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Mensagens
A mostrar mensagens de outubro, 2009
seria impossível não me envolver na temática que é realmente importante
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Ontem vieram a lume as revelações semi-bombásticas (bombástico mesmo era se ele fosse viciado em earl grey) da autobiografia de André Agassi, (utilizando o famoso método Caim de promoção editorial) segundo a qual ele teria enfiado para o bucho umas quantas de metanfetaminas, supostamente para se alegrar; c'est toujours la joie de vivre. Na altura estava casado com Brook Shields e a coisa não andava bem na carreira, ou seja, os dois paus que tinha ao seu alcance não lhe estavam a garantir a felicidade que qualquer homem - com ou sem brinco - sente que tem direito. No entanto, eu não quero enveredar pela abordagem específica desta temática, antes sim, queria apenas que um tal de bettencourt, ó caralho, fosse rapidamente comprar daquelas merdas, de ligeirinho as arremessasse pela peidola acima daqueles cabrões que se designam por 'equipa técnica de alvalade', de seguida desfazia mais uns desses comprimidos e misturava nos voltarenes que tomam aqueles paneleiros que constituem...
Modernidade Legislativa
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Penso que muito mais importante e urgente do que legislar sobre o 'casamento entre pessoas do mesmo sexo' será garantir protecção jurídica e mesmo incentivar a legislação sobre o 'sexo entre pessoas do mesmo casamento'. Como é sabido por todos, salvo vagas excepções apenas encontradas na literatura e nos folhetos de imobiliárias, o sexo entre pessoas do mesmo casamento é algo que tem vindo a perder prevalência - definhar seria demasiado ilustrativo - face a outros tipos de sexo que são muito mais acarinhados pela sociedade em geral e pelos motéis em particular. Ora o sexo entre pessoas do mesmo casamento é uma tradição praticamente com milénios, tem inclusivamente trazido ao mundo seres respeitadores da ordem pública e com princípios e custa ver assim dissipar-se por entre modas e questiúnculas várias o quão bonito que pode ser ver duas pessoas devida e cerimonialmente esposadas a rigorosa e estrictamente foderem. Ao ter passado a ser um comportamento em vias de se torn...
Livro do Zénesis
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Constata-se exaustivamente que o grande prejudicado em todo este processo mal conduzido duma criação, agora sabe-se, feita às três pancadas (sete, para ser mais preciso) foram os descendentes de Abel. Este bimbo, depois de oferecer ao Criador o primeiro ensopado de borrego da história acabaria por entrar nela pela porta piquena, tendo permitido que o mau feitio do seu irmão mais velho - que apenas sabia fazer saladas como molho mediterrânico - vingasse, num apalpão civilizacional, pode dizer-se, sem precedentes. Para castigo, ou mera consequência da precipitação gastronómica, deixou então toda uma genealogia de bons e jeitosos primatas hominídeos, a quem já não lhes bastando a cegada da maçã precipitadamente trincada, ficaram ainda reféns da perversa sedução do vegetarianismo, das virulências pandémicas e dos - esporádicos, vá lá - períodos de euforia dos lampiões. Chegados a uma suposta fase de maturidade genética são ainda confrontados com a utilização do seu bem mais precioso, - tir...
Las Civias [nota breve e final]
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O mosteiro foi destruído no Verão de 2008 e não restam vestígios da sua passagem pela paisagem lunar da antiga zona mineira de Rio Tinto na Andaluzia. Por curiosidade possuo um dos primeiros esquiços do projecto de arquitectura do edifício, um documento sem qualquer valor artístico ou técnico - tratava-se certamente dum mero e embrionário esboço impressionista , mas , isso sim, com vários detalhes de enigmático interesse. O arquitecto era, foi, um Espanhol de origem basca, Jaime Olazabal, que se radicara em Portugal na zona de Azeitão nos anos 70 e que chegou a este projecto por ser primo dum dos alfaiates do bispo de Sevilha. O desenho a que tive acesso - e não hesitei na sua aquisição - apresenta várias singularidades, para além da sua péssima reprodução aqui A mais relevante deixarei para o fim, mas desde logo a par de algumas incongruências de perspectiva e mesmo de equilíbrio de planos, são evidentes: a ideia de duas plantas (?) separadas (P. A e P. B), desconheço se já resultado...
Las Civias
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[1] [2] [3] [4] [5] [6] [7] [8] [9] [1] Las Civias era um mosteiro na zona de Sevilha que acolhia crentes dispostos a resolver a sua relação com o prazer. Sendo certo que os tradicionais sexo ou comida eram responsáveis pela maior fatia de penitentes, as perturbações de prazer ligadas às artes mostravam um dinamismo singular. Desregulamentos em torno da música folk ou da pintura figurativa eram frequentes, tendo até ficado conhecidos os sermões dum frade sueco sobre os efeitos perniciosos das costas de Ingres, ou os dum pároco de Vichy sobre as deambulações de hormonas ao som dos Fleet Foxes. Surtos relacionados com políticos em crises peri-masturbatórias à conta de reformas fiscais também ocorriam repetidamente. Las Civias era um caso de sucesso, onde o recolhimento e a oração forneciam ao espírito fontes e reservas tão alternativas como duradouras de equilíbrio, mas sempre fora dos malabarismos de índole estóica ou dos espiritualismos. Colocados a meio caminho entre um previsível St...
Viúva-alegre # ponto de ordem
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Não se deve julgar as mulheres pela forma como tratam os seus maridos, mas sim pela forma como se desfazem deles. O homicídio é a forma inequivocamente mais decente, deixando o defunto em boas, sagradas e desinteressadas mãos. Qualquer homem escolheria apresentar-se ao Criador com essa medalha: ‘aqui estou, ela matou-me’. Seria juntar o sacramento ao martírio num pleno digno dos primórdios da Religião da Cruz. A felicidade é uma arma quente como já cantaram os Beatles. A viuvez-pelo-homicídio não será uma morada mística mas é aquilo que um bom conservador designaria: um razoável estado de satisfação possível sem os riscos desnecessários do entusiasmo.
Viúva-alegre #9
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A sua oscilação entre momentos dalguma apatia e dalguma exaltação era, pensava, um preço que tinha de pagar por ter sido tão eficiente no seu processo de defuntação do marido. Entre o início do plano concreto e a sua execução tinham passado pouco mais de dois meses e, se bem que não pode contar com acompanhamento psicoterapeutico, assumia que a infraestrutura do luto estava assente num terreno de certa forma movediço. No entanto, e apesar de nunca ter lido Hegel, nem sequer em creme para as estrias, desconfiava que seria nalgum conflito que se encontrava o motor do renascimento, diga-se alegramento, no caso. Muitas vezes olhava para si como uma ditadura que passara a democracia por via dum golpe de estado e que ficara com uma guerra civil entalada na garganta. Nestas alturas, entranha-se um espírito reformista, ou seja, no caso, abre-se um pouco mais as pernas. Mas ela estava avisada: a viúva sábia procura um homem, a viúva tola encontra-o.
Viúva-alegre #8
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A liberdade da mulher pela via do assassínio (não judicialmente provado) do marido é um estado dalguma forma equilibrado. Não produz mais sofrimento que a chamada morte natural, é mais controlável que a chamada morte súbita e violenta, e deixa uma sensação de ‘coisa bem acabada’que como sabemos ajuda à construção da generalidade das personalidades estáveis e saudavelmente previsíveis. Convicta da robustez dos seus poderes de sedução e firme na sua intenção de construir uma vida baseada em médias-altas satisfações reparou que pela primeira vez experimentava serem mais os caminhos que se lhe abriam do que as portas que se lhe fechavam. Tinha sim de se cuidar para não passar directamente do estado sóbrio à ressaca sem desfrutar da bebedeira propriamente dita. Dalguma forma pressentia também que nos últimos anos negligenciara o estado de rigidez do seu rabo, pelo que antes de tudo teria de garantir no seu novo circulo de, digamos, amizades pelo menos alguém com competências firmadas como ...
Viúva-alegre #7
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Um dos momentos chave no alegramento de viúvas é aquele em que o encarnado entra na toillete. É uma espécie de facada na viuvez, e só é comparável com a primeira ida às putas depois da missa do galo. Escolheu uma saia relativamente travada, presa à sua cintura ainda adolescente (o defunto não era bailarino) por um cinto negro de pele de roedor desconhecido. O teste foi feito durante o almoço num dos restaurantes habituais e aparentemente não provocara nenhum olhar embaraçante. O jantar já estava marcado com um antigo sócio do marido. Um homem que já teria sido motivo para algumas cenas de ciúmes do defunto no passado e que por isso representava também um passo importante na sua emancipação e, por maioria de razão, alegramento. Curiosamente este homem já tinha sido alvo dum processo de envenenamento que nunca ficara bem explicado, se bem que ele alegava ‘coisas de negócios’, parecendo dominar a situação. Ela gostava de homens falsos-seguros. O seu marido era um falso-inseguro, raça abso...
Viúva-alegre #6
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O primeiro ataque sério de remorsos deu-se quando lhe serviram lulas estufadas num restaurante ao Príncipe Real. Tinha sido com um prato de lulas que roubara o defunto a uma amiga sua com quem ele namorava. Nesse momento viu que seria o defunto-da-sua-vida, e não seria avisado deixar a coisa nas mãos duma providência que forçosamente poderia não saber cozinhar. Foi directa e resoluta no primeiro passo, assim como o seria também no último, se bem que neste se tenha socorrido do croquete-de-estimação como se sabe. O remorso é um estado de alma sempre passageiro, uma espécie de cólica que se alivia com o primeiro espasmo disponível. Este curou-o com mais uma ida à sapataria. Os sempre presentes sapatos. Loiras ou morenas, solteiras ou viúvas, altas ou atarracadas, deficientemente-fodidas ou rainhas do kamasutra, todas se reclinam perante os cantos de sereia destas albardas das extremidades inferiores. Mesmo não sendo nos pés onde uma viúva coloca os maiores propósitos na sua caminhada par...
Viúva-alegre #5
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De saias, cortinados e restaurantes escolhidos e devidamente programados pensou em telefonar a um qualquer amigo de infância que tivesse encontrado no funeral. Estava indecisa entre dois e foi incapaz de descartar um deles. Ambos homens de inúmeros atractivos e com uma disponibilidade genuinamente interessada. Uma viúva alegre cria e alimenta sempre um misto de curiosidade e zelo, se associarmos isto à forma lúbrica como qualquer homem vive estes dois estados de espírito poderemos concluir, e acertadamente, que a nossa viúva nunca chegou a ter de incluir a solidão no seu caderninho de dança. Durante uma semana treinou a pose, afinou a maquilhagem e o penteado, seleccionou as palavras obrigatórias e domesticou o saco lacrimal. Quem lhe resistisse ou era cego ou tinha mau feitio. Serviram ambos como boas lebres na sua maratona de viuvez-alegre e chegou a meio do verão fresca como um pêro e tão livre como quando fizera a primeira comunhão, mais pronta para os luares de Agosto que uma loba...
Viúva-alegre #4
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Todas as mulheres devidamente casadas passam pela mais ou menos sub-reptícia tentação de matar o marido, ou então que alguém o mate por elas. A viuvez é o estado feminino mais perfeito: tudo revelado e tudo escondido, pleno de disponibilidade e pleno de submissão. Ela sabia isso e não tinha enjeitado o primeiro momento em que se tinham associado os primados da coragem e da racionalidade. Era por isso uma mulher viúva e realizada nesta fase da sua vida; não era apenas um género de nova vida para viver, era mesmo um estado de felicidade que conseguira alcançar mais cedo do que a mera natureza lhe propunha entregar. As fotografias do defunto estavam nos lugares estratégicos, todos os odores que poderiam cumprir uma função reminiscente tinham sido expurgados e, obviamente, os cortinados eram novos. Nada simboliza mais a liberdade para uma mulher viúva do que uns cortinados novos. Quanto aos sofás e aos tapetes, bem isso ela logo veria, - dependeria da utilização futura -estavam como novos ...
Viúva-alegre #3
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De memória rasa e conta bancária bojuda decidiu fazer uma pequena viagem comercial dedicada ao guarda-roupa. Passaria rapidamente do negro para os cinzentos-escuros e progressivamente iria introduzindo uns verdes secos e uns grenás. Na Primavera já estaria pronta para se alaranjar no seu novo estatuto civil e, por que não dizê-lo, sentimental. De qualquer modo todos os dias rezaria uma ave-maria pelo defunto, - isso fora uma promessa solene que fizera enquanto desenroscava a tampa do frasco de veneno - à que inclusivamente juntaria uma novena durante os primeiros dias de todos os Setembros, envergando sempre um véu negro de renda comprado nuns saldos das galerias Lafayete. Homem novo calculou que só voltaria a experimentar lá mais pelo verão, quando os dias fossem maiores e os riscos de que as libidinosas noites se lhe atravessassem inesperadamente pelo caminho fossem mais reduzidos. Para além disso por essa altura já poderia apresentar sem criar especial escândalo uma roupa mais justa...
Viúva-Alegre #2
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Teve apenas saudades do marido durante os primeiros dois dias que passou a rasgar as várias recordações que guardara. Ele era de tendências, digamos, tecnicamente românticas e presenteara-a ao longo dos anos com imensos detalhes da mais clássica ternura: desenhos, versos, pequenas historietas, dedicatórias diversas, enfim, aquela panóplia que qualquer amor parvo sustenta e que uma trituradora de papel dissolve sem especial gasto nem de energia nem de lágrima. Ela gostara razoavelmente dele, disso não tinha dúvida, ele era aquilo que se costumava chamar na gíria dos relacionamentos ‘um homem especial’, e, diga-se, agora também ainda gostava, mas de outra forma, pois no fundo era ele que lhe permitia ser viúva. Assassinara-o, sim, mas tantas vezes ele dissera: «tu és a minha razão de viver». Cansou-se de tanta responsabilidade, mas também nunca o poderia ver nas mãos de outra que não uma santa consagrada, ou, vá lá, um anjo com pergaminhos. A sua primeira extravagância foi ir ao cinema s...
Viúva-Alegre #1
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Matara o marido numa quarta-feira de Setembro. Deixara passar as férias sem grandes convulsões, apenas com dois ou três caprichos para não criar particulares desconfianças, e tinha evitado matá-lo num fim-de-semana, pois se o domingo já de si é sagrado, ele costumava passar o sábado a pôr-se em dia com as notícias. O marido gostava de andar informado e ela também não queria que ele se apresentasse ao Grande Desconhecido com algum acontecimento importante por saber. Matara-o apenas introduzindo veneno nuns croquetes que supostamente teriam sido confeccionados pela sua mãezinha. Pelo sim pelo não matavam-se 3 coelhos: o coelho-álibi-perfeito, o coelho-sogra-inconsolável, e, claro, o coelho-marido-defunto. Encerravam-se entre carne picada, por assim dizer, alguns anos de um certo amor, entre outras miudezas, vivido em comum. Foi asseado, - ele não tinha sequer vomitado -, rápido, e aparentemente acompanhado de dor de pouca monta, coisa que qualquer asmático já suportara depois duma corrid...