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A mostrar mensagens de janeiro, 2012

verso à terça

Per noi uomini e per la nostra salvezza discese dal cielo e per opera dello Spirito Santo si è incarnato nel seno della Vergine Maria e si è fatto uomo. in Credo , versão em italiano

Como acabar com o desemprego entre os jovens licenciosos

um neodesmalthusianismo Uma das mais nebulosas e até nefastas consequências da austeridade desbragada é deixar os jovens com a sua lubricidade exposta aos malefícios do tempo livre. Com uma química ainda sem enquadramento religioso o jovem recém-licencioso encontra-se numa encruzilhada de tentações que ora são assumidas como um lastro inesperado das novas oportunidades, ora consumidas precipitadamente como ilusórios projectos de inovadora investigação. Deixar desamparado um jovem licencioso com excesso de argumentos é como pôr uma piton num gaiolinha de hamsters de lacinho e dar azo a que desperdicem as energias na utilização ineficaz dos instrumentos realmente úteis que têm mais à mão. Sem vislumbrar um aproveitamento para a sua licenciosidade que corresponda às expectativas criadas, o jovem licencioso acabará por tornear a clássica e profilática inibição do libido por concupiscências de substituição. Empregar dinamicamente os jovens licenciosos é pois um imperativo nacional sob...

Prémio Lúcia-Lima da Química Teológica

De todas as tentações heréticas les plus délicieux são as da família do panteísmo. Apesar de já exploradas até à exaustão na história da imaginação e digestão religiosa mostram sempre uma luminosidade tal que dão um ânimo revitalizante a qualquer crente com um certo afã de heterodoxias ortodoxas como eu. Noutro dia, a Cristina dos ex dias felizes tirou da sua arca uma preciosidade praticamente graálica: «(...) vi-me obrigada a aceitar a existência em mim de um sentimento religioso (sim, o sentimento religioso é o mais inconfessável de todos ). (...) ao procurar situar esse sentimento, e depois de muito esforço, percebi que ele não pairava no espírito como coisa abstracta mas consiste na harmonia silenciosa das substâncias químicas que compõem o meu corpo — na matéria, portanto». Ora esta espinosada de 3ª geração é uma lufada de ar fresco na apatia religiosa dos tempos que correm e leva-me a confessar também que já um par de vezes me pareceu sentir Deus a subir-me pela espinha a...

as meninas da casa

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Longe vão os tempos em que fatinha felgueiras e clara de sousa eram as estrelas das googladas aqui à casa. Foram destronadas por Nigella Lawson que liderou folgada e inesperadamente por um período longo, mas agora vê-se ameaçada por Soraya Santamaria. Kate, querida, dá aqui uma mãozinha ao meu prestígio, pela tua rica saúde.

O Ardor nos Tempos de Cólica

Leonel estava já reformado da Associação de Socorros Mútuos dos Vendedores de Bolo Rei de Loulé quando decidiu dar uma utilização mais criativa e colorida à sua reduzida reforma. Os tempos eram difíceis, já não se arranjavam amantes apenas à base de paleio e muito menos a debicar dom rodrigos depois de passeios à beira-mar, e havia que fazer muita ginástica com a sua parca pensão para alimentar os desejos mais ou menos íntimos de uma amante que fosse minimamente apresentável e que dignificasse um viúvo em fase de retoma hormonal. Sendo o seu primo dono dum pronto a vestir em Faro o problema da ornamentação têxtil parecia mais ou menos resolvido, mas o trinómio jantar-dançar-cama exigia um concentrado de despesas que fazia a sua pensão gemer ao fim de três sessões de troca de fluidos in-shore. Rapidamente teve de riscar as representantes de faixas etárias mais apelativas, estimulantes e exigentes, e pura e simplesmente esquecer em definitivo as deliciosas senhoras que tive...

verso à terça (*)

How I love to laugh when the crowd laughs While love slips through A theatre that is full But oh baby When the crowd goes home And I turn in and I realize I'm alone I can't believe I had to sacrifice you parte de poema cantado por Patti Smith a Janis Joplin , relatado em Just Kids , de Patti Smith (*) hoje à quarta

Ciência Política - Capítulo 'O pensionismo'

«Sem emprego e sem poupanças dignas de nome, Salazar não tinha condições para cuidar de si próprio; foi necessário aprovar legislação para corrigir essa situação» in Salazar, de Filipe Ribeiro de Meneses, pág. 634

incentivos à produção

O velho Montesquieu dizia que o comércio promovia a paz, a delicadeza e a moralidade nas relações humanas. Irritantemente o comércio tem vindo a colar-se a valores da mais que duvidosa qualidade como a globalização, a intermediação, o abuso de posição, etc, resumindo em duas penadas: chulice e broche. É mesmo pena, pois há uma dignidade intrínseca no actos de vender e comprar, ao serem uma corruptela benigna da troca, na sua essência mostram aquilo que o homem tem de melhor, melhorzinho vá: ir de encontro das necessidades dos outros. Ainda para mais, a sua existência realçará valores que, apesar de autónomos, se aproveitam dele (do comércio) para se porem no pódio da ética , como a gratidão, o desprendimento, a magnanimidade e afins. Sendo que o comércio se veio a travestir de outras denominações menos ilustres, desde negociata a cambão, passando pelo ambíguo tráfico ou a suspeitosa especulação , estamos agora em suspenso para ver o que substituirá o 'interesse' e o 'bem ...

Apoio ao mercado interno

Onfray, aquele do tratado de ateologia et al, no seu livro recente em que ataca de forma contundente a psicanálise ( Le crépuscule d'une idole. L'affabulation freudienne ), ainda no prefácio elabora uma espécie de postulados e contrapostulados freudianos. Num destes últimos ele escreve: «A recusa do pensamento mágico não obriga de forma alguma colocar o próprio destino nas mãos do feiticeiro» Julgo que o 'pensamento mágico' e as 'mãos do feiticeiro' são precisamente as bases (paralelas) do estado actual do pensamento. Explico-me: mais ou menos conscientes da nossa incapacidade de tocar na essência da realidade, somos forçados a criar uma realidade paralela que se preste à nossa manipulação. Daqui surgem as duas vias: valorizar a capacidade infinita de produção autónoma do nosso pensamento, ou valorizar a sua sujeição a forças ocultas que o orientam. Serve o presente para indicar que apenas o cristianismo desfaz esta encruzilhada, ou seja: permite que a força d...

apoio à exportação

1 rolo ( 300 g ) de massa folhada 250 ml de creme de leite fresco 100 g de açúcar refinado 4 gemas de ovo 1 colher de chá de farinha de trigo Raspas de limão Açúcar com canela para polvilhar Massa 1. Desenrolar a massa e cortá-la ao meio no sentido longitudinal. 2. Enrolar uma dessa folhas como um rocambole. 3. Por cima desse rocambole enrolar a outra massa. 4. Cortar esse rocambole de massa em fatias de menos de 1 cm (vai depender bastante do tamanho da forminha). 5. Forrar as forminhas com a massa. 6. Levar à geladeira para descansar. Creme 1. Misturar todos os ingredientes, com exceção das raspas de limão. 2. Levar a mistura ao fogo brando até engrossar. Assim que iniciar a fervura, retire do fogo. 3. Adicionar as raspas de limão. 4. Esperar esfriar. 5. Rechear as bases de massa folhada. Colocar pouco recheio para evitar que vaze durante a cocção 6. Levar ao forno pré-aquecido ( 250 C à 300 C ) até firmar e dourar. 7. Retirar das forminhas e no momento de se...

O caderno

Para Samuel Bonifácio chegara o momento em que tinha decidido casar-se. Era um homem de critério, possuidor dum cepticismo de cariz peri-científico e com um processo de decisão elaborado e de concomitâncias várias. Para primeiro modelo tinha escolhido o género 'mulher bonita'. Seu pai, de natureza mais prática, e depois de conhecer a escolhida, disse-lhe o primeiro óbvio das teorias do gosto: «com muito bonitas não dura». Mas Samuel seguiu o seu desiderato. Durou 3 anos e 3 meses, não parece terem ficado marcas na sua cartografia íntima e o seu sémen também não semeou. Reflectiu, todavia, e encontrou as razões no cabaz do costume: capricho e ciúme. Seguiu assim para a segunda hipótese na calha, uma mulher de cariz mais 'companheiro', da qual a sua mãe o alertou: «quando fazem  muita companhia depois não se distinguem muito dos spaniels» Como era de esperar Samuel seguiu o que tinha traçado e 4 anos e picos depois voltou ao estado civil de consumidor. As razões desta vez...

verso à terça

Deito-me neste divã e o que vejo são nuvens. Nem sempre brancas aliás, amarelas, castanhas, rosadas, por sorte, como agora em Setembro, duas ou três escarlates, principio a contar as nuvens amarelas e as nuvens castanhas se as amarelas forem em maior número que as castanhas não reprovo este ano duas amarelas e uma castanha. António Lobo Antunes (semi-aldrabado) , in Não entres tão depressa nessa noite escura

slot machine

Mas para não pensarem que o post anterior não se baseava em fundamentos teóricos de alto gabarito, aqui têm: «cidades de betão, uma democracia burocrática, uma falta de dinamismo, um pessimismo miserável e ironias insípidas. Pode acontecer que tenhamos de aguentar ainda mais tempo este «espírito». É uma mentalidade que nem sequer é já decadente, que não se pode ser decadente porque não a precedeu nenhuma elevação de onde tivesse caído.» já há dezanove anos, do slot, Sloterdijk para os amigos, aquela máquina.

Querido mudei a Caixa

Face à conjuntura económico-politico-financeiro-orçamental-social-mediático-gnoseológica irei propor ao ainda canal público um programa de teor educo-recreativo, do qual darei já conta aos estimados leitores, destinado a redecorar e refrescar os elencos das administrações, conselhos consultivos, estratégicos, fiscalização, coordenação, supervisão e demais nobres funções da Banca, de molde a que tal processo não só se torne mais transparente e colorido como também permita o aparecimento de novos valores que enriqueçam o panorama artístico-boy-bancário nacional. O figurino deste programa passará por fechar em regime de internato numa agência em Pernes seis vulgo boys que demonstrem não estar reféns de qualquer grupo ou facção com interesses no sector (julgo que talvez se consigam 6). Terão cinco tarefas obrigatórias: a) convencer três reformados a depositarem a sua pensão num produto denominado 'rendeiro plus'; b) fazer uma montra da agência sem utilizar a expressão 'garantid...

Marinho em formato jimbras

Não sei se já vos tinha dito que escreveria por fim-de-semana - e nem sequer precisava de ser de ponte - um livro tipo-mario-de-carvalho, não fora gostar mais de pastéis de bacalhau com arroz de grelos do que de escrever livros. E isto não é porque eu seja alguma bisca a escrever livros, não, isto deve-se a ter no meu pódio de irritações técnicas esse preciso gajo, enquanto gajo que escreve livros, - se fosse barbeiro por exemplo não me faria tanta aflição - de sua graça: mário de carvalho. Isto é um capricho inútil e estúpido, daqueles que há que acarinhar quando possuímos o monótono equilíbrio e a insonsa sanidade, próprias dos seres banais, e que nos permite ascender adjacentemente ao maravilhoso mundo dos paranóicos. Contudo, depois de ter pegado e aberto o seu último folhado de letras, o primeiro parágrafo - que é donde vou neste momento - entrou pela minha córnea desta forma: «a bejeca deixou fímbria de branco poroso a ferver no lábio de abreu. O ar de desdém, basóf...

República de Ver mar

Não somos uma nação de gloriosos decadentes. A nossa força não vem do desespero, nem duma euforia da miséria ou catarse de declínio. O horizonte atlântico presta-nos um serviço à alma. Acarinhamos valores para literaturas de segunda, mas honestas, mimosas, fundámos o idealismo das delícias. Fazemos coisas queridas, temos sentimentos bonitos, decoramos as ansiedades com as saudades e as melancolias, polvilhamos com um ou outro acinte mas nada que ensurdeça o ouvinte, e vestimos o orgulho de pantomina ou de solidão. Todos temos uma guterronhice dentro de nós e a nossa tristeza será sempre alegre, sempre destriste. Não trabalhamos com motores de explosão, se precisamos de energia fazemos das tripas coração e depois amamos com unhas e dentes. Não temos hábitos, não temos costumes, a visão do mar infinito dá-nos esse mínimo de estabilidade que precisamos, chegam-nos e sobejam-nos as marés para marcar o tempo. Não contem connosco para modernidades, racionalizações, cosmopolitan...

ai.

Doem-me as costas. Eu sei que há assuntos muito mais importantes, desde a entrada dos três gorjas na edêpê até àquela coisa mais ou menos genérica de estarmos todos mais ou menos fodidos, mas reparem, agora, essencialmente, doem-me, e não é mais ou menos, as costas. As televisões não ajudam nada, já revi os episódios todos do killing, já revi os houses da nova série, já revi os borgias, já revi aquela coisa do national geografique com o hitler a cores, já perdi duas corridas de gt4 com o meu filho mais novo, já ouvi inclusivamente o marques mendes, já comi duas asas de frango com cominhos, mas a porra da dor não me passa, vou pensar que são as tais dores reflexas, a reflectirem todas as desgraças do mundo, é um bocado místico, mas vocês percebem-me, certo? Isto dá todo o aspecto de ser uma demonstração velada de egoísmo, daquele egoismo estéril, mas é difícil dar-vos uma opinião porque estaria a julgar em causa própria, e ainda para mais é aquela dor que fica entre a ciática e os b...

verso à terça (*)

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L’amour est un bouquet de violettes L’amour est plus doux que ces fleurettes Quand le bonheur en passant vous fait signe et s’arrête Il faut lui prendre la main Sans attendre à demain, L’amour est un bouquet de violettes Ce soir, cueillons, cueillons ses fleurettes Car au fond de mon âme Il n’est qu’une femme C’est toi qui seras toujours Mon seul amour Refrão duma Canção de Luis Mariano, ilustrada com um pormenor duma aguarela de E. Batarda (exposta neste momento em Serralves) (*) hoje despachadinho já logo pela 2ª

Os Ricos II

Convite para uma beatificação Pega-se num rico devidamente catalogado, verifica-se o prazo de validade (há muito rico que pensa que é rico mas que já não é rico) e põe-se a marinar num stress test de carmelitas descalças durante uma semana. Depois de devidamente convencido que tudo se deveu um inapropriado aproveitamento do mecanismo de luta de classes coadjuvado por uma lua cheia que se focou inadvertidamente no seu rabo, inicia-se o processo de culpabilização. A passagem do estado de bafejado para o estado de culpado é crítica e não deve ser exagerada pois há risco de estorricar (já se verificaram casos em que o rico passou de grande paio a grande bosta sem passar por ser apenas grande besta). Uma boa culpa é absolutamente essencial e precisa de: emagrecimento, flacidez facial e rigidez de articulações; o enbranquecimento de cabelo é opcional pois pode confundir-se com a mera preocupação. A entrada na fase do arrependimento deve vir acompanhada de algum estigma público, em muitas s...

Os Ricos

Regra geral não gosto da chamada riqueza honesta. Tenho mesmo uma certa aversão àqueles que enriqueceram apenas à custa do seu trabalho e uma forte alergia aos que criaram riqueza exposta subindo a pulso, a tornozelo ou apoiando-se em qualquer outra articulação ou cartilagem em esforço. Tenho apreço, sim, por especuladores, expedientistas, herdeiros indolentes, reis da negociata, gente que sabe que é rica por uma mistura de sorte & arte. Falo de riqueza não falo de abono. Não há aqui uma caracterização moralizante ou iconoclasta, nem pretendo ser uma espécie de enólogo do graveto, isto é apenas um posição no âmbito da ecologia da riqueza. Quase por definição, enquanto os representantes do primeiro tipo se consideram donos duma qualquer benção de legitimidade os outros acham-se bafejados por uma graça louca e oculta, enquanto uns estão embebidos dum clássico eusoumismo os outros vivem num semi-exuberante quessefodismo. Um histórico problema das sociedades é : o q...

verso à terça

Na profundidade da limpeza bate o coração das cores. Neoblanc Gentil, in Cores VivasTodos os Dias

made in woven #14

Diz-me com que nódoa andas dir-te-ei que pano és.