Luna Park «Eu sei que há qualquer coisa de vez em quando que acontece.» Amália Rodriges, 1971, (citada na ‘Blitz’ de Novembro, a propósito da sua visita ao ‘Cascais Jazz’ nesse ano, quando lá foi Miles Davis)
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(as melhores) Declarações (de amor) (lidas e ouvidas em 2006) Nina Nastasia (tem umas musiquinhas novas deste ano mas eu ainda não ouvi) começa o seu disco de 2004, «Dogs», com a faixa ‘Dear Rose’ onde canta isto: «I hope you’ll think of me as someone who would do anything for you». Parece o limite. Mas não é. Lembra-me o passo mais à frente dado num dos poemas russos mais famosos e populares de Pushkine, ‘Eu amo-te’, um clássico do amor não correspondido, e que termina assim (qualquer coisa como assim, já agora): «Eu amei-te tão sinceramente, tão ternamente,/ que Deus te permita que sejas amada assim por outro»; e tudo isto fixa-me na frase - bem mais positiva – carregada duma bruta simplicidade das personagens de Jonh Banville em ‘O mar’: «Perdoámos um ao outro tudo aquilo que não éramos». Só que seria impossível passar ao lado do que Oscar Wilde pôs na boca de Salomé, e que Mlada Khudoley cantou este ano ao som de Richard Strauss, o trágico e terrível: «Ich fordre den Kopf des Joc...
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2006 – um ano conveniente Se virmos com atenção em 2006 não aconteceu nada. Ia dizer praticamente nada, mas praticamente é uma palavra aborrecidamente atenuante. Nada, mesmo, é mais correcto. Entrámos pois com Manuel Pinho ( em maciço) e saímos com Manuel Pinho ( mas em folheado) , o que dá uma capicua política em que no meio podemos ter uma mistura tuga de Chavez com Putin a que chamamos pomposamente Sócrates, o tal que faz o que tem de ser feito, uma espécie de mulher a dias que chega a parecer patroa quando vai compenetrada às compras cheia de talões de desconto. Mas esta sensação de que não se passou nada é corriqueira, acontece-nos com a música – por exemplo agora oiço os Libertines e tive uma sensação parecida, se bem que possa ser o enfartamento dum bom bacalhau à brás - ou mesmo com um Hoyo de Monterrey – mas pode ser desleixo no desumidificador - , ou até com uma fotografia de Fidel a fazer olhinhos a uma pagela da Sra da Aparecida. Está para as sensações como a feijoada para ...
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lais de guia “Os abismos das coisas, quem os nega, / se em nós abertos inda em nós persistem? / Quantas vezes os versos que te dou / na água dos teus olhos é que existem!” - Carlos de Oliveira, in “Carta a Ângela” “[…] E se ao luar que atua desvairado / Vem se unir uma música qualquer / Ai então é preciso ter cuidado / Porque deve andar perto uma mulher […]” – Vinicius de Moraes, excerto do soneto de abertura de “Orfeu da Conceição” (1956) “[Ah, minha amada / De olhos ateus] / Cria a esperança / Nos olhos meus / De verem um dia / O olhar mendigo da poesia / Nos olhos teus” -Vinicius de Moraes, in “Poema dos olhos da amada” “Deixa-te estar assim, / ó cheia de doçura, / sentada, olhando as rosas, / e tão alheia / que nem dás por mim” - Eugénio de Andrade, in “Pequena elegia de Setembro”
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Mulheres – o que elas cantaram, reserva 2006 A ordenação está baseada no mero acaso. O que já não é pouco. Cat Power em ‘The greatest’, ao minuto 2.12 de ‘The Moon’: «(…) cuz the moon is not only beautiful / it is so far away / the moon is not only ice cold / it is here to stay (…)» Regina Spector em ‘Begin to Hope’ , ao minuto 0.27 de ‘Samson’: «(…)Your hair was long when we first met / Samson went back to bed / Not much hair left on his head / He ate a slice of wonder bread and went right back to bed / And history books forgot about us / and the bible didn’t mention us / not even once / You are my sweetest downfall /I loved you first (…)» Marisa Monte em ‘Universo ao meu redor’, ao minuto 0.45 de ‘A alma e a matéria’: «(…) Na pele braile pra ler na superfície de mim / Milímetros de prazer, quilômetros de paixão / Vem pra esse mundo, Deus quer nascer / Há algo invisível e encantado entre eu e você / E a alma aproveita pra ser a matéria e viver (…)» Lisa Germano em ‘In the maybe wo...
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Do cristianismo II Um dos fenómenos ‘complexos’ da espiritualidade cristã é a conciliação entre uma relação individual e única entre Deus e cada um dos homens, e a relação entre Deus e os homens como parte duma ‘Igreja’ ou duma ‘espécie’. Volto ao Papa , quando era ainda apenas Ratzinger: (*) « A salvação do indivíduo enquanto indivíduo poderia ser realizada directa e imediatamente por Deus, o que, aliás, costuma acontecer em não poucos casos. Deus não precisa de intermediação para entrar na alma do indivíduo. (…) Para salvar o indivíduo isolado, não haveria necessidade de uma Igreja ou de uma história da salvação, nem da encarnação e da paixão de Deus neste mundo. Mas (…) a fé cristã não parte de indivíduos atomizados, mas da convicção de que não existe o ser humano isolado, de que ele só é ele mesmo como ser integrado no todo, na humanidade, no cosmos. (…) Ou para usar a expressão de Möhler: «o ser humano, que é relação contínua, não chega a si mesmo, nem tão pouco sem si mesmo». Uma...
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E agora umas farturinhas Macias, Estaladiças e Coradinhas Leio numa – boa - entrevista, que já tem uns dias, do Miguel Esteves Cardoso: ‘a arte está em tu abusares enquanto podes’. Mas isto é tão errado. A arte está em: nunca abusar, mas pensando que se está a passar para lá de todos os limites; o homem nunca saberá aquilo que pode; o homem feliz é o que vive para lá do uso e do abuso, é o que vive iluso, o que funde a ilusão com o uso. Pode parecer um platonismo de vão de escada, mas é o tirinho da sorte. Coitados dos que viveram para esticar os limites, e se esqueceram que no centro é que se pode gozar verdadeiramente o movimento do carrocel.
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Luna Park Há uma voz de sempre,/ Que chama por mim./ Para que eu/ lembre,/ Que a noite tem fim./ Ainda procuro,/ Por quem não esqueci./ Em nome de um sonho,/ Em / nome de ti./ Procuro à noite,/ Um sinal de ti./ Espero à noite,/ Por quem não esqueci./ Eu/ peço à noite,/ Um sinal de ti./ Quem eu não esqueci…/ Por sinais perdidos,/ Espero em vão./ Por/ tempos antigos,/ Por uma canção./ Ainda procuro,/ Por quem não esqueci./ Por quem já não volta,/ Por quem eu perdi. Sétima Legião , “Por Quem Não Esqueci” * “Chegamos sempre tarde demais aos homens e cedo demais aos deuses”. Martin Heidegger, citado por Hannah Arendt
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Então e ninguém manda os gatos fedorentos para o caralho Deu-me para escrever um post. Estava indeciso entre mais um da série ‘do cristianismo’, ou em mandar os gatos fedorentos para o caralho. Decidi-me, como se pode antever pelo titulo, pelo último tema. No fundo é apenas trocar a hermenêutica pela escatologia. A esta escolha não será alheio um sentimento que vai na cabeça de qualquer sportinguista que se preze: foram aqueles cabrões que, ao se porem a fazer chalaças apaneleiradas com o nosso Paulinho Bento, foderam a campanha vitoriosa que a lagartada vinha fazendo, secando toda a concorrência, o Custódio, inclusive, até já tinha acertado dois passes. Imagino até a cara dos jogadores quando o nosso Paulo lhes dizia para estarem tranquilos, que haveriam de dar a volta ao resultado, e que o Nuno gomes já andava descontrolado com a franja e que o Assis não snifava desde Fevereiro; certamente só lhes apareceria a correr no rodapé no bolbo raquidiano ( os jogadores do sporting são os úni...
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Eu, Portugalina Conhecemo-nos em Aljubarrota, ele era arqueiro e eu costureira, porque já não havia vagas para padeira. Apaixonei-me pelo seu modo de agarrar as flechas, pelo seu balanço de corpo, fazia de vértice no quadrado, e ao pé do meu guerreiro amado, o nuno alvares mais parecia um escanzelado. Para festejar a vitória fomos comer angulas para sanxenxo - foi tão bonito - mas não havia maneira, estava escrito, ele caiu de beicinhos com a tal padeira. E foi então que ao passar a fronteira, eu não tive outro recurso, afiei a faca, contratei uns descendentes ilegítimos da dona Urraca, e à base de enxertos feitos no momento, mandei a padeira para junto do fermento. E foi assim que fiquei com o meu arqueiro só para mim. Foram passando os anos e tudo nos corria bem: broa de milho, cabrito no espeto, parimos três damas de honor, um carpinteiro que me saiu preto, um marinheiro, um duende, e enriquecemos com flores de cheiro vindas do oriente. Até que um dia o meu arqueiro, numa viagem a B...
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Portugal extemporâneo O novo imaginário nacional foi fundado quando Braga de Macedo (min. das finanças de Cavaco Silva, para quem não esteja a lembrar-se assim de repente) nos informou que éramos um oásis. Na altura tudo tinha a ver com uma ligeira impressão que Portugal aparentava de contra-ciclo económico mas, de facto, a caracterização estava feita: o quinto império tinha-se transformado num ajardinado sem geadas, e a raça e o sangue lusitano eram servidos como fertilizante na rega genética gota a gota, para que as novas gerações fossem desabrochando que nem pequenos kiwis madurinhos. A passagem de oásis a pântano fez-se naturalmente num ambiente em que nem houve tempo para fazer arranjos de flores com os nenúfares que andavam a boyar, (atentem na subtileza do ‘y’ pela vossa rica saúde) e, no laguinho resultante, uns escolhiam fazer de patinhos e outros de nadadores salvadores com tanguinha a condizer. Tendo continuado a garantir a sua posição estratégica de jardim à beira mar plant...
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Do cristianismo I Ainda Bento XVI estava longe de ser Papa (aliás, raramente um Papa foi tão cardeal e um cardeal tão Papa) quando escreveu «Naturalmente que a fé tem as suas fases e os seus estádios, mas é precisamente assim que ela representa o fundamento permanente da existência humana, que é apenas um. Essa é também a razão por que a fé conhece enunciados definitivos (…) Mas isso não significa tão-pouco que essas fórmulas não possam abrir-se mais, para se renovarem e serem entendidas de novo, da mesma maneira que o indivíduo precisa de aprender a entender de novo a fé a partir das vicissitudes da sua vida» (*) Qualquer pessoa que dê uma relevância específica e séria na sua vida ao acto de acreditar tem de se confrontar com a oscilação do ’objecto’ no qual projecta esse acto de fé. Deus, no nosso acto real de fé, será muitos Deuses ao longo da nossa vida (e até ao longo dum dia) e alimenta a subjectividade da nossa condição como qualquer outra coisa, desde as mais ‘profundas’ (como ...
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‘Chevènement dá mais força a Ségoléne’ (*) Aqui impunha-se um momento chalaço-viagriano, ou mesmo uma historieta-trocadilho com cheveux, onde Segoléne faria de Dalila e Sarkozy de Sansão, deixando até abertura para uma corruptela épica com Marques Mendes a fazer de David e um Sócrates a fazer de Golias – agora que estão na moda as ‘mitologias’ hebraicas e descobrimos que somos todos filhos dum êxodo qualquer, dum encadeado de alianças, prepúcios fatiados e cordeiros em churrasco. Estou-me a afastar; até há pouco tempo as Ségolénes judaico cristãs (Tatcher era avinkingzada e Merkel saxona) faziam, no máximo, figura de Teresas Patrício Gouveias, nos dias mais metabolizados davam umas Leonores Belezas, ou então umas Helenas Rosetas quando as enzimas ficavam efervescentes, mas deverá estar a chegar o momento de arrepiarem caminho, arranjarem os cheveuxnements a preceito (mas não precisam de chegar aos preparos da Maria de Belém), e comerem uns chevennezinhos fritos com o povo, não se atrap...
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Luna Park «O amor é um facto pouco frequente e um sentimento que só certas almas podem chegar a sentir; em rigor, um talento específico que alguns seres possuem, e que se dá geralmente unido a outros talentos, mas que pode ocorrer independentemente deles.» Ortega y Gasset em ‘Para uma psicologia do homem interessante’ (Revista de Occidente, 1925, e em ‘Estudos sobre o amor’, pg 153)
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Cartesianismos de Michaux em dia de Imaculada [ou, companion guide for ‘last-tapes’ readers (à falta de terços, claro)] Descartes, logo no início de ‘La Géométrie’, 1637 (pg 3. livro primeiro), reza assim: «(…) voulant résoudre quelque problème, on doit le considérer comme déjà fait, et donner des noms à toutes les lignes, qui semblent nécessaires pour le construire, aussi bien à celle qui sont inconnues, qu’aux autres. Puis sans considérer aucune différence entre ces lignes connues, et inconnues, on doit parcourir la difficulté, selon l’ordre qui montre le plus naturellement de tous en quelle sorte elles dépendent mutuellement les unes des autres, jusqu’à ce qu’on ait trouvé moyen d’exprimer une même quantité en deux façons: ce qui se nomme une Equation». Uns anos depois (1954), Michaux, imbuído nesse espírito, e a propósito dum livro sobre Paul Klee (esse fantástico pintor para calendários), escreve (equaciona) assim: (pode ler-se em ‘Passages’, ed. Gallimard, 1998, pg 114/115) «Le r...
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‘Rompendo o bloqueio. Venezuela é respeitada’ (*) Eu cá votarei ‘não’, mas Note-se que sou claramente apologista de posições extremadas, argumentos violentos, demagogias afrontosas, imagens explicitamente horrendas, barrigas pintadas, soutiens em tocha, gâmetas desinfectados, burkas pélvicas, manipulação de valores absolutos, quermesses de freiras, fodas benzidas, generalizações grosseiras, pilas tremidas, ai jesuzes, relativizações obscenas, alívio de dores nas cruzes, apartheid entre louras e morenas, enxovalho, (agora havia aqui uma boa para rimar) amornamento de esperma, insultos gratuitos, sarcasmos sem piedade, conas bem untadinhas, desprezo pelos casos individuais, procissões com velinhas, falinhas mansas, cópulas breves, fernandas câncias, césares das neves, Reis em Janeiro, Carnaval em Fevereiro. (*) slogan q acompanhava o cartaz em que Sócrates aparecia com Chávez. Tem tudo a ver. Por mais paleio sofisticado que se ponha em cima deste assador de consciências e condensador de ...
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Pink-Punk Leio hoje no Público que Sócrates vai criar o seu think- tank no ps e que confiou a sua organização a Santos Silva, o ministro dos cortes em directo - o que até bate certo pois trata-se duma vocação clara de iluminado cruzado a enciclopedista, que é das combinações mais valiosas, como sabemos. Este think-tank do ps começará por uma 1ª fase de drink-tank que servirá para discernir sobre o papel do socialista moderno, esse novo modelo de reformista social e esclarecido, essa reincarnação de um Kerenski na alma dum Willy Brandt (mas já não houve verba para ter o corpinho do al gore ou gajas como a segolene), e promoverá a construção do chamado homem novo destilado num alambique de valores e princípios dos quais destacaria as previsíveis fraternidade e a igualdade (mas embrulhadas em celofane por causa do bolor) a par do amocha-e-não-estrebucha-que-eu-agora-não-tenho-tempo-para-te-explicar-e-o-jorge coelho-foi-comprar-gravatas-novas, e do clássico ‘o que tem que ser tem muita for...
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Advento – versão para anjos da guarda e outras querubinas amejeradas A modesta passagem de Deus pelo mundo vem balizada por dois acontecimentos absurdos para um espírito razoavelmente ruminante: a Encarnação e a Ressurreição. Ambos desnecessários, ambos irrisórios, ambos gratuitos, ambos ambivalentes aos olhos dum ser – o homem - que em pouco mais consegue acreditar do que naquilo que vê; o que por um lado ainda bem, pois não auguro nada de favorável aos que gostam de acreditar no que não vêem, desde suores frios a descompensações hormonais. Deus, ao fazer-se homem embebendo-se da mesma natureza de Adão e depois a fazer-se Deus ‘outra vez’, rompendo com a lógica peregrina, deixou o homem ao abrigo do balanço entre uma ‘fé cega’ e uma ‘fé no seio de imensas contradições’ (*). Ora qualquer destas duas hipóteses de ‘modus fidem’ vai, de base, contra a nossa condição de seres racionais & apalpadores. Como se resolve isto sem cair nas esparrelas circulares pascalianas e existencialistas...
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professô marcelo show Ainda tentei acompanhar em directo o tal de exame do prof marcelo - como tinha feito com a QdC - mas a inesperada descoberta de dotes domésticos impediram-me de o fazer em directo e na totalidade; assim apenas apanhei os 5 minutos finais mas, registe-se, o que já dá uma bela amostra. Generalidades; Marcelo Rebelo de Sousa tem uma coisa a favor dele: consegue manter uma postura discreta e não leva ninguém a focar-se demasiado na sua figura (desde que não comece a levar também os netinhos ou a prancha de body board, claro) ou indumentária, pois os tiques e as fungadelas já entretêm bastante. Camarate; a solução para o problema do Sô Zé sai rápido da sua cartola jurídica: é só acrescentar um artigozinho na lei para que uma comissãozinha parlamentar possa promover uma acusaçãozinha para que depois tudo possa ser tratado devidamente num tribunalzinho da nossa democraciazinha. Também chamaria a isto: portugal botox. PSD; MRS afirma pronto: ‘ um antigo líder não deve ir ...
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genealogias rotativas os cronistas sociais querem ser reconhecidos como jornalistas os jornalistas querem ser reconhecidos como escritores os escritores querem ser reconhecidos como comentaristas políticos os comentaristas políticos querem ser reconhecidos como historiadores os historiadores querem ser reconhecidos como cientistas os cientistas querem ser reconhecidos como artistas os artistas querem ser reconhecidos como místicos os místicos querem ser reconhecidos como servos do senhor os servos querem ser reconhecidos como livres os livres querem que os ajudem a decidir os que decidem querem que não os chateiem os que não são chateados sentem-se abandonados os abandonados querem ser conhecidos os conhecidos querem ser cronistas socais e por aí adiante; encaixamos num dos pontos da engrenagem e depois é só meter óleo e deixarmo-nos ir.
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Manual breve de costura (excerto) […] 2. Coser baínhas, pregar botões, meter fechos. 2.1. Coser bainhas – acto de alguma arrogância porque pretende definir e fixar o tamanho de algo ou de alguém, e que para além disso negligencia o facto de todos precisarmos uns dias de andar a arrastar um pouco mais, mas noutros temos é de arregaçar bem para não nos encharcarmos. É por isso que algumas calças de mulher têm aquele efeito delicioso da racha na bainha que permite, enfim… que permite… 2.2. Pregar botões – um botão mal pregado é esteticamente deselegante, mas muito mais grave e absolutamente frustrante é um botão que não se desaperte no momento certo. No fundo, o essencial é controlar o tamanho certo da casa e não tanto o aperto do botão; no entanto, um bom decote pode fazer milagres desde que a santa esteja bem segura no altar, claro. 2.3. Meter fechos (nota 1) – - Pois o fecho de correr é algo de natureza bastante espiritual, não sei se se sabia. Temos em primeiro lugar… 2...
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Amores imperfeitos e outros jardins suspensos Na realidade, quando se entra em Dezembro o ano já acabou. Por isso, os balanços devem fazer-se já, sob pena de se confundirem com os manjericos dos santos populares. Temos então meia dúzia de Blogs especiais por motivos diversos, dos quais destacaria o principal: leio, mas tenho alguma vergonha. Cocanha – Visito este local de pós-medievalismo light com bastante disponibilidade de alma, mas agora apenas de forma intermitente pois já por duas vezes o meu filho mais novo estava ao pé de mim e lixei-lhe completamente a noite com pesadelos e valha-me Deus já não tenho idade para muitas noites em branco, nem posso passar os fins de semana no jardim zoológico a demonstrar ao puto que aquilo é tudo inventado por meninos que pararam nas fábulas, não passaram para as aventuras dos cinco, nem apalparam as miúdas na catequese nem nada. Dias felizes (last-tapes) – De todas as vezes que o visitei pura e simplesmente nunca percebi rigorosamente nada; p...
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Cartas de amor quem as não tem Eu. É triste, mas é verdade. Nunca m’as escreveram. O lado calimérico aponta-me para o imerecimento, o lado arrogante leva-me para a falta de cabimento. A verdade estará no meio: dificuldade em atrair um esforçado mas sentido paleio. Ora se tivesse de elaborar uma teoria, diria: quem nunca recebeu uma carta de amor é porque deve esconder um grande estupor. Mas como não tenho, apenas retenho: alguém que não escreve mas que ama, corre o risco de se perder nos folhos da cama, de desperdiçar o prémio e fica-se pela fama. Primeiro: isto é realmente foleiro, e soa pior que mal, por isso, afinal, ganho tino e refino: amor de letra é foda da treta, é baralhar-se com o testemunho antes de chegar à meta; engrossei em excesso, retomo o processo: o amor escrito é um sentimento restrito, é um lado selvagem que se tempera, mas que nunca chega a domar a fera. Isto atravessa-me um pouco o coração mas leva-me por associação para o conceito de ferida, que é marca do amor q...
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Pedofideismo Parece-me claro que um crente (ora mais temente, ora mais temerário) a Deus, por mais ironia pascaliana ou relativismo kirkegaardiano com que banhe a sua carninha, só consegue um churrasco em condições com umas oraçõezinhas ao deitar. Ninguém aguenta ir para a cama com a prova da causalidade enrolada, nem com angústias hermenêuticas, e muito menos com um Cristo histórico entre o jardim das Oliveiras e os desertos da Galileia. Toda a alma que se preze quer sossego, uma fé tenrinha, que deslize que nem um lombinho assado, e quanto muito um picante ou outro para aquilo não ficar parecido com palometa frita e ainda dar para enjoar. Os evangelistas dizem-nos que Jesus indicava a simplicidade das crianças, e a descontracção dos lírios do campo, como ‘modelo de vida interior’, dando assim uma dica (expressão popularucha para ‘boa nova’) sobre a melhor maneira de adequar a nossa natureza de homo faber-sapiens, com tendência para complicar, à verdade mais fundamental da nossa condi...
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Minha estimada senhora, Não lhe bastando ter colocado aqui um dragão de língua de fora, numa afronta directa ao momento de alguma ansiedade competitiva que envolve a minha leonina alma, entusiasmou-se, e youtubou aqui o estabelecimento com uma musiquinha pospunkada dos Soft Cell ameaçando a virilidade construída filigranadamente (eu gosto desta expressão, que fazer) ao longo destas semanas. Espera-se a remissão destas provocadoras atitudes com fotografias de virgens parmigianas, colagens de pintores expressionistas de cariz não suicidário, seguidas de paisagens bucólicas encimadas por versos de sebastião da gama, sendo, no entanto, facultativos, tanto os pôr do sol no portinho da arrábida como as naturezas mortas cubistas. Em querendo fazer uma série, como é de bom tom, tomo a liberdade, senhora, à falta do ferrero rocher, de lhe sugerir algo que possa reflectir uma alma em constante vertigem de originalidade, a título de exemplo, arranjos de flores ou frisos em art deco. Respeitosamen...
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Liedson Custa-me que o principal assunto que me preocupa não esteja também a preocupar a generalidade das pessoas. Não sei se será falta de atenção, se será deslumbramento com as iluminações de Natal, ou andam todos a decorar poemas do cesariny- cesarine como diria o nosso Eanes – ou a discutir alternativas para o TGV (Trauma das Grávidas Voluntárias; atenção, um flagelo! uma mulher quer ter logo o filho às 10 semanas porque já não aguenta com as costas, já tem o enxovalinho pronto, tem saudades do período e assim, e ninguém lhe deixa, acho que nem em Badajoz), não sei, mas não vejo ninguém realmente preocupado com a falta de golos do nosso Liedson, acho que se chama mesmo insensibilidade; chega a dar-me, também tenho de reconhecer, se bem que é mais com after-shaves e azeitonas de elvas. Para além de o sentir triste por se ver acompanhado por aquela dupla de artolas que mais parece uma colecção de armações da multiópticas para maricas ‘Alecsandro & Bueno’ - que quase me fazem sent...
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Todos temos um bocadinho de Agustina B. Luis dentro de nós No público leio que Maria José Nogueira Pinto depois de dizer que Sócrates não tem uma ‘agenda de valores’ (adoro estas expressões, mas ‘homens descascados de ideologias’ também não está nada mal) remata dizendo que o governo nunca lhe ‘pediu para vender a alma’. Ou distraídos, ou inconscientes mesmo; certamente uma consequência dessa negligencia socialista em se fundamentar num conjunto de valores devidamente certificados por anos e anos de bem-fazer ao próximo, filhos do jacobinismo, enteados do materialismo dialéctico e finalmente adoptados como bichos de estimação do capitalismo selvagem. Ora o governo, que tem tanto dinheiro mal gasto, (atrasava-se aí uns quinze dias o plano tecnológico), bem podia deixar-se de arrogâncias e forretices e arranjar algum para comprar a alma de Mizé Nogueira Pinto; não só ganhava uma aforista descomprometida (‘quem exerce um poder moderador tem de o exercer moderadamente’ – género: o verde se...
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‘O vale dos Arménios’ (*) Num dos catálogos editados por alturas da exposição de Arshile Gorky na Gulbenkian nos anos 80, no texto de apresentação (escrito pelo seu sobrinho) retive-me nesta frase: ‘É um dos poucos artistas cuja vida nada fica a dever à sua arte…’. Hoje no ‘público’ uma das páginas dedicadas a Cesariny tem como título: ‘viveu à altura da obra e a obra esteve à altura da vida’. Tendo eu para mim que um poeta se faz com a morte, como mais nenhuma actividade - tirando a de coveiro e florista, claro – e que a vida é cada vez mais coisa para ‘decoradores de alfabetos’, viciados em low cost e pauliteiros sem miranda, chego rápido à conclusão: passo bem sem ‘vidas’. A. Gorki quando se enforcou terá deixado escrito: ‘Adeus Meus Queridos’, revelando que da vida, por mais intensa que tivesse sido, apenas deixava os seus queridos; a vida mede-se pelos nossos queridos, não pelos nossos actos. Não tarda cito o Sto Agostinho ou o Erasmo, ou ainda como uma apple strudell, ou desenho...
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Folclore, ganzas & pão de mistura É bom que se arranquem uns cabelos por causa desta cegada da festa da música, sim. Todos sabemos que, não havendo dinheiro, a possibilidade de haver palhaços vai diminuindo e só por essa razão a discussão em causa quase poderia ficar arrumada. Mas falta o quase. Temos de considerar que o espírito do ocidental médio – directa e indirectamente, advertida ou inadvertidamente – foi-se construindo muito à conta de megalomanias absurdas, de excentricidades criativas, a par de best sellers, blockbusters e outras la-feriadas afins; vaidades a par de contabilidades; rinocerontes bebés alimentados a biberon, lado a lado com fiscais de finanças a somar facturas de restaurantes. Encenações de Wagner e roupa cagada com algodão doce. Não há uma fórmula para ‘enriquecer o espírito’, como não há uma fórmula para nos tornarmos ‘melhores pessoas’, ou para aguentar um governo socialista sem ficarmos todos com cara de parvo ao fim de poucos meses, mas não é a ver os t...
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Luna Park “Que estranha fragmentação entre a emoção e a realidade será esta que nos faz reconhecer a morte anunciada no próprio fôlego da mais inflamada jura de amor, que nos cega perante as evidências…? Já sei porque é que os anjos não têm sexo!” Da Infalibilidade do Previsível, in “Um crânio no poste”, 4 de Outubro de 2006
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Protestólicos e Cantantes Volto ao apaixonante tema. O Cristianismo ecuménico-institucional devia alimentar ainda uma maior amplitude creditícia em vez de estarem sempre a tentar encontrar pontos de união que nem costureiras amestradas. A concorrência doutrinal é uma coisa boa; há pessoas que se dão melhor com um cagaço apocalíptico, outras com um Deus misericordioso em cada esquina, outras com um Deus tão fundo lá no coração delas que quase nunca chega às unhas, nem aos dentes, nem aos outros órgãos mais periférico-pendentes, não há nada a fazer, o Criador ‘pensou-nos e fez-nos’ mais variados que uma boa salada russa, mais mistela que os cogumelos que a minha irmã começou a fazer quando se casou (e, portanto, a primeira vez que entrou numa cozinha por moto próprio e com um mínimo de provas a dar a terceiros; sim miúda, se leres isto, ficas a saber que me traumatizaram tanto como a primeira vez que li os teus sublinhados nos livros do Desmond Morris). Quem vai a uma missa católica (a ú...
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Quadratura do círculo em directo I ‘Há um programa que separa as águas’ diz o genérico de apresentação. Ora o prémio Moisés do Ano vai para… Quadratura do círculo em directo II Lobo Xavier lembrou-se de Jorge Sampaio. (Devem estar a perder share para a RTP memória) Pacheco Pereira hoje não traz gravata. Lobo Xavier está com as mãozinhas como uma professora minha de ciências da natureza no Pedro Nunes e diz que Cavaco tem ‘problemas de tempo e forma’. Drª Maria, cuide-se, vai sobrar para si. Escrevo rápido mas não consigo apanhar estes gajos. Quadratura do circulo em directo III Sobre a gravata de Jota Coelho não me pronuncio por causa das buscas aqui ao blog, (se bem que ‘exaustor’ continua líder destacado de temas buscados). JC adianta que Ribeiro e Castro foi mais inteligente que Marques Mendes; Pacheco avisa que está irónico; o cameraman até tremeu. Coelho põe o dedo em riste à Portas, mas como não tem botões de punho não dá o mesmo efeito. Até agora o tema continua irrelevante e a ...
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Arredondando o eu e distribuindo vírgulas sem casas decimais Já fui casuístico, já fui silogístico, já fui inclusivamente concatenador de vontades e, mesmo nunca tendo deixado de ser quessefodístico nem punheteiro de verdades avulsas, hoje sou cada vez mais coçamascostístico de opiniões avalizadas e vaselinador de interesses. Aliás, se não, reparem nos temas que trouxeram, ontem, algumas almas dispersas, e vagueantes, até aqui: ‘creme barral’ / ‘eucumenismo’ / ‘luna park’ / ‘filoctetes’ / ‘a percepção estereótipo’ Tornaram-se pessoas melhores, certamente, não desfazendo, claro, nas que, no dia anterior, cá tinham vindo procurar as melhores ‘formas de fazer madeixas’. Mas isto lembra-me, é, tudo um pouco, a nova forma socialista de governar, combinado com o título do livro do Santana Fantasma Lopes: mais vale uma percepção na mão do que duas realidades a voar. Actualização: mas hoje as buscas a ‘ferro e tábua de engomar’ também não estão a correr mal.
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Spreads de barro Eis que, sem tema, o sarcástico e virulento cronista se aproximava da folha nua, apenas sabendo que tinha de arruinar a reputação de alguém. Ninguém tinha direito ao bom nome, isso era coisa para gente de personalidade fraca e mentes suburbanas, que precisam da imagem para agradar ao patrão, ou para foder a patroa, e assim ele tratava de elevar alguns eleitos a esse altar ‘dos de quem dizem mal’. Hoje sentia necessidade de um delito sexual, poderia mesmo ter de incluir um filho fora do casamento, seria bem disfarçado, claro, apareceria como uma hipocrisia de costumes, um conflito de mensagens, mas seria um rombo definitivo no casco. O cliente tinha-lhe de facto pedido: «faz-me a folha, estou farto de que me digam que sou perfeito de mais para ser verdade, quero os meus vícios autenticados, quero chafurdar na minha própria lama». Pela primeira vez hesitou, pensou se não seria suficiente apenas um pequeno delito fiscal, uma vendedora de sexo ocasional em forma de retençã...
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Nova encigolbédia do reynanimal em fassiclus menstruais. Sai próximo das luas novas. (e foi então esta a forma aligeirada que eu arranjei para contrariar a mais famosa verdade cientifica sobre o comportamento humano: a cruel interferência das traiçoeiras fases da lua) Hoje serão quatro exemplares da família dos bloguídeos. Espécie caracterizada por cartilagens sensíveis, omnívora, guelra oleada, penugem caduca e amante de calduços na nuca. As blosgas – animal de escrita quente e despreocupada, gosta de apanhar solinho no lombo mas qualquer fresta lhe serve para se enfiar e refrescar as ideias mais íntimas. Aproveita as superfícies especialmente rugosas para se coçar e desliza bem nas paredes estocadas em tromp d’oeil. Acasala em regime de time-sharing. Os blogamaliões – animal de escrita pegajosa, com mudanças de tonalidade consoante a correnteza hormonal. Piscam o olho em todas as direcções mas depois acasalam em grupos seleccionados pelo cheiro. A amamentação é servida já com adoçant...
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Inside blogaring Fui finalmente admoestado de forma formal, e por quem de direito, pelo excessivo fantasiamento e perca do controle da escrita aqui neste estaminé. Demasiadas ideias a pairar na mesma frase, algumas inclusivamente contraditórias e a piscarem o olho umas às outras, trocadilhos de efeito duvidoso, se não mesmo duma previsibilidade cansativa, alguma ordinarice decadente e forçada, deambulação por temas onde não devia meter o nariz por evidente incompetência, alheamento ao ridículo, misturar Deus com miudezas - a roçar o panteísmo marialva, com heresias não autenticadas - enfim um rol de pequenos delitos que seriam suficientes para uma domiciliária criativa a pão e água. Estilo descuidado, foi ainda deixado subentendido, e foi igualmente sublinhada uma certa falta de pachorra para acompanhar textos que depois desembocam sempre no chamado lugar nenhum (a versão caseira e cruzada do ‘ninguém’ shakespeariano do ‘nowhere’ peri-existencialista, contudo). É uma tristeza, no fundo...
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Alberta, filha, e se fosses escrever romances a meias com o Rodrigues? Ontem o telejornal do canal 2 terminava com uma reportagem sobre a inauguração da exposição do Amadeo Souza Cardoso na Gulbenkian. A apresentadora, uma tal de Alberta, mas com um olhar relativamente fechado, ia fazendo carantonhas ao comentar uma breve entrevista com Julião Sarmento (o chamado pequeno momento de reportagem) em que este afirmava que se inseria naquele ‘grupo’ de artistas que ‘pinta essencialmente para os outros artistas’. A dita apresentadora, paga certamente ao bocejo provocado pelos seus dotes de mímica carnavalesca, quis deixar no ar – eu sou muito bom a saber o que vai dentro da cabeça dos outros, sim – que o pintor mostrava um elitismo criativo despudorado, tendo até deturpado uma frase dele, ao insinuar que o homem teria dito explicitamente que ‘não pintava para o comum dos mortais’. Mas até podia ter dito; um gajo que pinte para o comum dos mortais é basicamente um parvo. No entanto o que Juli...
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Eucumenismo, tucumenismo e elecumenismo Hoje leio no Público que, a propósito dum tal de diálogo (Guterres&Melicias free, ao menos valha-nos isso), bispos católicos e anglicanos referem-se aos principais temas que aparentemente os afastam, depois de já sanadas outras miudezas teológicas; são eles a ‘ordenação de bispas’ e os ‘pastores homossexuais’, sic. Penso que só o encanto destas fantásticas expressões bastariam para afastar qualquer um, mas adiante, quero mesmo correr o risco de me meter na conversa. O mundo, pelos vistos, anda baralhado por causa do papel que nele desempenham as gajas e os paneleiros, a par dos terroristas e dos pedófilos, (resolvidos que estão os problemas existenciais dos fiscais das finanças e das putas, claro). O que divide efectivamente hoje as pessoas será então : os pedófilos e os terroristas devem ser mortos com um ferro em brasa enfiado no cu, ou basta serem assadinhos no espeto com picante e açafrão; ou então, deve uma gaja gorda e vesga, mas mirrad...