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A mostrar mensagens de junho, 2011

verso à terça

Unwearied still, lover by lover, They paddle in the cold Companionable streams or climb the air; Their hearts have not grown old; Passion or conquest, wander where they will, Attend upon them still. W.B. Yeats, in The Wild Swans at Coole

e agora o elo que faltava à grande cadeia da história

Por muito que se pretenda dar ao conceito de passado um estatuto intelectualmente bonificado, será sempre à conta do futuro que se produzem as maiores avalanches ejaculatórias. Apesar da má fama do projecto, todos queremos produzir uma ou outra verdadita antes do tempo, todos queremos ter o nosso apocalipse pessoal e portátil. Por mais fatalistas que sejamos ninguém enjeita ser secretamente um pequenino fazedor de futuros e restantes providências. Como já não vim a tempo de escrever um Companion da crise, nem mesmo um simples 'desenmerde-se você mesmo em 10 lições', o melhor que posso aqui deixar é um elenco de futuropatias para o amável leitor poder escolher, no remanso da leitura descomprometida, qual se adequa melhor aos seus fluxos e refluxos gástricos; ou outros. (dicionário não ilustrado nas entradas 1387 a 1395) profecias - Tipo de abordagem do futuro em que este se apresenta protegido por uma película de celofane cósmico só transponível através de bolas de fogo ou mes...

Reverso à terça

Sócrates - (...) o prazer não é a felicidade, nem a dor a infelicidade, de modo que o agradável resulta distinto do bem. Platão, in Górgias (trad. ed 70)

música à 6ª

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verso à terça (*)

Com alma, ideias, tempo, luta Componho um homem, sou sujeito: Penso-me livre numa gruta Como pretérito imperfeito                               De era se faz o meu futuro, Será será o meu passado Como da hera se faz o muro Mais que de pedra levantado. Vitorino Nemésio, in O Verbo e a Morte (*) despachado logo à segunda

música à 6ª

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adoro-vos

leitores queridos, este será sempre o vosso blogue de companhia. Podeis estar a fazer uma sopa de espinafres ou a estender uma roupinha, aqui encontrareis sempre um tempero amigo, uma brisa morna e duradoira. Podeis estar a fazer a vossa ginástica matinal ou a soprar um incómodo pavio, aqui encontrareis sempre um algodão fofo e macio. Podeis estar a preparar o veneno para limpar o sebo de quem vos aborrece, aqui encontrareis sempre uma visão serena do mundo, algo que nem o aquece nem arrefece. Podeis estar a fazer uma respiração boca a boca, ou a medir a tensão, aqui encontrareis sempre um coração que lateja mas não fraqueja. Podeis estar preparar um verso para o manjerico ou mesmo a tomar balanço para saltar uma fogueira, aqui encontrareis sempre uma rima discreta ou mesmo o motivo para uma boa bebedeira. Podeis estar a preparar a presidência dum partido ou a dar o lustro a alguma secretária, aqui encontrareis sempre uma interjeição purificadora ou uma pepineira sem malária. Podeis es...

perverso à terça

A borboleta que poisou no teu mamilo perdeu vontade de voar Jorge de Sousa Braga, in Fogo sobre Fogo

Antes de maquilhar aplicar bem o DeSKapante

Não tendo nada de relevante a dizer sobre a extinção do bloco de esquerda, e menos ainda sobre o estranho desaparecimento da anti-matéria por alturas do big bang, ou mesmo a grande pepineira do Reno, tenho obrigatoriamente de me debruçar sobre as questões de índole antropológica que irão sobrevir no famoso caso judicial: camareira desconhecida preta vs hóspede famoso branco. Em primeiro lugar haverá que definir sinteticamente os contornos da caracterização técnica do comportamento do macho humano  face à respectiva fêmea numa geração pós diluviana e liliputiana como a nossa. O dicionário não ilustrado nas suas entradas 1378 a 1386. libertino - tipo de macho que orienta a sua enorme sensibilidade para a compreensão da volúpia que emana do universo feminino. sedutor - tipo de macho que se distingue pela interpretação minimalista do comportamento passivo do intérprete sexual feminino. conquistador - tipo de macho que aborda a silhueta feminina num ambiente de cartografia recreativ...

Receita infalível em 5 passos

para esquecermos para sempre que o sócrates existiu 1º fase - centrifugação : ao colocarmos todo o passado a girar muito rapidamente haverá uma separação natural das memórias mais pesadas. 2º fase - decantação :  canalizar essas memórias pesadas para a bateria de filtros mecânicos - como fodasses ou mesmo um ou outro puta-que-os-pariu - permitindo assim a sua segregação mais rápida e indolor. 3ª fase -  filtração: as memórias pesadas deverão ficar retidas em bolsas de nitrogénio, decoradas com imagens do Senhor dos Passos e devidamente instaladas na zona do bolbo raquidiano mais próximas do escape, ou purga, mental.  4ª fase - remoção:  as partículas mnemónicas já devidamente inertizadas serão então removidas com a ajuda de terceiros habilitados para o seu tratamento, como taxistas ou cabeleireiras.   5ª fase - certificação: Guardem as guias de transporte dos resíduos, pela vossa rica saúde, o seguro costuma morrer de velho. Trata-se dum processo pe...

música à 6ª

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Amália Rodrigues, Fandangueiro. Letra de Pedro Homem de Mello e música de Alain Oulman. [O design do video é péssimo mas a gravação sonora é bastante aceitável.]

Os sonhos de José

Este impasse a definir substituto para strauss-kahn deve-se ao forte desejo internacional de que seja josé sócrates a ocupar o cargo. Sócrates seria assim uma espécie de guterres para os refugiados maus. Tudo isto porque na semana passada josé sócrates conseguiu entrar num sonho de carla bruni (bastante sensível na sua nova prenha condição) e fez-lhe ver que se ele estivesse nos destinos do fmi o seu rebento iria sair loirinho, alto e com voz de barítono napolitano. Em paralelo, durante um sonho de josé, este conseguiu através dum pepino desinfectado penetrar no subconsciente de Angela e aproveitou para lhe deixar ao lado dum recalcamento relacionado com glândulas mamárias a indicação de que com ele no fmi seria instituído o menage à troika no qual todos os apetrechos seriam feitos à base de latex do Reno. A habilidade de sócrates em fazer de cada buraco uma nova oportunidade, onde até a minhoca fica a falar francês, em transformar um povo de anjinhos num povo de pombinhos, não passou ...

verso à terça

You worry that I will leave you. I will not leave you. Only strangers travel. Owning everything, I have nowhere to go. Prince Leonard, in The spice-box of earth