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Pesponto à vista Quis exercitar outra vez esta transexualização pela via do ‘sign in’ feminino, tomando-lhe o gosto só mais esta vez, procurando, quem sabe, novas sensações, viver o que Tirésias viveu sem precisar de reflexologias avulsas, e até nem estou a desgostar, até parece que a Emily penetra mais fundo na alma, consigo ver uma telenovela com outra abrangência, sei lá, saem-me mais fluidas as metáforas com sanefas, com varões e com cortinados, afasto-me selectivamente das esquerdas cruzadas a uma mão e cheias de top spin, ou dos brincos da Sharapova, ou da associação nacional de farmácias, enfim, são sensações editoriais diferentes, nem é que me esteja a dar para falar de miudezas ginecológicas, nem sequer senti o apelo ao amor cinefilizado, ou à pintura metafísica italiana, há uma outra ligeireza despreocupada no vocabulário reflexivo, sim, talvez um pouco mais de vertigem para dar nas vistas, mas também nada de mais, não é de se apoquentarem. Sou até levado a aproveitar esta ra...
Apenas desarejando Visto que está, que o que safou esta coisa foi o aniversário do Aviz ter sido hoje, e o bronco do Scolari lá lhe ter feito o jeitinho e posto a jogar o pessoal do FCPorto - se fosse amanhã estávamos lixados - acho que de bola estamos conversados, e agora para desopilar vou arremessar com o Baudelaire que escrevia assim no “L’ Irréparable” Dis-le, belle sorcière, oh! dis, si tu le sais, À cet esprit comblé d’angoisse Et pareil au mourant qu’écrasent les blessés, Que le sabot du cheval froisse, Dis-le, belle sorcière, oh ! dis, si tu le sais Ora o que é que me fez saltar para aqui, tirando o facto de não me apetecer falar de bola, a não ser para dizer que o Scolari devia devolver já todos os ordenados que andou a receber estes dois anos, e dar para um fundo de apoio a bloguistas-treinadores-incompreendidos-e–mal-pagos, bem, o que me trouxe até aqui foi a constatação da necessidade que todos temos de uma bela feiticeira, que nos mantenha o espírito sempre atento e confi...
Humor muito nublado Pode ser triste mas é verdade. Nunca me ri com nenhuma comédia grega. Nunca me comovi com nenhuma tragédia grega. Nunca me empolguei com nenhuma epopeia clássica. Não me estico tanto como Baudelaire que diz que « é em “nós” cristãos, que reside o cómico », só que acho de facto que essa "gregalhada" toda bem pode saciar a nossa sede referencial, mas depois sabe a pouco. É como um esquema de abcissas e ordenadas: pode-nos indicar às quantas andamos, mas que raio não nos ensina a derrapar nas curvas, nem a fugir com o carro da valeta aliviando uma sacudidela de traseira. (A ignorância é atrevidota, também é certo...) Talvez fosse a falta da televisão que lhes conferia essa sensaboria. Hoje Aristófanes se tivesse acesso à TVI e às entrevistas da MMGuedes, talvez “As Nuvens” fossem diferentes. Arrisco numa mimesis de vão-de-escada. Soares pai tinha mandado Soares filho à escola socrática do Sousa Tavares. Soares filho seria instruído para resistir aos credores...
Olha, que se lixe Ô femme dangereuse, ô séduisants climats! Adorerai-je aussi ta neige et vos frimas, Et saurai-je tirer de l’implacable hiver Des plaisirs plus aigus que la glace et le fer? Baudelaire, “ Ciel Brouillé ”.