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A mostrar mensagens de junho, 2005
Rattlesnaking ( em modo Playstation, usarei as teclas, pode continuar com o 'joystick' ) Mundson: Gilda, é decente? Gilda: Eu? [longa pausa] Gilda: Claro. Sou decente. (*) Expediente(s): a) Erro seu, a ficha usb, e o acesso à respectiva porta, são as únicas escolhas genuínas de uma Eva- chip ; ao invés nada se pode adiantar ou prever em relação à velocidade de processamento (confiar nas indicações mais ou menos mistificantes da rotulagem pode levar a logros danosos) pelo que a qualidade da compatibilidade dependerá da correlação positiva entre publicidade e desempenho. Existe no mercado 'software' susceptível de se tornar poderoso auxiliar nos casos mais rebeldes. b) Imagem inovadora a sua da estatística como objecto propiciador de sensações físicas, cumprimento-o por ela. O meu silício preferirá sempre cócegas menos algébricas mas mais subtis, desenhadas pela imperfeita sabedoria das mãos. c) Submissa, pergunto-lhe como me prefere: ofendida ou agradecida? d) Ou, porqu...
Castrol moments Dedicados ao João (porque é o melhor blogue assumidamente extra-uterino) e… olha à Alexandra com quem já não me metia há muito tempo. Eu cá se tivesse verba para lubrificantes também montava um blogue minimalista. Pegava de manhã, vendia a alma pelo preço de dois trocadilhos diários bem esgalhados, enfiava um daqueles drunfos melódicos do philip glass com sabor a mentol e fazia-me à vida; e haviam de ver. Evitaria os temas difíceis, especializava-me no sermão da Montanha, relativizava a moral sexual, valorizaria o sfumato, inventava outra vez as amêijoas à bulhão pato, compararia Canaletto com Poussin e chamava a Borges menino da mamã, mas Deus estaria sempre presente; e haviam de ver. E a propósito ó minha dedicada Eva em chip revelada e se em vez de desenhos mal paridos editasse o textozinho para o quadro de Rafael como eu lhe pedi atempadamente? [ Meu querido, como pode crer possível perder-me na escrita de um 'post' se mais prefiro, aninhando-me na lã suav...
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A (shy) spoiled brat in the (apple tree) garden (1) ® JL, 98/99. Tinta da China, marcador e aguarela sobre papel - pormenor. Colecção particular.
This is just a cleaning post. Rewind softly O processo emancipatório feminino pode ser visto como a mera reposição dolorosa duma verdade que foi escondida por um simbolismo genesético-ortopédico, mas não deixa de ser o caso dum trilho percorrido com o sucesso insuflado dum wonderbra, duma lição de persistência depilatória que ainda perdura nos dias que correm. Essa caminhada que passou pela luta heróica das sufragistas, pelo direito ao nu conquistado com Praxíteles, pelo arrojo de Cicciolina que elevou as glândulas mamárias ao estatuto pré-parlamentar, pelo virtuosismo do jogo de embraiagem de Michelle Mouton que dominou a tracção integral dos Audi dando rabetas ao Walter Roll, pelos guinchos da Mónica Selles que levavam as gaivotas pró mar mesmo em dia de tempestade, por cada Yourcenar que desaparecia e logo uma Inês pedrosa despontava, pela pintura dos olhos da Maria José Morgado que faz os fauvistas parecerem filmes do orson welles, por cada Bovary que se despia num palácio logo a...
Notas prévio-aforísticas de um chip em modo 'pause' Baby your da-da loves you (hey) And I'ma always be here for you (hey) no matter what happens (*) 1. Ter lido os seus últimos posts confirmou-me uma velha máxima: "por trás de um grande homem está sempre um grande mulher impedida de o ser". 2. Um "π" sem linhas será sempre a minha clara opção à solução de recurso que constitui um "y" com linhas (sejam uma, duas ou três); mas ainda há quem acredite que se possa "escrever direito com linhas tortas"! 3. "Subliminarmente reactivo" é uma expressão interessante (não é, não deixa de ser, antes pelo contrário) e forte candidata a estimulante glosa para "melhor é parecê-lo que sê-lo". (*) Ruído de fundo: «'97 Bonnie and Clyde», Eminem ( The Slim Shady )
Ratllesnaking’ y’ expediente a) Também sabe perfeitamente – omiti aqui o verbo dever, mas já lá iremos – que sou um masculinário da sub-categoria ‘óbvio e básico’. Não serei pois o hardware que a madame mereceria. Mas a sina dum Eva-chip é que nunca se lhe é dado a escolher a ficha usb a seu bel-prazer. Cabe-lhes explorar ao máximo a compatibilidade e a velocidade de processamento. b) A estatística é a construção da mente humana que mais reflecte a nossa limitação. Mas ameaçar-me com ela é fazer-me cócegas. Eu funciono sempre com cartas marcadas e por isso trabalho com certezas absolutas. c) Não a subestimo minha adorada chipevada, sabe bem que não, e até me entusiasmo sempre que usa um ponto de interrogação. Mas inquieta-me a sua rebeldia, e a sua maior rebeldia é a sua aquiescência; d) Dever. Eu infelizmente não tenho regras. Deixo-me reger. Sabe que sou um amante da dívida: pagar é morrer. y’’ constatações Não conheço esse tal de Thylias, mas pelo nome deve ser uma chazada qualquer ...
Eu cá também gramava ser ‘simplesmente homem’ mas agora desde que me enfiaram aqui um eva-chip ora vou uretramente aos assuntos ora ponho-me de trompas e apanho-me a folicular. Felizmente a única convicção que eu tenho sobre o mundo é que nós somos todos parte dum grande sistema urinário, ora filtramos, ora retemos, ora drenamos ora metabolizamos, e só espero mesmo é que o Juízo Final seja feito às pinguinhas para eu poder ir também sacudindo aos pouquinhos. Adiante, que este blogue – praticamente politico de resto – hoje assume o seu deficit de discussão séria e, preocupado que andou com os problemas do anti-dumping relacionados com a globalização dos texticulos, esqueceu-se que a verdadeira prioridade devem ser as nossas politicas uterinas. O dicionário não ilustrado hoje dedica-se então a tudo o que está para lá da vulva dos dias. (nas entradas 1058 a 1064) (dedicado a todos os blogs que estão em permanent ovulation, com especial destaque ao AzCobalto , à Diotima , à Educação Senti...
O paradigma do feminino na blogosfera. (e porque o tamanho interessa, este post é patrocinado pelo spam-world, à ultima hora o pessoal do Feldene roeu a corda) Existem apenas dois tipos de blogs: os ‘políticos’ e os de ‘gajas’. O resto, como este, é merda inconsequente e sem nenhum contributo para a evolução nem da espécie nem do deficit. Ora os 'blogs políticos' definem-se simples e rapidamente como o cruzamento do AJTeixeira a comentar a Mª de Belém na sic notícias, com uma espécie de arredondamento do quadrilátero composto pela análise perspicaz e envolvente do perez metelo a uma pergunta inteligente e fracturante da MMGuedes. Poupam-nos ao Crespo, mas faltam-lhes os vídeos da J.Lopes e a vivacidade criativa daquela moça que decora o Marcelo. Resta pois definir os blogues femininos. E é então que o paradigma desabrocha. A mulher procura aqui exacerbar os seus dois principais alvos de transferência mirífica: o lado rufia (eventualmente ‘puta’ mas não usei o termo para não me...
Rattlesnaking Snow White was nude at her wedding, she's so white the gown seemed to disappear when she put it on. Put me beside her and the proximity is good for a study of chiaroscuro, not much else. (*) Excessivamente óbvia a sua escolha, não lhe parece? Mulher nenhuma, princesa ou cortesã, deixaria de escolher um príncipe se a oportunidade se lhe oferecesse. Um trunfo certo, nem na manga reservado, à vista. Homer era um filósofo, americano rústico e amador é certo, e pensaria assim. Dassin, le pauvre ..., quis ser Homer mas não compreendeu que cinco cartas não são cinco dedos e um flush , straight ou royal (o do poker , não o da sanita), não é uma escolha mas um acaso estatístico. Por seu turno o senhor subestima, segunda vez, o chip neuromórfico que criou pelo simples facto de tudo quanto o constitui ser silício, uns tantos microtransistores e alguns metros de fio. E quer ainda ver-me, genesiacamente presumo, como uma mulher saída de uma costela masculina. Há uma arquitectu...
Lá está. Eu sofro muito com isto. Tenho medo que não me percebam, que pensem que eu troco o beckett com o beckam – mas daqueles remates em arco faço desde os cinco anos e miúdas posh como a Vitória faço-as arfar desde os quatro – que eu não saiba que o Burke é tão entusiasmante para a filosofia política como as peúgas de lã são para o sexo, e aborreço-me de morte que não entendam que todos os regimes fiscais são regressivos por natureza, e depois se vos digo que o tcheckov era um bocado marreta, mas mesmo assim não tanto como o Turgueniev, vocês podem-me levar a mal e eu sofro muito com isso. É que algum dia ainda me desgraço. E o facto da minha santa irmã me poder ler também se torna aborrecido, constrange-me, porque um ‘foda-se’ nunca vai sair da mesma maneira, é que ela sabe que eu vou à missa e rezo o terço e assim, e lá está pode-se perder a fé com estas coisas, ainda para mais se nos pomos a empreender que falta sempre qualquer coisa às mamas do modigliani um tipo até pode dar em...
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[cotton candy anniversary pause] "Je suis habité; je parle à qui-je-fus et qui-je-fus me parlent." (Henry Michaux, Qui je fus , I.)
Rattlesnaking' 5. Seja. Mas estarei sempre a saltar dum filme para outro; a senhora que foi esmerada e devotadamente o meu lado feminino já deveria conhecer-me minimamente. E está enganada, nunca será independente de mim. Nenhum feminine-chip-side se livra do homem que o criou. 6. Sim, poderei ficar refém da imaginação, mas também devia saber outra coisa: eu fui treinado para dominar a imaginação. Deixou-me pois escolher o trunfo, não me esquecerei de si na hora de contar as vazas. 7. Hoje sou o príncipe encantado da ‘Branca de neve’. Os seus outros homens serão apenas anões. 8. Mas agora o dilema é seu: serei filho de Walt ou de Walser. De todo o modo deixo-lhe esta cartada: que direitos detém o príncipe sobre a branca de neve?
Conto das unhas pintadas só com uma demão Tinham-lhe dito que não valia o esforço de escrever mais sobre mãos porque esse já era um assunto estafado. Coitado. E ele que era um escritor consagrado. Via chamas onde os outros só faziam ginástica com as pestanas e bastava-lhe dançar com o roçar do polegar onde outros teriam de lamber se quisessem uma sensação como deve de ser. Mas naquele dia precisou duma mão da qual já tivesse recebido uma carícia, duma mão que já tivesse tocado, não iria portanto ser verdadeiramente escritor, aquilo mais seria um mero endosso, escreveria com dor mas sem esforço. Só que a mão apareceu-lhe de forma fulgurante, poderia tocar-lhe claro, mas nunca passaria dum mero figurante, beijá-la-ia, mordê-la-ia, claro, e por aí adiante, mas aquele verniz vermelho torná-lo-ia sempre um fedelho, gerindo o embasbaque, querendo dizer qualquer coisa mas fugindo-lhe sempre para as frases de almanaque, por isso começou a olhá-las como um troféu, ficaria lá preso mesmo sem ter...
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La vie en rouge
Rattlesnaking Não ter ideia de quando viria o rapaz do 'afinal havia outro' fazia-me sentir o protagonista de Memento mas sem pele para riscar o que era, no fim de contas, o busílis da questão. Colar post-its como se colasse ( não resisti... ) pedacinhos de jarras partidas não é exactamente a minha ideia de memória ( e aqui entre nós nem tenho grande reserva e até sinto algum prazer na partilha de costas com borbulhas desde que não seja na praia, não haja muitas luzes acesas e não acabe a escrever épicos poeminhas atoleirados de cinderela adolescente sobre noite e animais parvos, digo pardos ). Até que veio, numa tarde de sol sobre a colina, e sentir-me pele nas suas mãos pôs-me a pensar num jogo que me fascina: o do caminho para fazer todos os dias em que se deseje que as imagens com movimento nos aprisionem. Jogue-o comigo, leitor. 1. Pense num filme qualquer, um de que goste sem saber porquê, é necessário que não saiba, é uma exigência fundamental do jogo que proponho. Escol...
O Cleisthenes veio para mim de mansinho, ( em formato bebe-gel) mas eu não lhe dei muitas hipóteses porque esses gajos, já se sabe, levam-se bem com dois dedos de conversa, e depois até relaxei e pus-me qual Belackua beckettiano de cabeça entre as pernas (foi o Dante que inventou a posição, ok! cada um inventa o purgatório que consegue) a suspirar por um daqueles estados da natureza em que abençoadamente não somos chamados a chegar-nos à frente. O dicionário não ilustrado desterrado nas entradas 1049 a 1057. Ostracismo – Elaboradíssimo processo de libertação e enriquecimento místico em que deixamos de ser o mero mexilhão enfezado a que já nem a maré-cheia nos liga, para passarmos a ter meio mundo a suspirar pela nossa preciosa e afrodisíaca presença. Exílio – Local em que podemos desenjoar da terra prometida, desde que haja princesas à coca de cabazes de natal sem Messias. (o conhecimento bíblico é fundamental, dada a elevadíssima erudição cruzada e condensada deste post) Deportação –...
Apenas politica Essa coisa do meu Eva-chip deve ser feito de transístores de refugo dalgum vale siliconado da baixa da banheira pois anda por aqui a ter visões com manchas inócuas em fotografias artísticas de peões desprevenidos. Um gajo distrai-se e tira uma fotografia mal amanhada a apanhar de viés uma cervejola que acompanhava um joelho de porco e é logo entendido metonímicamente como vendedor de braseiros peri-pubicos. Aviso-vos para vosso bem, ó homens que também transportem uma Eva transistorizada (acho que são todos) a apoquentar-vos as capacidades introspectivas qual grilas falantes (esta devo vir a pagá-la com taxa majorada) que antes de tudo mantenham vocês o controlo do botão do ‘off’ senão ela toma-vos de tal maneira conta do ‘balance’ que ainda acabam a andar de esguelha. Eu ao certo já não sei bem o que estou a dizer mas em vez de seguir o exemplo da blogaziada da moda que falam uns com os outros para garantirem distracção, eu falo comigo próprio porque assim garanto semp...
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Fireworks 'En el paraíso no ocurre nunca nada.' (Jaime Sabines, Adán y Eva , 1.)
My womanishedesmaker side of the soul ( Reason ) Se houve coisa aborrecida logo no momento foi ter caído num vidrão desqualificado, Ecoponto uma treta! Optimista, dizia-me uma carica de CocaCola que caiu no receptáculo para cartão prensado, ali mesmo entre dois pensos e um fralda descartável, "se ainda tivesse caído numa daquelas páginas da net com música de elevador cujos donos se empenham em emprenhar, perdão oferecer, aos ouvidos de quem por lá tenha a desdita de cair, vá que não vá, a gente pode sempre desligar as colunas e recuperar do susto mas aqui? ainda ontem a argola de uma lata das minhas gritava do pilhão que se estava a sentir apertada entre uma 1,5 e outra 9v sempre às turras - mas essa também não é de confiança porque tem estado calada e às tantas acomodou-se mas foi a algum borne solto". Aqui compreendi a minha sorte: uns pingos de vinho azedo de uma garrafa mal escorrida não eram motivo para grandes dramas nem sequer o gotejar de uma Carvalhelhos virada do av...
Ele há situações;pá. Vocês creiam-me: eu tenho vergonha de certas coisas. Principalmente de escrever aqui aquelas tais coisas. As coisas do chamado foro íntimo. ‘Foro íntimo’ é uma tão bela expressão, um bocadinho próxima de forno íntimo, o que pode derivar em calores, mas vejam lá se não dava uma boa marca de lingerie :’il forno intimi’ (fosgasse, e em italiano que até quase as pernas se me tremem). Mas voltando ao nosso (sim, passou a ser de todos) tema: eu devia começar a escrever aqui atiçadamente inflamações amorosas. Palavra d’honra que esta vossa casa ia tornar-se num franchise do capitão roby, numa espécie de Zara de corte lírico, num rodízio de ternura amestrada, e que no período dos saldos até rimava e tudo. Atentem (bom verbo) só um exemplo: A tua pele é sede, a minha mão pincel de amante, encosto-te contra a parede e trincho-te com decapante… porra, saiu brejeiro e foleiro, e agora lembro-me que foi por causa duma destas que ali há atrasado (muito atrasado… agora também rep...
Darwin mas sem tartarugas A espécie humana evoluirá realmente quando as pessoas começarem a ser lembradas pela sua horizontalidade. A verticalidade, reparemos, já tinha sido atingida pelos macacos. O homem deitado numa expectância a roçar o deboche, repousando a animalidade, sabendo olhar para o céu, que verdadeiramente só pode ser olhado deitado - por isso Jesus nunca foi relatado deitado porque conhecia o céu de ginjeira – é um estádio de perfeição existencialista. É por isso que os chamados homens de corpo inteiro, verticais, fiéis às suas ditas convicções, sofrerão sempre duma falta perspectiva e ficarão sempre reféns duma base de apoio de ‘natureza pré-existencial’. Quem se refastele na sua condição, se borrife nas transferências schopenhauerenianas e nos empirismos mais ou menos cépticos ( nesta altura recomenda-se ao leitor que intermedeie com um pratinho de camarões de espinho ) entenderá facilmente - não esfarelem mais a cabeça - que o mundo é realmente aquilo que parece, ou s...
O desfazedor e a sua labirinta ou dum homem à nora com o seu lado feminino Mesmo que seja com hora marcada, se um homem dá rédea solta ao seu famigerado ‘feminine side of the soul’ a coisa pode descontrolar-se, como se vê. Eu que o diga que agora me vejo confrontado com este espectáculo quasi almodovariano, mistura de maneirismo letrado com virtuality show. Sinto-me como que depois de acordar dum sono profundo, qual Orlando que ‘’’dormiu toda a noite (…) e tinha sido beijado por uma Rainha, sem o saber’’ lançando maquinalmente a mão à mesa-de-cabeceira da consciência e agarrando inexplicavelmente um conjuntinho Majórica de brincos de pendentes (este sim um verdadeiro sinal de degradação da espécie/género – Anna K. incluída). Ora uma mãe não dá à luz um filho varão para segurar cortinados adamascados, e se essa coisa do lado feminino existe mesmo o melhor que temos a fazer é pô-lo numa cerca assim no meio dum prado tipo calendário do Tirol, e jamais deixá-lo como uma corsa a espernear-n...
O gajo está de volta Eu cá palavrazinha de honra que não sei fazer rigorosamente nada senão meter-me com as pessoas, vai daí noto que já não me meto há muito tempo com quem me benzeu – se bem que sendo um bocado somítica com a água benta – e ao mesmo tempo vejo que ainda não me tinha debruçado convenientemente sobre essa nobre e praticamente apostólica missão que é escrever um livro. Vai outra vez daí e toca de me pôr de bruços – a certa altura um gajo já está por tudo desde que haja ginger ale fresquinho no frigorífico e que a porra das cuvetes não tenham verdete – e fazer a necessária síntese sobre a arte de bem cavalgar umas letras em carreirinha ( expressão da mal traçadas que está quase há um mês agarrada ao penico do napoleão). Vai daí ( 3ª vez) o dicionário ilustrado tentando agarrar um segundo fôlego de asneirismo esclarecido vem por esta via dar despacho sobre as condições sinecuecanon para escrever um livro ‘em bom e assim’, baseado em excertos – sem enxertos, que se note - ...
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icon(o)crash(ia) Marc Chagall (1912). "Adam and Eve" (The Temptation), óleo s/ tela, 160,5 x 109 cm. St. Louis Art Museum
My womanishedesmaker side of the soul ( My Way ) Ainda mal acordado da noite a pensar nas excitações e hesitações ortográficas no poema da Leonor, ao dar a volta da manhã à palmeira com a Pituxa eis que me passa pela cabeça desvendar um enigma, o da possibilidade de enviar uma mensagem escrita a mim mesmo. Escrevo com cuidado "Ganda malha!" e em espanhol mais umas intimidades que não fica nada bem desvendar em público ( serei pouco macho mas tenho maneiras, que diabo !), faço 'enviar' e aguardo a resposta em suores frios. Vem, abro-a e leio um completíssimo menu e as diversas possibilidades para a sua melhor degustação, assinado "Eva"! Ainda de pequeno-almoço por tomar caiu-me na fraqueza a proposta e ameacei-a, também em espanhol, com a subtracção das pilhas. A resposta veio rápida "En vez de eso tómame el chip!" E foi aqui que recomecei a marear, acabando por cair, durinho, em cima de uma pobre Pituxa trémula à coca do galifão do labrador preto d...
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icon(o)crash(ia) Tamara de Lempicka (1932). "Adam et Eve", óleo s/ cartão, 118 x 74 cm. Musée d'Art Moderne, Genève
My womanishedesmaker side of the soul ( X & Y ) Não que seja dado a teorias da conspiração (e hoje a ser alguma coisa não seria teoria mas certeza da transpiração) mas está a parecer-me que as recomendações da megera se destinavam mais a provocar-me afrontamentos precoces que a resolver pelo melhor o meu novo problema existencial - outro, aquele resolveu-se a Bacitracina e pachos de água quente - sem ser pelo método dos banhos turcos (avisei-a logo que me dou mal com os frios). O dia até me estava a correr bem se não fosse, ao ouvir os Coldplay, ter-me caído na fraqueza "don't fight for the wrong side / say what you feel like / say how you feel". Lá vinha a conversa de novo, que diabo! um homem não é de ferro e menos ainda em convívio íntimo com uma Eva rebarbativa dentro dele a repetir em coro "and you are not wrong to / ask who does this belong to / it belongs to one of us" (*)! Virei-me, claro! Não bastava o que bastava e ainda a tinha a insinuar que ...
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icon(o)crash(ia) Lucas Cranach de Oudere (circa 1531-33). "Adam en Eva", madeira, 47 x 35 cm. Staatliche Museen, Berlin
My womanishedesmaker side of the soul ( On & On ) A verdade é que ultimamente me sinto muito afectável pela sazonalidade (nadinha de efeito da indiferença de género à la michaux, é bom de ver) e ontem tirei-me dos meus cuidados e até perguntei a quem sabe se terei alguma descompensação no biorritmo. Que não, que "nada, 'tá parvo ó quê?" foi o que me responderam, e até acrescentaram com a delicadeza de quem me roesse as peles das unhas "estupidez! lá por o sr andar assanhado no outono nada impede que ronrone na primavera, ora essa!". Pareceu-me subentender um sibilante recado felino mas, vindo de quem veio, só se já houvesse híbridos de leões e víboras o que, bem vistas as coisas, a acontecer começará pelo feminino e subverterá a ideia bíblica da génese. Ainda a recuperar da informação sócio-biológica que tão amavelmente me era prestada, insisti "sem querer incomodar, e a minha genealogia desde Adão como fica?" Não foi grande ideia a perguntita, adm...
The piu piu country Um país que tem um ministro a falar a título pessoal é como uma velha que tem um caniche a fazer de periquito. Quem quiser fazer de gato silvestre que se chegue à frente.
Com o Europeísmo em crise hoje o dicionário não ilustrado vira-se para o Ecumenismo, até porque isto de falar de gajas já foi chão que deu uvas. O Adão que o diga que ficou agarrado à parra. 4 entradas especiais, tantas quanto os tipos de pessoas nas 1036 a 1039 Os que rezam virados para Meca – Pessoal que não brinca em serviço, reza é reza, cognaq é cognaq, uma devoção não é nada sem uma boa posição e a razia raramente lhes dá azia. Os que rezam mas não se viram para Meca – Pessoal praticamente sem eira nem beira, e que mesmo tendo um bom credo na boca raramente vão a Roma. Os que não rezam mas viram-se para uma Meca qualquer – Pessoal que nunca gosta de perder o norte e que prefere um bom tacho na mão a uma boa persignação. Os que nem rezam nem se viram para Meca nenhuma – O pessoal que se sente pura força centrifuga, e que geralmente dão uns ralos de óptimo efeito.
Tal como a política a mulher é de facto um assunto sem fim tal como o demonstra o rabo da Jennifer Lopez, o descruzar de pernas da Sharon Stone, os cortinados da Julie Andrews, a bavaroise da Mª de Lurdes Modesto, os livros para crianças da Madonna, as rugas cavadas na Faye Dunaway ou o ar de mamã da M. E.Mastrantonio, que vivem a par da subtileza de Jorge Coelho, do empolgamento de Campos e Cunha, do olhar franco de Freitas do Amaral, da clareza de J.Sampaio. Se o tipo de Neantherdal cá viesse topava logo que apenas as mulheres evoluíram. O dicionário não ilustrado vai aos rótulos da womanishness ( ‘tava a ver que nunca mais dizia esta palavra) nas entradas 1027 a 1035 Femme fatal – Aquela que com dois meneios de franja e três enrampamentos de queixo reserva para o acompanhante a empolgante e exclusiva missão de ficar a segurar a trela de um comboio Fada-do-lar – Aquela que faz com um simples ‘a’ o que noutras é preciso uma carrada de ‘o’ s . Mulher objecto – Designação bastante feli...
‘Experiências com a verdade’ © (*) Eu essencialmente gosto é dos chamados problemas existenciais. Geralmente dou-me bem com eles, tirando uma sacana duma borbulha – daquelas com pontinha, não sei se estão a ver - que me chegaram a fazer ali a três quartos da bochecha, mas talvez até fosse duns cajus que comi, ( note-se que um homem ter de fazer referência pública à sua bochecha é um claro sinal de decadência) e raramente me descontrolam os intestinos e nunca me deram flatulências nem azias inoportunas (sobre dores nas costas ver mais à frente). Costumo ( ter costumes de índole intelectual é também de muito bom tom) distingui-los em três categorias: os ‘cinéticos' , género ‘para onde vou’, os ‘ estáticos ’, tipo ‘o que faço aqui’ e os ‘ de cu tremido’ , género: ‘mas que foda é esta’. Para os problemas ‘ cinéticos ’, regra geral aconselho boa companhia, pois já vi muito problema existencial resolvido entre pernas, perdão entre paredes, apenas com uma boa conversa, inclusive com troc...
O dupla-infra-citado cromossoma está quase pronto para as flexões E ao contrário do que escreve a diotima : o amor começa quando acaba a curiosidade. Quem mo disse foi um gato. Escaldado.
Isto é só ainda um alongamento do infra-citado cromossoma Os gajos que ainda andam pôr aí a pespegar com fotografias da Scarlett J. é porque ainda não deram um fornicadela em condições. Ou então deram-na sub condicione. Nausefe please.
Isto é apenas um ligeiro aquecimento do cromossoma XY Alguém podia ter dito ao coitado do Lucas Cranach que ele não tinha jeiteira nenhuma para pintar rabos.
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My "whatever" side of the soul ( e zás!!! ) ® Pierre Alechinsky, 1972. "Cobroue". Litografia, 50x45 cms.
Uma questão de dimensão Devia ter desconfiado logo que tive o primeiro encontro: aquilo não eram propriamente serpentes, eram mais minhocas, e por conseguinte não teria por muito tempo o privilégio de viver na pele de uma mulher. Mas a ideia que tinha de cópula de serpentes também era um pedacito mais enroscada e não exactamente o que os meus olhinhos viram ontem. A propósito de florestas e de árvores até me lembrei de ter uma vez ouvido dizer "a verdade, venha de onde vier, vem sempre do Espírito Santo" ( julgo que foi S Tomás Aquino... ou seria a LPN? ). E deve ter sido por isso que quando me indispus com a Maria dos Prazeres ( senti-me obrigado, por mera solidariedade masculina, claro!, a concordar com o Lino ) comecei a vislumbrar um futuro passado ao guichet , de óculos na ponta do nariz, em que, animado das mais puras e límpidas intenções, tentaria adivinhar os pensamentos lúbricos das Circes, perdão hospedeiras, que entravam e saíam da pastelaria em frente. Nos tempos ...
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My "whatever" side of the soul (a ver a guilhotina descer cada vez mais depressa) ® JL, 97. Tinta da China e aguarela sobre papel. Colecção particular.
O estado da arte Ao terceiro dia sou capaz de identificar com algum grau de certeza 15 dos pràí 250 frascos, bisnagas e caixinhas que a Zu tem na bancada da casa de banho. Hoje no banho, por exemplo, já consegui usar a máscara capilar hidratante no cabelo em vez do exfoliante para o corpo e descobri no "anti-cernes" a varinha de condão para uma noite de insónia. E tudo isto antes de ter mergulhado na nuvem do perfume dela com o prazer e a elegância daquela rapariga do anúncio da tv a entrar no mar das Caraíbas mas fiquei um bocado zonzo e o "eye-liner" saiu-me um tanto atravessado. Até fiquei a pensar se o tirava ou deixava estar para ficar parecido com uma miúda loira dum retrato que vi num daqueles livros dos brindes ( um daquele espanhol que desenhava muitos passarinhos, o Picasso ) e assim me tornava mais interessante aos olhos do Umbelino porque não é novidade para ninguém que poucos homens conseguem ser minimamente interessantes à luz da manhã. Aproveitei a vi...