Lumen Gentium 2.0
É evidente que a cegueira da avidez, o inebriamento das ideologias e a impiedade das corrupções de vária natureza dão uma explicação satisfatória para as nossas consciências face ao estado do meio que as rodeia. No entanto, corremos o risco de deixar de fora uma variável de incontestável interesse e alcance: a estupidez humana. Conhecida desde que se conhece o homem, amada desde que descobrimos o amor e preservada desde que começámos a pensar ecologicamente, a estupidez humana é a nossa grande companheira de momentos bons e momentos menos bons. Os tempos moderníssimos (que são os tempos que vêm a seguir aos modernos) trouxeram-nos novos tipos de estupidez, dos quais eu destacaria a estupidez esclarecida e a estupidez sábia. A estupidez esclarecida já nos fazia muita falta, pois o mais parecido que até agora possuíamos no nosso património era a estupidez culta, e a versão esclarecida acrescenta-nos a importantíssima componente estatística que antes apenas vislumbrávamos na mediocridade ...