O que um gajo faz para matar o tempo enquanto não chega o reboque do acp Como todos já terão reparado, a actualidade portuguesa balança entre um Carnaval arrastado na Madeira, outro no CDS, outro na Câmara de Lisboa e ainda outro nas urgências do hospitais. Não é a mesma coisa que umas declarações do nosso Pinho, ou um flick flack à rectaguarda da Nadia Comaneci, mas é o melhor que se pode arranjar desde que somos um país livre até às dez semanas e, claro, face à impossibilidade legal de procriação – com adopção incluída – assistida entre homens e libelinhas. Custa-me ver o país a deixar-se levar no amornamento global, sem conseguir trazer novos dados para a agenda internacional, a não ser o rebentamento de gazes em Carnaxide, as marés na costa da Caparica, o ar de codorniz mal grelhada do nosso Durão Barroso, e, não podia deixar passar, as Valquírias - tão bem alembradas aqui pela patroa deste estabelecimento – compostas por aquele rapaz com nome de médio defensivo brasileiro nascido ...
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A mostrar mensagens de fevereiro, 2007
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Luna park «Só agora G. compreendia o que é o contacto íntegro com a mulher: uma coisa exigente, insaciável, insondável, que participa das forças cegas e desencadeadas da Criação, e que há milénios leva os homens a viver no terror supersticioso da fêmea, e porventura a procurar subjugá-la pela força e pelas regras da moral.» in ‘O Milagre segundo Salomé’ de José Rodrigues Miguéis (ed Estampa, vol II)
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Anita em S. Bento Com Sócrates no condomínio Sócrates, mulher a dias diplomada da nossa democracia pós guterriana, avançou que ‘não tem uma agenda de temas fracturantes’. Dando de barato que não era uma recado subliminar para correia de campos fechar mais umas urgências de ortopedia, devo dizer que fiquei com o mesmo descanso com que fica o caniche da minha vizinha de baixo quando esfrega o focinho e lambe na bata da cabeleireira rosnando «isto é demasiada camomila para a minha papila» (e assim ficou o primeiro pensamento canino do mundo entre aspas). Com Sócrates a ler Alain de Botton Sócrates, resultado dum programa de auto ajuda em que o PS esteve inscrito, mas sem registo youtubado, apresenta-se à plebe como o governante das causas certeiras, das que nem vale a pensa descortinar uma causalidade mínima, procurando elevar o common sense ao estatuto de filosofia política e antecipando uma nova lei natural baseada no stupidus lupus stupidum. Com Sócrates no divã com J. Machado Vaz Sócr...
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É de facto uma pena É péssimo ter uma ideia que achamos gira, engraçada até, buliçosa, reboliçosa mesmo, para os neurónios, inclusivé, e estar a dar-nos um sono de caixão à cova, aquele apelo de almofada ao qual qualquer humano com as hormonas no sítio é incapaz de resistir, a chamada vertigem de leito, o verdadeiro apelo da horizontalidade. Ainda começamos a tentar espremê-la – não confundir com espermê-la - e é quase como que se o teorema de fermat se transformasse num pitágoras requentado. É uma pena um homem não lhe apetecer ter ideias profundas e bem articuladas - sim dessas, como antigamente - a partir da hora em que as crianças já estão a dormir – e então quando se viciaram a adormecer treinado rimas, ainda piora - é o drama do pai responsável (mesmo fora do modelo monoparental), o drama do chefe de família (modelo patriarcal, mitigado), o drama do cabeça de casal (dentro do modelo de comunhão de adquiridos) , enfim, basicamente, é o drama dum gajo que lá tem as suas coisinhas. ...
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Luna Park «Porque tal como o sol é novo e antigo,/ Assim de meu amor o dito digo.» Shakespeare, Sonetos, trad VGM, nº76 * […] sei que o amor é começado pelo tempo / E porque vejo, em factos experimentados, / Que o tempo extingue o seu brilho e o seu fogo. / Dentro da própria chama do amor vive / Uma espécie de torcida ou morrão que há-de apagar o amor. / E nenhuma coisa mantém seu primeiro esplendor, / Pois o esplendor crescendo até sua plenitude / Morre do próprio excesso, o que queremos fazer / Temos de o fazer enquanto queremos; pois o «querer» muda, / E tem abatimentos e demoras tão numerosas / Como o são as línguas, as mãos, os acidentes. / Então o «querer» é como o suspiro de um pródigo, / Que magoa aliviando. Shakespeare, Hamlet, IV.7
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Martinho de Arcade Fire ‘Neon Bible’ pode ficar na história recente da música pop como o melhor segundo disco de gajos que tiveram um grande, grande, primeiro disco. Para já isto é o possível. A primeira vez ouve-se mal, à segunda, bem, à terceira, mal, à quarta, bem outra vez, é claramente um disco para ouvir em modo shuffle só para vezes pares. Retenho-me no ‘My body is a cage’. Fica ali entre a salve rainha e a sétima estação da via sacra. Pouco tempo depois dos Strokes em ‘Heart in a cage’, a gaiola volta a ser a metáfora de turno. Apesar de lembrar bastante o Silvestre e o Piu-piu, e ter uma terminação um pouco avarinada, a palavra gaiola encerra inúmeras potencialidades. Não chega a ser tão poderosa como sifão, ou arroz de grelos, mas, vendo bem, transporta o verdadeiro imaginário pessoano: «Perde-te, transcende-te, circunda-te, vive-te, rompe e foge». De repente até li: ‘circuncida-te’.
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Luna Park «Cada insensível rotação do mundo tem destes deserdados / a quem não pertence nem o que foi, nem o que há-de seguir-se./ Pois o que há-se seguir-se é longínquo para os homens. A nós isto/ não nos deve perturbar; antes nos dê a força de guardar a forma ainda reconhecível» de Rainer Maria Rilke, na Sétima Elegia (Assírio & Alvim)
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larmes à la pedropaixão, sauce estrogène Here comes the rain again / Falling on my head like a memory / Falling on my head like a new emotion / I want to walk in the open wind / I want to talk like lovers do / I want to dive into your ocean / Is it raining with you So baby talk to me / Like lovers do / Walk with me / Like lovers do / Talk to me / Like lovers do Here comes the rain again / Raining in my head like a tragedy / Tearing me apart like a new emotion / Oooooh / I want to breathe in the open wind / I want to kiss like lovers do / I want to dive into your ocean / Is it raining with you Here Comes The Rain Again - Eurythmics
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Ladainha Dignidade Fetal Liberdade Progenitor Moldura penal Vão de escada Ilegal Abortivo Laurinda Marta Fernanda Alves Rebelo de Câncio Duas menstruações em falta já são um bom prenúncio Mulheres Moral Gâmeta Consciência Vida humana Telemóveis Tolerância Estabelecimento autorizado Inviolável Vital xarope Moreira para a tosse O maior flagelo é a ejaculação precoce Indesejado Idade Média Espermatozóide Médico Crime Responsável Badajoz Humilhação Viável Saúde Jerónima Daniel de Teixeira & Oliveira Estando sol e não havendo preservativos tapa-se com a peneira Arbítrio Castigo Higiénico Embrião Ético Liberalização Dia seguinte Lídia Bagão Inês Jorge Félix de Pedrosa Afinal não rebentaram as águas era só um copinho de gasosa Ecografia Gestação Agulha de tricot Autonomia Barriga Matilde Joana Sousa Amaral de Franco Dias Para apalpar em condições nunca se pode ter as mãos frias Desejado Solução Mãe Sanitária Depressão Marcelo Ricardo Rebelo Araújo de Sousa Pereira Não há amor como entre u...
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Luna Park Um homem não se renova a si próprio através do amor renunciando às mulheres; torna-se simplesmente um masturbador. E acredito que há sempre mais a aprender de um olhar virgem acabado de regressar de uma volta pelas coisas que nos são familiares do que de um olhar comum que tenha sido privilegiado com o vaguear por territórios virgens. Odysseus Elytis, «Open book» (excerto adaptado). Tradução do grego por Theophanis Stavrou (Books abroad, vol. 49, no 4, 1975)
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Luna Park «As grandes histórias de amor (…) desfazem-se em fumo a seguir a uma palavra, a uma entoação, a registos ou tonalidades que são verdadeiras humilhações de alma, quando teriam suportado qualquer outro acto inoportuno» de George Steiner, a propósito da ‘Antigona’ de Sófocles, em entrevista a Ramin Jahanbegloo (ed Fenda)
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A coisa mais bonita do mundo É um homem triste. Aquele olhar alephiano para um ponto que tudo contém mas não existe, aquela inclinação de corpo, vergado pelo abandono, bicho de companhia mas sem dono, aquele não conseguir dizer nada, aquela pele seca mas suada. Não é decadência, não é melancolia, é apenas a beleza da indecência duma alma plenamente vazia. Não há nada mais bonito que um homem triste, aquele ar de nada tens e nada pediste, de tudo perdeste mas nada esqueceste, aquele encanto mortífero de a quem nada doeu mas que tudo sofreu. Um homem triste é a coisa mais bonita do mundo, pois mesmo não sendo casto nem sábio mais ninguém morde assim o lábio, e pode não ter um suspirar perfeito mas ninguém retém o choro com aquele jeito, pode até morrer quando o abandonarem, mas o seu fado será sempre o fado do ressuscitado, ou então um poema maldito, que se canta quando ficou por escrever mais do que aquilo que ficou escrito.
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E porra, ninguém fala dos padrinhos, então e os padrinhos!? A pior acusação que me poderiam fazer era chamarem-me intelectualmente honesto. Palavrazinha de honra, até afinava. Por exemplo, agora só me saem piadas sobre o referendo, do género: «E já agora como é que se despenaliza uma mãe galinha? Escaldando?»; eu sei, isto não é bonito, mas reparem, eu ainda há pouco constatei que durante todo o ano que passou, no caminho de casa para a igreja, e da igreja para casa, eu ia sempre a ouvir os ‘Band of Horses’ e posso confirmar que isso aproximava o meu espírito de Deus, e não foram poucas as vezes em que, na bicha para a comunhão, ia a cantarolar (baixinho porque, reparem, eu frequento a mesma igreja que o nosso césar das neves) uma sacana duma música dos ‘Dirty Pretty Things’ que não me saia da carola. Ora, se no meio disto ainda fosse intelectualmente honesto, género reconhecer que as ‘gajitas do sim’ são mais giras, são sim senhor, isso era péssimo, e assim eu em cada ‘gaja do sim’ ve...
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Eu cá se fosse ao Moisés nunca tinha saído do Egipto Moral’ e ‘consciência’, duas das mais puras e mirabolantes construções da linguagem humana (não sei se nos golfinhos haverá algo parecido), servem de biberon e agitador (e palhinha) à espuma dos dias. É um pouco como discutir a vida sexual baseados no orgasmo das pestanas e no clitóris da papoila, ou discutir o direito romano com base no assassinato de Papinianus por Caracala.
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Assim meia dúzia só para aliviar (e matar saudades) Acto médico – O que está a meio caminho entre o do barbeiro e o da costureira, mas está isento de Iva Acto sexual – Sublimação mecânica duma pulsão química recalcada entre um sonho biológico e uma livre associação (tomate e alface servidas à parte) Acto único – Aquele que nem conseguiu ser Constituição nem sai de cima Acto e potência – Forma como Aristóteles conseguiu sacar um arroz à valenciana quando a mulher só lhe queria dar arroz branco (aqui arroz de Herpilias também dava um trocadilho giro) Acto cénico – Parte duma dramaturgia que serve para a Beatriz Batarda amaranhar pelas paredes porque o don juan não apareceu e só lhe saem hipólitos sem sal X-acto – (fodasse, tanto afiei que agora me arrepiei)
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(as melhores) declarações de amor (ouvidas) (de Janeiro) Alguma pancada mais forte levou-me a ouvir, reouvir e tresouvir de empreitada quase todos os discos dos ‘Magnetic Fields’ durante uns dias. Seria impossível que, assim, não esgotassem quase por completo o que eu tivesse de resumir sobre o melhor amor ouvido em Janeiro. ‘If There’s Such A Thing As Love’ (1), ‘All I Want To Know’ (2), is if ‘I Think I Need A New Heart’ (3), or if I’ve to send ‘letters from the moon’ (4) to ‘You You You You You’ (5); ‘I’m Sorry I Love You’ (6) (1) ‘I’ (2) ‘Pieces of April’ (3) ‘69’ (4) ‘the wayward bus’ (5) ‘Hyacinths And Thistles’ (6) ‘69’
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Breve história da Luxúria Pega-se num desejo, afasta-se de tudo quanto o irrite e pinta-se com farripas de apetite. De seguida dá-se-lhe um banho de ausência, ensaboa-se de paciência, esfrega-se bem com a mão e seca-se com um feltro de ilusão. Depois deixa-se ao ar uns tempos para branquear ao sol, reza-se para que nunca fique mole, nem fuinha, e que volte para dentro com vontade do quentinho e da mãezinha. Sustém-se a primeira ameaça de gemido, asperge-se de líquido benzido, apela-se à graça do prazer imaginado, e estica-se em cima dum plano inclinado. Dá-se a cheirar. Se causar ardor nos olhos é falso e tem de ir centrifugar; mas se der lágrima escorrida está no ponto de aproveitar, é só evitar a frieza, fazer-se membro da nobreza, transformar o lamento em fermento, engrossar quando alguém lhe mexe, e pedir para ser transportado numa caleche.
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«a arte da guerra» «Se o mensageiro do inimigo usa palavras moderadas, mas as suas preparações de guerra continuam, vai avançar.» Não fazendo a Antena 1 parte das minhas rádio-preferências, foi através do f-world que percebi ter-me escapado uma série de entrevistas que Pedro Rolo Duarte, com as suas sobejamente conhecidas inteligência e delicadeza, vem fazendo a autores de blogs portugueses. Hoje ocupei algum tempo livre a escutá-las (ou parte delas, até ao limite da suportabilidade). Se posso afirmar que me agradou tanto a do autor do Portugal dos pequeninos como me agrada o conteúdo do blog até quando em total discordância com ele, posso também afirmar que das restantes retive apenas o vazio quase absoluto (e que alguém a meu lado classificou, de forma bem menos caridosa, como «patético») do seu conteúdo. Há cerca de meio ano, talvez um pouco mais, num mail anónimo e sub-repticiamente hostil, sugeriam-me a leitura do livro de Sun Tzu, «A arte da guerra». Foi deste livro, que entret...
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E ao 7º dia pronunciou-se «os patriotas não se devem afligir com a “imagem de Portugal no mundo”, se o mundo tem a mais vaga imagem de Portugal, o que nada indica. Apesar dos milhões que se gastam em propaganda turística e em viajatas várias, para a maior parte da humanidade Portugal, coitado, não existe (…) A maior gaffe da viagem foi a viagem. » pelo nosso Pulido Valente, no Público de hoje. Façamos agora aquele exercício básico… «os fãs não se devem afligir com a “imagem de Vasco Pulido Valente no mundo”, se o mundo tem a mais vaga imagem de Vasco Pulido Valente, o que nada indica. Apesar dos milhões de palavras que debita em comentarísmo turístico e em historietas várias, para a maior parte da humanidade Vasco Pulido Valente, coitado, não existe (…) A maior gaffe dos seus artigos são os seus artigos». Parece-me justo. VPV, cada vez mais previsível que uma bordadeira de naperons, andou vários dias a pensar de que forma é que conseguia dobrar a tontice de M. Pinho e dizer qualquer co...
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Como preparar um sonho jeitoso Pega-se num desgosto de amor, ou, na falta, numa digestão incompleta de arroz de amêijoas, acrescentam-se duas frases soltas mas a rimar, e ouve-se ‘Tonight’ do Richard Hawley. Depois do coração ter suspirado três vezes, e o intestino grosso quatro, bebe-se uma bebida morna, resmunga-se com o excesso de canela no arroz doce e olha-se para as estrelas pensando que elas estão de costas viradas para nós. Entretanto vai-se ao inconsciente, trazem-se dois recalcamentos ligeiros resultantes do envolvimento platónico com o sexo feminino na adolescência, junta-se com um pequena trauma de infância relacionado com apple strudel ou chocos com tinta, e põem-se em vinha de alhos com uma contrariedade recente, polvilhada duma sensação de fogagem na nuca certamente provocada pela respiração húmida e ofegante da Sónia Braga. Espera-se uma horita, durante a qual há que ser parco no contacto com felicidades passageiras e ansiedades crónicas, e passa-se os olhos por dois ou...
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Nobre povo, nação Valente «Mas triste de quem espera do Estado uma fonte de legitimidade moral» diz Vasco Pulido Valente no Público de hoje, largando ao vento um lugar comum anglo-saxo-liberal, decorado com uns sininhos de bem soar ao ouvidinho da plebe pseudo esclarecida. Muito mais triste é quem espera do Estado um esgoto de banalidade e indiferença moral onde desaguarão apenas os restos dos interesses e facilidades de ocasião.
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Fonétiks As discussões em torno do referendo têm apresentado vários conceitos diferentes para a mulher, e essa diversidade sobressai com alguma nitidez das distintas formas de entoação da palavra ‘mulheres’; a saber: Muulheres – geralmente associadas ao paradigma anatómico de um par de amamentação e um saco amniótico, com vários orifícios de integração social. M’lhereshh – geralmente associado à fêmea do macho homem enquanto elemento decorativo mas acrescentador de valores como a combinação de padrões de sofás e de cortinados. M’nhershh – geralmente associado ao conceito de vítima social, histórica e antropológica. Mulheeres – geralmente procriadoras compulsivas, amantes de embrião, de feto e inclusive de animal de estimação se tal se proporcionar. M’lhesh – geralmente representa a mulher enquanto drive exterior da capacidade reprodutiva do homem, e que se deverá ir mantendo em constante upgrade (mas limpinha e com as seguranças feitas). Monheresh – geralmente está ligado ao conc...
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Dicionário de interiores #2 ( Toda a alma que vive em condomínio precisa de receber os vizinhos em condições ) Fé - tipo de iluminação difusa e indirecta que só reage aos interruptores da vontade de ver Amor - zona interior da casa que umas vezes serve para repousar e outras para arrecadação Moral - tipo de janelas de correr que, quando estão viradas para poente, também funcionam como condutas de material descartável Princípios - tinta de água barata que se usa quando não houve tempo para betumar com massa de preservar Consciência - sanefas decoradas a tromp d’oeil de decalques Responsabilidade - rodapé já sem parede. Nele tropeçam os que afinal descobrem que apenas eram visitas da casa Costume - corredor que liga a sala das ‘sortes grandes’ à salinha das ‘terminações’ Aparências - biombo que, de tão transparente, acaba por se tornar uma autêntica parede de chumbo aos olhares mais crédulos