Hoje apeteceu-me começar pelos doces. Pedi um gelado para começar, para me encher logo à partida. Lançaram-me uns olhares estranhos mas não passou disso, sentia-se conformismo no ar. Era um dia calmo no restaurante, mais de meia casa mas de gente sossegada, sem exigências especiais e também sem grandes intimidades com os empregados, tirando numa das mesas em que estava um tal de S. que tinha sido sócio do pai de L. no arranque do restaurante e por quem ela tinha – sempre teve - um certo fascínio. Cheguei a falar com ele uma ou duas vezes, era um tipo cheio de interesse e via-se que olhava para a L., para desgosto dela, com um carinho paternal. Hoje vivia entre Angola e cá, seguindo um roteiro muito preenchido e não se percebia bem se a vida lhe corria de feição ou apenas geria a fortuna como quem gere a gaveta das peúgas. Depois do gelado pedi uma espécie de empada de lebre, um prato com ares alentejanos e que, obviamente, não encaixou bem depois dum gelado. É irritante quando queremo...