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Um autor [e dois emplastros] à procura dum personagem

Lobo Antunes anda completamente em brasa. Sousa Tavares e Pulido Valente elegeram-no como espécie de subject of understanding e declararam que ALA nunca tinha criado um único personagem de jeito em toda a sua obra, sendo assim um escritor falhado. (*) Ora ALA não se conforma, e há mais de um mês que se fechou num rés-do-chão ali para os lados da Póvoa de Stº Adrião procurando uma personagem que seja definitiva e que, pelo menos, cale aqueles dois invejosos (entre os mais de dois milhões que nunca conseguiram acabar um livro dele) e autênticas línguas de trapos. ALA, que depois de ‘ter lido um fellatio fabulosamente descrito por Jackie Collins’, ficou incapaz de escrever sobre sexo, e que certamente não esquece que o seu querido Conrad escreveu que ‘as mulheres são alheadas da verdade e vivem num mundo próprio’, pensa estar agora destinado a criar uma singular personagem feminina, uma mulher de excepção que faça esquecer Kareninas e Bovaries, Salomés e Penélopes, mas que ao mesmo temp...

e o nome dele é antónio

O único livro que li inteiro do Lobo Antunes foi 'Os cus de Judas', e fi-lo já com uma persistência a roçar a experiencia religiosa limite; todos os outros que experimentei tive de abandonar porque me davam dores de cabeça, realmente a zona mais frágil do meu corpo, tirando as costas e considerando que já me desfiz de parte da tripa. No entanto, sempre fui fã das suas entrevistas, julgo inclusive que se trata duma categoria que falta ao Nobel e que podia perfeitamente substituir o da química, não vejo mesmo qualquer interesse pessoal no nobel da química e se alguém tiver algo a dizer a favor do nobel da quimica faça obséquio. E isto tudo porque acabei de comprar o livro de entrevsitas do proto-nobel das entrevistas, e agora encontrei a citação olímpica que me faltava: «Somos assim: pequeninos e feios. E eu gosto». Antunes, you are a wolf.
Luna Park «António. Que raio de nome, António. Eu devia era chamar-me Wladimir!» Antº Lobo Antunes em ‘Cartas de Guerra- d’este viver aqui neste papel descripto’, 3 julho de 71 (aludindo a uma das personagens de Beckett em ‘à Espera de Godot’)
Encomendam-se passados, paga-se com futuros. «viver é sempre escrever sem borracha, não se pode emendar o que ficou para trás; se {o remorso} pudesse, ao menos, ajudar a remendar o que fica para a frente já não seria mau» A.Lobo Antunes ( DN, 21 de Outubro de 2000)
Assim-assim Lê-se numa cónica de António Lobo Antunes :" Provavelmente estamos todos mais ou menos assim-assim na vida, dado que a existência é a arte do inacabado que a morte interrompe de súbito como uma piada de mau gosto, a maior parte das vezes na altura em que principiávamos a habituar-nos ao desconforto da cadeira dos dias pelo facto de confundirmos resignação com sabedoria e desinteresse com paciência". Lúcido. Mas..., e quando resignação e desinteresse são a única sabedoria disponível. Bem... nesse caso... paciência. Não é bom, mas é assim-assim.