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A mostrar mensagens de junho, 2006
E agora vai um corte e costura na seta despedida «A velocidade (…) não sofreu alterações, (…) mas o meu ritmo (…) diminuiu consideravelmente, de modo que (…) fui acumulando (…) longas viagens (…) de leitura (…) para resgatar (…) o hábito (…) de não poder usufruir como (…) desejável (…) proprietário.» Sem debrum.
Será ainda de notar a pertinência em tresler recortando 'Lolita' do Blogame mucho «Fazer de conta que (…) nos satisfazem (…) é (…) o próprio síndrome do excluído, (…) sem que, no entanto, nos consiga desviar (…) da soberba estratégica.» Lá está. É a tal coisa.
Mas recortando e baralhando o Azul Cobalto , fica assim. «Admito a (…) inabilidade (…) com que me confronto por estes dias (…) . O que me leva a um certo bem-estar é (…) a presença suspensa da (…) ausência. (…) Viver em pontas ajuda a aliviar, (…) de forma etérea e quase musical, tipo um mantra mas com acento agudo» Lá está. Às vezes também pode ser tudo uma «questão de ritmo».
Apenas brincando, ou não, aos recortes com a educação sentimental «O que sobra, então? Esqueçamos o fascínio (…) e muito menos nos atrevamos a desejar (…) . Abdiquemos da sensualidade e (…) da sofisticação. Concentremo-nos na proximidade (…) . Nos trocos. Para (…) a meia-idade, não me parece mal.» Lá está.
É a tal coisa de ler os clássicos. Já não se fazem fintas-com-remate-incorporado assim O que Maniche nunca poderia saber quando fez aquela primeira finta rápida e curta é que ‘num estudo sistemático e detalhado acerca da versificação de Mallarmé, Rimbaud e Verlaine, Benoit de Cornulier mostrou que os três «começaram por produzir alexandrinos clássicos», conformes à divisão do verso em dois hemistíquios de seis sílabas, tendo o autor de Poésies praticado também, na sequência, uma divisão tripartida (4-4-4) e mantendo-se, quanto a ele, fiel a ambas essas modalidades do verso duodecassílabo, enquanto os seus émulos simbolistas delas se afastaram a partir de certa altura.’ No entanto, e até talvez por isso, despachou célere a bolita para dentro da baliza antes que aparecesse outra vez o Pauleta com ideias. ‘De notar que o alexandrino tripartido serve muitas vezes de acompanhamento ao duodecassílabo bipartido, introduzindo uma variação no interior da estrutura métrica’. O que pode perfeita...
‘Como se faz um santo’ À atenção de sua Eminência o Sr. Cardeal Saraiva, para ir preparando o dossierzinho. Ponhamos que o brazuca do bigodinho depois duma visão semi-iconoclástica mete o Hugo Viana a cinco minutos do juízo final; este gajo, num inesperado rasgo de iluminação ad mortem, lembra-se retrospectivamente dum passe que tinha visto fazer ao Pedro Barbosa depois de ter enfardado duas tostas mistas, e faz um igual de 25 metros desmarcando o bom do Boa Morte que, obviamente, nem estava de todo à espera, face ao papel de animador cultural que lhe tinha sido inicialmente destinado; este corre então dez metros em slalom vertiginoso – no sentido do adversário, para espanto da audiência - logrando passar por dois anglicanos sem perder a noção da localização da bola, nem do tornozelo, nem do Aquiles, nem da cabeça da Ana Bolena e, em registo assombroso, faz um centro tenso, colocado a meia altura, que é apanhado pelo lombinho do pé do Postiga, devidamente massajado com creme barral, qu...
Sê-lo-á mais se declamar traduções? Se o potencial épico do Maniche não se agigantar o suficiente pela comparação aqui tão exemplarmente desenvolvida com o modesto (e actualmente um tanto desossado) Camões ter-se-á de sugerir-lhe, a fim de que perceba a sua grandeza sem necessidade de recurso a leituras de encher chouriços, o proselitismo: a visita em quantidade (a qualidade é matematicamente desprezável) a alguns blogs, nomeadamente outros, como terapia alternativa ao uso de um vulgar elevador-de-ego.
Apesar de continuar a ser importante que o Maniche leia os clássicos Maniche fez tanto com a finta curta explosivamente seguida de remate ao poste mais a jeito como Camões com os decassílabos acentuados na 6ª e na 10ª.
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Eu quero... Félix Vallotton (1909). Nu allongé au tapis rouge (*). Genève, Petit Palais. ... amor feinho. (**) (*) Título patriótico alternativo em tempo de mundial: "fada tecnicamente descalça sobre bandeira portuguesa invertida" . Ou lá que é. (**) Título do poema de Adélia Prado, "Amor feinho". In 366 poemas que falam de amor , org. Vasco Graça Moura, 2003, Quetzal Editores (pg. 240)
smsantologia "Are you not weary of ardent ways, Lure of the fallen seraphim? Tell no more of enchanted days." Joyce, "A Portrait of the Artist as a Young Man", Penguin Books, pg. 236
J. Rodrigues dos Santos mas em versão tipo-ler-os-clássicos O tal de Nabokov em ‘Ada ou ardor: uma crónica de família’ (1969): «Três mulheres egípcias, mantendo-se submissamente de perfil (longo olho de ébano, encantador nariz arrebitado, juba negra entrançada, vestido de faraó cor de mel, magros braços ambarinos, pulseiras negras, brinco de ouro do feitio da rosca, bisseccionado por uma dobra da juba, faixa de cabelo à pele vermelha e peitilho ornamental), (...) prepararam-me mediante aquilo a que o sedento Eric chamava «delicadas manipulações de certos nervos cuja localização e cujo poder só são conhecidos por alguns antigos sexologistas» acompanhadas pela não menos delicada aplicação de certos unguentos mencionados, não muito especificamente, no pornolore da Orientalia de Eric, prepararam-me, dizia, para receber uma virgenzinha assustada, descendente dum rei irlandês, como fora revelado a Eric no seu último sonho em EX, Suiça, por um mestre-de-cerimónias mais funerárias que fornicat...
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Com a devida vénia Se de um dostoievski - aquele russo cujos personagens remoíam interminavelmente obsessões de culpa e redenção - já se disse ser o grande perturbador da consciência, de doistoievskis só nos resta pensar em pastores pirrónicos distraídos a jogar ao cajado como quem joga ao pau enquanto os rebanhos se dispersam. E isto para nem sequer me deitar a imaginar quantos irmãos karamazov se fariam com três. Toievskis, é claro, porque ali babas hão-de ser mais.
Para os devidos efeitos Como eu sou uma pessoa muito equilibrada não vou fazer balanços, e apenas constato que esta coisinha ( e não se pode dizer palavrões por respeito às duas senhoras residentes convidadas ) faz hoje três aninhos. Credo. ps. (para a am) A Xerazade era mesmo uma miúda, sim, foi o ali baba que me disse. ps. (para a tm) Para quem escreveu que ‘tem dito palavrões a vida toda’, olha que nessa história um «ide.... » até que também estava bem esgalhado, hem? Ps. (para mim) Face à tal sessão amanhã na ‘Casa Fernando Pessoa’ (mas é que ias lá mesmo, se pudesses...) não sei se vais aguentar sem dizer aqui mal do Nabokov, um dos teus irritantezinhos de estimação; até porque eu sei que na página 157 e 158 (das 'Littératures II' , quando ele aparvalhava em relação a doistoievski) escreveste de raiva ( em 1988! fosgasse!) «ó nabokov vai encher chouriços». Eras era tão educadinho na altura.
De uma missa Depois de leituras da Bíblia, que infelizmente eu não consigo dizer quais...até porque quero salientar raras são as vezes que eu consigo acompanhar textos lidos por outras pessoas seja na igreja ou noutro local. Prefiro ler do que ouvir alguém ler: “Comecei a fazer trabalhos de grupo tinha 10/11 anos na disciplina de Ciências da Natureza. Numa dessas sessões de trabalho um dos meus amigos acusou-me de lhe ter tirado um lápis. Eu não lhe tinha tirado nenhum lápis, mas como o meu lápis era igual ao que ele tinha provavelmente perdido, o meu amigo insistia que eu lhe tinha tirado o lápis. Eu para evitar mais discussões, resolvi dar-lhe o meu. Resultado: O meu amigo disse-me – Vês como me tinhas tirado o lápis!!!!” Fiquei a pensar...mas eu alguma vez na vida daria o lápis numas circunstâncias destas!?! Não, naturalmente que não. Por várias razões: - Nunca evitei discussões quando tenho a certeza que tenho razão; - Amigo meu que achasse que lhe tinha tirado o lápis e não lhe di...
Praystation III Agora tudo é revelação, mistério, sedução & dúvida. A real destreza está em saber ver para lá do ecran, como quem por detrás da camisola pressente a lã, ou como o feiticeiro que pelo borboto chega ao coração do cordeiro; transformar o plasma em lente e ‘go forward’, transformar tudo, sempre, numa encantadora fuga para a frente. Só há verdadeira liberdade com escassez de informação, a natureza pára se tiver tudo ao alcance da mão. Um Deus 'ausente' é um verdadeiro presente.
Praystation II Ele quis olhar-te nos olhos como nós nos olhamos. Caprichoso estranho, este Deus. Não lhe chegou o programa básico das profecias, dos povos eleitos, e das terras prometidas. Pegou no mundo e fez ‘Refresh’. Agora bloqueei: criou tudo o que mexe, mas sofreu às mãos da lei. Mandou-nos reparar no exemplo dos lírios no campo, do bom ladrão, e disse-nos que onde estivesse um desgraçado estava um irmão. Não há comando que aguente tamanha corrida em contra mão. Dar a outra face, dar a César o que é de César, dar sem saber quantos bónus estamos a acumular. Mas não se pode jogar de olhos fechados, podemos confundir os bons samaritanos com os fariseus vendedores de enganos.
Praystation I Pegamos no botão que indica 'on'. Significa que estamos vivos. Whateveritmeans. Não sabemos a que tomada estaremos ligados, mas a coisa – nós – funciona. Existe até uma música de fundo. But don’t close your eyes. Nem todos os comandos se percebe para o que servem, mas parece haver uma finalidade, que, geralmente, também não se apanha às primeiras. Umas vezes as coisas só fazem sentido com uns bons e uns maus, mas por vezes precisamos de ser todos bons, certamente para compensar as vezes em que parecemos todos maus. ‘Turn Back’, não funciona; ‘Pause’, não funciona; muito menos o ‘Replay’. Buy your car, chose your weapons, find your way. A luz do 'on' continua acesa, o Caçador afinal amava a presa.
Wishfull drinking Infelizmente já nem o vinho dá de comer a milhões de Portugueses; perdidos entre clusters, investimentos estruturantes, modelos irlandeses, estados-já-não-há-paciência, reformismos de vão de escada e factores de sucesso, realmente, hoje, não sabemos onde estamos. Não significa isto que saber onde se está seja imprescindível para fazer algo de jeito, que o diga o Pedro Alvares Cabral, o Alexandre magno, o Marco Polo, o Gengis khan, o de Gaulle, o Peter Pan, o Kandinski, ou o Beckett , ou mesmo o Bill Gates, por exemplo, nalgum sítio estaremos, a algum sítio chegaremos, o sonho comanda a vida, três vezes nove vinte sete, pobrete mas alegrete, e existirão sempre os que estão muito acima da média para compensar os que estão muito abaixo dela e então justificar que a média não mede nada e que a estatística é filha da união entre o pretexto e a ocasião. Existirão sempre falácias e quem as detecte, verdades que nos cegam, mentiras que nos entusiasmem, tal como existirão semp...
‘Comecemos por cantar as Musas Helicónicas’ (*) Esse tal Hesíodo, enquanto andava entretido a pôr as mulheres de Zeus a parir desenfreadamente naquele harém olímpico, mal sabia que, com as Musas, iria definir o paradigma da mulher enquanto gaja, ou seja, enquanto ser que cumpre o seu papel dando cabo da carola a um gajo (também chamada uma tal de ‘alteridade’) , seja ele pastor ou não, mas mantendo-o sempre sob a ilusão de que se está a inspirar. Hoje, Mad’am. , o dicionário não ilustrado, fazendo jus ao seu apelo, (praticamente de mainstream, diga-se) de dar o devido valor aos clássicos, dedica-se (e dedica-lhe) a fazer a verdadeira descodificação das artes geralmente atribuídas a cada uma das nove musas, em aberta concorrência com as sereias homéricas. E sempre se evita aquela coisa desagradável de andar a fazer massagens reflexológicas nos pés. (entradas 1202 a 1210) Clio – Esta musa representa o estilo de mulher que leva o homem à base das obscuras artes e técnicas da História. Fá...
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On symbolism behalf (Ai quem me dera ser musa...) Gustave Moreau. (1891). "Hésiode et la Muse". Óleo s/ madeira, 59x34.5 cm. Paris: Musée d'Orsay. E por falar em ismos, uma dúvida existencial a propósito dos contos blogosféricos "1001 noites à la tchekov": existe alguma tese em que se prove que Xerazade era odalisca e não odalisco?
Conto de um encontro à beira sem mar Encontraram-se a meio caminho entre a combinação e a surpresa, entre o sol e a peneira, e ficaram ali à beira, à beirinha mesmo, um do outro. Sentados, mas não agarrados; pensava ela; porque ela pensava que nunca agarrava ninguém. Ele também estava a meio caminho, entre o tudo para contar e o nada para dizer, e por isso pediu-lhe para ler: « Dieu pour compléter le tableau A collé une corne au bec de l’oiseau, Une queue de poisson au corps du mammifère, En mesurant le monde à l’aune de ses pas.» Saiu-lhe uma voz tímida, sussurrante, mas disponível, plena de zelo, algo dorida, mas como ele não lhe largava o tornozelo às vezes vinha tremida, com a sedução ainda a arder, e calou-se, não fosse o caldo ferver. Ele sorria, tentou um beijo mas falhou-lho, ficou como acto de fé, foi um lapsus osculae, (saiu-me do pé para a mão, que se lixe a declinação) de cinema praticamente, marcava um amor olho por olho dente por dente, esta rima é um horror, primeiro avi...
Os novos anacoretas da bola Agora por todo lado se instalou a mania de ser original a falar de bola. Fazem-se nostálgicas associações, ensaiam-se ‘males de montano’ ajustados ao sofisticadíssimo fenómeno, esgalham-se autênticas engenharias de poética para misturar bola com pessoal que tenha o nome na enciclopédia, e em desespero de causa até há quem tente ter piada entre o fina e o retro, mas parecem todos, benzósdeus, saídos dum cabeleireiro de panascas mal desfrisados (ó como é que essa merda se chama). Esquece-se o básico: a bola só faz sentido no meio da irracionalidade, da brutalidade, da beleza estupidificante e da inanição do cerebelo. Dado o enquadramento, fico impedido de contar a minha primeira ida com o meu paizinho à bola ver os lagartos, mas com ele aprendi: aqui dizem-se os palavrões que calamos em casa, desfruta-se o que não se explica e sente-se o que não se fornica. E isto tudo sem ele alguma vez ter dito uma palavra sequer, porque era do estilo silencioso a ver a bola...
smsantologia "Antes pelo seguro que fiar demais. Deixai-me livrar-me dos males que temo E não do medo que ainda há-de vir." Goneril, ‘Rei Lear’, (1,4)
O sexo dos anjos Tabela do dia ( via skymail ) - foto tremida: 20 € - gemido: 25 € - piadola com referências eruditas: 30 € - piropo virtual: 15 € - proposta indecente: 5 € - música orgasmificante: 10 € - diversos: preço sob consulta
A natureza da companhia de Deus {1} O Homo pragmaticus e desenrascadus arrumou a questão da transcendência pensando que Deus ora é ‘uma invenção de pessoas ingénuas e felizes’ (*) ou uma necessidade de pessoas tristes e com sentimentos de culpa. (depois, por um ligeiro agravamento de preço ficam disponíveis as outras combinações). {2} Resolvida a questão teórica ficamos com a questão prática: como ignorar, e viver como que ignorando, que esse Algo que existe. É fácil: 1º da mesma maneira que quando andamos não estamos sempre a pensar que temos pernas mas elas estão lá; 2º algo pode existir (vamos ficar sem esmiuçar o conceito de existência) e não se revelar aos nossos sentidos e razões, assim de repente, e a título de exemplo, lembro-me da música a alguém duro de ouvido, ou um gajo sexualmente arrebatador a uma gaja frígida. {3} Viver sem Deus é portanto possível e até gestionável (desde, claro, que não percamos as pernas, fiquemos surdinhos ou provoquemos a frigidez na mulher próxima...
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La assoluta verità Bernardo Bellotto (1735-1742). La torre di Marghera . Óleo s/ tela. 43 x 56,5 cm. Colecção Rau.
Carta de amor de um adepto devidamente alscoolarizado Querida, gostei tanto de ver o jogo contigo. Já não estávamos assim agarradinhos há tanto tempo; começamos como combinado, tu gozavas com os de branco e eu gozava com os de encarnado, só tive pena que as amêijoas tivessem esfriado, mas tu não paravas de te rir a comer as azeitonas sem caroço, fazias um ar de descarada, e, olha, eu nem comia nada, só para desfrutar do prazer de te ver rir até ao soluço. Ai foi tão giro, entrelaçarmos as espinhas ao ritmo das trocas de pernas daquelas andorinhas; acho que eles estavam ansiosos, querida, lembras-te, como nós a primeira vez, nem te queres lembrar, pois, acredito, olha, mas eles coitadinhos estavam-se a estrear neste mundial, aquilo é de muita responsabilidade, muita fruta também se costuma dizer, sabes, não é como o amor, nem como fazer peixe assado, ó que pensas, lembras-te do primeiro peixinho que me fizeste, estava sequinho coitado, e vê lá tu que o comi todinho, até às escamas que t...
Carta de São Ocrates aos Scolarissences ( manuscrito apócrifo descoberto por um tipo já meio bebido ali para os lados do elevador da bica e aprofundado cientificamente pela National Geographic em patrocínio com a cerveja Carlsberg) Todos os dias dou graças pelos ricos meninos que vós sois, unidos em torno do vosso paizinho do bigodinho que tanto respeitais. Acreditai, é desta união que retirareis frutos, e ponde também os olhinhos no vosso país que agora já está a crescer quem nem um tigre asiático, tem um protocolo que não envergonha ninguém, e vai ter os professores todos avaliados pelos paizinhos, as farmácias avaliadas pelos paraplégicos, os bombeiros pelos pirómanos e até a Ana Gomes vai ser avaliada pelo Pirilampo mágico. Antes de tudo, dai sempre as mãozinhas antes dos jogos, fortalecei os vossos corações e exortai em conjunto para que as forças não vos abandonem, pois tendes sido abençoados com o jeitinho dos brinca na areia. E se por acaso vos sentirdes fraquinhos, e qualquer ...
Smsantologia "Todo e qualquer momento histórico contém sempre, em potência, vários futuros possíveis. Parece-me, contudo, que um, de entre eles, será O mais possível de todos os possíveis." J.F. de LaPrunelle, "Aforismos subtis"
E eu quero ser o segundo! 1 – Detesto quando as pessoas falam baixo nos cafés para ninguém ouvir 2 – Desiludo-me com taxistas que não falam de futebol, dos políticos ou dos colegas de profissão menos sérios ou pior ainda, não falam e limitam-se a conduzir 3 – Interesso-me pelo que é que as pessoas calçam 4 – Gosto de uma boa coscuvilhice 5 – Não tenho paciência para blogs políticos ou de políticos frustrados 6 – Gostava que o Simão Saborosa tivesse altura para ser um dos meus ódios de estimação, mas como não tem, tenho que ficar com o cabelo do Nuno Gomes 7 – Detesto os Delfins, menos quando cantam assim http://www.youtube.com/v/FDVotBSZ4yw 8 – Invento registos de interesses 9 – Gostava que o Nuno Gomes comentasse este post 10 – Gostava de gostar de aguas com sabores 11 – Tenho dito palavrões a vida toda 12 – Gostava de tirar fotografias boas sem ter que utilizar o photoshop
Eu cá quero ser o primeiro (a responder ao repto do jmf ) Declaração de interesses enquanto blogger Primeiro – Podem não acreditar, mas toda a gente me adora, sempre fui habituado a que gostassem de mim em registo terno, a gostarem da minha companhia, de me desejarem ora para genro, ora enteado, ora sócio, ora comedor de caracóis ao fim da tarde, ora consultor financeiro, ora body building entreteiner, ora conferencista de estratégias impossíveis, praticamente só para amante nunca fui especialmente procurado. No entanto, isto vai criando, como devem calcular, uma espécie de crosta estigmática que me foi ficando pesada e desagradável, amolecendo-me inclusive o carácter e arredondando hormonas e catalizadores afins. O blog apareceu-me assim como uma belíssima oportunidade para tomar consciência de que existirá uma multidão esclarecida de pessoas que se está a borrifar para isto, e para mim, e para as minhas coisinhas, para o meu paleio, e que, no seu íntimo, nem um segundo sequer chegam ...
Hoje o dicionário não ilustrado dedica-se a algumas figuras de estilo da nova corrente literária: ‘textos a armar ao engraçadinho’. Não há gato sem bofe. (entradas 1195 a 1201) As buchas – Verdadeiras maravilhas da técnica retórica de encher chouriços, costumam dar muito boa serventia em discursos com falta de nexo e excesso de sexo, dão volume, consistência e, em bem aplicadas, nem provocam flatulência. As ligações improváveis – À falta de capacidade para prender o leitor com o frágil temazinho escolhido, uma das boas alternativas é ir injectando temas completamente inesperados, em cadência certinha, e esperar que a transfusão os misture sem os sobrepor em demasia. A improbabilidade está para o sucesso desta escrita como um universo reduzido para a estatística, ou a paradinha para os penalties. A exemplificação exaustiva – Para demonstrar farto arcaboiço de fundamentação engraçadinha é essencial saber repescar exemplos engranelados de forma massacrante, impulsiva e variada. Cruzar ci...
conto de uma loira natural Naturalmente ela tinha de ser loira. Fresca, rebelde, meia cavaleira andante, sempre próxima, sempre distante, sem diamante que a fure, desconhecida, girl toujours, sempre a fingir que não se lambe uma ferida, pose entre o fatal e o ausente, mas loiro natural, semi frio, semi quente, é tão difícil encontrar um bocadinho mais giro de gente; Quem lhe fizesse uma festa, quem lhe desse um beijo, recebia sempre um olhar terno, mas era sempre mistura de céu e de inferno, porque nos olhava através dum véu, feito com a seda com que tinham sido fiados os seus cabelos, e um coração de pedra enrolado em novelos; de uma miúda e tal, que soprava, e arrasava, com uma franja em louro natural, e uma cabecita que voava, voava, mas tanto voava como poisava, ora em rapina ora em graça, jeito de felina feito miúda giraça.
Temos então no dicionário não ilustrado algumas variáveis dispersas da dimensão do tempo. Serviu-me assim de tema por não ter pachorra para escrever sobre rigorosamente nada, nem sequer para dizer mal, até porque o episódio do dia do cão ainda pôs o pessoal mais vidrinho; desde que está mesmo confirmado que evoluímos daqueles macacos que usavam o polegar dobrado para tirar os burriés ficámos muito peneirentos. (entradas nº 1187 a 1194) A espera – Momento que combina a heroicidade da compreensão com a ansiedade da ausência. A indústria trouxe o contributo da pastilha elástica, a filosofia tentou o existencialismo pedagógico, mas os alentejanos foram mais felizes com a divulgação da sombra do chaparro. A contemplação – É uma categoria ora extra-valorizada ora arrogantemente negligenciada, um pouco como os óregãos na comida, que tem a peculiaridade de permitir ao utilizador avaliar e relativizar tanto o usufruto como a posse, e está para a alma como uma letra eternamente em carteira está...
Seis autores à procura dum personagem O Tavares, o Vila-Matas, o Sebald, o Coetzee, o Rushdie e o Auster na feira dos argumentos disputavam avidamente os direitos de poderem usar como personagem um escritor obscuro, apenas com dois pequenos opúsculos publicados, sem tema muito preciso e em torno das técnicas de enxerto em ameixeiras de ‘rainhas cláudias’, mas que se tinha tornado de culto entre um grupo de golfistas que tinham em comum cantarem mentalmente ‘always on my mind’ dos ‘pet shop boys’ quando treinavam o put. Era um sujeito com algumas possibilidades romanescas pelo seu equilíbrio entre o cagaço de morrer e a má gestão dos desgostos amorosos, tinha chegado a tomar um ginger ale com o patrão da general electric numa bomba de gasolina e roçava o vício pela experimentação de plantas aromáticas. Só que apresentava uns ombros demasiado largos para algum dia ser um escritor bem aceite pelos seus pares, e escrevia de forma excessivamente linear para os críticos, raramente ensaiando ...
Refreshing (não temos é soutiens para queimar) Do tempo. O dicionário não ilustrado hoje não irá falar sobre o crescimento, ou sobre o amadurecimento, ou envelhecimento, se bem que valeria a pena. Hoje é frequente falar dos homens ( aqui significando o género masculino apenas) que pretendem recuperar a sua adolescência, ou que a prolongam, numa mistura do ‘nunca crescem’, com o ‘querem voltar a ser miúdos’, face a hábitos e gostos que agora se encontram mais frequentemente na chamada grande órbita da meia-idade (eu nem acredito que estou a falar assim) e que parecem mais próprios duma juventude sem responsabilidades, e com o tempo e a rebeldia e liberdade para o esturricar e render. Apenas acho que o homem, feito um balanço, nos nossos dias, amadurece (ou pode amadurecer) duma forma muito mais engraçada e lúdica, com o que pode ler, com a musica que pode ouvir- e como o pode fazer- o que pode viajar, ver, interessar-se, conversar, fazer, pensar e até sentir. Quando a macieira atraiçoou...
Pesponto à vista Quis exercitar outra vez esta transexualização pela via do ‘sign in’ feminino, tomando-lhe o gosto só mais esta vez, procurando, quem sabe, novas sensações, viver o que Tirésias viveu sem precisar de reflexologias avulsas, e até nem estou a desgostar, até parece que a Emily penetra mais fundo na alma, consigo ver uma telenovela com outra abrangência, sei lá, saem-me mais fluidas as metáforas com sanefas, com varões e com cortinados, afasto-me selectivamente das esquerdas cruzadas a uma mão e cheias de top spin, ou dos brincos da Sharapova, ou da associação nacional de farmácias, enfim, são sensações editoriais diferentes, nem é que me esteja a dar para falar de miudezas ginecológicas, nem sequer senti o apelo ao amor cinefilizado, ou à pintura metafísica italiana, há uma outra ligeireza despreocupada no vocabulário reflexivo, sim, talvez um pouco mais de vertigem para dar nas vistas, mas também nada de mais, não é de se apoquentarem. Sou até levado a aproveitar esta ra...