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A mostrar mensagens de novembro, 2009

Neo-Escatologismo

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Negacionismos, faltas de memória colectivas, materialismos dialécticos, geno-taras, enfim, a um pouco disto tudo assistiam Deus nosso Senhor e a sua corte de anjos e santos vai para uma carrada de séculos e ultimamente com coloridos cada vez mais arco-íricos. O Altíssimo olhava em seu redor esperando algum comentário mais pertinente por parte das abençoadas hostes, mas apenas descortinava S. Francisco de Assis fazendo festinhas a um gatinho, Sto Inácio de Loyola a fazer palavras cruzadas, e Sta Cecília assobiando o strangers in the night . O arcanjo S. Miguel chegou a desabafar: não me digam que foi para isto que eu andei à porrada com o cabrão do Lucifer, arriscando-me ainda a arranjar uma tendinite nas asas. Durante séculos o anjo Balduíno tinha visto a sua hipótese teórica da reincarnação posta de lado pelo Criador, - chegando a apresentar mesmo algum ar de enfado na sua Sagrada Face - para já não dizer que era alarvemente gozado pelos outros anjos que diziam «olha olha o beduíno ar...

Rolando Ginja

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Rolando Colaço fora um rapaz perfeitamente normal até se ter submetido a um tratamento revolucionário para a recomposição demográfica do seu deficit capilar. Nessa sequência e após vários implantes de duvidosa proveniência foi confrontado com uma moleirinha ao nível duma paisagem lunar após a explosão em busca do milagroso agádoizó. Inconformado, recorreu aos serviços de plástica & estética dum especialista credenciado que, nada lhe prometendo no seu aspecto em geral, lhe garantia farta cabeleira em particular. A intervenção correu sem necessidade de atestados falsos e o efeito obtido levou a que a enfermeira do recobro, Vânia Coentrão, de fogosa fama, exclamasse: «Rolandinho, o menino ficou uma autêntica ginja!». E assim ficou posterizado: Rolando Ginja. Rolando Ginja no pós operatório A tara pelos clássicos que o cirurgião plástico Leonardo Vassily alimentava desde os seus tempos de faculdade, levara-o a uma técnica de recuperação de coiros cabeludos denominada de minotauriza...

A República da Expressão

Depois de devidamente sedimentada a gloriosa liberdade de expressão, o Senado dos Teóricos decidiu que tinha chegado o momento de passar à fase seguinte da grande caminhada do progresso: a 'ditadura da expressão'. Mandou assim reunir o Comité das Boas Práticas e pediu-lhe para definir as linhas bases da nova organização da sociedade. Libertada do obscurantismo da verdade, libertada da iniquidade errática dos factos, importava libertar agora a sociedade da monotonia da notícia e impor engalanadamente o império dos escândalos e da opinião. Nesta fase mais avançada onde nos conduzira o período intermédio da liberdade de expressão iria então inaugurar-se uma nova república de jornaleiros e opinalistas, e seria finalmente recuperado com pompa o nosso estado natural: todos nascemos públicos. O valor mais importante da nova sociedade estabilizara no triângulo mágico: 'dever de todos se exprimirem', 'dever de todos se escandalizarem', 'dever de todos esquadrinharem...
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Barbara Kruger

operação face visível

Como constatamos e consequentemente, nos melhores dias, sabemos, a igualdade não é uma condição da natureza. É uma construção ora social, ora politica, ora cultural, ora religiosa. Todos iguais perante a lei, a sociedade ou mesmo perante Deus é um edifício ou uma prática conceptual que nos é imposta. Cada pessoa antes de se sentir igual sente-se diferente.

História Abreviada da Psicologia Portátil (*)

[1] [2] [3] [4] [5] [6] [7] [8] [9] [1] Com o estatuto da consciência e do inconsciente já devidamente consolidados no campeonato da explicação da mente, importa sacar um terceiro parceiro para a guerrilha; chamar-lhe-ei : a 'franja'. [2] Todos conseguimos perfeitamente identificar acções, pensamentos e até sentimentos que são rotuladamente da responsabilidade do que chamamos simplificadamente 'consciência'. Todos também conseguimos isolar uma ou outra acção, pensamento ou sentimento aos quais acometemos a responsabilidade a algo que está numa zona que chamamos, desde freud, de inconsciente, mesmo que não tenhamos uma ideia muita precisa de como e quando lá foi parar essa incumbência, ('recalcamento' costuma ser uma boa opção de catálogo) nem do que lhe garante comida e roupa lavada . Ora não haverá nenhum descendente de adão que, depois de superados os problemas básicos de sobrevivência e sem dores nas cruzes, não se ponha a pensar na razão de determinada atitu...

Chuva em Novembro

Quando os conterrâneos da Maité Proença traduziram por 'ordem implicada' a Implicate Order que o físico David Bohm trouxera para a praça pública no início dos anos 80, Deus nosso Senhor, levemente abespinhado, decidiu finalmente pôr o planeta sob escuta; mandou uma dupla de anjos montar um tenda na parte de trás do Hubble para ninguém topar e vai de instalar antenas multidireccionais viradas para todas as aulas de física do universo, churrascarias de carne incluídas. Quando Deus nosso Senhor decidiu que a suportar esta merda subatómica toda iria estar uma mistura de tudo e de nada nunca pensou nas traduções brasileiras, e isso estava agora a mostrar-se uma certa imprudência face à capacidade da língua portuguesa tropicalizada em libertar toda a teoria quântica e em transformar o vazio desconhecido numa espécie de cúmplice da grande barrela universal em expansão, descobrindo assim a careca conspirativa do Criador. É hoje absolutamente certo que Deus não tinha especial pachorra ...

Vai ser bom nascer em Mortágua

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Cortesia de mptv (leia-se 'gamado de') 1. o estado deve interferir em quem as pessoas gostam? não 2. o estado deve interferir em quem as pessoas beijam? não 3. o estado deve interferir em com quem as pessoas se relacionam sexualmente? não ( dentro dos limites das leis que regulamentam a integridade fisica e psicológica) 4. o estado deve interferir em como as pessoas se relacionam sexualmente? não 5. estado deve interferir em como as pessoas se organizam socialmente? sim 6. o estado deve dar indicações legais positivas sobre certas formas de associação e organização básica entre pessoas? sim 7. o estado deve dar indicações legais positivas sobre formas de associação que privilegiem a autosustentação da espécie? sim 8. o estado deve inibir alguma forma de associação? não (excepto as criminosas) 9. o estado ao não estabelecer medidas de apoio expresso a algum tipo especifico de associação entre pessoas, pode considerar-se que esteja a criar uma inibição a esse tipo específico d...

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«É uma coisa estranha, a escrita» Tristes Trópicos