The Bright side of the moon #1 Wool you needle is love
Mensagens
A mostrar mensagens de maio, 2007
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Conto dum pinga amor que desistiu de ser repuxo Disseram-lhe que nunca seria capaz de provocar um amor arrebatador a nenhuma mulher. Esquecera-se de ler Maupassant na idade certa e agora não havia nada a fazer, nunca as conseguia surpreender depois de passados aqueles dois primeiros encontros canónicos. Todas as suas experiências se revelavam traumáticas porque era abandonado no momento mais saboroso, aquele em que a ilusão ainda está na fase ascendente e as referências são todas luminosas construções mentais baseadas em indícios devidamente debruados pela sua imaginação. Ficava sempre inconsolável nos três dias seguintes; no quarto dia dormia, no quinto pura e simplesmente não existia, no sexto comia, mas no sétimo era um homem novo, luzidio como um ovo, e voltava ao serviço com o entusiasmo dum noviço. Tinha algo de bíblica esta sua vida sentimental. Chegou a pensar que o seu coração era uma arca de noé e que estava destinado a coleccionar todas os espécimes de amores falhados por me...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
De rerum fartura Há pouco ouvi na televisão : «sou sportinguista de gema e belenenses do coração». A chamada paixão da bola revela-nos assim inesperadamente os meandros mais recondidos do Real, que filósofos ao longo de séculos se esmifraram por catalogar, decifrar, montar e desmontar numa infindável bricolage. É pois nesta distinção entre ‘Gema’ e ‘Coração’ que radicam as grandes fracturas do Espírito e seus pontos de ligação com a Matéria. A Matéria é una e indivisível, despolarizada ( tirando aquela invenção chamada electricidade, que, como sabemos, é apenas uma das brincadeiras da divindade) e precisa visceralmente da tensão existente entre estes dois pólos do Espírito para se libertar da grande masmorra da inércia, da atracção universal e dos pirilampos mágicos da física quântica. A ‘Gema’ constituirá a parte do espírito responsável pelas pulsões mecânicas e de tendência repetitiva enquanto o ‘Coração’ está ligado às pulsões de registo errático e imprevisível. A Matéria, colocad...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Post patrocinado pela Hoyo de Monterrey Um dos discursos mais enternecedores é aquele que nos informa que toda a análise Ética teria de ser feita isolada do mecanismo religioso, leia-se: como se Deus não exista – ou, género, ‘exista Ele, ou não’. Ora hoje é um dia litúrgico marcado pelo mais precioso dos absurdos, celebra-se o Espírito Santo, uma das pessoas daquele parnaso teológico chamado Trindade de Deus. Essa espécie de António Damásio da divindade, fórmula mágica que Deus arranjou para salvar da heresia todos os imanentistas com bom feitio, e dar uma réstia de esperança aos cépticos encartados é, sem margem para dúvidas, um dos elos poéticos desta caldeirada que se dá pelo nome da Criação. Sabendo que o homem se haveria de enredar nesse novelo moral chamado ‘O bem, o mal e o assim assim’, Deus tinha de encontrar uma terceira via que continuamente fosse pondo água na fervura que são as relações entre Pai e Filho, e que todo o santo dia se emaranha pelas paredes da alma de qualquer...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Socialismo nos tempos sem cólera Quando veio a tal revolução dos cravos, alguns mais avisados – na altura também chamados de fascistas - sabiam que se haveria de pagar um preço. Nesse cabaz da democracia estariam os novos armandos varas, as felgueiradas, as quarteiras, as argoladas pinho & lino, sa, os condes Andeiro da 3ª geração, os financiamentos obscuros dos partidos, o eduquês, a parlamentarite, a demagogia em vez do desaforo, a desvergonha em vez da sobranceria, o elitismo bacoco em vez do bolorento, os dedos em riste e os institutos para a prevenção rodoviária. Teríamos uma adaptação lenta, dolorosa - mas sempre atenuada com a boa desculpa «ainda somos uma democracia recente» - alimentaríamos incompetentes com o nosso voto, vasculharíamos dicionários à procura de significados alternativos para ‘representatividade’, e os neo-jacobinismos teriam direito a andar de mão dada com os manás em forma de igreja. Ora o que acho é que não estariam à espera de, nesse mesmo país, e algun...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
chalassoterapia Esta coisa de ainda nem termos conseguido chegar a 12 candidatos para uma câmara falida e dos professores andarem a contar anedotas sobre o Nosso Querido e Virtuoso Primeiro tem-nos desviado do verdadeiro tema que importaria no momento: Isabel Figueira foi trocada por Cláudia Vieira nas campanhas da Triumph. E tal merece uma análise tão detalhada quanto aprofundada. Aparentemente tudo poderia ser apenas resultado do enlace matrimonial (e sequencial multiplicação celular) que Isabel estabeleceu com o ex-jogador do FCP César Peixoto. Convenhamos que coabitar e partilhar canalizações, estores e ácaros com alguém que tem tanto de ‘César’ como de ‘Peixoto’ poderá efectivamente criar nervoso miudinho e crises de posicionamento civilizacional em qualquer mulher que seja hormonalmente activa e selectiva, e assim lhe prejudicar irremediavelmente as formas e a tonalidade da pele; mas, por outro lado, Figueira ficaria sempre a perder para com outra moça que apresentasse um nome de...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Com tempo vamos ao tremoço É evidente que Deus não existe. Primeiro, porque o conceito de existência é algo estafadíssimo e extraordinariamente aborrecido, segundo, porque não é tributável ao ser incompatível com a condição de sujeito passivo, e, terceiros, existir é coisa para pobres de espírito. Dizer-se que é ‘puro ser’, ‘puro acto’, serão meros expedientes metafísicos que, desde filósofos mais desempoeirados a floristas brejeiras, já desmontaram até à exaustão às respectivas freguesias. Por outro lado, Deus, como mera construção da nossa mente, é um conceito bastante atraente e mesmo empolgante se estivermos com a adrenalina no ponto certo, e a bexiga sem atrapalhar. Naquele processo de passagem do homo faber para o homo sapiens acho que nos faltou um bocadinho de calma, dá ideia que saltámos do ferro fundido para os banhos turcos sem ter pelado o rabo todo. Ou, se quisermos, podíamos ter passado de Aristóteles para Kant sem ter passado por S. Tomás de Aquino. Justificar a presença...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Conto do gajo que escrevia contos mas contos mesmo dos bons Ele estava indeciso se tinha sido a frase «foda-se, que escreves bem como o caralho» que o tinha feito nascer para a escrita, ou se tinha sido mesmo aquela aposta com o gajo da bomba de gasolina em como foderia a miúda da papelaria muito antes dele conseguir escrever um conto que fosse, mesmo daqueles em que a palavra cona aparece três vezes antes da palavra conspiscuamente, ou mesmo excentricidade ou promiscuo. Mas aparentemente a vocação da escrita tinha-lhe sido mesmo revelada durante aquilo que posteriormente ele haveria de apelidar como acto de tendências sexuais, mas de consequências sociológicas. A paternidade incógnita conferira-lhe um conhecimento da natureza humana que apenas tinha experimentado de forma superficial aquando da relação passageira com uma enfermeira geriátrica que o chamava de «minha jugular assanhada» e lhe pedia mordidelas em locais que eram desconhecidos até aos mais experientes e dedicados crentes ...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
All & But (*) Apresento-me aqui na obrigação de escrever algo sobre os lagartos, mas acabo de ler que vinte e três lotes de Halibut foram retirados do mercado. Hesito. Ou falo de Miguel Veloso, ou falo da maravilha da Grunenthal. O meu coração e a minha virilha entram em súbita competição para ver qual fala mais alto. Vai ficando inclusivamente mais distante o grande texto canónico que hei-de escrever sobre Helena Roseta, e que será certamente um momento everéstico deste blog. Deus me dê saúde, como diria o nosso Santana Lopes, ou rigorosamente a não perder como diz o nosso Mário Crespo, ou Deus me dê rigorosamente uma saúde que eu nunca perca, diriam os dois a atrapalhar-se um a outro se tal se proporcionasse, o nem me parece difícil, dado que a mizé nogueira pinto já não pode ir à sic notícias porque os novos óculos que usa desmaiam muito no acrílico do estúdio cor de pintelho embebido em viochene. Voltemos à pomada: eu gostava de declarar que um halibut, mesmo em ligeiro estado...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Correntezinhas – take 2 Secção de meme’s Supostamente colocado numa ligação perversa pela Zazie ( e o Timshel ainda aproveitou para dar um encostozinho), mas devidamente enquadrado num diáfano ambiente de badalhocofilia, sou levado a deixar aqui o tal de ‘gene cultural’, nome artístico de calinada, certamente. Gostava de salientar que: 1. a apropriação de frases oriundas de civilizações clássicas de pendor amaneirado, e que, ainda para mais, sobreviviam graças à escravatura, à estatuária desnudada e que prescindiam de cós nas calças, nunca permitirá a pureza de espírito que deve impregnar a profusão de todo e qualquer gâmeta sapiencial. 2. quanto à difusão de ideias inspiradas na grande noite escolástica - mesmo que esforçadamente decoradas pelo photoshop do cocanha , que lhes retira o verdete, o musgo e o mofo, sem ter sequer de lavar escadas nem esfregar com palha d’aço – julgo que jamais permitiriam ao bípede homo-ciber-bronco libertar-se verdadeiramente do soft-aristotelismo que ...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
O que é que tchekov tem e shakespeare não tem A certa altura a actriz diz:«... eu imaginava que as pessoas de cabelo claro me eram hostis, enquanto que as de cabelo escuro me eram friamente indiferentes.», mas o texto (traduzido) diz que hostis seriam as de cabelo escuro e indiferentes as de cabelo claro. É um ‘engano’ curioso - ou foi uma correcção da tradução, ou foi uma traição do inconsciente da actriz - mas que nada tem a ver com a mensagem final de Nina Zarechnaia, a grande mensagem da alma russa: «o que é importante é conseguir aguentar».
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Desmaker corner A mulher e a ciência Quando Deus no seu Insondável Ser pensou a mulher, tal como se pode comprovar desde o Gilgamesh até às crónicas da Inês Pedrosa, passando pelas flores-que-não-eram-de-cheiro do Pentateuco, quis criar um ser de intuição e sistemas urinários bastante sensíveis e sofisticados. Esta enorme capacidade da mulher, que escapa a toda a epistemologia, em se servir do pensamento como outrora se serviu da costela, da serpente, e da maçã, e hoje da saia de racha, são uma marca do género. Ficaram talhadas para chegarem à verdade sem a maçada e o desconforto da comprovação concomitante, da dedução iterativa, da confrontação de teses contrárias, e o conceito de probabilidade afigura-se-lhes mesmo como algo de meramente romântico. Vem daqui o verdadeiro fascínio que as mulheres possuem pelos cientistas da experimentação, da elocubração, da inferência, principalmente daqueles que com um paleio enleante, mas certo e criteriosamente pejado duma tal de fundamentação, c...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
conto dos amores que nunca darão pulitzers Suplício e Felicidade tinham-se conhecido entre dois croissants recheados. Ela escolhera de morango, mostrando frescura e juventude, e ele optara por caramelo, dando a entender luxúria e insaciedade. Mas como nunca sequer tinham pronunciado tamanhas palavras mantiveram o chamado engate de olhar, aquele que está a meio caminho entre o platonismo da caverna e o atrevimento da caserna. A primeira tarde juntos passaram ali em Linda-a-Pastora, numa pastelaria especializada em mil folhas que não deixavam a marca do enfarinhado nos beiços. Falaram dos primeiros tempos de Fátima Lopes, do Rodrigues Guedes de Carvalho, de uma música de Eugénia Melo e Castro que tinham por coincidência ouvido no corredor das toalhitas húmidas do Feira Nova, e riram-se a bom rir do Alberto João Jardim, «aquilo é que é um homem», chegou ela a dizer, «é ele e o Pinto da Costa», concluíram já quase de mão dada quando descobriram que os avós eram do pé de Freamunde. Ele and...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Gangliosaxões Isto é que se diz na campanha eleitoral duma das mais antigas e maduras democracias do mundo, com daqueles parlamentos que fiscalizam mesmo, círculos uninominais, justiça descomplicada e eficiente, separação de poderes, tradição de pluralismo, respeito pela autoridade e pela liberdade individual, boa formação cívica...: “ Eu vou ajudar-vos a encontrar a Madeleine ”, Gordon Brown
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Bloco consistente A aparente iniciativa legislativa ( sonante, a frase) do Bloco de Esquerda para passar a ser permitida a concessão do divórcio apenas a pedido de um dos cônjuges parece-me uma consequência absolutamente lógica da autorização dada à mulher para abortar apenas por iniciativa dela e sem necessidade de qualquer justificação. Nem sei do que estão à espera para liberalizar as ordens de despejo.
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Correntezinhas – take one A MC que me perdoe mas eu não consigo identificar-me com essa panóplia toda de coisas sofisticadas. Não tenho pinta de alquimista, sou um ser básico ao qual estão vedadas quaisquer identificações panantropologicas, e tenho mais horror a analogias que à minha vizinha do terceiro esquerdo, que ainda hoje me deitou um olhar – eu, na minha inocência interpretei de lascivo - no elevador que me deixou com suores frios. E nem boa é; apesar de; conforme. um sonho – nem queira saber; basicamente todos os meses ou assassino um amigo, ou despeço um empregado com uma ninhada de filhos, ou drogo um concorrente. De tal forma que todos os meus sonhos estão copyrightados e os direitos foram doados à associação mundial de psicanálise e à caritas internacional. Só de pensar que podia ser metaforicamente um sonho até preferia ir directo para a cadeira do dentista. uma forma geométrica – essa nem tem discussão: a ser alguma queria ser aquelas maçãs rainetas cortadas ao meio que ...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Evolução natural, selecção das espécies, intelligent design e outras maravilhas nos galápagos do mediterrâneo Há um pouco mais de 10 anos encontrávamos (por exemplo) esta meia dúzia no primeiro governo de Cavaco… Álvaro Barreto Leonor Beleza Mário Raposo Miguel Cadilhe Mira Amaral Eurico de Melo …mas nos finais de Cavaco já poderíamos encontrar disto… Carlos Borrego Falcão e Cunha Arlindo de Carvalho António Duarte Silva Marques Mendes Braga de Macedo … nos princípios de Sócrates, temos disto… Manuel Pinho Alberto Costa Nunes Correia Vieira da Silva Severiano Teixeira Isabel Pires de Lima … então… agora é só fazer as contas para a remodelação.
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Neonicotinacinismo Fruto do capitalismo opressor e globalizante, do liberalismo intersticial, da decadência da natureza humana em geral e das forças obscuras do mercado em particular, o Estado Ocidental foi perdendo a capacidade de ser o motor das sociedades. Vão cada vez mais longe os neokeynezianismos e os socialdemocracismos, e por isso só lhe vai restando gerir a regulamentação apaneleirada ou o lobbysmo despudorado. A nova via de recuperação do prestígio e da capacidade impulsionadora perdida do Estado é rigorosamente e apenas o proibicionismo. Proibir de forma estudada, criteriosa e sistemática por forma a que a sociedade, ao se ter de adaptar , vá tendo de se reorganizar, investir, tornar-se eficiente a driblar as proibições, e imaginativa a criar novas necessidades de prevaricação ou potencial desvio. Como o pecado é um dos motores da alma, a proibição deverá ser o motor das sociedades modernas. Este exemplo actual da proibição de fumar parece-me paradigmático como medida acert...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
E o que eu me esforço para ser um ‘crente badalhoco’ Antes de mais segue uma resenha gamada de várias tiradas duma deliciosa troca de comentários em sede de caixa dos respectivos no ‘ Cocanha ’, entre Zazie e Francisco Burnay «Mas eu gosto de ateus que percebem que o realismo é uma pobreza de espírito» «Já morreram demasiados velhos sem ver o mar para eu pensar que tenho tempo.» «creio que os crentes preferem o desafio de um ateu que de um crente sem problema religioso» «Um ateu militante precisa de ter muito mais espiritualidade que uma crença mansa» «esse estádio semi-animal sem precisar de racionalização e domesticação, para aperfeiçoamento da alma, nunca durou muito como doutrina» «O "semi-cristianismo", desde que culturalmente fundamentado, não é badalhoco. O panteísmo pensado também não é badalhoco (um panteísta conta como cristão-fraco? Isso é pertinente para as estatísticas). «No dia em que deixassem de andar à boleia à custa do cristianismo e ficassem em pé de iguald...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Passos do consselho Sócrates sempre se mostrou de elevadíssimo calibre a escolher candidatos. No desejo de não ser cilindrado por Cavaco meteu os pés pelas mãos com Soares; mas como o povo já tinha incorporado a vitória de Cavaco, o assunto passou. Nas ultimas autárquicas em Lisboa deixou Carrilho ir-se afundando tanto que nem deu tempo para encalhar; mas como Carrilho conseguiu açambarcar toda a responsabilidade da asneira, o assunto passou. No seu curriculum acampam duas sui generis vitórias eleitorais: a que Sampaio lhe proporcionou numa bandeja a ele próprio, e a do aborto porque conseguiu colocar a consciência nacional como candidata ao ‘gólgota de modernidade’. Agora parecia uma situação simples e boa para demonstrar que era pelo menos uma amostra de estadista periférico semi-populista: escolher um candidato forte e bom para Lisboa, viesse donde viesse. Mas não, já não há gajos decentes, fortes e competentes que se queiram meter nisto. Agora é mesmo o tempo dos medíocres. Dos que...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
A César o que é de César, ao intestino grosso o que é do intestino grosso Uma das mais caprichosas questões em torno do chamado comportamento humano é saber se ele é mais condicionado pelos aspectos culturais, se pelo zodíaco, se pelo intestino grosso ou se pela visão apocalíptica da mãe a travar intimidades com o pai. A questão religiosa e a questão política coabitam nesta interpelação (interpelar é sempre um verbo que se deve usar de tempos a tempos pelo seu imediato efeito de empolgamento espiritual anexo) duma forma arrepiantemente promíscua. Reparemos, o homem político preocupa-se em saber se deve ou não transferir para terceiros, os direitos que assume lhe tenham sido atribuídos e consagrados pelo mero facto de respirar, fornicar em múltiplas posições, ficar com comida entre os dentes, e saber a tabuada de cor. Quanto ao homem religioso , a sua maior preocupação situa-se em saber se deve deixar entrar mais ou menos intermediários na sua relação com o Criador, ou, no caso dum não...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Luna Park Todos descobrem, mais cedo ou mais tarde, que a felicidade perfeita não é possível, mas poucos se detêm na consideração oposta de que o mesmo acontece com a infelicidade imperfeita. Os momentos que se opõem à realização de um e outro estados-limite são da mesma natureza: derivam da nossa condição humana, que é inimiga de qualquer infinitude. Primo Levi in «Se questo è un uomo»
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Realmente o que eu gostava de ser era líder para-lamentar (até porque todos temos um pouco de telmos correias dentro de nós) Existe de facto aquela hipótese mesmo muito má. Má para todos: gregos, troianos, piedosos e escabrosos, Deus existiria, sim existiria, mas era mau como as cobras. Seres dados à crença e seres dados à dúvida, seres dados à prece e seres dados à auto-suficiência, seres dados à revelação e seres dados à negação, atenção: todos bem fodidos estariam. É uma hipótese que se tem de considerar; reparemos, o bem foi inventado, como sabemos, pela madre teresa, e ela foi-se, morreu. A coisa não era estável. [e podia não ter morrido, reparem, não é possível provar que todos morremos – sim, quem pode provar que todos morremos? Eu, pessoal e estatisticamente, até conheço mais gente que não morreu do que gente que morreu, e o que nos diz que não haja aí um gajo que seja um eterno trintão, que viva de campo de refugiados em campo de refugiados, especializando-se em corredores hum...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Portugal – modo de usar Quando Le Pen foi à segunda volta das presidenciais há 5 anos uma das imagens que correu o mundo foi o tipo a rir-se alarvemente enquanto agarrava num presunto. Lembro-me da fotografia mas não me lembro do seu enquadramento e hoje é ela que me leva a este meu intermitente ABarreto side of the soul. Portugal é um país que não pode ser consumido por inteiro mas deve ser apreciado em fatias fininhas cortadas a preceito. Temos um problema, sim temos: como não nos podemos dar ao luxo de consumi-lo rapidamente para que não seque, temos de aguentar a delicada peça por muitos anos aberta e a tentar que ela não se nos fique na boca a saber a grandes descobridores oceânicos que acabaram medíocres nadadores salvadores de banheira. Voltemos ao presunto. Primeiro há que prendê-lo à tábua. Portugal tem muita tendência para nos fugir, ora escorrega para o quinto império ou cai na marroquinação, ou seja, convém mantê-lo estável naquela clássica posição perikamasutriana: o cu po...