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A mostrar mensagens de 2017

Bolchevick vaporub

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A palavra do ano é obviamente bolchevismo. Podemos mesmo promovê-la a conceito, um estádio superior a que ascendem certas palavras sobredotadas, algo a que por exemplo opiniondesmaker teima em não conseguir. A maior riqueza do bolchevismo é incorporar uma ideia e sempre o seu contrário . Reparem na génese: uma maioria que era minoria. Reparem na sua afirmação: um progresso que se confirma num dos maiores conservadorismos da história. E agora a sua tomada de poder: uma revolução que afinal era um golpe, e um golpe que se fundamentava numa revolução. Querem mais? Que fazer , tenho mesmo de vos dar mais. Que ateus mais religiosos, hem I? Que puritanos mais debochados, hem II? Que intelectuais mais carroceiros e carroceiros mais intelectuais, hem III? Só não tem um piquinho de fascínio por bolchevicadas quem nunca meteu o dedo às escondidas na taça da mousse. Agora não me interessam as purgas, os gulags e os holodomores porque acabei de almoçar. Canja. É impossível não ficar c...

Decassilaba-mo, meu Amor

A Primavera vai-se embora hoje sem glória. Por acaso acompanho esta despedida com boa música, mas já lá vai o tempo em que tinha estilo falar das músicas que ouvíamos enquanto se escrevia. Hoje é muito mais difícil ter estilo. Vejam, até para se dizer que se gosta de alguém. Como é que isso se faz com estilo? Não conseguimos competir com o spotify , nem com os engraçadinhos da freguesia. Como fazer? Um poema, uma aguarela, oferecer um livro, preparar um assado, lançar uma revolução? Eram bons os tempos em que bastava ser revolucionário para seduzir, hoje termina mais uma primavera e até o pôr-do-sol por mais bonito que seja antecipa mais canícula que mamilos espetados. Não desanimem irmãos e camaradas, as mulheres voltarão a ser o que já foram quando perceberem que é melhor ser bibelot do que lenha para queimar. Vamos ao que interessa. Como recuperar uma primavera que se perdeu? Ou melhor, como recomeçar o que nunca terminou? Como dar o braço a torcer sem doer muito? Como mostrar ...

O anti tweet

Um pouco de desprezo pela sobriedade nunca fez mal a ninguém, e o blogger está para o Twitter como a extravagante alegria meridional está para a sobriedade nublada do norte. O twitter foi feito para mentes que não podem ter muito tempo a cabeça ao sol porque a moleirinha começa-lhes logo a latejar. Aqui não, aqui qualquer frase arrastada e inconsequente nos serve de sombra e não precisamos de estar sempre em refresh. Podemos deambular pela ligeireza, cagamos para o straight to the point, e podemos beber e flirtar sem que nos venham esfregar com resgates na tromba. Aqui os Djisselbões não nos podem vir foder o juízo porque nos viramos imediatamente para uma citação da República de Platão, chamamos Nietzsche à colação e seguimos para Bingo. No Twitter temos logo que nos enervar, sacar de dois gifs e fazer umas piadas à pressa. Aqui não, aqui temos uma espécie de tweets tântricos, vamos respondendo às apalpadelas, testando as volumetrias (palavra impossível de usar o twitter...