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A mostrar mensagens de janeiro, 2010

Máquina de fazer Rogérios e Evelinos (V)

Há tempos tinha perdido umas preciosas horas a debulhar uma maçaroca inconsequente chamada 'Corpos Vis' de Evelyn Waugh, mas esse acto-falho de leitura podia estar já perfeita e decentemente resolvido no meu contentor de asneiras (onde teria vasta e óptima companhia), não fora dar de caras com esta hemodiálise crítica no Expresso : « a narrativa de "Corpos Vis" é fragmentária não porque Waugh viu a realidade como fragmentária mas porque detectou na fragmentação deliberada o melhor transporte formal para as suas intenções miméticas » escrita pela vedeta blógsmica aparentemente pseudonomizada como Rogério Casanova . [fulminado por uma vertigem incontrolável de morbidez antropológica agarro no despojo de posts em livro do mesmo autor - não se preocupem, eu estou habituado a ser por momentos extraordinariamente volúvel - e constato (na contracapa) que podemos estar perante uma « escrita rara em portugal, culta, atrevida, solta, comovida e cheia de ironia » Se bem que o t...

máquina de fazer gainsbourgues (IV)

'Beck fê-la sentir-se mais confiante com a sua voz também. «éramos só nós dois em estúdio, com um engenheiro de som, e isso facilitou a intimidade e a entrega » diz-nos Belanciano, - o victor e não o arroz, - no Ipsilon, num especial gainsbourguer charlotte, menu big-beck, com molho picante e orgasmos faciais. eu bem me parecia que devia ter ido para engenheiro de som; uma profissão, diz-nos agora a nossa charlotte, que em certas condições de temperatura e humidade: pode «facilitar a intimidade e a entrega». Esqueçam a capacidade afrodisíaca dos perfumes, esqueçam o paleio marialva, esqueçam as carícias anestesiantes, esqueçam as massagens, esqueçam os banhos de chocolate quente, esqueçam as cenas de ciúmes, esqueçam tudo o que vos lavou o cérebro: apenas a perspectiva dum som mágico e patrocinado pela ordem dos engenheiros facilitadores será suficiente para obtermos o elixir que nos soltará a existência deste devastado e penitencial degredo terrestre: intimidade & entrega . A ...

Máquina de fazer salingueres (III)

Como sabemos, corre de badajoz para cá um concurso de construções na areia para o melhor busto com elogio fúnebre a salinger (a par de outro para acertar no rating da república em 2010 mas sem busto). Dada a circunstância do pessoal poder perfeitamente despachar o serviço de panegiretas dizendo que, ao defunto - que Deus tenha - lhe bastou escrever apenas um livro conhecido, mais a cena macaca do bananafish, tem sido um concurso monótono, tal como se fossemos ao casino e estivesse toda a gente a apostar no 23. No entanto, há sempre um adamastor que se destaca nos intervalos do musgo e desta vez encontrei um brinde no FJViegas , que reza assim: «Salinger, ao contrário dos políticos, sabia que as revoluções não se fazem com revolucionários (geralmente profissionais) mas com revoltados. É esse o segredo dos autores que mudaram a vida de milhões de leitores » Queria afirmar, com a solenidade que me permite a situação de estar a sentir uma apertada necessidade de passar a usar calças nº 46,...

máquina de fazer beethovenes com gardineres (II)

« é antes através da clareza dos detalhes e da inteligente gestão das tensões do discurso que a grandeza do seu génio mais se revela » diz-nos Cristina Fernandes hoje no Público a propósito de gardiner e a sinfónica de londres à volta dum beethoven. tenho de confessar que só conheço esse tal de beethoven de ouvir falar e dum presente que recebi no último Natal. No entanto, se tivesse sabido há mais tempo dessa hipótese de juntar 'clareza de detalhes' com 'inteligente gestão de tensões', hoje seria um homem muito mais completo e com fortes possibilidades de transbordar felicidade. Até ao presente para mim 'detalhe' é sinónimo de confusão e 'tensão' sinónimo de fertilizante para a estupidez. Assim, esta receita de beethoven avec gardiner fazia-me o pleno na resolução do maior problema que assola a declinação do meu actual frágil existir: 'tensão nos detalhes'. Ou seja, a vida por grosso afigura-se-me até apresentável e calma, mas se descermos ao r...

a máquina de fazer valter hugos mães (I)

«Como perceberá o leitor, ao deparar neste livro com algumas das páginas mais devastadoramente belas da ficção portuguesa recente» jms, em bibliotecário de babel e expresso O belo que aprecio mais é o devastadoramente belo. Existe o belo apenas arrasador, mas não se compara ao devastador, o devastador como que se nos interpela pelas entranhas e já vi um ou outro belo a devastar-nos até ao pâncreas, inclusive fazem ecografias a pâncreas devastados pelo belo, se bem que a médis não comparticipa em zonas acima da bexiga. A última vez que tinha ficado indeciso no que concerne a um belo, sem saber se era devastador ou apenas arrasador, foi quando li aquele livro de uma fera na selva do henry james por recomendação da inês pedrosa, que como sabemos é uma pessoa completamente refém do belo, esteja ele no formato devastador ou apenas circunscrito ao modelo arrasador. Se no caso do belo literário a pendularidade entre devastação ou arrasamento pode ser determinante para a caracterização da obr...
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queria apenas chamar a atenção de vexas

que este espaço preveligeado, vou tentar outra vez, previligiado, esqueçam, dos media, para além de ser o único espaço que voltou a falar de sofia aparicio (fechando assim o dossier anos 90) é também praticamente o único que ainda não se pronunciou sobre a figura ímpar de pedro passos coelho (*). Julgo que a mundo se pode mesmo dividir entre aqueles que sentem urgência em se debruçar sobre o fenómeno passos coelho e os que conseguem viver sem essa vertigem, se bem que, informam os sites de referência, mickael jackson destronou floribela nas pesquisas online de 2009, denotando que o gosto nacional se deslocou das mamas grandes para os narizes afilados, mas não dando boas indicações para a tendência de 2010. Entretanto envelheço. (*) queria apenas salientar que depois do fenómeno sócrates abriu-se na sociedade nacional a hipótese do 'agora tudo é possivel' que, como sabemos, já deu novos mundos ao mundo, o micro-ondas, a arca de noé, e inclusive o turbo intercooler.

adeus sofia aparício

Hoje o dicionário não ilustrado volta à casa de partida com uma breve alusão às mitologias caseiras de passagem de década (entradas 1330 a 1337) : Cristiano Ronaldo - todas as estrelas passam pelo seu momento cueca, e é assim que Ronaldo entra na década, revelando que a tanga aparecerá sempre quando o país precise dela. Não tendo as mamas da Floribela apresentado pergaminhos suficientes para elevar o gene nacional ao grande altar etnográfico, a peitaça e o rabo de Ronaldo revelam-se os activos de refúgio para o imaginário nacional. Sócrates - mito absolutamente polissémico, desde pinóquio até turbo-engenheiro, passando por desenhador de marquises - sem esquecer a votação para um dos homens mais bem vestidos a ll over the world . Portugal soube construir a figura ímpar do impossível-possível, ou melhor, do batermos no fundo fazendo-nos pensar que era o tecto. Gatos fedorentos - depois do Solnado enterrado e do Herman oxigenado, o espaço arlequínico foi ocupado agora pelos novos bobos ...

agora que o ponto G fugiu para parte incerta

É razoável aceitar - piedosamente compreender, até - que num país em que a tradição católica esteve mais enraizada e abrangendo todas as classes e feitios sociais, as reacções a valores que são mais vulgarmente associados à, soit disant , base de princípios da Igreja (instituição de índole opressora e peri-esclavagista, já se sabe), sejam mais violentas e inclusivamente grosseiras. É por isso que à pala de mudanças encalhadas nos ditos processos de modernização e actualização de mentalidades (a necessidade de vivermos actualizados é um complexo como outro qualquer) se vem assistindo nalgumas franjas (fica sempre bem dizer franjas) da sociedade portuguesa a um nível de alarvidade intelectual (para já não dizer higiética ) que no wonderful world of the portuguese blogs se pode sintetizar no espectáculo de degradação ideológica apresentado por uma coisa chamada jugular . Assim, qualquer alminha bem ou mal intencionada que quiser em poucos minutos encontrar, sem muita despesa, uma montra ...

assuntos pendentes

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pequenos nadas

feelings behind the kisses

Filipe Gusmão era um beijador. Não daqueles beijadores exibicionistas que sacam um beijo como um autógrafo, não, Filipe começou apenas a beijar por amor. Eram beijos desprendidos de qualquer intuito ou capricho da curiosidade e apenas regidos pelas leis do desejo e da ternura, puros escravos do sentimento. No entanto, com o decorrer do tempo, Filipe começou a detectar que ao beijar conseguia descobrir o que se passava no coração da mulher beijada. Dir-se-ia que tinha um dom, uma inexplicável capacidade de absorver na sua mente o banquete informativo que as papilas lhe preparavam. Ficou naquele estado entre o entusiasmo nervoso e a perplexidade preocupada, tão típico das descobertas da psicosomatização, mas concluiu que afinal estava ali um filão para explorar. Depois de ter perdido todas as namoradas ao lhes descobrir os sentimentos mais íntimos (muitos deles não abonatórios para a sua estimada imagem pessoal) decidiu que teria de alargar o observatório (linguatório ou labiatório, no c...

anjinhos papudos

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Peter Paul Rubens (1577-1640). Christ, St. John the Baptist & Two Angels . Wilton House, Wiltshire, Salisbury, England (Óleo s/ tela)

Université Cascais-Hormone

Blogueiro que não comente a exposição de orgasmos da Profª Drª Clara Pinto Correia devia perder a licença de bloga. Trata-se evidentemente do acto cultural mais importante de arranque de década e é de péssimo tom que se passe ao seu lado sem uma palavra, um gemido, um suave arfar, seja ele de apreço, de crítica, de consternação, de excitação, ou mesmo um reflexo onomatopeico dum simples «cariño m'encantas»; no entanto, apesar de protagonizar aquele que é um dos momentos mais altos da orgasmática nacional, - para utilizar o mesmo qualificativo da célebre expressão de Pulido Valente sobre o seu (dela) Adeus Princesa - não foi suficiente para que, ao googlarmos 'clara' esta, a pinto correia em apreço, não se veja ultrapassada pela 'ferreira alves' (que orgasmizará certamente muito pior) ou mesmo pela 'de sousa' (que já orgasmiza no seu estado normal). A primeira vez que vi orgasmos fotografados foi, já há uns bons anos, duma chinoca (acho que era japonesa, mas...

«nunca voltarei, toda a Rússia que preciso está dentro de mim» (*)

Mesmo para qualquer pessoa crente e que pareça lidar com o absoluto como quem come batata frita existe uma enorme necessidade (e importância) de hierarquizar os ditos 'valores fundamentais da fé'. Desde o contacto mais básico com a doutrina (sem uma doutrina a fé não passa dum pneu à deriva no oceano: serve para flutuar mas não sabemos para onde nos leva) que se deduz facilmente que entre as palhinhas ou a vaquinha do presépio e a coroação de espinhos ou uma descida do espírito santo em línguas de fogo, não pesa tudo o mesmo na balança da fé. Ou seja, o cristão, o católico, desde que se conhece como tal que teve de se habituar a balançar, a sopesar os seus valores: ele é o 'atire a primeira pedra', ele é o 'filho pródigo', ele é o 'dar a outra face', ele é o 'dar a césar o que é de césar', são infindáveis as situações que demonstram a necessidade que tem o crente em Deus de estar constantemente a dar jeitinhos no fiel da balança para manter a coi...

ornadasmo

- nada. - nada, como? - rigorosamente nada! - mas nada, em que sentido, nada, o quê? - nada no sentido em que nada é absolutamente nada - ok, mas não entendo onde queres chegar, nada porquê? - nada porque nada, ora porra, o que é que queres que eu te diga mais sobre nada!? - porque nada assim sem mais nada não significa nada, e nada precisa sempre de mais alguma coisa - mas o meu nada é um nada que se basta a si próprio porque é um nada nada nada, como não entendes isto? - se queres mesmo que eu entenda o teu nada, que até é um triplo nada, o que já é melhor que nada, preciso que me digas um tudo nada mais. - tu também te intrigas com tudo, o meu nada é um simples nada, não é nada que te possa apoquentar e muito menos prejudicar, é um nada de nada. - o nada preocupa muito mais do que apenas alguma coisa, o nada só aparece quando alguma coisa aconteceu, nada aparece por acaso, muito menos o próprio nada - mas o meu nada é um nada na sua essência, não é um nada que venha depois de alguma...

agência de gayting

novo esquema de notações para casamentos: casamento tipo BBB - homem / mulher , forçados pela convenção económico-social, cerimónia na igreja de sta isabel, sermão de 15 min do padre tolentino, copo d'água na quinta da cartuxa, bébés baptizados pelo padre seabra na igreja de azeitão ou colares. casamento tipo BB - homem / mulher , forçados pelo comezinho interesse económico e familiar, cerimónia na igreja de alhandra, sermão de 30 min. pelo pároco de turno, copo d'água no restaurante 'os ruivos' em sta iria da azoia, baptizado opcional sem acréscimo de encargos na igreja da azambuja. casamento tipo B - homem /mulher , forçados pela conveniência logística, cerimónia notarial e copo de água na quinta da Barreta, sermão anti-corrupção pelo ex-deputado cravinho, partos e flores oferecidos pelo cartão galp frota, i.v.g's subsidiados pelo fundo especial de catástrofes do oeste. casamento tipo A - homem/homem , acorrentados pelo amor desinteressado, cerimónia de simbolismo...

Dia de Reis +1

Ora a minha grande questão de índole doutrinal e parapsicológica é: qual será o momento mais certeiro para o exemplar macho da espécie humana começar a contemplar a sua decadência, esmorecimento vá, físico, vá. Ou seja, qual o momento em que isso é dalguma forma inevitável mas ao mesmo tempo, digamos, panglossicamente, saudável. Será algo com data metricamente fixada, como: os 40, os 50, (tentemos agora uma fuga para a frente), os 60; será algo que fique mais ao critério de cada um, como: a famosa meia-idade, a emancipação da prole, a indiferença da vizinha de baixo; estará mais dependente das ingratas circunstâncias, like: depois de ler os últimos livros do Roth (pelo-sim-pelo-não ofereci um a todos os meus amigos para lhes ir preparando a caminha), depois de ver um filho mais que imberbe a ultrapassar-nos numa corrida sem obstáculos, depois de mentir a primeira vez sobre o número das calças; será que está definitiva e liminarmente associado a sinais físicos, culturalmente subjectivos...

Lavores Masculinos

Para quem ainda não fez uma lista da década e esteja precisado de palavras e expressões chave para distribuir pelas suas obras d'eleição (dá para discos, filmes, atum em conserva, livros, jogos de consola, ou consolo, peças de teatro, pomadas e qualquer tipo de sortido de exposições temáticas) o dicionário não ilustrado inaugura o ano novo fazendo jus à sua máxima: muita parra e pouca uva. ( entradas 1321 a 1329 ). Há que comer o bit que o diabo htmlou. 'Uma obra conceptual' - Verdadeira especiaria de qualquer lista, tornou-se uma arma de retórica obrigatória desde que o Brian Eno se lembrou de começar a verter o ruído do seu autoclismo para débitos em conta produzidos pelos copiraites. Como tem um travo demasiado intenso deve apenas ser utilizada uma vez em toda a lista, mas se por descuido pingar uma segunda vez nunca esquecer de regar também com várias aspersões de essências de 'tamanha sofisticação' ou 'abrangência tal'. 'Visionário' - É um term...
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