wicked games «Ver, ouvir e calar»
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A mostrar mensagens de abril, 2007
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As Broncas de Caná & Os Mexilhões no Templo É de fácil constatação que as melhores considerações sobre Deus vêm daqueles que supostamente não acreditam nele. Não seria difícil arranjar meia dúzia de boas explicações para isto, e, tivesse esta tasca um patrocínio em condições, chegava-se à dúzia de Nietzschezadas devidamente Freudadas sem esforço. No entanto, a mais interessante é a que se prende com isto: o crente, lá no fundo, é um lamechas vaidoso, e, em vez de fazer o servicinho de tentar definir Deus com um paleio em condições, passeia a sua fé que nem Nuno Gomes passeia o penteado, ou seja, absolutamente focado nele, alheado de tudo o resto, perdendo-se contemplativamente na parte mais religiosa do futebol que é, como bem sabemos, o chamado ‘último terço campo’. O crente tem também outro problema de natureza prática que se prende com o seu ‘complexo apologético’( mais Junguiano, registe-se): é instado a convencer, a atrair, a proselitar e pode inclusivamente acanhar-se ao lh...
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cid'ar, só m'apetece (comparações ainda sob efeito do Portugal dos Pequeninos ) (...) Há muito, muito tempo / Eras tu uma criança / Que brincava num baloiço / E ao pião (...) Há muito, muito tempo / Era eu outra criança / Que te amava ternamente / Sem saber (...) Há muito, muito tempo / Tu e eu duas crianças / Que brincavam num baloiço / E ao pião (...)
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tempo «A memória da maior parte dos homens é um cemitério abandonado, onde jazem sem honras, mortos que eles deixaram de amar. Toda a dor prolongada insulta o seu esquecimento.» - Marguerite Yourcenar in Memórias de Adriano (Ulisseia, 1981) Albinoni - Adagio em G minor (Berlin Philharmonic, direcção Karajan)
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Berlinde date Conheciam-se de ouvir falar. Tinham-se tocado ao de leve num sonho breve e influenciado por uma música ligeira. Mas o momento tinha chegado e as suas mãos acabaram por se ir juntando com os tremores adequados à situação. O indicador dela pareceu-lhe uma obra directa de Deus, e o anelar dele foi uma visão de vício, a visão de uma carícia que um dia chegaria; mas antes de começarem a apreciar polegares os olhares cruzaram-se, sem um pestanejo, sem uma hesitação, pareciam dois bagos que tinham vivido sempre no mesmo arroz malandrinho, pois os sonhos serão sempre a melhor apresentação, tal como a imaginação é a melhor fornecedora de formigueiros. Ela pegou na pequena esfera de vidro e deixou-a cair, falhando a estocada propositadamente, estava ali para que ele lhe pegasse na mão e depois a levasse onde o Deus da física quisesse. Ele tinha umas mãos estranhas mas pareciam feitas para domar aqueles berlindes vadios e caprichosos. O suor começou a lubrificar-lhes a inocência e a...
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Pina Zita Moura Seabra, SA O grupo de ‘desiludidos’ do Partido Comunista Português há muito que devia constituir uma bolsa preferencial de contratações para as empresas de head hunting . Tratar-se-ão de pessoas extremamente bem treinadas a viver focadas em objectivos, obstinadas, alinhadas na perfeição em cadeias de autoridade e responsabilidade, tão preparadas para a confidencialidade como para a propaganda, relativizadoras compulsivas de meios visando a absoluta concretização de fins, eficazes no manuseamento da memória selectiva, excelentes manipuladores da vontade alheia, habituados a fazer desabrochar novas necessidades concretas onde apenas marinavam meras ideologias longínquas, rotinados tanto a viver confinados a nichos fechados e protegidos, como a alastrar em meios improváveis e adversos, tão exímios organizadores como conspiradores, tão exímios a estruturar como a confundir, tão enguias como touros, rigorosos e implacáveis. Uma escola de gestão, sem alvará.
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Deus nos livre Sempre dissemos que éramos uma nação que confiava, e depois se desiludia, demasiado com os sebastianismos. Mas a história recente mostra-nos que não são tanto os sebastianismos que moveram o nosso povo sufragante, e sim antes o que-nos-livraísmo. Soares livrava-nos dos comunistas, Cavaco livrava-nos de Soares, Guterres livrava-nos de Cavaco, Barroso livrava-nos de Guterres, Sócrates livrava-nos de Santana Lopes, Cavaco voltava para nos livrar de Sampaio, enfim…a democracia livrava-nos da grande noite, a CEE livrava-nos da indigência, o diálogo livrava-nos da surdez arrogante, a tanga livrava-nos do pântano, o reformismo livrava-nos do ramram, Os ingleses dos franceses, o Nuno Alvares Pereira dos Espanhóis, O D.Pedro dos absolutistas, o camarão de Espinho dos caracóis, o Rui Veloso dos fadistas, a Mª José Morgado do Pinto da Costa, o salmão fumado do bacalhau em posta, a liberalização livrava-nos do crime, bem, perdi-me.
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troco uma de ‘geração perdida’ por duas de ‘esperanças adiadas’ Caiu em desuso a utilização do conceito de ‘a reserva da nação’ . Pode ser porque já se tenha consumido tudo, ou por se ter desvanecido com o esfumar de fronteiras nas zonas de palermice demarcada. Afinal o pântano era apenas o charco na maré vazia.
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assino por baixo e por cima destas palavras « há gentes que me odeiam que dá gosto » (mas, para assinar de nome todo - ah! - ainda acrescento * e substituo **) mind, mind me. i do love it. especialmente quando constato que há quem há anos siga tudo o que escrevo aqui (*), só para espumar. que paixão, gentes. não percam já a esperança de serem correspondidas/os. pode ser que um dia. (pensando melhor, e atendendo aos últimos desenvolvimentos, estou a pensar, em vez de o mandar já para o céu ou para o depósito municipal ou lá o que é, leiloar o meu aspirador (**). licitação para o mail aqui da tasca) (*) e, ah poizé !, xacáver ... ali e ainda o que digo além ... obladi oblada life goes on bra lala how the life goes on... (**) pastor
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E agora um flic flac à rectaguarda O regressado Eduardo Prado Coelho, ainda em regime de aquecimento, hoje, no Público, e a propósito da ambivalência da expressão ‘seu’ (uma das estrelas do affair inglêstécnicogate) diz que esta tanto poderá significar ‘máxima proximidade’ como ‘máximo distanciamento’ - ambivalências destas que até Freud já teria explicado e Picasso pintado (esta acrescentei eu). Este toque entre extremos povoa a nossa vida desde o mais comezinho até àquilo que ela tem de mais profundo, desde o que ela tem de mais óbvio ao que ela tem de mais misterioso. Evitando trazer para aqui o mecanismo ‘do religioso’ (Deus será por excelência o ser mais próximo e mais distante em simultâneo, e isso determinará a enorme diversidade que apresenta a relação que os homens têm com Ele) penso que nas relações humanas mais intensas também se vive essa estranha realidade do quanto mais próximo mais longe. E isto porquê? 1) Porque, ao não haver amor/amizade sem posse (o ‘seu’, lá está), e...
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Onde andas Eva? Um dos efeitos colaterais da chamada ‘emancipação da mulher’ é que hoje já não há mulheres verdadeiramente românticas, mulheres que gostem romanticamente, mulheres genuinamente atormentadas por uma paixão arrebatadora. Aquela ideia peregrina instalada de que as mulheres para lhe serem reconhecidas competências, ditas profissionais, se têm de esforçar mais do que os homens em semelhantes circunstancias, mesmo que tenha alguma verdade encavalitada, foi produzindo mulheres mais amargas, mais desconfiadas, mais camufladas, mais ironificadas, mais desbovaryzadas, mais deskareninezadas, mais descarletteo’harizadas; hoje, por exemplo, Baudelaire dedicar-se-ia a fazer anúncios para a super bock, Ingres pintaria costas de cadeiras, ou henry james iria mesmo desesperar para escrever uma linha que fosse sobre uma mulher apaixonada, porque, isso, na realidade já não existe, é coisa do passado; hoje a mulher é um espécime antropológico-social, um objecto de estudo para o António Bar...
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E isto tudo porque está aqui a Maria João ao guinchos na televisão com os restos duma árvore de natal guatemalteca espalhados pelo cabelo Há agora um tema delicodoce para decorar a crise académica de são bento, trata-se de ir falando dos professorinhos que tivemos nos tempos idos do liceu, os que nos marcaram e assim. Ora cá eu – Pedro Nunes, anos 70 (ai credo uma inconfidência) – só me lembro que as professoras se apaixonavam todas por mim, em especial as estagiárias de História, tirando uma morena cujo namorado tinha uma mota Ducati, mas também, na altura, o mais parecido que eu tinha com uma mota eram umas calças de ganga da wrangler; adiante, não era este o tema. Existem duas formas levianas de abordar a realidade: ser-lhe indiferente ou escarafunchá-la. Os diazinhos que correm demonstram isto à saciedade. Constato que em relação a Deus se passa um pouco o mesmo. Há também uma justa medida para nos metermos com Deus. A reforma protestante-evangélica veio colar-se um pouco ao ateísm...
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dreamworks Sentia-se uma personalidade tão rica que decidiu fazer carreira como personagem de sonhos. Chegou então a acordo com um consultório de psicanalistas para participar activamente nos sonhos dos seus pacientes, e, segundo programas bem definidos, apenas cobraria com base nos resultados obtidos. Só pedia dispensa para esquizofrenias violentas, porque lhe faziam mal à vesícula, e evitaria a todo o custo neuroses obsessivas porque lhe secavam muito a pele depois da barba. No resto, seria pau para toda a colher, fosse sonho de homem, fosse de mulher. As primeiras experiências foram até muito promissoras. Fez logo de playboy nos sonhos duma semi- anoréxica, que reprimia um amor mal consumado com um primo muito afastado e experimentava tosse convulsa quando a humidade lhe atraiçoava a decência. Pois foi um instante enquanto a moça começou a acordar com suores mornos, e depois da terceira semana já estava a beber néctares de fruta a meio da noite. Ao fim de dois meses, depois dum sonh...
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Podem parar os fundos estruturais, já não precisamos Alarmada com tanto assunto, a Ordem dos Humoristas reuniu-se de emergência a fim de estabelecer um critério que guiasse esta comunidade sem ela se perder no seio duma realidade tão prolixa, tão rica. Desde que Macário Correia deixou de lamber cinzeiros na sua cruzada anti tabágica que a quantidade de situações anedóticas do país não atingia níveis tão preocupantes, se excluirmos a literatura erótica do José Rodrigues dos Santos. Para começar haveria que distinguir o que eram piadas urgentes e o que podia perfeitamente esperar um diazinho ou dois antes de se espremer. Que piadas seriam para tratamento ambulatório, e assim poder-se-iam arrastar uma semana ou duas, e quais as piadas que exigiriam imediata intervenção com internamento em suplemento ou reportagem criados especificamente para elas. Piadas em que se exigia o total e explícito esmagamento dos visados, ou aquelas em que estes ainda ficavam sem saber se estavam a ser gozados ...
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uma questão de escol(h)a - Já viste mais esta acha para a fogueira de disparates que tem vindo nos jornais? A única diferença entre Lisboa e Badajoz não são só, e só mesmo!, os caramelos? -Ah, não, nem essa!, diz a minha amiga aqui ao lado, por cá também se arranjam, dos melhores e a muito bom preço, no El Corte. E sempre se poupa nas deslocações. [Por falar em proximidades: o router do meu vizinho é muito bom e sai-me muito em conta]
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As (melhores) declarações de amor de Março Leonard Cohen , no primeiro disco da sua carreira, e em ‘ Hey, That's No Way To Say Goodbye’ , arranca num lirismo rimado, bonito, lembrando amores madrugadores, e termina com um dos paradigmas mais duvidosos da relação amorosa: a complementaridade; canta assim: «I loved you in the morning, our kisses deep and warm,/ your hair upon the pillow like a sleepy golden storm,/ (…) walk me to the corner, our steps will always rhyme/ you know my love goes with you as your love stays with me, /it's just the way it changes, like the shoreline and the sea» Depois a mítica Karen Dalton (quem não adora a Karen Dalton nem merece ser fóssil daqui a 300.000 anos) diz praticamente tudo o que o amor tem que se lhe diga, com uma das vozes mailindas que o mundo viu nascer: «Take me to Siberia /And the coldest weather of the winter time,/ And it would be just like spring in California /As long as I knew you were mine» em ‘ Take Me’ Isto é tão bem cantado,...
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fábulas e títeres (*) Era uma vez um rapaz que queria ser tigre e, risca a risca e rugido a rugido, lá foi cobrindo a pele e afiando os caninos. Não era mal agradecido, bem pelo contrário: guardava todos os dias um bom pedaço de erva fresca e tenra para a ovelha que o aleitara e chegava até a fazer vista grossa a pequenas falhas e desleixos. Um dia encontrou-se com os cães de fila mas, ainda assim, não quis deixar de ser tigre. Só havia uma forma de escapar à ira dos cães: pediu a um gato amigo ( o bom coração não lhe permitiria sujar as mãos de sangue ) que sacrificasse a ovelha já manca, com cuja pele cobriria as riscas ostensivas até acabar a travessia pela matilha ( ao cuidado de quem deixaria a carcaça da ovelha a dar ainda farto alimento em caldeiradas e assados vários ). Quando deixasse de escutar o som dos latidos poderia finalmente despir-se de incómodos e voltar a luzir riscas e caninos. O guião da peça era perfeito. Não fora os robertos serem toscos ( para o que se exigia t...
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O sentimento A Apologética cristã sempre foi muito sinuosa na gestão deste equilíbrio entre o ‘acreditar’ e o ‘sentir’. E isto tem as suas razões: tanto se necessitam e atraem, como se atraiçoam mutuamente. Por outro lado, a Exegese cristã sempre procurou encontrar nas linhas e nas entrelinhas das escrituras a humanidade inquestionável de Jesus, dum Jesus que para ter sido ‘perfeito homem’ quase não poderia ‘ter a consciência’ de que era ‘Filho de Deus’, de que era Deus. Mas, simultaneamente, sempre encontrou nos evangelhos, fossem mais sinópticos ou mais teológicos, uma fonte de conhecimento, de revelação, duma verdade que fosse independente dos sentimentos que provocasse, duma verdade que tivesse tanto de metafísica, como de ‘cultural’ e antropológica. Está, no entanto, no precisar do papel do sentimento uma das grande riquezas ‘culturais’ e ‘humanas’ que a apologética cristã trouxe à civilização. Quando nos é dado a constatar um ‘facto-não facto’ como a da Ressurreição de Cristo, é ...
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operação canudo dourado Todo o executivo, mais as eminências pardas do largo rato, estavam agora empenhados em limpar a imagem do seu timoneiro de turno, denegrida apenas por um mero deslize relacionado com um curso de engenharia tirado às três pancadas (sem ofensa para o bilhar, claro) Uma estratégia colheu de imediato a adesão de todos: haveria que investigar os podres curriculares de toda a concorrência. O incansável Coelho, já com o trabalhinho feito de casa, apresentou quais as pistas sólidas a seguir. 1.a catequese de Paulo Portas. Há fortíssimas suspeitas de que a 1ª comunhão de Paulo Portas tenha sido efectuada com falhas graves na Avé Maria. Consta inclusive que no acto da persignação, um movimento mais lançado do dedo em riste tenha chegado a vazar um olho à catequista, facto esse que foi imediatamente abafado pela sua mãezinha, a troco de dois enchidos de chaves, e por uma marquise nova desenhada pelo paizinho, que acabou até por lhe dar crédito para o crisma, mesmo com o cr...
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Daniel, o provedor do crente Porque a olarilolelice tem de levar o devido carimbo da ignorância, e certo tipo de pessoas terão pouco que fazer, ou melhor, mais directo: certo tipo de pessoas que não sabem fazer rigorosamente nada que se aproveite e que aparecem de vez em quando amplificadas pelo trombone da revolução cibernautica – o bit quando nasce é para todos – dedicam-se a dissertar sobre o fervor religioso e a piedade duns pobres coitados, manipulados e turvos de pensamento, que também são conhecidos por católicos. Género provedor da religiosidade popular, guardião da sanidade mental dum povo de iletrados e ladainhodependentes, e fiscal de linha para as jogadas de ataque da Igreja católica, um tal de Daniel Oliveira, com todo o tempo livre que lhe deixa o facto de não ser terço-adict, não pôde ver uma freira (e logo francesa e pós jacobina) curada por um milagre intercedido por João Paulo II, e, principalmente, não pode vê-lo a ser feito num prazo que ele não entendeu adequado, p...
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Uma Páscoa fashion pela vossa rica saúde Num dos filmes ligeiros da saison, feito para senhoras se rirem no intervalo das suas apoquentações com as miudezas do metabolismo, numa cena medianamente conseguida uma psicoteraputa empresta o vestido a uma amiga e, de caminho, afirma ter sido a primeira vez em que, de facto, tinha ajudado alguém na vida. O ‘ser humano’ é basicamente uma espécie que precisa de ajuda porque não foi feita para ambientes hostis e, como não consegue ser bem treinada para animal de companhia, tem frequentemente de se socorrer de alguns espécimes que se especializam nesta nobre função de ajudar os outros, dignificando-se mutuamente de bónus. Um dos pensadores da moda – Roger Scruton – disse que uma das mais importantes tarefas da filosofia nos tempos modernos é ‘colocar no lugar do sarcasmo que enuncia sermos meramente uns animais, a ironia que mostra não o sermos de facto’, resgatando o homem à trivializadora ciência, e investindo na ressurreição da ‘pessoa humana’...
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‘Arroja’ ‘arroja’ é o nick name dum sujeito chamado Pedro Arroja que escreve num blog de nónimos denominado Blasfémias . * Ganhou alguma notoriedade por concorrer com Herman José na animação das manhãs na rádio durante os anos 90 socorrendo-se do manancial de piadas que é o pensamento liberal, praticamente tão rico neste campo como os alentejanos, ou os amores interditos entre padres e freiras. (aliás até sugeria que criassem um blog de nome blasfêmeas, só com posts para liberais loiras). * ‘arroja’ aparenta ser rapaz na famosa meia idade, ou seja, já não tem tanta piada como o joão miranda, mas ainda não apresenta aquele encantador ar blaisé do miguel beleza. * A sua fixação recorrente no cruzamento da temática institucional-religiosa com a ciência política, à primeira vista poderia indiciar a saída prematura dum seminário recôndito e húmido na Beira Interior, ou dum tacho na Congregação para as causas perdidas, contudo, uma análise mais profunda aos seus posts, leva a crer que se tr...