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A mostrar mensagens de janeiro, 2004
Agora para desanuviar um pouco vou meter-me com sabe que tem piada, só que às vezes esquece-se. O André do Barnabé abre a sua alma e diz num texto breve ( homens de pouca fé - dia 28) e até com algumas nuances light que: a) Não é cristão b) O seu cristianismo é inconsciente c) Admira o exemplo de Cristo d) Está perto do exemplo de Cristo e) Não usa o cristianismo como adorno f) Não é um cínico carente da legitimação cristã Ora isto quando a Mme Balsemão fizer a nova edição do Trivial Pursuit, poderá ser utilizado da seguinte forma: O que é ser Cristão? Hip. 1 – Usar barba farta (mas sem trancinhas peçonhentas) Hip. 2 – Usar adornos legitimistas (mas sem debrum) Hip. 3 – Usar uma exuberante aura estética (mas de pechisbeque) O que é o radicalismo? Hip. 1 – Andar de fita métrica a medir a fé do alheio Hip. 2 – Ter uma crença e uma missão Hip. 3 – Ser cínico mas não carente O que é a estética cristã? Hip. 1 – Usar agulhas com buracos de tamanho decente para os ricos podere...
Diálogos para palitar os dentes - Então mas essa coisa dos sentimentos serve mesmo para quê? - É pá não brinques com isso, não vês que se podem transformar em desejos incontroláveis... - Pior era se dessem em bocejos controláveis. - ...E não se devem expor desnudadamente, porque se banalizam e depois já não se lhes reconhece o valor. - Valor? Então é porque são mesmo para fazer negócio - Parvoíce! Valor porque com eles fazemo-nos pessoas completas, autênticas e felizes - Felizes!? Então não sabes que essa palavra agora já não se pode usar - Não consegues falar normalmente! Quero lá saber disso. Os sentimentos dividem as pessoas em boas e más! - Então é como a porcaria da embraiagem. Separa o motor das rodas. - Ora que merda de função com que tu comparas. Não anda, não vira, não pára; Até parece que os sentimentos estão ali só para nos mostrar que o corpo e a alma juntos atrapalham a meter as mudanças. - Merda de função mesmo. Se calhar vou aderir aos sentimentos automáticos - Isso não ...
Hoje o novo dicionário não ilustrado ficou-se no ilusionismo semiótico. No desprezo pelas palavras. Mas ainda apenas com aqueles sinais que pouco valem sem elas. Um chorrilho de “xis entradas” ao bom estilo das revistas do psicologismo fácil e flácido. Puras psicolites. Até porque de facto se os sentimentos não servirem para ser explorados servem para quê? ( entradas 466 a 474 ) " ; " - Quando não se consegue viver com a imperfeição. Nunca decidimos se é desta que vamos partir para outra. São as vidas de “ponto e vírgula ”. Vidas medrosas de dizer que já acabámos, que não damos mesmo mais que aquilo. " : " - Precisamos sempre de descobrir uma consequência. Nada se consegue fechar numa vaga simplicidade, num incipiente desconchavo. São as vidas de “ dois pontos ”, da “vertigem da justificação”. " () " – Não conseguir viver tudo por atacado. Perdidos no meio da continuidade, refugiados no mito da reflexão. São as vidas de “ parênteses ”. Saltando de “liv...
Deus, a kodak, e as gajitas Ouvia ontem na rádio que Jesus tinha “transmitido” as suas mensagens mais radicais junto de mulheres. Ele «faria assim parte do lado feminino da história». É uma ideia luminosa e mesmo encantadora. Espero sinceramente que Deus nunca nos venha a revelar os mistérios do feminino. Assim poderemos continuar a espreguiçar-nos neste conceito com um misto de deleite e de estremecimento. E já que estou nesta coisa das revelações, espero ainda que Freud vá roendo as unhas por muito tempo – esteja ele onde estiver – sem saber se o inconsciente afinal existe ou não. Bem!... é que se afinal não existe....estamos todos fodidos. Meninos e meninas. É que nada poderia ter sido “sem querer”. O que também acabou por não nos ser revelado – reparo agora - foi se as aparências iludem ou não. E se o que está por detrás das aparências também é uma ilusão ou não. Justificava-se uma revelação relaxante: “ há que descascar e andar”. A nossa suave sina será a de ir preparando o refoga...
Walk around Raciocinar até que é bom. Fantasiar também pode ser recomendável. Reduzir a realidade ao absurdo também nos conduz a fascinantes visões. Subverter a ambiguidade que transpira dos factos também pode resultar naquele humor que parece descodificar o mundo. Paralelamente nós procuramos uma “paz de alma” que nos coloque acima das nossas paixões num sereno ensimesmamento, ou palpitamos por uma virtude especial que nos torne insensíveis aos sucessivos impactos dum destino provocador e determinante. Ou seja, vivemos como fantasmas penando à volta do “bem pensar”, ou à volta do “bem viver”. A ânsia de conhecer e a ânsia de desfrutar são mesmo duas falácias da ordem do obsessivo muito próprias da nossa condição humana. A incerteza intrínseca ao conhecimento leva-nos tendencialmente a reduzi-lo e a tê-lo controlado, “protegendo-o” na redoma da ciência ou da técnica, ou então reagindo e enveredando pelas fórmulas bizarras dos mais diversos “visionarismos” (esotéricos ou não). A incerte...
Hoje o novo dicionário não ilustrado apenas pôs o poder num “saco de gatos”. (tipo coluna de trocadilhos que qualquer suplemento de fim-de-semana usa para explorar leitores fiéis e aliviar tipografias com excedentes de tinta) ( entradas 453 a 465 ) O poder baralhado - poder que queima os trunfos fora do tempo O poder confundido - poder que derrete ideias boas em processos caldeirados O poder encaramelado - poder que nunca sabe quando tirar as medidas doces do lume O poder clientelista - poder que passa mais tempo ao balcão à espera de fregueses do que a arrumar a loja O poder suicida - poder que vai à janela para receber aplausos, e depois verifica que não está lá ninguém em baixo. O poder esclarecido - poder que só tem visão nocturna O poder incompreendido – poder que não cabe em si próprio O poder atrapalhado - poder que usa a fazenda pública para apenas remendar os buracos O poder fantoche – poder que tem sempre alguém a mexer-lhe debaixo das saias, mas não se pode rir, ne...
Berlusconi parece que fez um lifting às escondidas. É rico e está no seu direito de querer ser um ícone da nova renascença. Hoje o novo dicionário não ilustrado , qual Pitanguy, vai deitar na marquesa as misérias tão apregoadas do nosso envergonhado e envelhecido país (tem é de ser rápido porque há uma grande fila de espera): ( entradas 447 a 452 ) “Marcas do subdesenvolvimento” – Cansados de tanto engravidar e de tão pouco parir, resta-nos sempre o consolo de poder eliminar as estrias da pele com os subsídios sempre a esticar “Estado esgotado” – Depois de tanto amamentar e tão pouco saciar, poderemos eliminar as mamas agora flácidas com um orçamento de silicone . “Falta de visão estratégica” - Depois de tanto olharmos para os outros, e afinal termos verificado que somos de vistas curtas, resta-nos eliminar os papos nos olhos para pelo menos nos podermos encarar ao espelho. “Grandes clivagens sociais” – Depois de tanta barraca demolida e outra tanta montada, resta-nos o consolo de sab...
Milagro de la pantalla Uma das coisas que mais aprecio é a mediania. Aquele monte onde não estão nem os espontâneos, puros e simples, nem os sofisticados, brilhantes e clarividentes. Montaigne, depois de rodopiar entre os extremos que se tocam, termina o ensaio “des vaines subtilitez”, dizendo que se calhar afinal os seus ensaios só “ poderiam sobreviver nessa zona intermédia ”. Essa “ condição normal ” esconjurada pelos vendedores de ideias feitas, representa os que de facto “ apercebem os males (...) e não os conseguem suportar ”; vale-lhes o quotidiano cruelmente fantasiado, acrescentaria eu. É para essa “gente do meio” que afinal debitam algumas televisões agora demonizadas pelas inteligências controladoras de turno. «É lixo» – avisam-nos. Meninos de cara tapada, velhinhos caídos no conto do vigário, miseráveis sem eira nem beira, doentes à espera de curas milionárias: «tudo exploração dos sentimentos das pessoas» – continuam a avisar-nos; «distracção fácil e baixa» – esclarecem-no...
Os políticos vivem num momento de encruzilhada. Sentem-se de mãos atadas. O novo dicionário não ilustrado , que também andou a dobrar o Bojador da incerteza, revela-nos hoje as especiarias que podem dar um novo fôlego a essas almas penadas. É a ladainha do “pró que estávamos guardados” entoada nos novos hospícios do poder. ( entradas 437 a 446 ) Mecenato – Na culinária política, depois de desnatar a criatividade das criaturas, importa mecenatá-las . Fazem-se travessas bonitas, e no fim as criadas ainda podem levar para casa os restos. PDMs – Ordenar o território retirando dele o máximo é uma actividade nobre, semelhante doutra, também nobre, que trata de sacar o leitinho às vacas. O que as distingue na essência é a hora a que se fazem. Concessionar – Esgotadas as arcaicas formas de dar, vender ou emprestar, o ovo de Colombo que já tinha sido posto a cozer, empertigou-se e exigiu uma frigideira nova da loja do project finance . Dar nomes aos bairros – Estes começam degradados à nascenç...
O eu escarafunchado O anonimato seria ainda uma forma interessante para “gozarmos” connosco sem muitas limitações, e com a máxima sinceridade disponível no momento. Era o jeito da levedura se desforrar da espuma.
Para quê um título.... Estava na prisão quando escrevi todos estes textos até agora. Não foram tempos bem passados. O tempo não é algo que se passe bem. E ele também passa bem sem as frases feitas que o afagam. A minha cela até que era jeitosa. Não havia paneleiros no meu corredor, pude assim estar mais tranquilo. Mas eu não dou muito valor ao sexo. Só que comigo não podiam fazer sondagens de opinião porque o meu telefone estava cortado. É bom ser culpado e castigado. Ao menos esse problema está resolvido. Não recalcamos impunidade. Isso dá-nos alguma paz de consciência. Não estamos em dívida. Pude assim escrever sem ter de me preocupar em acertar. Também o mundo se enganou comigo, paguei com a mesma moeda. As contas sim, essas estão acertadas. Falaram-me daquele rapaz do Kafka, mas eu não me revejo nele. A possibilidade é mesmo a realidade. Fui escrevendo. Distraía-me dos sinais que o corpo ia enviando. Diarreias, dores de costas, aftas e hemorróidas. Não lhes dava a importância que e...
O futuro disfarçado em sexo com café pingado Está então agora alegremente provado pelos eminentes cientistas sociais que atravessamos um simples momento de transição, próprio de quem se arrastou anos a fio numa masmorra húmida e bafienta, sem ver o céu estrelado durante a... Grande noite do opressor obscurantismo fascista... A Grande noite do paranóico vulcão revolucionário... A Grande noite do assexuado espartilho do FMI... A Grande noite do iluminado orgasmo cavaquista... A Grande noite do relaxante diálogo guterrista... e.. Pensávamos entrar agora na Grande noite do fado quando de repente nos enfiam num período de transição. Com franqueza. Entregámos então os nossos destinos aos grandes pensadores dos movimentos de massas, e eles vão agora estabelecer um “business plan” para que o nosso país rompa definitivamente com as amarras duma sociedade atafulhada em preconceitos, inibições e paradigmas perdidos. Felizmente fiz-me amigo da miúda que servia os cafés ao senado dos sábios e que e...
Casa pia em terra pífia Instalada a vertigem comentadora e lacrimejante sobre o estado da nação, e “acomodados” com o diagnóstico parvo da crise das instituições – “agrada” a todos – mais não fazemos que engordar alegre, mas escandalizadamente, à mesa do banquete da asneira (alheia, claro!). Pois então... Os vícios privados que têm “acusações” públicas sempre fizeram parte daqueles enredos que engordam editores, comovem leitores, empolgam escrevedores, achincalham honras bem ou mal construídas, e empoleiram mitos. A perversão, a doença e o crime são alarvidades da nossa condição, que por mais que se queiram moldar se apresentarão sempre em barro desgraçado e falso. O Estado foi-se enroscando nelas como pôde e geralmente com boas intenções; que valem muito no caso do Estado, porque o que o espera é mesmo o eterno purgatório. A justiça é uma dessas boas intenções, e de vez em quando, inevitavelmente, um dos fados mais cantados pela voz arrastada dos periscópios de serviço. Enteada de ...
O Portugal sublimado 1. O sexo dos portugueses parece estar nas bocas do mundo. Pelo menos espero que aproveitem. (O A. Theias não perdeu tempo e pelos vistos terá dito que no ministério dele só há casos bicudos...) 2. Face aos vários complexos detectados, o quiosque da minha rua vende o Expresso dentro da capa do Blitz por mais 50 cêntimos. 3. Mourinho é eleito o melhor treinador pela votação no site da UEFA. A ADSL no Porto deve estar ao preço da uva mijona. 4. Alberto João diz que é uma velha meretriz. Todos os 1ºs ministros depois do 25 de Abril foram a correr fazer os testes.
Em tempos o Thomaz notou que para uns escrever blogues é só mais uma forma de estar só. Para todos os efeitos isto para mim não passa duma jardinagem (quase) solitária, dum capricho disfarçado até duma falsa socialização. O novo dicionário não ilustrado olhou hoje para as parolas gregaridades que atafulham o meu pousio. ( entradas nºs “ já não sei a quantas vou ” até " prai mais de 400 ” ) Pandilha – Quando um grupo de meros malandros recheia a sua malandrice com uma papa picante chamada ideologia, e serve-a morna com um nome mais ou menos sofisticado simulando o salvo conduto para o paraíso. Seita – Quando um grupo de iluminados tem medo que se descarregue a bateria alimentadora das visões, e através de uma rede de extensões e fichas triplas garante estar sempre ligado à corrente. Panelinha – Quando a sorte é procurada em conjunto, porque ninguém tem coragem de ser feliz sozinho. Grupo de sueca – Quando todos gostam de assistir ao naipe da moda, e jamais contrariam o trunfo de...
Portugal dos Pequeninos e PS dos ...gambozinos Soares reservou para o seu crepúsculo político as nobres tarefas de odiar Guterres e Portas. Nem todos os velhos infelizmente se tornam Gandalf. No entanto, esta sua “proposta/hipótese” (terei ouvido bem?) de Sousa Franco para a presidência até mostra um carinho especial com os comunas. Como já tinham engolido um sapo inteiro em tempos, agora oferecia-se-lhes um já trincado. Nélinho Maria Carrilho diz que se quer candidatar à CML porque Santana deve ter um adversário a sério. Ou seja, o tipo não quer ir para a Câmara porque acha que dará um bom presidente, ou que Lisboa será um paraíso com ele, ou porque a Bárbara lhe pediu, não..., ele apenas diz que quer disputar o título com Santana. Nobres motivações as destes filósofos políticos. Afinal para a promiscuidade entre futebol e a política, esta já não precisa sequer do futebol. Auto-promiscua-se no prazer solitário observando quem esguicha mais longe. Entretanto aparecia Lamego no Chiado a...
God at blogger - live Apesar de me ter parecido um tema tratado em “circuito fechado” aqui na blogosfera, ou seja emparedado no meio dos blogs de “algum engajamento doutrinal”, o balanço entre a religião como diálogo íntimo entre o homem e Deus, e a religião como uma tal de «vivência comunitária da fé» deixa-me sempre mareado. Já um bocadinho fora de tempo... mas não fui capaz de resistir a petiscar deste refogado. O associativismo religioso (por mais tinta que faça correr) é impulsionado apenas pelas “regras básicas”: o pessoal não é capaz de estar sozinho. As pessoas colam uma às outras. Este ajuntamento apela ao conforto da eficiência colectiva. E por mais que douremos a pílula com a exegética: fé é conforto. Ora viver a relação com Deus duma “forma mais isolada” é um eterno confronto entre a aspereza duma dúvida que não se pode afagar com a luz dos outros, e o facilitismo de não termos de “ir sempre a jogo”, de poder pôr o dedo no nariz enquanto nos benzemos. Alguns místicos (a St...
A long way to paradise Os vícios privados que “engalanam” Portugal, não escondem que somos bem mais conhecidos pelos nossos vícios públicos. Agostinho da Silva disse em tempos que Pessoa tinha respondido com o «aqui ao leme sou mais do que eu» à ideia de Camões da «terra vil e pequena». Acrescentava que o nosso caminho era descobrir uma «técnica que liberte o homem para as tarefas que verdadeiramente lhe competem» para chegar a um «céu com menos mito e mais realidade». A nossa grande «jogada» seria ir «arriscando tudo pela nossa própria liberdade». Agora vemos: agarram-se ao leme os que afinal são menos que eu, e arriscamos a nossa liberdade por nada. Mito já não sabemos sequer o que é. Deixou de vir nos jornais. Os analistas de turno apenas nos tocam concertina. O País é de sanfona. Só que o Marcelo que nos deixou assim apeados foi o Caetano. Camões volta, estás perdoado. Escolhe um dia em que não haja greve na carris, não se venda um empresa a um espanhol, e não haja notícias da casa...
Terras sem nome Fui à sessão dos anónimos anónimos. Ia arrepender-me de certeza. A seca do costume. Uns fantasiavam num fetichismo parolo, outros arvoravam-se em ilustres desconhecidos, outros apenas se encolhiam calibrados pela timidez. Ninguém olhava de frente. Mal sabiam eles que eram todos feios de perfil. Bem, alguns encantavam. A quem? Às miúdas da recepção. As que guardavam as fichas de inscrição. Ah...e aquele que se desfazia numa verborreia irrelevante. Era o que estava sempre a mudar de nome. Disse que já tinha chegado a usar o verdadeiro. Era a sua glória. Foi expulso. Não se podia admitir um anónimo que gozasse com o anonimato. Saiu com o rabo entre as pernas. Gaguejava. Quando usava o nome próprio gaguejava. O anonimato era o seu cantar. Ninguém ficou com pena dele. Os anónimos não têm pena de ninguém. Mudaram logo se assunto. «Um dia ainda hão-se saber quem eu sou» - dizia o gordo. Falaram depois algumas sexualidades mal amanhadas. Andavam arrogantes por estes dias. Mas j...
Há cegada no casino do reino do papo-seco. O novo dicionário não ilustrado bem queria fugir a isto, mas caiu-lhe na rifa ir ver o padeiro.( entradas 419 a 426) Fermento – É o sonho dos que se julgam aspirantes a predestinados. Mas este exército de cavaleiros andantes só ganha a guerra com um batalhão de escravos para juntar a água, e uma bateria de crédulos para atiçar o lume. Moagem – Processo que parecia relegado para o jurássico da era industrial, mas que afinal se encontra a reger a forma como o poder nos acaricia o juízo. Pão duro – Quando se deixam os factos dum dia para o outro, eles acabam por secar e enrijar. No entanto, se depois lhes dermos o calorzinho da grelha do anonimato e os barrarmos com a manteiguinha das notícias tornam-se bem apetitosos. Pão-de-leite – Muitas vezes é preciso adocicar e amaciar a realidade. Ela até ganha boas cores e fica a parecer coisa para crianças. É a altura em que alguns galifões se afiambram lá dentro, e acaba por se descobrir que afinal aqui...
A “bola” acabou. A fada foi madrinha. Um ”lagarto” como eu olha para um Benfica-Sporting com a mesma terna inquietação com que olha para a economia da salvação. O buraco de uma agulha...a porta estreita... o reino dos céus só aparece mesmo quando a gente não está à espera. "Infelizes" dos que não podem desfrutar deste mareamento que produz a “aficción” clubista do futebol. Não sabem que só um insulto mais ou menos sussurrado, ou uma vontade-bem-sentida de esganar alguém é que podem libertar uma alma aparelhada pelas grilhetas do incompreensível. É o absoluto-relativo que se torna apenas absoluto. Despedimos a razão e estamos a borrifar-nos para a justa causa. Os olhos já não vêem, apenas fazem uma refracção viciada, vibrante e viciante. Como numa tragédia. Como numa comédia. Um penalty é um regaço. Quando o leitinho escorre para o nosso lado. A estética da “bola” não se pode dizer que seja complexa, nem sequer rica, mas gosto de vivê-la num conceito de fronteira: ”Interessant...
O mundo é das crianças O Pai Natal sentiu que já estava mas era a “encher o saco”, e nem esteve para esperar pelos Reis. Decidiu ir-se já embora, mas como é uma pessoa de bem e educada, não se foi sem nos deixar umas palavrinhas. “No ano passado tinha-vos dado aquele brinquedo novo dos blogues. Vi que andaram muito excitados, e eu fico sempre muito contente quando os meninos se satisfazem com as coisas lhes dou sem pedirem. Agora vejam lá... aquilo é bonito, mas não é para vocês estragarem. Brinquem com compostura, porque só se fazem crescidos dando-se ao respeito; e se é verdade que só vos lê quem quer, há meninos que são muito crédulos e ainda acreditam em tudo o que vocês dizem; pensem nas vidas que podem estragar. Aliviem pois, mas também não sejam muito chatos. Mesmo assim eu distraio-me a ver meninos que passam o tempo a dizer porque é que escrevem, porque é que não escrevem, porque é que escrevem sobre isto, mas já não escrevem sobre aquilo, desfazem-se em explicações porque é q...
Touch me baby A clássica discussão entre “o intelectual” e o “homem de acção” cada vez mais vai perdendo o sentido. A sofisticação de novos “estados da natureza” - como a “informação”, a “opinião”, a “ignorância” e o “sucesso”, por exemplo - conduziu aqueles dois formatos para uma anquilosada significação. Os tempos são de outros mestres: os grandes manipuladores. Estas boas espécies aparentemente deviam viver entoupeiradas, mas o ar desconsolado e rarefeito das catacumbas do “conhecimento” e do “trabalho” atrai-os agora à tona, e eles até não se têm dado nada mal com este ambiente poluído. Como não precisam de estar sempre a respirar, só o fazem quando o ar está realmente oxigenado e ansiando combustão, aproveitando o resto do tempo para esfregar as manápulas nos espíritos mais carentes de quem tenha a piedade de pensar por eles. Os grandes manipuladores têm um poder que não se sabe donde vem. Consta que lhes é atribuído por artes mágicas. E apalpam-nos, enfeitiçados com essa sua ines...