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A mostrar mensagens de setembro, 2005
Sai mais um traumatismo craniano prá mesa daquele senhor gordinho faxavor ‘ Nós não temos 9 lesionados, nós temos sim 6 lesões traumáticas mais 3 lesões musculares’ de Peseiro , ontem na conferência de imprensa.
Agora, Deus, claro. Hoje as notícias da tarde vinham ‘recheadas’ duma desgraçada morte de 6 pessoas num bairro de barracas ( bairro do fim do mundo). Dei há muitos anos, e durante alguns anos, catequese em zonas muito degradadas as cidade de Lisboa e por isso convivi de perto com alguns dos sinais mais extremos da miséria da nossa condição que acabavam por ser vividos pelos próprios das mais diversas maneiras. Desde a revolta à resignação, passando pelo comodismo e pela sincera luta em mudar, e muitas, muitas vezes, tal como nos é próprio: tudo isto misturado. Esta ocorrência ‘jornalística’ – achei entretanto interessante que o repórter da TSF para saber pormenores sobre aquelas pessoas tivesse entrevistado um ‘freira salesiana’: pelos vistos «quem realmente conhecia aquelas pessoas e aqueles lugares», mas de republicanos, socialistas e laicos, nicles, por isso se elegerem algum para a presidência ainda vou aos cornos a alguém – fez-me lembrar e ir reler que « o sofrimento do oprimido ...
almost (f...) speechless Santo António!!!
‘Darling’, you must stay with me. Please. Ora; vamos então lá a isto. Vivemos fechados sobre nós próprios numa espécie de platonismo kirkegaardiano da 3ª geração. Isto é mau e alguém devia começar a arrepiar caminho na inversão desta tendência. Temos que começar a ser uns para os outros, a abrir as portas do coração de par em par e, por exemplo, da mesma maneira que algumas pessoas doam os seus órgãos para a ciência, o Carrilho devia deixar-se de coisas, ir treinar o ósculo da paz, e entregar a sua Bárbara à Câmara, o CDS, que já ofereceu a sua Cardona para secretária do Armando Vara, devia por seu turno imolar a Mizé Nogueira Pinto e entregá-la à nação para fazer de primeira dama de Cavaco, o PS deveria dispensar o seu praticamente santo G. Oliveira Martins para purificar a candidatura popular de Fátinha, e não queria deixar de registar e reconhecer o bom e empenhado espírito filantropo de Louçã ao disponibilizar a sua Joana a dias para fazer uns pensos na clínica geriatrica das presi...
Should I stay or should I go? (*) Em momentos de empenhado lirismo ( e épica produtividade vernacular, há que dizê-lo sem receio ) como o que deve ter gerado o post anterior é difícil resistir à perguntinha "Should I cool it or should I blow?" Não faço ideia quem seja o homem a que o lado masculino aqui do blog dedica tanto interesse e atenção, quiçá carinho ( há que reconhecê-lo também, ao carinho claro ) mas começa a interessar-me como, aliás, parece acontecer a um jovem aloirado que aparece na televisão e tem nome de imperador romano - mas com mais es e esses - que também parece gostar muito do que o tal rapaz faz. No átrio de qualquer gineceu ( e nos balneários um pouco mais, quer-me parecer ) aprende-se desde tenra idade ( adoro esta expressão, lembra-me talho ou retalho mas não sei precisar ) que se alguém nos dedica atenção é porque lhe merecemos interesse ( merecer também é um bom verbo embora com muito vento se perca o efeito ) e há a quem isso baste para arredondar...
Contos do interior dum gajo ajuizado Ele tinha um problema; sempre que pensava no peseiro sobrevinha-se-lhe uma grande vontade de o mandar para o caralho. Não era um pensamento nobre, não era, tentou ainda aliviar com um singelo ‘palhaço’ mas a alma não se amainou e nem mandar tello para os entrefolhos do gineceu lhe recolocou o equilíbrio emocional. Estava numa certa instabilidade, reconheceu-o, e foi sussurrando um ternurento e arrastado ‘grandessíssimos cabrões’ enquanto compensava em registo calórico-freudiano com três embalagens de queijadas de sintra. ‘Foderem-me o juizo é que não fodem’ foi um sinal, foi o primeiro indício que estariam a voltar os momentos de lucidez, que alguma racionalidade estaria a despertar naquele corpo ainda ligeiramente adormecido pelos espasmos neurológicos de peseiro. Um inesperado ‘vão mas é para a puta que os pariu’ ainda se assomou naquela antecâmara que são os instintos maternais que todos transportamos, mas ele já se mostrava irreversível na sua r...

Estou a fazer o que posso com os factos

Andando por aí, até porque somos cada vez mais apenas um sítio . «Estou a fazer o que posso com os factos» :o dicionário não ilustrado nas entradas 1092 a 1104 Presunção de inocência – Tipo de inocência que previamente salgada e fumada e depois finamente fatiada combina muito bem com o queijinho da serra Mandato suspenso – Técnica do estendal, que apesar de alguma inspiração circense, se baseia de facto na velha prática da exposição ao sol depois duma boa saponaria. É a imagem de marca da aldeia da roupa branca que nos está no sangue. Separação de poderes – Fenómeno que ocorre após a centrifugação de alguma roupa suja que foi lavada no detergente recomendado pelas principais marcas de máquinas partidárias Candidaturas presidenciais - Momento interessante da actividade política em que qualquer ‘revista do coração’ fica a parecer uma tese de mestrado Autarca modelo – Aquele que prefira os favores da ‘Sonae’ aos da ‘Jerónimo Martins’ Abuso de poder – Espécime menos mediática do abuso de ...
Estou a levar barato à hora por umas tranças ou por um parecer fiscal A combinação da chamada ‘democracia’ com a chamada ‘natureza humana’ deixará a primeira sempre a baloiçar entre a ditadura da popularidade (representada por exemplo pela aparente fugitiva da justiça Fátinha – que encaixa numa lógica de direito de defesa da consciência do cidadão ao jugo das instituições e da moda coiffureniana ) e a ditadura das instituições (representada por exemplo pelo comovente abraço à justiça feito por G. Oliveira Martins – que encaixa numa lógica de direito de defesa do poder sufragado ao jugo da arbitrariedade dos interesses) ‘Fodidos’ is our middle name. Volta Kafka, e aproveita que ainda ganhas uns cobres.
Dust beated but not brushed Eu tenho de confessar que já em tempos usei umas dessas calças Lévinas de que a senhora fala, no entanto as pessoas diziam que eu até parecia outra pessoa com aquilo; cheguei a elucubrar um pouco com essa inesperada constatação de alteridade explícita, poderia ser do corte justinho ou da falta das pinças reconheço, mas o que é um facto é que as noites já me custavam mais a passar e até me socorri in extremis desses inevitáveis comprimidinhos de Valery, só que se calhar porque ia para a cama muito cedo e empanturrado duns Guattaris de massa folhada, passava as noites numa tal baralhação que era como se me tivessem enfiado um Musil pela cabeça adentro ( peço desculpa por este estilo de alguma coloquialidade mas mais uma vez estão-se-me a acabar as moedas). Cheguei então a este estado, com as paredes da alma sem estóico já praticamente nenhum e com a alvenaria da lei do menor esforço toda à vista; sem conseguir criar uma esfera de interesses decente e estável e...
rolling conditions "Nada, num sentido, é mais incómodo que o próximo. Este desejado não é o próprio indesejável?" Este sóbrio conjunto afirmação-pergunta, feito um dia por Lévinas, o homem que como poucos terá definido o valor da alteridade, vinha-me à ideia sempre que abria esta página e via a imagem de um berlinde a rolar, sem que pudesse adivinhar se um tanto à toa ou se, numa hipótese mais preocupante, tendo como destino o abandono. Como... [Ah, como já sei que alguém me vai chamar 'speeded-não-sei-quantos' aproveito para afirmar que também acho serem os intelectuais, e particularmente os universitários, "coca-bichinhos" das ideias". Tenho dito e segue o berlinde.] ... na raridade do momento de uma grande alegria, efémera porque incapaz de permanecer pela fuga dos instantes, a dar lugar ao desgosto. Ou, porque me lembrei de palavras de um Musil ainda jovem, como quanto experimentado por inquestionado se pode tornar incompreensível na apropriação que...
À desgarrada para melhor segurar Ele : «Milady, é perigoso contemplá-la, Quando passa aromática e normal, Com seu tipo tão nobre e tão de sala, Com seus gestos de neve e de metal »(1) Ela : «Chegas ébrio de sonho, ó estranho amigo E eu não sei se por mim és anjo ou louco. Esquivo-me: o teu sonho mais instigo Fujo-te: a tua chama mais provoco» (2) Ele : «Quem sou eu entre o solo e o sonho Danço sozinho ao rumor da folhagem Conheço a solidão das coisas e enlaço-a À do meu pensamento e sou aéreo.» (3) Ela : «Passas como passa O riso do vento Mas na tua graça Não há pensamento. Porém, sem teu riso, Que seria a graça Do meu pensamento» (4) (1) Cesário Verde in ‘deslumbramentos’ - ed. Ulisseia (2) Natália Correia in ‘a alma’ ( com ligeiros ressaltos) - ed. O Jornal (3) António Ramos Rosa in ‘Voz do solo’ ( com ligeiras mudanças de género) - ed. Quetzal (4) Pedro Homem de Melo in ‘sopro’ ( não foi preciso mudar género...) - ed. Campo da comunicação
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modelo de civilidade e bom senso

A construção dum ser humano equilibrado, mesmo que ligeiramente apertadinho para os lados, mas livre dos excessivos constrangimentos da psique e das aculturações artificiais do meio envolvente e diluente, é uma tarefa a que todos nos devemos dedicar desinteressadamente e que não podemos deixar na mão de oportunistas amadores que, sob a capa científica, nos avinagram a mioleira que mais fica a parecer uma promoção do cartão galp frota; é pois nesta base séria e criteriosa que hoje o dicionário não ilustrado – e após ter vista recusada a publicação destas entradas pela inexcedível ‘xis’ que as preteriu a favor dum estudo comparativo do efeito perverso do hemorroidal e do frúnculo na virilha na auto-estima do adolescente obeso e disléxico – se vai dedicar à meia dúzia de condições absolutamente essenciais para todo o indivíduo que queira ser modelo de civilidade e bom senso : (entradas 1086 a 1091) Padrão comportamental estável – Característica fundadora de qualquer carácter tipo ‘famíli...
'Um mundo que cabe numa cova de Iria' (aliás, reunião de 'palheta' dos 3 pastorinhos, aliás, ternura do círculo) Convocada pela Lúcia que, apesar de ser mais 'maçarica' nessas coisas do paraíso, ao ser a mais velha assumiu-se e tomou logo a palavra: Lucia - Miúdos, aquilo lá em baixo já não vai só com terços, acabou de mo dizer a N. Senhora depois de ter catrapiscado na agenda que a previsão é o Soares só cá aparecer aí pelo ano 2027. Francisco - Foda-se, agora é que dizes isso quando acabei de me lixar todo nos joelhos ali à beira do terraço... Jacinta - Estavas era a ver a Dementieva à sucapa ó puto, e tento na língua, palpita-me é que vem aí via-sacra da grossa por isso acho bom que treines a calosidade no joelhito. L - Mas reparem, a situação é tão grave que até já ouvi o rapaz d'Aquino dizer que ia estudar melhor aquela teoria das Fatwas lá dos tipos marados do deserto, e a insinuar também que se avançarmos com uma inkizissão, mas destavez com 'k...
Crónicas do deserto O danado do eslavo-catalão que me emprestou o palmtop ainda agora deve estar a convalescer, pelo menos psicologicamente, da queda do grande camelo, por acaso uma fêmea irritadiça com um muito vago ar reflexivo projectando um sombra de remoto interesse sobre a franja. Não por falta de avisos, todos lhe tínhamos dito que meter-se no whisky canadiano, mesmo com o nome ínclito de Old Overholt (e em letras pequeninas, por baixo, um nada tranquilizador 'straight rye'), não daria bom resultado ainda que em passeio à trela pela espessura das dunas. Que nada, que ali na areia a perder de vista, e a torrar ao sol, é um álcool assim vegetarianizado e superficial a única coisa que não faria mal beber. Que o 'cereal' não lhe fez bem é um facto e as oscilações deviam ajudar a pô-lo zonzo porque lá ia sarrazinando meio mundo com a história da invenção das bebidas destiladas pelos alquimistas islâmicos, etc etc. Um perfeito disparate, como é evidente, português al...
‘Belos e Malditos’ Prosas amaricanas Faço um breve exercício de ociosidade não merecida, e leio, e copio meticulosa, infantil e inutilmente «Um político que assistia a uma sessão da Câmara de Comercio pediu a palavra, mas viu a sua pretensão negada com base na alegação de nada a ver com o comércio. -Senhor Presidente – disse um Membro Idoso, levantando-se: considero a objecção infundada. Este cavalheiro tem uma estreita e íntima relação com o comércio: ele próprio é uma mercadoria» escrito por Ambrose Bierce (o do ‘dicionário do diabo’) nas suas fábulas, ainda no sec. XIX, ( traduzido pela Antígona ) e a pedir que fosse buscar agora o Mencken falando da adulação e da deferência servil dos políticos (americanos) perante as massas, mas a verdade é que me doem as costas, e não preciso de criar vícios de cronista da moda, e por isso viro-me para o excerto duma nova tradução recente e badalada, procurando outra América «Assim de repente, não consigo lembrar-me de mais do que três rapariga...
Agassi Sim, Agassi Agassi, pois; independentemente ( vou tentar não usar muitos advérbios de modo porque vi noutro dia esplanado por aí que é proibido) do resultado que tenha amanhã com aquele chip suiço de fitinha amarela, e de nem ter feito hoje um jogo de cinco estrelas, é bom que se diga já que Agassi é o maior jogador de ténis de todos os tempos ( estes superlativos são a razão de existir do desporto). Se não mesmo desportista. Apesar de conhecer as pancadas que os adversários vão fazer antes deles próprios saberem, apesar de dar aquela ideia que ainda tem tempo de fazer um su doku antes de bater cada bola, apesar de ter andado uns sets a fazer amortis com a Brooke Shields, ainda chegam a dizer que por vezes ele se excede um pouco em jogo táctico, do género de quem diz que Deus foi um bocado pirrónico com aquela coisa da lei da gravidade. Sem nunca ter dado para aquelas paneleirices dos aproaches em slice, desprezando como um estoico aquelas esquerdas duma só mãozinha, bem puxadi...
Porque deixou de me fazer sentido escrever sobre politica doméstica ( não, nenhum leitor imaginário me perguntou) Porque eu julgava sinceramente que com Guterres se tinha chegado ao piorzinho, porque com o episódio (para utilizar uma palavra que venha no dicionário) de Barroso eu fiquei estupefacto mas ainda consegui dizer qualquer coisinha, esboçar um esgar de espírito crítico, porque ainda achei natural a novela de Lopes&Portas e todos até sabíamos mais ou menos que ela se iria desvanecer e ainda registávamos umas piadas e uns gags tentando convencer-nos que era a nossa alma revisteira a aliviar um pouco da pressão, porque já calculava – como qualquer gajo normal com um mínimo de memória e dois dedos de testa o devia fazer - que a vinda do PS para o poder estaria sempre rodeada de anedotas falantes e irrelevantes, job-boyzadas e despesismos, mas, meu Deus, agora vejo Sócrates agarrado a uma cassete que eu já pensava estar rebobinada e calcinada, incapaz de entusiasmar um preso ag...
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(con)vénia [quem dá o que é seu...] ® JL, 97. Carvão, tinta da China e aguarela (e sei lá que mais!) sobre papel. Colecção particular.

actividades que podem degradar aquilo que Deus nosso senhor estipulou para a natureza free & clean dum homem

Dedico então à convidada deste blog (que usa aquela letra miudinha e com rococós e que poderá eventualmente elucidar-me quem será esse tal de Guattari pois – tal como diria Pais do Amaral da TVI – os homens de negócios não sabem essas coisas) um conjuntinho de entradas do dicionário não ilustrado , subordinado ao tema: actividades que podem degradar aquilo que Deus nosso senhor estipulou para a natureza free & clean dum homem, e que inclusive lhe podem provocar formigueiro nas pernas, de tal forma que deveriam estar dispensadas – se não mesmo vedadas - ao sexo forte.(entradas 1086 a 1093) A dança – Inusitado serpentear do corpo que será sempre uma humilhante capitulação do homem perante aquela que fez pandan com Eva e com a maçã. A política – Actividade de carácter ridicularizante que foi desdenhada pela mulher por exigir muito esforço às unhas, pouca valorização ao conteúdo do decote, e muito apelo às aparas da madeira provocadas pelo serrote. A crítica musical – Actividade apenas...
(des)cartesianismos e (in)comodismos Prometo, para não intelectualizar 'o monumento à poesia do quotidiano' que é este belogue, não fazer qualquer referência às conceptualizações de Poe, Barthes e Deleuze e Guattari em torno dos conceitos de 'mineur' e 'majeur' no que à literatura se refere mas... será que mais ninguém se terá lembrado, ao ler a rigorosa e inspirada análise do post anterior, daquela musiquinha de James Brown (*) "I got ants in my pants (And I want to dance)" e que acabava assim: "Now, I can't dance, / You can't dance? / I got ants in my pants, / Ha, ha! / Now, I can't dance, / Now, you can't dance, / I got ants in my pants! / Ants in your pants!"? Oh boy, "Please please please"... (*) num 45 rpm do tempo do vinyl, aí por volta de 1973
E agora era uns carapauzinhos de escabeche para a mesinha do fundo que é para seu Ruben se poder inspirar Uma das panasquices literárias do momento, e crescente, é o pavoneamento adulador da literatura brasileira. Como que ignorando os seus tiques, as suas hip-hop-izações, os seus efeitos fáceis, os seus arco-iris sensuais, o seu estilo bricolage sentimental, tratando-a como se fosse uma teologia da libertação da língua e da alma portuguesa, ela é agora apresentada como se Eça de Queirós tivesse voltado, remodelado, mas com mais gajas nuas e diálogos de telenovela, elevando o samba falado a ululante deusa grega. A pura despadronização da existência, encapotada na sua mais pura pseudo-desmistificação, é o verdadeiro segredo de polichinelo da média literatura brasileira, pulverizada aqui e acolá com uma pretensa desamarrada forma de contar e exprimir, e lembram-me o Tarzan quando viu a Jane pela primeira vez: cona já tinha visto certamente nos chimpazés fêmeas, agora uma gaja nervosa e a...
Mais um esforço para afastar leitores imaginários Nas primeiras palavras que os evangelistas referem de Jesus este dá muito poucas abébias ao auditório e diz a N. Senhora e a S. José que escusavam de passarinhar-se ali feitos paizinhos mimis atrás do filhinho que Ele tinha mais que fazer, assumindo assim quem era e ao que vinha, sem deixar espaço para dúvidas. Não foi uma entrada assim bonita, que não foi, há que dizê-lo com toda a frontalidade, tanto mais que eles tinham andado ali de Nazaré para Belém, de Belém pró Egipto e do Egipto para Nazaré, numa fona, como o barata tonta do Kiefer atrás das bolas do Federer (quero avisar que não gramo este gajo – refiro-me ao insuportavel do suíço), para tentar que não chegassem com a roupa ao pêlo do catraio judeu; o S. José então é que devia andar pouco em brasa devia, praticamente como eu fico quando o meu filho mais novo me atende o telefone e diz cheio de desplante «e o que é que foi desta vez», e o sacana nem é filho de Deus nem nada; que...
‘Ergo zoom’ um post praticamente vegetariano Aqueles vergões em forma de ‘Y’ que apresentam as coxas da ‘Afrodite Agachada’ aqui de baixo, devidamente acolitados pela michelinização da sua zona abdominal fazem-me crer que os excessos da carne são absolutamente a evitar tanto mais que todas as perplexidades da nossa condição se podem resolver com dois dedos de conversa. O ser é essencialmente vegetativo, a dialéctica um embuste e a metafísica uma ilusão de óptica.
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"ecce woman"
As leitoras imaginárias não param de me escrever. E alto lá com elas. Mas eu nunca deixei ninguém apeado no meio do tablado. Kristeva, filha, não leves tão a peito o que eu escrevo, não vês que é como aquela coisa que tu dizias do contínuo processo de significação, uma espécie de fusão entre o ‘divã’ e o ‘eterno retorno’, e uma moça como tu não devia desleixar tanto das lides da casa para me ler, porque depois vai-se a ver é o que fica duma mulher, essa boa consciência do dever cumprido, ora vê lá eu, só me arrasto por aqui porque não tenho jeito para o bricolage, e por isso meia volta estou sempre a ouvir que «as larachas parvas e as ideias mirabolantes não seguram candeeiros, nem desentopem autoclismos», mas pronto deixo-me levar se calhar por aquela coisa do ‘prazer do texto’ como dizia aquele pachola do teu amigo Barthes, e que no fundo deve ser a mesma coisa que sente a cozinheira quando lhe vão aos queques enquanto eles ainda estão quentinhos; Júlia, minha santa, tu um dia ainda...
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'Tudo servido numa bandejazinha e já com a valsa de fundo a acompanhar' : Nicolas Poussin (circa 1640). "A Dance to the Music of Time" (aka "Il Ballo della Vita Humana"). Óleo s/ tela, 82 x 104 cm. Wallace Collection, London - E o cavalheiro, dança?
"on the muffins" ou "entre linhas" Dizia Deleuze que um contrato pressupõe, em princípio, o livre consentimento das partes contratantes e determina entre eles um sistema de direitos e de deveres recíprocos, não podendo afectar uma terceira parte e sendo válido por um período limitado (*). Depreende-se daqui ser a sua assinatura condição bastante para a ligação biunívoca entre os personagens de uma história (no caso, se não fosse o Baudelaire talvez a coisa se resolvesse pelo Redon porque pelo Poussin nem com a madalena lá iríamos) e que a sua validade caduca quando a trajectória do masoquista evoluir no sentido da sua transformação em sádico. Ora, acontece que não se tem consciência, à partida, da dúplice possibilidade deste processo e, das duas uma: ou se agarra nos 'inlines' e se despacha a 'esplanada' de enfiada, com tombos e tudo se fôr necessário, ou se veste um avental e ala para a cozinha fazer 'muffins'. Enfim tudo perfeito como nos d...
Momento ‘cada um faz o que pode’ S. Beckett disse numa entrevista/discurso que hoje já não é possível saber tudo, deixou de haver o elo entre o ‘eu’ e as coisas… Há que criar um mundo próprio para conhecer as necessidades, compreender e satisfazer as necessidades por ordem. Eu cá até me apetecia dizer qualquer coisa engraçada, florear o tal meu ‘mundo próprio’, mas optei por ir dar agora um pulinho a Fátima rezar por esta merda toda. Estou a colocar as necessidades por ordem.
Rentrée na feira de carcavelos Hoje está demonstrado que trotskis & che guevaras pouco mais deixaram de jeito que uma moda de óculos e umas t-shirts desbotadas, no entanto este facto também revela que a esquerda sempre se conseguiu franchisar com mais sucesso que a direita (senão experimentemos passar uma noite com uns boxers estampados com a margaret teatcher e veremos que a noite será sequinha como um carapau frito dum dia para o outro) Esta melhor franchisação dos ideais e dos ícones da esquerda, leva a que mais facilmente se aguentem os seus produtos na banca do comércio eleitoral e sejam mais elásticos ao fenómeno da moda. O reaparecimento de Soares para além de revelar os básicos: ps à rasca, país à rasca, regime à rasca, estado à rasca, revela igualmente uma baixíssima capacidade da direita de abafar esta tremenda capacidade de ‘iconologicar’ da esquerda que, quando o folclore é a única salvação, é imbatível. A Esquerda ganhará sempre todos os concursos de ‘país t-shirt molh...
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'stronger than me' (i) Sean Scully (1984). "Burnt Norton No 1", gravação impressa em papel, 74,9 x 91,2 cm. Tate, London (i) Amy Winehouse