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A mostrar mensagens de 2018

O Plot dos happy few

Vê-se que pensou em arrancar num tour d’horizon mas apelou-lhe mais o Bildungsroman , não tivesse sido uma criança absolutamente desinteressante. Temi que se tornasse num patchwork fútil mas acredito que foi resgatado pelo modelo de roman à clef em que acabou por se tornar. Não desperdiçou momentos exclusivos em huis clos , nem nenhum teaser que a inspiração lhe serviu no prato. Optou muitas vez pelo sottovoce não fosse o papel rasgar, se bem que a naïveté o terá traído nalgumas cenas, das quais apenas saía com o recurso ao close reading decorado com um ou outro hors texte . A conversation pièce em que se transformou nalguns trechos não impediu algum divertissement a unir o bas-fond   ao beau monde como se fossem duas faces da mesma moeda e a fornecer a complexidade do mundo para funcionar como pièce de resistance . Infelizmente não resistiu ao clássico melting point que todo o burlesco acarreta e nem o grand finale conseguiu compensar a falta do derradeiro punch . To...

O Homem com qualidades

Tudo aponta para que nos tornemos num novo matriarcado. Aguardo com serenidade e até com alguma entusiasmada esperança essa chegada ao poder das mulheres. Cada mulher transporta consigo a sabedoria milenar que proporcionam os actos de menstruar, engravidar, parir e amamentar. São os mamíferos por excelência e chegarão ao poder por direito próprio. Podemos dizer que milénios foram necessários para que se fizesse justiça. O tempo das mulheres quase parece mais um tempo geológico do que biológico. E aplica-se, confirmando-se, a analogia: são inflexíveis como pedra. A questão que se colocará então agora já não terá a ver com o papel das mulheres mas outrossim com o papel dos homens. O homem passará progressivamente a ser o grande desconhecido. Parte com estigmas de vária ordem: eterna criança, amadurecimento retardado, manipulável por desígnios de baixa dignidade, facilmente corruptível, agarrado aos pequenos poderes que tenha mais à mão, propenso à infantil violência, totalmente v...

DESPSICOGRAFIA

O animal feroz é um fingidor Finge tão completamente Que chega a fingir que é amor O amor que deveras sente. E os que ouvem o que diz, No amor ouvido sentem bem, Não a grana que ele teve, Mas só a que eles não têm. E assim nas calhas de roda Gira, a entreter a vaidade, Esse comboio de corda Que se chama visa card.