor, serei a mulher que você me fizer; serei boneca, darei foda me vez de queca, farei rima quando estiver por cima, sonharás com Baco e faremos de cacho se me puseres debaixo, e se plantar de lado você até ficará arrepiado, ou de olho arregalado, e quando tiver de rolar erudição, eu sacarei da minha cabecinha abençoada e te darei uma tesão danada, e até inventarei gritinhos em latim, verás que nunca ninguém estremeceu assim; serei nulidade para você dar em sumidade, e até serei casta se isso te fizer ganhar na canasta, mostrarei que sou a mulher que te ama e todos terão inveja da tua cama, mostraremos ao mundo que somos o casalinho da nova arca de Noé...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Contos do ele ainda há homens assim E logo tinha de ser também um bom homem. Não lhe bastava ser um gajo inteligente, não, tinha logo que ser prendado, tinha logo que ser um achado, tinha logo que ser um daqueles que põem o coração duma mulher à beira duma merda dum ataque qualquer. Diga ele o que disser, será sempre bem ouvido, será sempre um querido, um cheio de graça, que mesmo bem agarrado nunca faz de carraça. E o sacana, ainda para mais, nem precisa dos jornais para se saber que é bom na cama. Mas ele tinha mesmo de ser um pessoa cheia de doçura, nem que lhe batam muito nunca fura; é o que custa em demasia, ver aquele género de alma fria, mas que aquece até que doa, e sempre na boa, dono de tudo, um sonho de ego, prolixo e mudo, visionário e cego. E mais o cheirinho da humildade de quem nunca falta à verdade, mas que, vendo bem, até poderia mentir que ela acabaria por se vir; isto porque ele era tão bom homem, e depois tão animado, fazia tudo parecer tão variado, com ele nada er...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Discurso dum político dissoluto A dra girassol obrigou a que eu me pronunciasse sobre a situação política porque senão este blog começava a transformar-se num bibelot. Eu bem sei que isto talvez se resolvesse dissolvendo apenas a assembleia, mas vou antes decidir-me, após a devida auscultação das forças da nação - gente com saber a rodos - a dissolver-vos a vós todos: tenho notado que passais já demasiado tempo à deriva; bem podiam andar apenas à toa, ou mesmo numa fona, mas não, quiseram logo pôr-se desenfreadamente à tona, ( e isto até rimava tão tão bem com um orgão genital que eu cá sei) e isso eu não posso admitir-filhos do pecado, enteados da vaidade, dissolver-vos-ei por atacado e em conformidade- verão que não estou a fingir; o máximo que vos posso conceder, e fica assim encerrado o assunto, é que me saciarão definitivamente a sede, e nunca fareis de depósito no fundo, nem ficarão agarrados à parede. Sereis pelo menos poupados ao degradante estatuto de borra, não ficareis ental...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
O dicionário não ilustrado desdenhando na separação de poderes foi outra vez à catequese; quando quisermos fazer a vontade a Cavaco, e estivermos à beira de descobrir os tais de "políticos competentes" podemos dar uma vista d’olhos nestas - pouco mais que meia dúzia - entradas. Isto depois de dizer um valente e reconfortante foda-se, claro. ( 925 a 932 ) Políticos escatológicos –São os que antevendo o fim do mundo em cuecas preparam a sociedade com medidas elásticas e aderentes Políticos exegetas –São os que nos apresentam o palavreado já bem passadinho a ferro e sem as rugas da dúvida, mas que não se esquecem de nos borrifar de esperança antes para descortinarmos neles personalidades modelares e bem vincadas Políticos taumaturgos –São os que vivem para lá do explicável e nos fodem o possível, tornando insuportavelmente maçador o razoável Políticos apologéticos – São os que refutam os que nos querem mal, e nos abrem os olhos para aquelas verdades que se não fossem eles até...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
“internettes” em versão comunhão dos santos; walking aos bochechos around [1][2][3][4][5][6][7][8]and [9] «Nenhum de nós vive para si mesmo, e nenhum de nós morre para si mesmo» S.Paulo, Carta aos Romanos 14, 7 [1] A ideia do “corpo místico de Cristo”, apesar dos seus “contornos beatos”, tem um quê de especial. Tem uma "força metafórica" como toda a palavra revelada e lembra-me até que Deus é a única palavra que se manteve metáfora - e repare-se que Jesus nada escreveu, nem mandou escrever. E é por isso que Deus ( na sua concepção cristã – a até mais precisamente católica) será sempre a fusão entre o "Logos" joanino, o Parabolador dos sinópticos, o Paráclito, e aquela Coisinha que nos mexe na alma e que às vezes até deixa que lhe chamemos comichão; entre outras coisas. [2] A ideia de que «só nós estamos no mundo; Deus não se aproxima desta atmosfera» ( in Aviz ) é instrumentalmente boa para servir o essencial - e louvável - conceito de separação entre a cidade ...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
E ainda me apeteceu dizer mais isto sobre o tal de “buttigliones em flor” case-study Buttiglione pode perfeitamente ter equacionado bem a questão “moral” versus “política”, Bolonitiglione pode perfeitamente ter equacionado bem a questão “moral” versus “direito”, Bottrigglione pode perfeitamente ter equacionado bem a questão “convicções” ( isto é quê ao certo? já nem o Pascal faria aforismos com isso ) versus “exercício do poder”, Bruttiglione pode perfeitamente ter equacionado bem a questão “cidadania” versus “moralidade”, Brittilgnobne até pode estar a rezar o terço de braço dado com um panasca apelando pela salvação de ambos e isto tudo no intervalo inspirativo da elaboração duma lei em que os enfia a todos na pildra ou numa casa de correcção na companhia dumas putéfias de estimação, tudo referendado e bem embrulhado, mas lá por isso ele não deixa de parecer uma pagela de parvoíce e prestou um péssimo serviço a essas “mulheres fatais” todas aí de cima. É que a estupidez também foi cr...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Isto vai-se a ver continua a encher não pára de encher está sempre a querer encher mas é apenas verbo de encher e não sei quando irá acabar porque sinto-me a alimentar uma enorme câmara de ar e só me apetece soprar e mais soprar e soprar nem que seja para o ar para ver uma pena voar a despedir-se do pássaro porque este nem sabia assobiar Não basta dizer palavras enigmáticas para se ser shaliah; mas a economia até vai crescer, Pinilla já marca, o petróleo vai descer, uma Condoleeza casta - e ainda bem que não morde - é a imagem da América (que preteriu assim Laeticia), Mónica Lewinsky já era, Cicciolina não sei o que é feito dela, Bottiglione (ou o raio como o gajo se chama) voltou ao baptistério, Barroso já conseguiu acertar com uma equipa de matraquilhos a sério, vão acabar os benefícios fiscais e os prevaricadores têm os dias contados, ninguém atina com os juizes naturais, foda-se continua a ser um palavrão e merda uma indecência, o Jesus histórico atormenta-nos a consciência, Arafat...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Este é praticamente um post político Li a propósito da reabertura do MoMA que o seu primeiro director Alfred Barr desdenhando um pouco da pintura naturalista/realista, dizia que “ não haveria problema em eliminar o ‘parecido com a natureza’ porque no melhor dos casos é supérfluo, no pior distrai ”. Também prefiro as abstracções porque acabam por nos concentrar no essencial. E tenho uma certa pena dos que nos querem mostrar ‘as coisas como elas são’. É que assim nem distraem.
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Porque isto é mesmo assim. O delgado precisa de companhia; e eu se calhar estou mas é grosso. Portas é um caso típico de sobrevalorização da análise politica. É o vulgar gajo inteligente que será sempre utilizado por outros mais estúpidos dando a ideia que é ele que está a dominar a coisa. Portas é pois um caso de confrangedora fragilidade. Um boneco cuja inteligência dará para brincar com outros bonecos mas que nunca fará mais que toys stories. Eu também já pensei que o problema podia ser ele. Mas não é. Entrou arrombando a porta do fragilíssimo monteiro, pode até ter sido ele a impedir a AD martelada de marcelo, mas acabou por ser guterres a entregar o poder de fininho a barroso, e à pele, safa – ajudado por santana (a anedota barroso nunca teria ganho umas eleições sem santana). Assim portas deu à costa apenas para fazer uma aritmética eleitoral simples a barroso; tem poder, claro, até uma porteira tem poder, pois se quiser lixa-nos a conduta do lixo. Hoje portas continua a ser o pr...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
pensando bem Desta vez não tive de te mentir, foi mesmo meia dúzia, claro, estava a ver que não te rias, já foi um sorriso mais gozão eu vi bem, também não era para menos, escusavas era de ter ficado depois com esse olhar distante, refugiaste-te nas festas do polegar, o que é que me querias com o polegar, já sabes que detesto sinais, mas agora olhaste para mim outra vez e não encolheste os ombros, olha que se quiseres podes estar-te a marimbar, eu não importo, eu sei que me segues com o olhar que tens dentro, mesmo quando te afliges porque a respiração já não é o que era, e já não te distrais tanto com esse olhar que tens de fora. Meia dúzia, bem, eu também não vi, mas já me disseram que foi bailareco, agora é que ninguém nos apanha, os lampiões já andam à nora, é, está no papo, eles já nem dão luta pois aquilo está ganho, até amanhã então, mas agora fizeste um sorriso meigo, não me mintas assim a sorrir está bem, mas pensando bem mente-me mesmo se fazes favor. Só a mentir é que a gent...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Contos em que a companhia era uma merda também A cidade era Dublin, a chuva era estúpida, o céu benza-o Deus, o gajo do taxi era maluco, excêntrico era uma palavra muito comprida, o hotel era uma merda, a companhia era uma seca, mas o viajante era pouco exigente, e no fundo não passava da primeira vez. O bar era típico mas horrível, a cerveja era doce e sofrível, a música quase não se percebia e inesperadamente recitavam poesia. Ele não tinha saco para poemas, não apreciava fumar erva, só que a companhia era uma merda, tem de se repetir isto porque senão nem parece possível, a cerveja já enjoava e cheirava a cânhamo, foda-se se aquilo era a Irlanda vou ali e já venho, bem vamos lá tentar perceber o que é que eles diziam, merda não se percebe nada, parece que miam, que filha da puta de pronúncia, e nem são escoceses os cabrões, é que ele pensava mesmo assim, com muito fumo, com muita cerveja morna e uma companhia de merda só se consegue pensar à base de palavrões, caralho ó menos vendem...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Machonices clássicas para desenjoar Outono again Há uma coisa que está cientificamente provada: o exercício físico reduz as capacidades intelectuais da mulher. Este ser, já de si frágil, mesmo osteoporoticamente quebradiço, ao entregar o seu corpo ao desgaste provoca uma migração enzimática da bainha de mielina que se transforma numa espécie de mero collant de axónios. Esta deslocação não terapeutica vem catalizada pelo suor que nos revela assim a sua envergonhada faceta de forte diluente das capacidades intelectuais femininas sempre reféns dum sudário masculino. A mulher quando se deixa envolver pela actividade corporal em regime de esforço, seja qual for a forma em este que se apresente, acaba por criar uma turbulência hormonal na camada de ar electricamente condutora que ela foi constituindo intra-craneanamente com um esmero bordatório, e que permitiu ao bolbo raquidiano feminino conviver saudavelmente com o seu cerebelo e sem intrigas nem infiltrações de maior causadas pela humidad...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
com todos os efes e erres Reparei há pouco que esse tal de guterres terá dito que vivemos um reality show na política portuguesa. Esse político-sacristão que nos fez viver num virtuality show uns quantos anos, foi o mesmo que teve como ministro da agricultura um gajo que comeu mioleira para assinalar ao povo que não havia crise com as vacas loucas, que chegou a ter como ministro um tal de armando vara (sem comentários), que teve como ministro das finanças um tal de oliveira martins ( não, não foi da cultura: foi finanças mesmo) , é verdade o nosso narciso miranda chegou até onde?, que descobriu para o mundo o génio político de jorge coelho, que conseguiu arrancar do cabeleireiro uma tal de maria de belém, e que deixa como legado político um carrilho casado com uma bárbara. Portugal ao recordar guterres, portugal ao destapar guterres da benta pia, portugal ao preparar-se para levar guterres num andor ao poder, mostra de facto um país que nem merece que ponham a derreter umas velinhas po...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
de nuncas e de tantos Disse-te que o sporting tinha cilindrado o porto. Menti-te está bom de ver, mas soube-me bem; «vamos "limpar" aquilo outra vez» e ainda te saquei um meio sorriso, aquele meio sorriso ainda de miúdo que sempre tiveste, a segurar os olhos verdes de malandro, de bom e decente malandro. Apalpavas-me a manga do casaco, parecia que estranhavas a fazenda, mas tu querias lá saber da fazenda, perguntei-te se gostavas da gravata, mas tu querias lá saber da gravata, só querias confirmar que eu estava ali, que daquela vez não te ia deixar sem companhia para as piadas; Esforçavas-te para ouvir os meus disparates, mas depois só encolhias os ombros, aquilo era um encolher de ombros não era, nunca me custou tanto ver um encolher de ombros, nunca me custou tanto apertar-te a mão, mas também nunca me apeteceu tanto apertá-la; e nunca me custou tanto dizer-te até amanhã. Tantos nuncas para um nunca tanto é que é a porra.
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Numerologia de trazer por casa nas entradas 916 a 924 do dicionário não ilustrado . Um – É um número a desprezar, reparemos que nem Deus nosso Senhor quis ser apenas um. Dois – O número mais lixado de se aguentar. Três – Muito mau dia para falar desta conta; estou com peseiros na consciência (sorry, um dicionário também tem direito aos seus recalcamentos) Quatro – O número sagrado para qualquer batoteiro. Gosta de ver os adversários de gatas a procurarem onde é que ele escondia os trunfos Cinco – Reflete a angústia da falta no manipulador maneta Seis – O número que demonstra que muitas vezes uma “meia” pode chegar a ser mais famosa que uma “completa”. Sete – Se não fosse a semana este número nem existia. Oito – Duas bolas serão sempre duas bolas, estejam em que posição estiverem. Nove – O número do dia em que foi inventada a verdadeira prova real. Nem todas as razões se confirmam na inversão dum rácio.
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Os estados d’alma voltam ao dicionário não ilustrado . Há que tratar também das nossas coisinhas e assim. ( No fundo todos somos gajas, não será verdade ó almodôvar ). Nas entradas 907 a 915 , descodificam-se alguns dos mais nobres momentos por que pode passar a nossa condição de seres eleitos se bem que nem todos sufragados. ( e pronto não passei das 10... entradas, claro.) Estou na merda – Situação de suave decadência, que ao deixarmos fermentar muito poderemos rapidamente passar à condição de meros gasjos naturais. Estou fodido – Situação de decadência político-sexual em que deixamos de controlar os orgãos de cópula e passamos a estar dependentes da reacção dos ossos do orifício. Vai-se andando – Situação que ocorre quando tomamos excessivamente consciência da nossa condição de bípedes. Muitas vezes isso atrapalha e afinal nem queremos muito mais do que viver alegremente com uma mão à frente e outra atrás. Estou puto – Estado d’alma cujo enunciado é aconselhável por decência só no ...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Contos duma mulher ali em combinação e que nem sequer olha para a janela sem palavrões, sem sexo, sensaboria Mas a mim não me enganas. Passaste estes anos todos sentada nessa cama, vestida só com uma camisa de dormir, fazias-te triste a olhar para um papel desdobrado mas sem nada escrito, ó julgas que eu não topei logo. Eu deixei foi a coisa ir correndo, as mulheres são umas sonsas, isso já se sabe, mesmo quem não sabe nada de mulheres isso pelo menos sabe, e então vestida só com uma “combinação”- que deliciosa palavra- ali com a alcinha a babar-se por ver um beijinho no ombro e o pescoço a treinar a sensualidade dum acto esquivo, ali com o cabelo arredondado, a fingir um carrapito, a dar-te um ar genuinamente sério e desgraçadinho, quero-te avisar isso comigo não pega. Vamos jantar fora ou não vamos? Decide-te, então! Detesto perder tempo em quartos de hotel. Não sabes ao certo se eu sou o homem da tua vida. Acontece, é uma dúvida que acontece, mas se pensasses bem verias que eu sou o...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Agora para variar um post marado Estas eleições americanas revelam-nos até à exaustão que o país que endeusa a competição, o país que precisa quase obsessivamente de premiar os mais eficientes, que possui os melhores centros de saber, que alimenta as mentes mais brilhantes, vive agora abanando o cu entre um tal de homem básico e bronco, e um tal de “mal menor” e “ o melhor que se arranja”. Na ânsia viciante de escolher os melhores, a competição e a concorrência podem-se transformar num simples “biologismo” ( devo ir pagar isto com juros ) , num “endeusamento” dos mecanismos de adaptação, e farão resvalar o exercício do poder para uma mera amanuência da sobrevivência das espécies, que acabará forçosamente por diluir os conceitos de “bom” e “mau”, fabricando líderes de polichinelo que mais parecem frutos secos embebidos em Armagnac. A terra da monitorização das instituições, a terra onde se disputam os mais capazes e estes são treinados para se disputarem entre si, a terra em que se leva...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Fezadas sul-americanas. Mas com pouco picante. Dumas famosas conversas entre E. Sabato e J.L. Borges “orientadas” por O. Barone entre finais de 74 e princípios de 75 (e passadas a livro), retirei esta passagem: Sábato: (Con tono escéptico) Pero dígame, Borges, ¿a usted le interesa el budismo en serio? Quiero decir como religión. ¿0 sólo le importa como fenómeno literario? Borges: Me parece ligeramente menos imposible que el cristianismo (ríen). Bueno, quizá crea en el Karma. Ahora, que haya cielo e infierno, eso no. Sábato: En todo caso, si existen, deben ser dos establecimientos con una población muy inesperada. (Por un instante las risas se confunden con las palabras. Los dos se divierten). Barone: ¿Y que opina de Dios, Borges? Borges: (Solemnemente irónico) ¿Es la máxima creación de la literatura fantástica! Lo que imaginaron Wells, Kafka o Poe no es nada comparado con lo que imaginó la teología. La idea de un ser perfecto, omnipotente, todopoderoso es realmente fantástica. Sábato: ...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Fezadas para-peri-proto-filosóficas Sempre que estou para comprar o “ Diferença e Repetição ” do G. Deleuze releio a sua primeira frase «A repetição não é a generalidade», e volto a ter a certeza que Deus existe; prescindo do livro, poupam-se uns cobres e umas horas de leitura de filosofia gira mas estéril.
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Fezadas de que isto um dia se há-de saber tudo «Le meilleur ouvrage est celui qui garde son secret le plus longtemps» Paul Valery em “Tel quel - Littérature“, ed. Gallimard , agora perdi a porra do nº da página, mas andava a abrir páginas à toa há mais de meia hora, a ver se depois podia dizer «abri um livro ao calhas e encontrei logo isto...»
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Isto não passa dum apenas armado em quase tudo No passado dia 23 de Outubro o Azul Cobalto aparentemente terminou uma série de posts intitulados “causa e efeito” ; eram dos textos mais luminosos que se encontravam pela blogosfera (que eu leio, claro) pela qualidade da sua escrita, e pela força e agudeza com que interpelavam quem os lia com olhos de ver (isto está a ficar um bocado manteigoso, mas como ela me parece boa cozinheira certamente saberá o que fazer com tanta manteiga). Hoje então apetece-me escrever isto: Imitações de causa e efeito #0 ou da presunção do pseudo-ficcionista de fim-se-semana Um conto que valha a pena tem sempre duas histórias a “seduzirem-se” ou a “provocarem-se” uma à outra, chafurdando ou não; que nunca se devem resolver, mesmo que se encontrem. Acho que cada um depois deve agarrar as duas como se fosse um maníaco por variáveis promíscuas e à solta, fugindo daquele insonso e irritante sinal de igual que não passa dum paramento da causalidade, ou dum paleativ...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Por mais que se diga que o poder tem horror ao vazio, o poder continua a ser um mero (se bem que com carinha de garoupa, pronto) lugar imaginário, uma espécie de Aleph a servir da calço à mesa da távola redonda em Camelot. Com o Merlin a chatear a cabeça à Morgana porque ela nem uma merda duma mesa conseguia manter enfeitiçada em condições e ela a responder que ele se fosse queixar ao menino Jesus porque esse é que era carpinteiro. O rei Artur estava já um bocado em brasa com a situação, o Aleph não parava quieto, e pediu ao Lancelot para pôr cobro à situação desequilibrada, mas claro, o gajo queria lá saber daquilo se estava entretido com a Genoveva a dar pulos no colchão de água e esse nem precisava de calços porque quando mais abanasse mais o santo graal agradecia, e enquanto a espada aguentasse o balanço por ele tudo bem. Mas isto tudo foi só para introduzir nova dose para o dicionário não ilustrado , que agora já não pode passar da meia dúzia de entradas por sessão por estrita imp...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Contos da papelaria Ele hoje sentia mesmo a necessidade de escrever qualquer coisa dura sobre as mulheres, mas não lhe ocorria nada assim de repente, e por isso foi para o balcão da papelaria. Chovia lá fora e então elas olhavam para o reclame da loja, que se exclamava incompreensivelmente “sexo”, e acabavam por entrar, estimando que iriam ali juntar o útil ao agradável. Calhava-lhes logo um homem armado em sedutor, que falava para elas com ar de impingidor mas que lhes aviava depois o seu olhar comercialmente arrebatador. Muitas delas presumiam que um homem assim só pensaria em comê-las. Como se fossem pasta de celulose, que era espremida e enrolada dose por dose, até ficar um produto sequinho, sem impurezas, fibroso quanto baste e que ainda daria para absorver mais romance se houvesse pachorra para acabamentos especiais. Então subitamente ficavam todas frígidas, como se duma epidemia se tratasse, como se aquela papelaria lhes corrompesse as hormonas, as filhas da puta das hormonas, f...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
O coliforme fiscal uma mera história de amor Vivia ele alegremente entalado entre duas colectas indiciárias e uma dupla tributação até que um dia lhe veio a corrente fria da dedução estragar o equilibrado descanso. Olhou de esguelha para a última liquidação oficiosa inverteu o ónus da prova e pôs-se ao caminho: também ele queria um off-shore só para si. Foi saltando entre os benefícios fiscais que lhe foram aparecendo e chegou a estabelecer uma boa amizade com uma delimitação negativa de incidência que vivia numa lacuna, só que aquilo não podia ter futuro porque ela não se sujeitava à primeira retenção na fonte que lhe aparecesse. Souberam esquecer-se um do outro, e não ficaram mágoas a pagar por conta: a isenção de amor ainda era possível, só haveria que reinvestir o valor de realização e aproveitar bem os coeficientes de correcção, porque o que hoje é verdade ontem pode ter sido mentira. Lembrou-se dos anos em que foi atribulado pelo lucro consolidado, pelas penalizações de ter amado...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Contos do assim também eu Olho para ela na televisão, é magrinha e fria, escanzelada diria, escanzelada é expressivo, confesso que tenho um fraquinho por ela, como se calhar por todas as mulheres que têm um aspecto enganosamente frágil, mas não não é para as proteger, quando se gosta de proteger uma mulher já a estamos a estragar, já estamos a fazer o que qualquer celofane faria e até com outro aconchego; voltando a ela, não gosto de falar das mulheres em geral, é dela que eu gosto nesta história, eu cá sou adepto de enredos monogâmicos, eventualmente pluriorgásmicos mas isso não sei se vai dar porque estou inesperadamente cansado e tenho a restrição das 25 linhas, e ando distraído, por exemplo já me ia distraindo dela que é a razão desta história, agora está a jantar num restaurante fino, deixa que lhe toquem na mão, eu sou muito ciumento com as mãos de quem gosto, felizmente ela não sabe que eu gosto dela, poderiam cair-lhe mal os meus ciúmes, enfiaram-na foi num penteado que não a b...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Hoje não vou gastar dinheiro em títulos A pior coisa que se pode fazer à tristeza é dar-lhe com o espanador das falsas alegrias. A tristeza deve ser tratada como a poesia popularucha: catrapiscando as rimas de melhor efeito, afagando a brejeirice, fugindo do género livre armado aos cágados, vagueando entre o abananço e o arrebitanço, levantando a saia e fingindo olhar para o lado, endeusando a malandrice. Nenhuma sã tristeza é errática e definitiva, valha-nos mesmo uma sã tristeza para absorver as alegrias como um radar, porque ela é acolhedora como uma genuína sopa dos pobres. Estava eu armado em parvo a procurar as consequências politicas deste pensamento quando reparo que uma entrevistadora do Ramos Rosa aparece no “Mil Folhas” do Público (entrevistar poetas é a mesma coisa jogar às palavras cruzadas com o pai natal na bicha do Toys ’R us) a citar Heiddegger quando este diz que “o ser humano é inabitável”; ora lá porque esse gajo viveu a sua existência "com escritos" a vid...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Contos do é-me indiferente Contaram-me, eu não vi, ela tinha sido abandonada por ele. Chorava, mas eu não vi, porque não gramo ver mulheres a chorar, mas não sou eu é o tipo que está a escrever isto, para mim é-me indiferente, se choram é porque o corpo lhes está a pedir isso, e se o corpo duma mulher é caprichoso no leito também deve ser no pranto. Acabou por parar de chorar, fixou a alma, focou o corpo e partiu para outra, parecia um homem. Não, não era puta, eu não sou dos que precisa de putas para escrever um conto, a mim basta-me um gaja qualquer, até uma gaja séria me dá nos dias bons. Hoje é um dia bom e ela foi tomar chá, podes continuar agora tu, ninguém olhava para ela porque se topava à distância que estava em fase de explorar e cuspir, e nenhum homem das redondezas queria aventura, todos queriam amores de passeio, e ela não estava para aí virada; ele há muitos homens sérios mas eu para mim isso é-me indiferente, se são sérios é porque fodem melhor assim, nem sei o nome dela...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Outono com Buttigliones em flor Hoje vou revelar o teor da entrevista de recrutamento do comissário Buttiglione, ou lá o raio como é que o gajo se chama, levada a cabo pelo nosso Duroni. Duroni – Mr Botognoni, you have been highly recommended by mr Burlesconi, please sit down, be comfortable… Butignone (‘dasse comequestamerdassescreve ) – Tankiu, my hass is very sensitive… Duroni – This conversation is only a proforma; proforma is almost latin, I appreciate very much the classics… Botignoli – I’m very classic too; I’m even more classic than Xéxeneca, or Burlesconi, or Alberto John Garden, or Horacio, and sorry about my macaroni english Duroni –No problem, my english is also a little bit tagliateli. Baidauei… I heard some noise of bottom around your person, but I suppose is only bad intentioned people like the portuguese left block Bestignini – I know, I’m used to be misunderstood Duroni –You are “used”!?...This is not a good signal…have you some… strange passive sexual behaviours … Bro...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Voltemos pois à queda da folha Hoje em estilo de literatura comparada, até porque isto é uma casa séria Quando começava o Outono de há 50 anos, Camus escrevia nos Carnets (1) que «Dieu n’est pas nécessaire pour créer la culpabilité ni punir. Les êtres y suffisent. C’est l’innocence à la rigueur qu’il pourrait fonder.» Isto é a chamada ideia agradável ao ouvido; Camus já tinha mandado o existencialismo às malvas e agora de vez em quando andava a dar manteiga a Deus, esquecendo-se de que haveria alguma leve possibilidade de nós – os “seres”, para os amigos - termos sido engendrados pela “cabecinha” atrevida do Criador. Agarrou-se assim a uma das mais enganadoras – e engenhosas - dicotomias da nossa condição: culpa-ingenuidade, e sai-se com esta quase “forrest-gumpada” a. t. (antes de T.Hanks). Este deus da virgindade, este deus feminino tipo mãe de toda a ingenuidade é uma construção literária para quando as rimas ou os aforismos já não estão a sair tão escorreitos. Eu cá gosto de ver De...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Eu em sinceramente não vejo a razão para cagente não apossamos a votar também realmente Hoje não há portuguesito que se preze, quer ele tenha blog quer não tenha, que não seja especialista em política americana. Agora qualquer pingente sabe que o bush defende os interesses do pitroil e que o kerry alimenta o lobby dos molhos, agora qualquer artolas sabe que o americano médio é um bronco e que nova york não reflecte a américa profunda, agora qualquer sopeira sabe que quase foderam clinton por causa duma putéfia que não gastava dinheiro nas limpezas a seco, agora qualquer parolo sabe que a indústria do armamento é como do pão para a boca para a economia americana e esses gajos é que mandam em tudo, agora qualquer reformado saído da bicha da caixa sabe que o futuro da américa se decide naqueles barbecues que os gajos fazem como nos filmes, ou então quando rezam o pai-nosso a dar as mãozinhas, agora qualquer professor mal colocado no intervalo dum algoritmo sabe que o americano médio é bur...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Carta aberta aos gajos que pensam ter sido namorados da minha filha, ou que pensam que são, ou que pensam que podem vir a ser Se calhar ainda vou ter de apagar isto mais tarde...ou mais cedo. Reparem numa coisa, reparem no drama que se vos apresentará: ela construiu a imagem do homem perfeito baseado em mim. É uma fasquia demasiado alta para vocês. Irão ter enormes problemas de afirmação pessoal; eu percebo-vos, não será nada fácil, e a vossa auto-estima nem irá ao sítio lendo a revista xis todas as semanas. Correreis o risco de ser apenas uns pés de página, ou umas notas de rodapé, quanto muito, nos melhores dias, podereis aspirar a fazer de legenda colorida, reconheço: é duro e cruel; e até calculo, ela ser-vos-á duma exigência sufocante pois eu estarei sempre a povoar as suas memórias como aquele mito com que vos tereis de comparar. A minha imagem, entre o pedestral e a redoma, estará a minar-vos o caminho, a empedrar-vos o sapato, essa imagem que eu construí como filigrana, como u...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
E agora uma calimerada para desenjoar Tenho pena de não ser uma ternura de homem. Tenho mesmo pena disso. De não saber dizer aquelas palavras que fazem os coraçõezinhos rebentarem como uma colmeia de favo ao léu. Tenho pena de não conseguir entrar na alminha de ninguém, de não provocar nem um suspirozinho, nem um calorzinho, já nem falo em estremeções, falo duma lagrimita a cair aos trambolhões. Os músculos olham para mim impávidos, secos, sem se esgadanharem demasiado por dar sinal de vida, já nem falo de grandes suores de esforço, falo dum pinguito a escorrer pelo pescoço. Não sou capaz de promover um olhar cândido e entregue, não sou capaz de atrair uma cabeça para repousar esquecida no meu colo, já nem falo dum coração em chaga ou a brilhar ao luar, falo duma feridita a sangrar. Tenho pena de não ser uma ternura de homem, em calhando, só sirvo para desenjoar.
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Na barbearia Desde que a gilette inventou a lâmina dupla em que uma puxa o pêlo para fora e a outra... empurra o pêlo para dentro, praticamente não ficou mais nada por inventar. Na chamada política concreta apenas se fazem variações no after-shave. O segredo está em vivermos de poros fechados para não arder muito.
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Apenas para aliviar da taquicardia A memória é um fenómeno radical, um tema estruturante e desestruturante ( se calhar pensavam que eu não sabia dizer estas palavras ). Ou tudo é memória, ou a memória só atrapalha. Somos filhos da memória e somos pais da memória. É a mítica história do incesto a actuar.
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Este agora é para limpar Dedicado às mulheres virtuosas em geral. Um homem, em bom rigor, não pode ser virtuoso pois sendo a cabeça de casal, e dado que é no meio que está a virtude, são duas situações incompatíveis. «Já te referi, se bem te lembras, como tem havido pessoas que, por um mero impulso irreflectido, foram capazes de vencer situações geralmente objecto ou de desejo ou de temor pelo comum dos mortais: há exemplos de quem tenha abandonado a riqueza, há exemplos de quem tenha posto a mão sobre as chamas, de quem não deixasse de sorrir em plena tortura, de quem retivesse as lágrimas nos funerais dos próprios filhos, de quem enfrentasse a morte com intrepidez, de facto, uma paixão, um movimento de cólera, uma ambição podem chegar para que desprezemos o perigo. Ora daquilo de que é capaz um instantâneo impulso de alma excitada por um qualquer estímulo, não o será muito mais ainda a virtude, cuja força é contínua, e não dependente de um ímpeto de momento, a virtude – cujo apanágio...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Ora aqui está um post também muito indicado para crianças. E para outros espécimes em fase de consolidação de personalidade. Ou do “deixei crescer em mim o meu inimigo” (*) Tristes dos que precisam de dar exemplo para convencer, desconsolados dos que precisam do seu próprio exemplo para que lhes obedeçam, desafortunados dos que precisam do exemplo de alguém para descobrir o bem das suas vidinhas; não passam de meros peregrinos de ruínas, os que correm atrás duma figura exemplar. O “dar o exemplo” é mais uma prisão construída pelo moralismo atrofiado dos coitadinhos das convicções. Quando para levar alguém a fazer algo também temos de o fazer, é porque não passamos dum holograma de ética fluorescente. E pior, se para sermos respeitados também temos de prestar vassalagem ao tal de “dar o exemplo”, então esse respeito vale tanto como o riso do palhaço rico a olhar para as tropelias do palhaço pobre. Este tão afamado “dar o exemplo” foi uma invenção de última hora, com as calças a cair e j...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Como é Outono, temos a caldo outonado. No fundo, a opinião pública apenas se distingue da opinião púbica porque enquanto esta se revela no meio dos “pêlos” a outra é nos “portantos”. O dicionário não ilustrado foi ver as notícias nas entranhas, perdão, entradas 886 a 900 Delito de opinião – Crime de índole sexual pois a vítima muitas vezes antes de abrir as pernas acaba por abrir a boca. Liberdade de expressão – É aquele tipo de liberdade que depois de muito bem espremida , vai-se a ver era só casca e caroço. Censura – Sem cura . Doença de natureza crónica mas que se manifesta em crises agudas depois de algumas crónicas.( ao fim de semana já se sabe que os trocadilhos são inevitáveis ) Princípio do contraditório – Onde acaba o dedo e começa o supositório. Comentador político – A verdadeira “mulher objecto” da sociedade da informação. O poder dos “media” – É dar-se ao luxo de ser “extremado” e não precisar de rever posições pois estão sempre aconchegados junto à cópula do poder. Pre...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
“Le pinceau voyageur” Reparo por estes dias que deixei há muito de ter necessidade ou mesmo impulso em emitir opiniões. Nem saberia explicar bem porquê. Talvez alguma preguiça, talvez falta de jeito, talvez até já trejeito, talvez mesmo vontade mortiça. Mas também são demasiados talvez para uma só vez. Encontrei uma metafórica explicação num livro muito especial sobre Alechinsky ( um dos meus pintores preferidos), em que ele é citado por Marcelin Pleynet, falando sobre o seu quadro “Central park” de 1965 ( o primeiro com as “ remarques marginales ” que lhe são tão peculiares): « J’allais bientôt me déshabituer de la peinture à l'huile. Elle ne m’avait jamais permis ces regroupements, allitérations et va-et-vient». É isso, sempre que posso ( mas nem sempre é possível esse luxo de não termos opiniões) cada vez me afasto mais dos silogismos de ocasião, dos pastiches de espátula arregaçada, ou de trincha opinativa alçada, no fundo gostava de poder dizer «je ne cherche que des pensées q...