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Quaresma XXI Esta passagem (tipo Love boat em versão Kursk) … «De modo que a união física era para mim como que garantia do verdadeiro amor. (…) Direi agora que essa ideia foi uma das muitas ingenuidades minhas. (…) Longe de me tranquilizar, o amor físico perturbou-me ainda mais, trouxe novas e torturantes dúvidas, dolorosas cenas de incompreensão, cruéis experiências. (…) Os meus sentimentos (…) oscilaram entre o amor mais puro e o ódio mais desenfreado (…) de súbito assaltava-me a dúvida de que era tudo fingido. Por momentos parecia-me uma adolescente pudica e de repente parecia-me uma mulher qualquer (…) Em tais ocasiões, não podia evitar a ideia de que representava a mais subtil e atroz das comédias, (…) eu tinha a certeza de que (…) conseguíamos comunicar um com o outro, mas de forma tão subtil, tão passageira, tão ténue, que ficava logo mais desesperadamente só do que antes, com essa imprecisa insatisfação que experimentamos ao querer reconstruir certos amores de um sonho. (…)...
Fezadas sul-americanas. Mas com pouco picante. Dumas famosas conversas entre E. Sabato e J.L. Borges “orientadas” por O. Barone entre finais de 74 e princípios de 75 (e passadas a livro), retirei esta passagem: Sábato: (Con tono escéptico) Pero dígame, Borges, ¿a usted le interesa el budismo en serio? Quiero decir como religión. ¿0 sólo le importa como fenómeno literario? Borges: Me parece ligeramente menos imposible que el cristianismo (ríen). Bueno, quizá crea en el Karma. Ahora, que haya cielo e infierno, eso no. Sábato: En todo caso, si existen, deben ser dos establecimientos con una población muy inesperada. (Por un instante las risas se confunden con las palabras. Los dos se divierten). Barone: ¿Y que opina de Dios, Borges? Borges: (Solemnemente irónico) ¿Es la máxima creación de la literatura fantástica! Lo que imaginaron Wells, Kafka o Poe no es nada comparado con lo que imaginó la teología. La idea de un ser perfecto, omnipotente, todopoderoso es realmente fantástica. Sábato: ...
Às vezes tenho uma certa pena de pensar assim Nunca haverá um texto excelente sobre o aborto, nem sobre a vida, nem sobre a morte, nem sobre o sexo, nem sobre a droga, nem sobre o amor, nem... (*) Limitar-nos-emos sempre a dizer coisas mais ou menos engraçadas, mais ou menos sentidas, mais ou menos com sentido, mais ou menos enroladas. Lembro-me outra vez do que dizia Ernesto Sabato (quando “relatava” o seu encontro em Paris com E. Cioran): «Os problemas humanos não são aptos para a coerência» A política foi “inventada” para nos libertar desse fardo que é, muitas vezes, não sabermos o que fazer da nossa condição. Tal como as aspas foram inventadas para quem tem medo das palavras (*) e pensando bem nem sobre muitas outras coisas, e não deixa de ser por isso, é verdade, que não se deve pensar nelas
Para mim é uma imperial se faz favor Estar dentro e querer ver como se estivéssemos fora; estar fora e querer ver como se estivéssemos dentro. É isto que faz dalguns, peregrinos numa suave neurose de ubiquidade. Claro que os jornalistas e os políticos ao celebrarem o estilo” Um olho no burro e outro no cigano” pensam que iludem esta “fatalidade”. Só que o mundo responde-lhes como o personagem-narrador do “Túnel” de E. Sabato : “ existiu uma pessoa que poderia compreender-me. Mas foi precisamente a pessoa que matei” Se calhar pensavam que só os outros é que podiam escolher títulos à toa