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A mostrar mensagens de janeiro, 2008
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Alta Competição 4 Posso dizer sem qualquer medo de errar, mas assumindo que pode não ficar bonito, que, é oficial, os levator scapulae me doem como o camandro. E como se isso não fosse pouco, cada vez que levo o abductor e o extensor pollicis a coçar a testa, parece que carrego dez pipas de carrascão de Aveiras, uma bela pinga, por sinal, mas há que saber onde encontrá-lo em bom estado. Sobre os flexor carpi ulnaris, apenas se me aprove dizer que o direito guincha que nem uma corrente da distribuição do carro da minha vizinha do quarto andar, e o esquerdo parece a puta da torneira do lavatório da casa de banho dos miúdos. Eu estou a escrever alguns palavrões porque o sangue se me está a acumular na zona do illiocostalis lumborum e assim, informaram-me, ajuda a expandir. Até o cabrão do anconeus, um músculo de merda que nem ajuda a subir escadas nem nada, hoje tirou o dia para me chatear. Felizmente os splenius capitis estão hoje muito meus amiguinhos, devem querer massagens para ficar ...
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Cof Cof The lady of the espanador
Queridos, Eu sei que dói muito, mas tenham calma, eu é que sou a nova ministra para as urgências, ambulâncias, tiróides inchadas e menopausas precoces. A minha prioridade será a de que nem mais um milímetro de gaze seja negada um português, nem mais uma virilha seja trilhada a caminho dum benuron distante, nem mais um fórceps numa portagem da brisa. Dói muito, eu sei, mas, vão ver, vai passar. Mas primeiro não se esqueçam de pôr logo gelo, a pomada só deve vir depois, e não gastem muita pomada, não? É que se não depois acaba-se a verba para os electrocardiogramas, para já nem falar das ressonâncias magnéticas. Mas, queridos, evitem-me as ressonâncias magnéticas, por amor de Deus. Aquilo faz-vos mal à pele, e até houve uma cunhada dum senhor director geral das alfândegas que ganhou uma fobia a batedeiras eléctricas. E aviem pouco remédios, está bem? Evitem as gotas porque se desperdiça muito, o pingo é sempre muito traiçoeiro, e se forem supositórios empurrem bem para que não fique nada...
Vai para as 10 e doem-me as costas O dias felizes , o blog com mais palavras difíceis e nomes de pessoas que não tenho o prazer de conhecer por bit quadrado, e onde serafim, por exemplo, se escreve seraphein, e onde shanelec, por exemplo, em vez de ser anti-inflamatório é uma cineasta que vai ‘no encalço do último Bresson’, tem um efeito absolutamente hipnótico sobre o meu bolbo raquidiano e, muitas vezes, apanho-me a lê-lo como quando respondo que nem um secretário de estado adjunto àqueles inquéritos telefónicos sobre os hábitos de consumo de amaciadores de roupa, sem fazer a mais pequena ideia do que são, mas porque me está a apetecer falar com aquela brazuca do outro lado da linha, inventando as respostas como sendo o meu humilde contributo contra as impiedosas oligarquias capitalistas. Ora aconteceu precisamente isto nem perfazem 5 minutos (a lagartada já tinha enfiado o terceiro ao Penafiel, que se mostrou mais traiçoeiro do que a tripeirada) tinha eu acabado a história de ‘um pa...
Feelings auditing A afectividade entre duas pessoas rege-se fundamentalmente pelas regras contabilísticas das “partidas dobradas”. Custa reconhecer. Mas é a verdade. Felizmente tem uma característica muito especial: em todas as operações vai ficando um saldo que colocamos numa conta de reservas. Vamos depois movimentando essa conta por contrapartida de “ciúme”, “falta de confiança”, “dúvida”, “sedução”, “arrependimento”, “fidelidade”, “carinho”, “compensação” e “renúncia”. Tudo “débitos” e “créditos” jeitosos. A afectividade ao permitir esta “regulamentação contabilística”, obtém a garantia de ser controlável, e de se poder avaliar a cada momento se o nosso coração é uma presa fácil para um takeover hostil, ou vive “em cruzeiro” arrasando o mercado com a sua prepotência monopolista, ou apenas se arrasta num mero “compra, paga, vende e cobra” que leva à falência a prazo. O nosso coração é um “órgão” táctico por natureza. Não funciona com grandes planos, e por isso deixa-se conhecer bast...
Mas o meu forte é contas Dois dias depois de se ter despenhado o equivalente a 678 ambulâncias no pinhal de Leiria, o ministro que encerrou urgências no valor de uma asa e meia de F16 foi emplastrar para outra freguesia. Entretanto, a ministra que tinha pago três quartos de cockpit de F16 por um Tiepolo é substituída por um antigo especialista em metáforas sobre avaliações avícolas, deixando antever tempos difíceis para o valor artístico do bitoque com ovo, quando comparado com o frango da guia.
Canónicas #hors serie «Sou do Céu», Nossa Senhora, Cova de Iria, 1917
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Um Oobleck verde, pois claro! E por falar em fluidos newtonianos ou não-newtonianos, plásticos e dilatantes ou reopécticos e tixotrópicos, ficam duas sugestões a todos as/os mães / pais de família que por acaso sintam necessidade de ocupar as criancinhas por forma a poderem dedicar merecido tempo à leitura deste antro de ciência escatoreligiosológica: 1. « Bartholomew and the Oobleck » 2. Como fazer a sua própria guerra Oobleck
Já passava das seis e ainda não tinha desafiado nenhuma lei do bom senso O primeiro grande teste que Deus colocou ao homem foi de natureza vegetariana, tentando-o com uma maçã que, mesmo não sendo reineta, simbolizava o orgulho do homem em querer ser como Deus; já o segundo grande teste conhecido é bastante mais proteínico, quando Abraão é posto à prova ao lhe ser exigido o sacrifício do próprio filho, que tanto batido de esperma lhe tinha custado, inaugurando o combate civilizacional entre consciência e dever. O terceiro teste foi relativamente mais esotérico-epistemológico, quando um anjo aparece a N. Senhora e a informa que está de esperanças dum rapazola sem pai biológico, inaugurando oficialmente o confronto entre evidência e razão, e o quarto foi de natureza literária quando Lutero é posto à prova para ver se conseguia conviver com o lado metafórico da religião e da vida, antecipando Borges, Beckett e o padre Melícias. Desde aí que a humanidade tem sido poupada a grandes decisões...
Se me comovessem dois secos A equipa do antigo namorado de Carolina Salgado não aguentou a pressão do lado bom da 2ª circular e as estações de serviço da auto-estrada preparam-se para a grande flatulência azul. Um de cueca e outro em fora de jogo parecem-me bons sinais, num país que precisa de bons sinais. Jesualdo, de seu nome próprio, acaba de dizer que a tripeirada ganhou maturidade: eu também gosto deles assim maduros.
Uma asae nunca vem só Nun’s, a madre superiora da Congregação das Irmãs para o Bom Estado de Conservação dos Cariles e dos Escabeches, seguindo as instruções do perfeito para a causa dos tupperwares bem vedados, Frei Sócrates, decidiu ir averiguar do modo como andavam a ser atribuídos os diplomas de engenharia civil. Conferiu que o vácuo tinha sido em geral respeitado, mas, para seu espanto, descobriu vários gatos mortos numa panificação universitária de inglês técnico desactivada ali para os lados da feira do relógio. Após a selagem da instalação, Nun’s, zeloso, foi seguir o rasto a algumas fornadas, no santo intuito de ainda ir a tempo de estancar alguma gastroentrite, mas já não foi a tempo. Um país inteiro já tinha engolido um desses paposecos duma ponta a outra ( papodry em inglês) e estava com a digestão a meio; agora, o melhor que lhe podia acontecer era, ou meter a mão à boquinha, ou rezar para que o divertículo não inflamasse.
Canónicas #6 «Existe algo na história humana que se chama retribuição; e uma regra da retribuição humana é que o instrumento seja forjado não pelo ofendido mas pelo ofensor», K. Marx, in ‘ New York Daily Tribune , escrito em Londres, 1852
Um passing shot pela mamã, um slice pelo papá A final do open da austrália, a primeira final que vejo depois de Agassi ter abandonado, fica marcada pelas mamãs histéricas, que assim entram definitivamente na competição, e, hoje, uma francesa e uma sérvia gritavam que nem recém fecundadas à beira duma menstruação, tentando criar uma onda magnetica de cerelac com mel que entrasse pela peidola adentro dos seus rebentos.
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late night glow
Depois de VPValente ter iniciado ontem o processo de recuperação hipnótica e mediática de PSLopes (que ao lado de Menezes até parece Churchill) e que se pode perfeitamente tornar no seu 2º 'fenómeno Clara Pinto Correia', penso que o único tema que poderá prender meio leitor a este tasco será mesmo: Como se faz um poema de amor 1. Se tivesse de enunciar apenas uma regra, o que os pouparia aos inúmeros dislates que isto promete, diria simplesmente: usem a redondilha menor se estiverem numa fase de engate e só arranquem para a redondilha maior quando a coisa já estiver mais sustentada. Ao pegarem na redondilha aconselho, contudo, a não acentuarem demasiado as sílabas que já tenham sido bem soletradas por outros, porque já vi muita rima ficar completamente fonetiquizada por quebra de expectativas. 2. A introdução do movimento na temática do poema é talvez o momento mais crítico e, por isso, devemos abordá-lo desde já e eliminá-lo da nossa inquietação. Tomo como exemplo esta redondi...
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Alta competição 3 Hoje o Iliopsoas quer ser a estrela da companhia. Certamente por ter andado a fazer jogo de cintura nestes últimos dias, procurando manter o equilíbrio, agora parece querer insinuar que já é altura do pectineus dar o tendão ao manifesto, até porque um homem deve manter a anca firme que nem um salmão sob pena de apanascar. O gracilis vai-se rindo, claro. Estará a achar piada, certamente, com a perturbação que se está a dar nos seus antípodas da coxa. Os músculos, para além de muito invejosos entre si, são extremamente rancorosos e cínicos. Por exemplo, tenho o flexor carpi radialis com esgares histéricos a pedir atenção, diz-me que só tenho olhos para o latissimus dorsi; estou metido com uma cambada de paneleirões, é o que é. Até o scalenus medius me chaga o juízo porque aparentemente entrei numa fase de arrogância desmedida e nem olho para o que se passa ao meu lado; Ser sobranceiro é muito exigente para certos músculos; que o diga o platysma que hoje nem me fala.
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E acho que vai sair um disco novo dos Guillemots, mas não auguro nada de bom. A estética do abandono é das que têm maior potencial. Em primeiro lugar porque quando alguém nos deixa, nos põe de lado, quando começamos a fazer de pickles ou mortadela no bitoque, cria-se um estado de espírito melancólico que catapulta o ser para o seu interior, género implosão mas sem tanto pó. Ora um ser quando está no seu interior, oficialmente virado para as suas coisinhas, tricotando a essência das coisas sem perder tempo com as miudezas da validade dos iogurtes, entra num torpor praticamente quântico-religioso, ou seja, até os protões adormecem nas palhinhas dos neutrões, que nem meninos jesuzes. Esse estado de entrega da alma ao seu destino e, subjectiva, imanência, permite que, e de mão dada com o corpo, se desprendam de todos os princípios da sociabilidade e remete-os para o seu estado natural entre o ‘vão-se todos foder’ e o ‘melhor só a fazerem-me cócegas no couro cabeludo’. Um homem abandonado é...
Mas ainda está a decorrer o concurso para as farturas e o para o almoço do fairy O novo entretenimento nacional (depois do acompanhamento da evolução da taxa euribor e do aumento da fortuna do Amorim depois de ter feito o favor ao Estado de ficar com a Galp porque mais ninguém queria) vai ser a escolha da localização para a nova ponte sobre o Tejo. Teremos a alinharem-se o lobby Berardo, que vai tentar forçar o traçado ‘Porto-Brandão – Jerónimos', temos depois o lobby Agência Magno que vai tentar influenciar o trajecto ‘Alto de S. João – Cristo Rei’, o lobby Lusoponte (ao saber que não vai ganhar a concessão) com a proposta ‘Bugio – Estádio Nacional’, o lobby Lino-Pinho com o traçado ‘Ota – Ota’ e portagens em Mangualde, e, finalmente, o lobby Correia de Campos com a opção ferry boat ‘Anadia-Coimbra’ com mudança de pensos em Condeixa. O estudo já foi encomendado à ordem dos enfermeiros, e o Project Finance adjudicado à agência de Mogadouro do BES porque garante 10% de desconto nas ...
La Blogspienza Hoje, Rui Ramos, um homem no mínimo frenologicamente sensato, guruzável em certos meios, mas com frequência atraiçoado pelo síndrome do excesso de factos ( que resulta, por automedicação, no clássico tritura-compacta-sem-lubrificar) escreve no Público um fluxograma de ideias bonitas que desembocam no, hoje transversal & banal, desde Giscard d’Estand até Odete Santos: «não é preciso fé para perceber que das religiões reveladas depende largamente a infra-estrutura de convicções e sentimentos que sustenta a nossa vida» Ora desde Humberto Delgado, passando por Pedroto e Orígenes, (aguardo em relação a Paulo Bento) tem razão quem é perseguido, ou, no mínimo, injustiçado, e a Igreja – a crença religiosa em geral - quase sempre se deu bem nesse injustiçamento, e, qualquer esforço teológico por mais abonecado que seja, perde KO com uma simples e diáfana perseguição religiosa. Por muito que me 'intrigue' dizer – e leio Ratzinguer há muito muito tempo – vários dos escr...
Volta Rousseau estás perdoado Aquele escritor tão interessante quanto confuso que foi Saul Bellow, a par de ter dito que «os homens muito sensuais eram frequentemente estúpidos» (1), deixando o caminho aberto a todo um mundo de considerações, recalcamentos e reorientações estratégicas, não teve meias medidas em afirmar que «há anos que o amor faz de nós trouxas», (2) e assim colocar no seu devido lugar o actual relacionamento entre homem e mulher: a meio caminho entre a roleta e a bisca lambida, e, não fora a mulher ser completamente mais estruturada quando chega a hora da verdade, «Um cérebro judeu, um pénis negro e uma beleza nórdica é o que as mulheres querem» (3), hoje, o homem para ser feliz, pouco mais precisaria do que mijar para marcar território. (1) ‘a autêntica’ (2) ‘morrem mais de mágoa’ (3) ‘o planeta do sr. Sammer’
Canónicas #5 «Uma crença como um machado, assim pesada, assim leve.», F. Kafka, in ‘ Meditações sobre o pecado, o sofrimento, a esperança e o verdadeiro caminho ’, nº87.
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warsawa by mist
A Berloqueoteca de Babel Zbigniew Poborsky tinha sido um escritor mediano com algum sucesso numa série de romances policiais em que o herói-detective chamado Zoran Pavel Dubrovni Zibrinsky sacava a maior parte das confissões quando, utilizando um prosaico expediente humorístico, exasperava os criminosos ao tentar soletrar o seu nome. A dado momento Zbigniew Poborsky sentiu que podia dar algo mais à literatura e enveredou por uma experiência entre o romance de costumes e o romance psicológico, algo a que ele resolveu chamar de romance de atitudes, se bem que ao arrepio do seu editor, que temia a chacota dos críticos, mesmo amaciados com dois coqueteles por mês num hotel de meninas e brandys finos em Varsóvia. Mas Zbigniew era daquele género de pessoas persistentes, sem chegar a visionário, e seguiu em frente na renovação da sua carreira. Inspirado num guerreiro medieval de Renânia, de seu nome Radoslav Dudek Klos, conhecido por ir mudando de nome consoante as princesas que desencaminhav...
Index Librorum Prohibitorum Deve andar muita gente com a língua em papos de aranha, enrolada que nem uma minhoca a babar latim, para dizer a frase que intitula este post, que, registe-se, tem tudo para poder vir a ser um post maravilhoso. Eu queria deixar aqui assinalado que seria hoje muito melhor pessoa, melhor pai, marido, e inclusivamente daria muito melhor serventia em geral, se me tivessem proibido de ler certos e particularizados livros que só uma curiosidade desgovernada e complexada, entre o mórbido e o leviano, me fez enterrar as pupilas até ao engomamento do nervo óptico. A primeira proibição, julgo até que já aqui a contei há uns anos (topem só: ‘há uns anos’, dá logo uma certa pinta) foi quando o meu santo pai me proibiu de terminar o 2º volume daquela obra oficialmente apaneleirada que um gajo que veio a ser conhecido por Proust, e que por acaso também era o nome dele, escreveu. Estou-lhe quase tão eternamente grato como por aquela pista scalextrix que me ofereceu, mas qu...
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acromia Fire Starts in my heart when I reach that place Have I been away too long? Have I been away too long? Fat Freddy's Drop - "Cay's Crays"
Canónicas #4 «O arrependimento é o recordar da culpa» , S. Kierkegaard, no prelúdio de ' In Vino Veritas ', 1845
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Irmãs Asaes da Consumição Portas ontem disse que se tinha de trazer a asae ao bom senso . Ora, isto sim, seria aborrecido se ainda fechassem o bom senso. E eu até gosto do sr Nunes. Etimologicamente Nunes vem de ‘nun’, que como se sabe é ‘freira’ na língua do elton john e do jacques brel se cantasse em inglês. A missão de Nunes é que tenhamos uma regra, fodamos e façamos o totobola a horas e posições certas, lavemos as mãos depois de apalpar uma venezuelana, e que não se coloquem os preservativos usados no pilhão. E isto é muitíssimo louvável. Já vi muito convento a abandalhar porque começaram a plantar salsa com as mãos que já tinham mexido no terço, e lavado o manjericão nos locais da confissão. Felizmente que a crise de vocações religiosas não nos privou do nosso Nun’s, e este soube sempre qual era o seu caminho, jamais deixando que a baínha do hábito lhe atrapalhasse o andar. Prevaricou no bigode, isso sim também não podemos deixar passar em claro, e aquilo pode ser um foco de humi...
No fundo são gajos com apenas um pouco mais de lata O 'caso' BCP, para além de ter ajudado a formalizar uma nova geração de corporativismos, como os passageiros frequentes de entidades reguladoras, os offshoristas (sub-género de chupistas) e os piedosos de eduardo-dos-santos, veio principalmente trazer uma lufada de ar fresco ao prestígio dos tão mal afamados testas-de-ferro. E isso era uma injustiça, pois tratava-se de gente que não teria onde cair morta, sem direito inclusive a rendimento de inserção, e que não possuindo nenhum órgão para entregar à ciência decidiu disponibilizar a própria testa, em risco de fossilizar por reduzido movimento interior, ao serviço de interesses financeiros mais carentes de liftings e botoxes, talhados para o lado de lá dos biombos e eventualmente apoquentados por um hálito mais traiçoeiro. Um testa de ferro é, vendo bem as coisas, um bem para a sociedade, pois, por um lado, isenta-a de lidar abertamente com a obscenidade de gajos podres de ric...
Canónicas #3 «O Inconsciente é semelhante a um grande círculo que contém o Consciente como um círculo mais pequeno» S. Freud, in ‘ A interpretação dos Sonhos’ , 1899 (apesar de pós-datada para 1900)
Los El Nanos Zapatero diz que está no projecto de nanotecnologia em Braga com total lealdade, como se «estivesse a inaugurá-lo na sua (dele) terra natal». Sócrates, entretanto, discursara testando a nova pose inteligente e convicta, e procurando – sem sucesso - fugir do estereotipo fedorento; enquanto isso, Pinho tinha ido para Mangualde tentar aguentar os Berlingos, Lino andava a arranjar maquinistas para a nova automotora do Oeste, e de Campos tirava um curso rápido de pensos, emplastros e catagem de piolhos da Bairrada.
Time Sharing A pior entrada no lado pessimista da vida é estarmos na porta dos fundos da agenda de quem se gosta.
Antes distorcer que quebrar « Sozinhas não causam espanto, mas ficam muito bem ao lado das outras » ; é com esta frase que João Bonifácio remata hoje a sua crítica a ‘ Distortion ’ dos Magnetic Fields, referindo-se a algumas canções do disco. Quem nunca sentiu que, afinal, isso é o melhorzinho que a vida lhe tem para dar.
Nevers & always Todos saberemos, uns mais pela pele outros mais pela carteira, que a fronteira entre coincidência e destino é muito ténue. Mesmo não sendo, nenhum deles, um conceito muito seguro para nele pendurarmos a nossa vida, ninguém consegue passar-lhes ao lado sem olhar. E, se calhar, afortunados daqueles que conseguem gerir cada beijo dos dias apenas como se fosse uma paixão passageira.
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turismo religioso, um arquétipo do Joachim Patinir (1518-1520), «Paisaje con el descanso en la huída a Egipto» (óleo s/ madeira, 121 x 177 cm), Madrid: Museo Nacional del Prado
Deus é o pretexto. O essencial é o paleio. Descubro num post recente do blog dragoscópio uma epopeia de verve em torno da estafadíssima apologia, devidamente desinfectada com água indignada, do porquê ir alimentar umas almas famintas para longe quando a vizinha deixa queimar o arroz manteiga. As melhores pessoas a falar de Deus são de facto, geralmente, as que usam a capa agnóstica, ou ateia ou apenas mesmo quessefodista, e isto porque Deus com eles, sem a preocupação comissionista, aparece esteticamente trabalhado, quase como as cuecas num catálogo da redoute, entre o atoalhado e a malha piquê, ou seja, Deus, estando ou não em promoção, ajuda bastante a vender outros produtos e arranja-se sempre algo para combinar com ele, o que, é bom de ver, até ajuda qualquer crente com um mínimo de perspicácia a compor uma boa e piedosa toillete. Antecipadamente grato. Mas, desgraçadamente, para estas almas que se alimentam de coerências a granel e bondades avulsas, o cristianismo transforma-se n...
Habituem-se, pá Quem ouviu, no rescaldo das eleições, aquele silo de sabedoria chamado Vitorino dizer aos repórteres de turno para se habituarem, todos julgávamos que era um mero jogo floral, uma flatulência verbal de quem tinha a barriga cheia com o leguminoso voto de uma cambada de zarolhos a que pomposamente chamamos (nos) portugueses. Governados daí em diante pela versão beirã do iluminismo, com o sofisticado método de ‘fazer o que tem de ser feito’, demonstramos em cada dia que passa que suportamos melhor a dor duma vergastada seca e contínua perpetrada por um arrogante de meio da tabela, - uma espécie de paços de ferreira do despotismo esclarecido - do que as cócegas inconsequentes de vaidosos de topo como santanas ou portas, desde que mantenhamos ao mesmo tempo o nosso ego bem nutrido com manifestações de mais ou menos erudita indignação, pontilhada aqui ou acolá com um espírito revolucionário de bancada. Mas entrámos agora então num novo ciclo de governação: Não só é irrelevant...
Canónicas #2 «O interesse que qualquer indivíduo tem na sociedade é inversamente proporcional ao interesse que a sociedade tem nele», Karl Marx, in ' Os manuscritos de Paris ', (os assim denominados), circa 1844.
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Alta competição Como é sabido, um homem para sobreviver tem de se preparar para ter as costas largas, e deve ser por isso que hoje o supraspinatus e o infraspinatus estão a fazer questão de me demonstrar que também têm todo o direito a brilhar na minha via sacra particular, mas, não fora o erector spinae chiar por todos os lados, e teria sim um belo refogado de gluteos com piriformis a preparar-se, se bem que não esteja no melhor momento para levar um chuto no cú de ninguém. Com o país a exigir demasiado aos gastrocnemius da plebe, eu vou-me dando por muito contente ao apenas rogar algumas pragas aos cabrões dos semitendinosius, no entanto, o vastus lateralis bem que podia ficar de molho durante uns dias. Sobre a enervante inércia do línea alba hoje ainda não me pronuncio; por aquela razão que se situa na linha de fronteira entre a vergonha e o pudor.
Luna Park, hors-série Sens, tranquille ami de tant de larges, combien ton haleine accroît encor l'espace. Dans les poutres des clochers obscurs, laisse-toi sonner. Ce qui t'épuise devient fort par cette nourriture. Va et viens dans la métamorphose. Quelle est ta plus pénible expérience ? S'il te semble amer de boire, fais-toi vin. Sois dans cette nuit de démesure la force magique au carrefour des sens, et le sens de leur rencontre singulière. Que si le destin terrestre un jour t'oublie, à la calme terre, dis: je coule. A l'eau vive, dis: je suis. Rilke, R. M. (1922). «Sens, tranquille Ami...». In Les Sonnets À Orphée , "Rainer Maria Rilke". Paris: Éditions Pierre Seghers. (p. 184, trad. M. Betz, ed. 1949)
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BCP Hoje, as ossadas do camarada Vasco, chocalharam na urna, e a sua alma, esvoaçando, sabe-se lá por onde, suspirou: ‘fodasse como é que eu não me lembrei disto’.
National Antropographic Noutro dia vi um lobby. Era um exemplar de bom porte, com dentadura sem cáries e pêlo luzidio. Aparentava ser do sexo masculino, e tinha as garras dos membros anteriores alisadas, deixando antever caça delicada e já previamente amanhada. O arfar intermitente permitia concluir que tinha passado recentemente por fases de alguma hiperventilação, se bem que algumas raleiras de penugem na zona lombar faziam crer na utilização de técnicas de sedução e acasalamento menos convencionais. A locomoção era a 2 ou 3 patas consoante o sentido do vento e a toponímia do terreno. Não procriava, mas adoptava crias de qualquer espécie, e o seu habitat natural era um quarto de toupeira decorado com penas de pavão.
Canónicas #1 «não é verdadeiramente necessário levantar voo para chegar bem ao centro do sol, mas é necessário rastejar sobre a terra até se encontrar um pequeno lugar limpo onde o sol luz às vezes e onde é possível aquecermo-nos um pouco» F. Kafka, in ‘ Carta ao pai’ , 1919.
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gelegentliche Kultur
Castelo de S. Jorge +1 Depois da conquista de Lisboa aos mouros, Afonso Henriques e Martim Moniz tomam uma ginginha em Alfama, enquanto não aparece o Nunes, e como não havia gente suficiente que soubesse ler para fazerem um referendo, decidiram traçar eles mesmo o Plano Estruturado e Integrado de Desenvolvimento Orientado e Harmonização Estratégica Concertada e Ordenamento Sustentado Sintética e Articuladamente Mormentemente (peidohecossam), dado que dom Cravinho tinha ficado com o cavalo atolado e preso a uma estaca numa zona húmida ali para os lados de Alenquer. Martim Moniz – este castelo já não está em condições e eu acabei entalado na porra da porta, tendo até estragado o melhor colete que me tinha sido debruado por uma freira de Salamanca em folga de clausura D. Afonso Henriques – teremos então de escolher uma localização para o nosso próximo castelo, algo que imponha respeito aos cabrões dos monhés e os leve a entreterem-se lá para as terras da toblerónia Martim Moniz – eu acho ...
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Alta Competição Dói-me tudo menos o zygomaticus minor e o palmar aponeurosis já teve melhores dias; mas agora não sei se deva exercitar mais o risorius se o supinator. Coloco bastantes esperanças no bicipital aponeurosis para me ajudar nos garrafões de luso e no rectus femoris para não fazer figuras tristes com o meu filho mai’novo, no entanto, para os ovos estrelados acho que basta manter em razoável estado os flexor digitorum superficialis. A performance do corrugator supercilii mostra-se essencial para fazer a cara de mau que garante a minha - cada vez mais - teórica posição de chefe de família, e um buccinator perfeito permitir-me-á manter sem esforço o absolutamente imprescindivel ar de anjo desentendido.
sarkofaga «Espero que quando estiver em cima da Carla Bruni, comendo-a com satisfação e vaidade, um raio lhe fulmine a pila, lhe decepe vários membros e lhe deixe a carranca num estado de monstruosa feiura». ana de amsterdam Eu cá, pelo sim pelo não, se fosse ao gajo, punha-me por baixo.
Segundo VPV As novas aparições de Nossa Senhora a pastorinhos serão realizadas no eixo seixal-azeitão, perto da nova cidade aeroportuária de Alcochete, também conhecida como o Entroncamento do sec XXI
Já de aeroportos não se pode dizer o mesmo ‘Toda guerra promueve genios’. Com esta frase errada termina Umbral a sua última crónica em Julho do ano passado.
Ora selvagens em cativeiro, ora domésticos numa selva «Não se sabe se, sem a figura do homem, o corpo suspenso da mulher estaria em queda ou ascensão» escreve a Alexandra numa especulação em torno dum fotograma tarkovskiano. Só ela diz coisas assim como quem não quer a coisa. (Adenda: mas também me lembra o dito sobre os galegos: 'quando estão a meio de uma escada nunca se percebe se estão a subir ou a descer')
poeta castrado não, quem faz um presidente fá-lo por gosto «Prefiro Hillary a Obama. Se tiver de ser um Democrata, então que seja alguém sem a menor hipótese de ir para a cama com o bom do William Jefferson.» É a melhor análise das primárias usa’s que li até hoje. Escrita, obviamente, por um arquitecto, – acho – o que não é de estranhar, as pessoas que melhor compreendem o mundo são aquelas que sabem escolher o lado para o qual deve ficar virada a cama, e evidenciando que a pila de bill ainda é útil, pendularmente, ao equilíbrio do mundo. Apesar de obama ser de melhores rimas com o tradicional leito de prazer, aguardo ansiosamente uma desfolhada por hillary dos santos. É trigo loiro.
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Zipper John Coplans
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‘O azul é o invisível tornando-se visível’ Yves Klein (1928-1962)
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'Bob' 'Blanchett'
kamasutra da ratificação toda a ratificação se deve começar por baixo, depois pega-se no tratado pela parte da anca do preâmbulo, ou seja, a zona dos plenipotenciários, pode ser entre o rasmussen e o karamanlis, e , sem perder muito tempo, devemos conferir as disposições gerais, não vá haver uma dor de cabeça ou um corrimento de clausulas, destas passemos também rapidamente aos protocolos anexados, onde invariavelmente há novas e polpudas possibilidades de desfrutar, se estes se mostrarem pendularmente acolhedores, até porque as declarações finais são quase sempre bastante previsíveis, principalmente a da delimitação de competências, contudo, se algo correr mal, no limite, podemos recorrer à clássica 'coreografia icónica do auto-comprazimento', o esporreiro, pá.
Finzes Lamento , mas o melhor final de Gogol é o do ‘ Casamento '. Pela voz de Fiokla: « vê-se bem que não percebes nada de casamentos. Ainda se ao menos ele tivesse fugido pela porta, vá lá... Mas quando um noivo foge pela janela, desculpa-me, não há realmente nada a fazer»
life «não acrescenta nada ao que eu já sabia. Não que eu soubesse muito antes» in auto retrato .
Se bem que também houve uma reedição da Karen Dalton Não sei se, como remata Pulido Valente na sua crónica mais badalada desde a outra em que explicou cientificamente o fenómeno de Fátima pela sua proximidade à estação de comboios do Entroncamento, o Papa terá previsto para a Igreja uma era de clandestinidade , o que eu sei, isso sim, é que a Igreja tem uma missão de universalidade, sem a qual tudo o resto corre o risco de se parecer a circo sem leão nem apóstolo. Um dos momentos chave da construção do ‘cânone’ ocidental, whateveritmines, viveu-se com a Reforma Protestante e a Contra Reforma . E continuará a ser da análise do que aconteceu nessa altura que se devem ir procurar as primeiras pistas para o estudo da evolução da Igreja e do seu papel no mundo, a par do esforço individual de cada um em entender e amar a Deus. A Igreja Católica é, pondo de lado a retórica exegética, essencialmente um Corpo vocacional: procura congregar as almas em torno dum chamamento de Deus. No dia em que ...
e isto porque o site dos decemberists também tem uma sereia apesar de ter sido um ano em que os decemberists não apresentaram musicas novas, tivemos o melhor ano de musica desde que os air apareceram com moon safari e o lobo antunes escreveu uma coisa chamada livro. No entanto, o ano passado, e no que concerne a balanços musicais, assume-se como uma merda, ou, como diria a soraia chaves, estas listas fodem-me todo. Ano em que lcdês, pandas beares e buriales andam a liderar as listas de escolhas mainstreamadas, não merecia ter shins, arcades e nationales a cantar, foda-se, como diria soraia chaves, pouco faltou para lá meterem os rufus e os bordellos, mas cheguei a ver o wyatt, se bem que um bocado a medo. Quase que estou com saudades daquele tempo em que o elton john conseguia cantar e levar no rabo ao mesmo tempo e só havia dois discos do caralho, mas, macacos me mordam, ou foda-se, como diria aquela rapariga a quem o canastrim d’almeida ainda chegou a apalpar as mamas, se eu não faço...
Luna Park «a natureza está constantemente a puxar o tapete debaixo dos nossos pomposos ideais», Camille Paglia, in ‘ Personas Sexuais’
Acho que hoje é de bom tom citar um Pacheco «Não é claro se Bush não quer aceitar a realidade iraquiana posterior à vitória militar, se a "nega" por defeito de liderança, ou se o faz porque vive numa "bolha" e não foi devidamente informado ou, ainda, se é uma atitude do Presidente, uma postura, um teatro, para não deixar a mínima dúvida nos seus colaboradores sobre a sua decisão, contra tudo e contra todos, de ter sucesso no Iraque. Provavelmente é um pouco de tudo, porque, mesmo se fosse puro teatro, o actor a uma dada altura já não saberia como sair da pele da personagem e "negava". Churchill actuou várias vezes da mesma maneira nos momentos mais difíceis da guerra de 1939-45» ; in ' abrupto ', a propósito do livro ‘state of a denial’ de bob woodward.
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Call Grelo Pepino o lento, apanhado na operação saladão, e já não indo a tempo de apresentar uma lista para a salgalhada do bcp, procurou refúgio num frigideira onde se preparava um salteado com grelos de chaves fresquinhos. Apesar de pouco habituado a tamanho nabiçal, e muito menos ao entusiasmo do alho perante a chapa escaldante, Pepino esforça-se por fazer boa figura. Saltam do braseiro para uma cama mais doce, pedem um mushroom service e escolhem molho caesar. É preciso muita nata - diz a grelada companhia - trazes-me para aqui e nem me ofereces uns orégãos offshore. Pepino, submisso que nem um ravioli numa tratoria e cada vez mais consciente das suas limitações, sente que não pode competir quando chegarem os mangericões, bem enfartados na sua especiaria. Afinal ela era um grelo de programa e ele não passava dum pepinalvo. Foi bom enquanto grelou e, Pepino, sabendo que nunca chegará a melão, afeiçoou-se a uma sardinha, que, e apenas para fritar, só lhe pedia farinha.
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tomber avec vous (aka «caer lejos con usted»), la Muse je ne peux pas me rappeler quand c'était, de bons moments de bonheur m'éludent, peut-être j'ai juste mal compris, tout l'amour que nous avons laissé en arrière, observant les retours entrelacer des mémoires que je ne trouverai jamais, ainsi j'aimerai celle que vous deveniez et oublierai les choses insouciantes que nous avons faites, je pense que nos vies ont juste commencé, je pense que nos vies ont juste commencé, y siento mi mundo desmenuzarse, siento mi vida desmenuzarse, siento mi alma desmenuzarse lejos y caer lejos, tombant avec vous, restant éveillé pour chasser un rêve, goûtant l'air que vous inspirez, je sais que je n'oublierai pas une chose, la promesse de vous serrer étroit et de prier, observant l'affaiblissement des fantaisies, rien ne restera jamais la même chose, tout l'amour que nous avons gâché, tous les espoirs que nous avons aimés se fanent, faisant les mêmes erreurs, faisant ...
Nico & Tina Nico – Querida, estás a tornar-te um vício para mim Tina – Gosto de te saber dependente, dá-me uma sensação de poder Nico – Eu sei, mas esta submissão também é algo que me excita Tina – É pena que, com tanta restrição, agora não possamos estar sempre juntos Nico – Mas o afastamento ainda me excita mais Tina – Tu excitas-te com tudo, é o que vale Nico – Não, só tenho pulmão para ti Tina – Essa exclusividade tanto me serena como me cria ansiedade Nico – Deves aprender a respirar fundo… Tina – Gosto mais quando me flirtas sem filtro Nico – Mas há algo que me desestabiliza…. Tina – Os velhos ciúmes, querem ver… Nico – Sim, não suporto a presença irritante dos chocolatezinhos ou das pastelhinhas elásticas Tina – Sabes bem que somos apenas amigos, nada mais significam Nico – Desconfio de tudo o que venha embrulhado em papel às cores Tina – És tão complicadinho e inseguro. Nico – Desde que me andaram a medir o teor de alcatrão nunca mais fui o mesmo Tina – mas, querido, tu ain...
A fool on the hillary O ‘preto e a gaja’ é a nova comédia da Broadway. Com evangelismos de cruzada enconada e tecnocracias requentadas a servir de figurantes, fico com saudades da mancha do vestido de Mónica; no fundo, tenho saudades do tempo em que apenas os rabos eram de palha. Os genuínos escândalos são os da carne - até Jesus esgotou a metáfora da primeira pedra com os papalvos que olhavam para a mulher ardente – e não vejo como uma nação se pode redimir sem um amor mal compreendido. Apenas com um renegado pela melanina e uma renegada da alcofa - por ter uma boca demasiado conservadora - não se consegue purgar uma nação que reclama uma enxurrada de corrimento e esperma que a desinfecte. Sendo a América um enorme Pulo do Lobo com petróleo, polvilhada aqui e acolá com misturas de Mónacos com Hong Kong’s, e rendilhada de engayzamentos e sionismos, precisa urgentemente de crimes passionais, precisa de ter sempre completa a trilogia de sexo, mentiras e vídeo, não se podendo ficar apenas...
Guilty question Qualquer crente em Deus que se preze gostaria de receber uma confidência do Criador, de forma a ficarem assim, como quem não quer a coisa, com um segredinho só dos dois. Claro que, de forma simpática e reverente, todos começaríamos por perguntar algo do mais ortodoxamente teológico para criar ambiente, género, porquê um povo eleito no meio do deserto se já havia muito boa gente à beira mar, porquê uma Santíssima Trindade quando já se sabia que um tenderia a ficar marginalizado, porquê um livre arbítrio a voar se podíamos ter uma predestinação na mão, porquê um casal de pombinhos, uma maçã e uma serpente, se podíamos ter descendido duma tribo de belas amazonas especializadas na selecção natural; enfim, teríamos de nos mostrar primeiro interessados com a política editorial do Criador, mas sabendo que o que nos interessava realmente era aquela zona dos classificados mais picantes, o suplemento de fim-de-semana, ou seja, teologicamente falando: o que é que o Criador andou a...
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gelegentliche Kultur Andy Warhol, 1964, Lips
Luna Park «Entre outras conquistas e ganhos recentes, as mulheres, como é natural, fizeram progressos consideráveis na coutada largamente masculina do egocentrismo», Martin Amis, in ‘ O Cão Amarelo’
'entrevejo aqui uma coreografia icónica do auto-comprazimento' Há séculos que não fazia uma linkadela.
A minha pátria é a língua, mas também gosto de rosbife Aparentemente o acordo de jardinagem horto gráfica irá marcar este novo ano pelo fim das ‘consoantes não pronunciadas’. Acabará assim uma das marcas simultaneamente mais aristocrática e mais mística da portugalidade, esse ter coisas que não serviam rigorosamente para nada - as nossas consoantes mudas, que tanta falta nos irão fazer. Eram verdadeiras consoantes de companhia; sóbrias, educadas, discretas, nunca mais se fazem consoantes assim e estaremos destinados a viver com ‘tês empinados. Essas consoantes que souberam dedicar a sua vida para outras sobressaírem, deixam-nos agora sem glória e, pior, criam um vazio que não está ao alcance de nenhum acento, por mais circunflexo que seja, preencher. A nossa língua precisa dessas consoantes que souberam trabalhar na sombra, que deram sentido aos actos e aos factos, e que facilitaram a vida a muita vogal que, assim, conseguiu sobreviver num mundo dominado por uma maioria ruidosa de cons...
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' tulips' (detalhe de, acrílico sobre canson, 2004)
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E mais? (meta-metabloguismos #n) Conta-me como vives; diz-me simplesmente como são os teus dias, os teus lentíssimos ódios, as tuas explosões de alegria e as ondas confusas que te têm perdido na espuma cambiante de uma alvura imprevista. Conta-me como vives. Vem a mim, cara a cara; diz-me das tuas mentiras (as minhas são piores), dos teus ressentimentos (deles também padeço), e desse estúpido orgulho (posso compreender-te). Conta-me como morres. Nada teu é secreto: a náusea do vazio (ou o prazer, é o mesmo); a loucura imprevista de algum instante vivo; a esperança que afunda obstinadamente o vazio. Conta-me como morres, como renuncias -sábio-, como -frívolo- brilhas em pura fuga, como acabas em nada e me ensinas, é claro, a ficar tranquilo. Poema: Gabriel Celaya, «Cuéntame cómo vives (Cómo vas muriendo)» (trad. pessoal) Imagem: «Perspicacia»: © Rafael Múgica (1927-1935), "Los dibujos de Gabriel Celaya"