Agora para variar um post marado



Estas eleições americanas revelam-nos até à exaustão que o país que endeusa a competição, o país que precisa quase obsessivamente de premiar os mais eficientes, que possui os melhores centros de saber, que alimenta as mentes mais brilhantes, vive agora abanando o cu entre um tal de homem básico e bronco, e um tal de “mal menor” e “ o melhor que se arranja”.



Na ânsia viciante de escolher os melhores, a competição e a concorrência podem-se transformar num simples “biologismo” ( devo ir pagar isto com juros) , num “endeusamento” dos mecanismos de adaptação, e farão resvalar o exercício do poder para uma mera amanuência da sobrevivência das espécies, que acabará forçosamente por diluir os conceitos de “bom” e “mau”, fabricando líderes de polichinelo que mais parecem frutos secos embebidos em Armagnac.



A terra da monitorização das instituições, a terra onde se disputam os mais capazes e estes são treinados para se disputarem entre si, a terra em que se leva ao limite a regulação da concorrência e da competição para que leões e gladiadores estejam a comer do mesmo prato, apresenta-nos agora para o cocktail do poder uns panadinhos de abéculas, dois homens que parece não serviriam nem para presidentes da junta, num verdadeiro elogio à mediocratização do poder disfarçada pelo pó de arroz da mediatização.



O mundo dos negócios ( e até a teoria dos jogos) mostra-nos há muito que a concorrência não leva a que se escolha “o melhor ao mais baixo preço”, nem sequer “ o melhor com o menor esforço possível”. A percepção anda de mão dada com a persuasão, e o ambiente competitivo transporta-nos vezes sem conta para a banalização do espectro do valor: o ganho marginal vive de beijo na boca com o ganho médio, e a vida passa a desenrolar-se no patamar da escada olhando para a clarabóia e pensando que estamos no terraço. Marcando passo.



O mundo lembra um teatro em que o promotor do espectáculo face à sua incapacidade para gerir tantas vedetas tão canastronas quanto caprichosas, acaba por desistir e monta um estaminé de marionetas.
Qual é a solução: conseguir ser competitivo para saber desprezar a competição. É o velho segredo do batoteiro.



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