Mensagens

A mostrar mensagens de setembro, 2011

Lumen Gentium 2.0

É evidente que a cegueira da avidez, o inebriamento das ideologias e a impiedade das corrupções de vária natureza dão uma explicação satisfatória para as nossas consciências face ao estado do meio que as rodeia. No entanto, corremos o risco de deixar de fora uma variável de incontestável interesse e alcance: a estupidez humana. Conhecida desde que se conhece o homem, amada desde que descobrimos o amor e preservada desde que começámos a pensar ecologicamente, a estupidez humana é a nossa grande companheira de momentos bons e momentos menos bons. Os tempos moderníssimos (que são os tempos que vêm a seguir aos modernos) trouxeram-nos novos tipos de estupidez, dos quais eu destacaria a estupidez esclarecida e a estupidez sábia. A estupidez esclarecida já nos fazia muita falta, pois o mais parecido que até agora possuíamos no nosso património era a estupidez culta, e a versão esclarecida acrescenta-nos a importantíssima componente estatística que antes apenas vislumbrávamos na mediocridade ...

Feelingland

Depois de terem falhado todos os ramos da gurulogia, desde economistas, taxistas, apresentadores de tolquechôs, até sábios das mais diversas proveniências étnicas, e depois de se ter concluído que afinal desde Tamerlão não se produziram mais políticos com mão devidamente lubrificada para a coisa pública, a ONU decidiu construir uma cidade destinada a favorecer o aparecimento de seres inspirados. Numa tentativa entre a utopia ingénua e o segregacionismo compulsivo nasceu a Feelingland que, como o nome indica, se preparava para transmitir a quem lá habitasse aqueles je se sait quoi's que podem fazer toda a diferença, fossem eles receitas de torresmos, frases encantadas ou fórmulas integrais combinando o hemorroidal, a inflação e o desemprego. A família Saraiva Pontes, de Santo Tirso, foi das primeiras a ser colocada, tendo ficado numa vivenda geminada com a da família Saharim Custhar do Benim. A obtenção de feeling pode estar sujeita a imensas interferências, sejam elas de índole fi...

verso à terça

O mundo nunca está pronto para o nascimento de uma criança (Na urodziny dziecka swiat nigdy nie jest gotowy) Wistawa Szymborska , in Rozpoczeta Opowiesc, tradução de Lord James Google.

la nouvelle menstruine

D epois da banalização do mal, do bem, e do assim-assim, depois da banalização das uniões e das desuniões de facto, de direito, de uso e de costume, depois da banalização do sexo, da dívida, da democracia e do pacheco pereira, depois da banalização dos blogs, das bonecas insufláveis e dos campos de 18 buracos, resta para celebrar apenas a menopausa. Juliana Ester da Costa detectou a oportunidade, vendeu a sua parte numa empresa de fabrico e distribuição de scones ao domicílio e dedicou-se a organizar festas de despedida da fertilidade. Mulheres que finalmente se viam livres desse encargo ontológico de parir face à incursão selectiva dos espermatozóides mais inteligentes e atrevidos, mulheres que finalmente se viam a entrar em fase de útero decorativo, eram o mercado alvo de Ester. A  sua primeira cliente foi Helena Gusmão que dera cumprimento ao mandato bíblico por 4 honrosas vezes acrescidas de 2 falsos alarmes e um desmancho precoce originado pelo ataque fulminante dumas salmone...