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parthewanstein

Anatemizados os despotismos, desprezadas as anarquias, e negligenciada a moeda-ao-ar, valorizamos agora os compromissos (designação moralmente superior de negócio) O Dicionário não ilustrado apresenta agora as técnicas de negociação indispensáveis em qualquer processo, estejamos nós do lado do parthenon ou do lado de neuschwanstein. Tabu – tática que introduz uma forte componente de suspense nas negociações, deixando o antagonista sempre a meio caminho entre a irritação e a hesitação Ultimato – tipo de mecanismo que consegue juntar o orgulho e a humildade a comerem do mesmo prato e a deixarem-se regar pelo mesmo vinagrete Fita – tipo de palhaçada adaptada ao circo dos compromissos; o que geralmente lhe falta de colorido sobeja de malabarismo Bluff – tática que consiste em insinuar que o purgatório é a melhor hipótese de fugir ao inferno sem correr o risco de meter os pé pelas mãos na conversa com o céu. Chantagem – mecanismo que se autonomizou do ultimato e que ...

E agora o amor

Os conceitos que entram timidamente na composição mas afinal podem fazer toda a diferença no enredo, vistos pelo novo dicionário não ilustrado Pragmatismo – o que vale no amor é apenas o lugar de intersecção entre o possível e o possível Realismo – o que vale no amor é a parte em que nada se sente mas tudo se vê Calculismo – o que vale no amor é a parte do possível que nunca será impossível Disponibilidade – é a parte do amor que os pragmáticos evitam Oportunismo – parte do amor que funciona como ‘afecto curricular’ Securitismo – o que vale no amor é ele poder funcionar como reserva de segurança emocional Decorativismo – o que vale no amor é ele poder servir de embrulho de fantasia a sentimentos mais banais Ecologismo – o que vale no amor é apenas a capacidade de limpar passados incómodos Betumismo – o valor do amor é a sua competência para tapar buracos ou falhas nas paredes mestras Pladurismo – o que vale no amor é ele puder servir de parede f...

Placebo nas canelas

Vamos conviver nos próximos meses com uma figura virtual que, mais pontual ou mais persistentemente, irá condicionar (animar?) a nossa, digamos, relação com a realidade. Hoje o novo dicionário não ilustrado irá descodificar os seres dos outros mundos , assinalando assim as várias possibilidades que dispõe (e dispomos) aquele de quem se fala e que se instalou seráfica e filosoficamente para as bandas do templo de Diana. Fantasma – espécie de zeus da paranóia, podemos escolher o formato fumaça ( para evasões fiscais) ou o formato lençol ( para lavagens de capital) Sombra – entidade da família das assombrações, mas mais acessível para países em rescaldo de regate, pois vivem apenas em 2D. Basta um solzinho em cima para desaparecerem Vulto – são semelhantes às eminências pardas mas sem a parcela ( sempre mais cara) da eminência. Alimentam-se apenas da fugacidade e podem ser transportados em qualquer porta- luvas Avatar – algo ali entre o demónio, o parasita e o cook...

Boletim Cínico

O novo dicionário não ilustrado volta após largos meses de ausência para celebrar o nosso primeiro ponto no mundial que, de todo o modo, me parece ferido de inconstitucionalidade; vejamos como, através do nosso onze ideal: O Ligamento cruzado – Tipo de ligamento que se insere entre a inconstitucionalidade e o mau feitio e que geralmente só descruza quando rompe, mesmo sem acordão. O Adutor – músculo bastante usado nas exportações e que quando entra em deficit nos faz olhar mais para o lado interior da economia coxa. O Tendão de Aquiles – Parte mais exposta de qualquer regime politico que sofre bastante com a famosa legitimidade mas que vive protegido por uma espécie de caneleira chamada legalidade. Os Gémeos – músculos especialmente dedicados à astrologia e que só encontram sossego quando o Emprego estiver em Marte e o Crescimento em Vénus. O Menisco – Protecções fornecidas pelos mercados para que as eventuais inconstitucionalidades possam ser torneadas sem ter d...

Catecismo para Deficitómanos

Hoje, num regresso ainda sem manjerico, e para aliviar do Flávio Cossaco et al. , o dicionário não ilustrado apresenta o decálogo da dívida. (entradas 1414 a 1423) Resgate - Operação que deixa sempre indefinido onde acaba a chantagem e começa o socorro. Perdão - Operação de pendor piedoso que revela mais da debilidade do perdoado que da magnanimidade do perdoador. Desconto - Operação que visa dominar o devedor realçando-lhe o lado bonito da dívida. Abébia - Tipo de epidural que mantém o devedor a pensar que lhe estão a subir a bainha enquanto lhe descem o cós. Ajuda - Tipo de resgate em que o sequestrador, apanhado com as calças numa mão e o cinto na outra, opta por oferecer a vaselina à vítima. Expiação - Tipo de juro preferencial que está para a dívida como o sangue está para a chaga. Moratória - Operação de retenção que introduz um sifão entre uretra do reembolso e a bexiga da dívida. Atençãozinha - Resgate patrocinado pelos santos...

O Destino das Espécies

O vocábulo de origem italiana (se bem que introduzido por cá via o francês ou espanhol charlatan ) ciarlatano, eventualmente fusão dum vocábulo turco dzar-la (falar ruidosamente) com cerretanus (habitante de Cerreto, local na Úmbria onde terão aparecido na Idade média os primeiros vendedores ambulantes reconhecidos pela bela da lábia a vender remédios milagrosos), deu origem no muito nosso charlatão , conceito que deverá ser tratado com uma dignidade à prova de balas, tratados e moedas únicas. Antes de tudo eu defendo a tese de que existe uma alma charlatã, uma espécie de aperfeiçoamento dum transcendental aristotelo-kantiano, que impregna todo o conhecimento e todo o relacionamento, e introduz mais uma gloriosa inversão no maravilhoso mundo da realidade: é a ilusão que fundamenta a verdade. Como qualquer categoria de primeira ordem que se preze, o charlatão tem direito a uma caracterização rica e multifacetada e é a isso que o dicionário não ilustrado hoje se vai dedicar, ...

Os grandes baluartes da civilização; uma actualização.

O Dicionário não ilustrado sai do armário (salvo seja) - as portas já estão destinadas a lenha para a lareira - e dá a sua contribuição para a compreensão do mundo que nos rodeia e inclusive penetra. (entradas 1396 a 1406) Representatividade - mecanismo de índole peripatética que permite ao acto eleitoral concorrer com o acto sexual na sua performance masturbatória, ou seja o político está para o eleitor como a palma da mão está para as bordas da coisinha. Equidade - variação do conceito de equinidade destinado a que as mulas possam pensar que são cavalos mesmo sendo tratados como bestas puro sangue. Retroactividade - instituto legal que permite ao passado tornar-se futuro sem passar pela casa da partida mas não estando garantida a dispensa da prisão. Igualdade - princípio de registo quimico-filosófico que determina a possibilidade de toda a essência humana poder esquecer os dilemas da existência ou da substância e encarar com tranquilidade a sua dissolução total...

e agora o elo que faltava à grande cadeia da história

Por muito que se pretenda dar ao conceito de passado um estatuto intelectualmente bonificado, será sempre à conta do futuro que se produzem as maiores avalanches ejaculatórias. Apesar da má fama do projecto, todos queremos produzir uma ou outra verdadita antes do tempo, todos queremos ter o nosso apocalipse pessoal e portátil. Por mais fatalistas que sejamos ninguém enjeita ser secretamente um pequenino fazedor de futuros e restantes providências. Como já não vim a tempo de escrever um Companion da crise, nem mesmo um simples 'desenmerde-se você mesmo em 10 lições', o melhor que posso aqui deixar é um elenco de futuropatias para o amável leitor poder escolher, no remanso da leitura descomprometida, qual se adequa melhor aos seus fluxos e refluxos gástricos; ou outros. (dicionário não ilustrado nas entradas 1387 a 1395) profecias - Tipo de abordagem do futuro em que este se apresenta protegido por uma película de celofane cósmico só transponível através de bolas de fogo ou mes...

Antes de maquilhar aplicar bem o DeSKapante

Não tendo nada de relevante a dizer sobre a extinção do bloco de esquerda, e menos ainda sobre o estranho desaparecimento da anti-matéria por alturas do big bang, ou mesmo a grande pepineira do Reno, tenho obrigatoriamente de me debruçar sobre as questões de índole antropológica que irão sobrevir no famoso caso judicial: camareira desconhecida preta vs hóspede famoso branco. Em primeiro lugar haverá que definir sinteticamente os contornos da caracterização técnica do comportamento do macho humano  face à respectiva fêmea numa geração pós diluviana e liliputiana como a nossa. O dicionário não ilustrado nas suas entradas 1378 a 1386. libertino - tipo de macho que orienta a sua enorme sensibilidade para a compreensão da volúpia que emana do universo feminino. sedutor - tipo de macho que se distingue pela interpretação minimalista do comportamento passivo do intérprete sexual feminino. conquistador - tipo de macho que aborda a silhueta feminina num ambiente de cartografia recreativ...

Serve o presente para avisar os mais distraídos que no próximo Sábado dar-se-á a maior lua cheia dos últimos 20 anos

O inverno está quase a acabar e antes de deixar que o pólen me obstrua os canais que dão acesso à zona bulbosa do tino, deixo hoje o dicionário não ilustrado abordar um tema que é absolutamente essencial em dias de dúvida e incerteza, e nada melhor do que fazê-lo enquanto os reactores ainda estão entre o quente e o frio. Quais são então (apenas um grupo seleccionado) os qualificativos que um homem pode receber duma mulher como críticas (ou até insultos) mas que serão sempre recebidos como um certo perfume elogioso. Se alguma mulher por mero, acidental inclusive, acaso aqui passar, guarde para si este segredo: não os use se quiser pôr um homem a milhas. Insuportável - nenhum homem gosta de ser apenas suportável, e se a alternativa é não o suportarem, ele tem sempre a capacidade de se iludir como sendo um problema de demasiada densidade da sua personalidade, ou mesmo, para aqueles mais dados aos conceitos não palpáveis, algo metafísico que se deva à enorme intensidade do seu ser. Irr...

central de co-geração

O verdadeiro problema que vão enfrentar as novas gerações não será a precaridade, nem a globalização, nem a paroquização, nem as micoses, nem o pacheco pereira, o verdadeiro problema que enfrentarão será arranjarem um nome que lhes convenha e que possa servir às teses dos barretos de sec xxi . O dicionário não ilustrado não podia faltar à chamada (entradas 1360 a 1368): geração rosca - considerando que as anteriores já possam ter esgotado as prerrogativas da anilha, julgo que esta designação assentará bem a uma nova geração que estando no buraco queira desatarraxar um pouco a pressão para poder aliviar na geração seguinte. geração masca - com o desaparecimento do consumo de tabaco pela via da queima da folha, associado ao desaparecimento da abundância dos bens alimentares, a grande capacidade evolutiva e adaptativa do ser humano fará com que o sistema gástrico adopte também a configuração e funcionalidade ruminante, e assim onde estiver um homem da nova geração estará pelo menos um...

manual de camuflagem de escrita

Existem os clássicos desinibidores de discurso, como sejam situações caricatas da realidade, entrevistas de políticos, descobertas da pólvora, gaffes diversas, cenas absurdas, pores-do-sol com lavagante, preocupações apocalípticas, revelações do Altíssimo, and so on, que vivemos, presenciámos ou ouvimos falar, mas, ao fim e ao cabo, tratam-se sempre de motivos banais para alimentar uma qualquer necessidade fútil de nos exprimirmos, exibirmos, desabafarmos, vendermos, o que seja. Mas muito mais interessante é todo o universo que se desenvolve em torno dos inibidores de discurso, tudo aquilo que gravita na zona das circunstâncias sobre as quais nós quereríamos mesmo falar, mas que, pelas mais diversas razões, não sabemos por que ponta lhes pegar, não só pela dificuldade e ambiguidade das mesmas, mas também pelo receio típico de 'o que irão pensar disto' a vasta multidão de marios castrins que nos rodeia. Enquanto as mulheres dominam relativamente bem (se pusermos de parte o mecan...

quando se for o pão cuidemos do circo

Por muito que nos possa custar, os políticos desempenham um papel ecológico, depurador (redentor já era exagero) na sociedade. Certos piquenos delitos comuns ao serem incorporados na sua (deles) actividade corrente acabam por se diluir e perder força, acabando por ser assimilados pela sociedade sob a forma de caquinha normal, fertilizando o bem comum. O dicionário não ilustrado , neste período pré eleitoral, e sempre sempre sempre, mas sempre, em período de reflexão, não se pronuncia sobre as mais valias de cavaco nem sobre as menos valias de alegre ( julga mesmo que o melhor seria arranjarmos um cavaco alegre ) e apresenta a síntese definitiva da ética política nas entradas 1347 a 1351. prometer o que não vai cumprir - pela sua natureza, tudo o que se relaciona com o futuro anexa actos de grande coragem. A 'promessa' enquadra-se nesta categoria. Assim, prometer aquilo que já se sabe que se vai cumprir é um desrespeito pela instituição 'promessa'; a verdadeira promes...

Euros e Tanatos

Hoje o dicionário não ilustrado trouxe a crise financeira para o divã; na sua 1ª aparição publico-privada (mesmo sem ser parceria) do ano não poderia deixar de fornecer ao amável público um guia - mon Dieu, moi même, je fait un guide! - para nos conduzir pelas novas inquietações, ó inquietação inquietação, pois está um recalcamento a cada esquina e uma sublimação a cada algeroz, e a diferença entre uma boa neurose e uma enrabadela de elefante pode ser apenas derivada à altura do genuflexório. Entradas 1338 a 1346 . taxa de juro - constituinte básico do sonho eurótico; sem uma taxa, qualquer entrega carnal se pode perder nos meandros da vulgar relação amorosa que, como sabemos, faz com que ainda não terminado o investimento já estejamos a carregar com o valor residual. politica orçamental - tipo de acto falhado em que a intenção se confunde com o destino. reguladores - trata-se dum tipo de situação de domínio em que o falo, em vez de se sustentar num bom par de tomates, opta por uma...

adeus sofia aparício

Hoje o dicionário não ilustrado volta à casa de partida com uma breve alusão às mitologias caseiras de passagem de década (entradas 1330 a 1337) : Cristiano Ronaldo - todas as estrelas passam pelo seu momento cueca, e é assim que Ronaldo entra na década, revelando que a tanga aparecerá sempre quando o país precise dela. Não tendo as mamas da Floribela apresentado pergaminhos suficientes para elevar o gene nacional ao grande altar etnográfico, a peitaça e o rabo de Ronaldo revelam-se os activos de refúgio para o imaginário nacional. Sócrates - mito absolutamente polissémico, desde pinóquio até turbo-engenheiro, passando por desenhador de marquises - sem esquecer a votação para um dos homens mais bem vestidos a ll over the world . Portugal soube construir a figura ímpar do impossível-possível, ou melhor, do batermos no fundo fazendo-nos pensar que era o tecto. Gatos fedorentos - depois do Solnado enterrado e do Herman oxigenado, o espaço arlequínico foi ocupado agora pelos novos bobos ...

Lavores Masculinos

Para quem ainda não fez uma lista da década e esteja precisado de palavras e expressões chave para distribuir pelas suas obras d'eleição (dá para discos, filmes, atum em conserva, livros, jogos de consola, ou consolo, peças de teatro, pomadas e qualquer tipo de sortido de exposições temáticas) o dicionário não ilustrado inaugura o ano novo fazendo jus à sua máxima: muita parra e pouca uva. ( entradas 1321 a 1329 ). Há que comer o bit que o diabo htmlou. 'Uma obra conceptual' - Verdadeira especiaria de qualquer lista, tornou-se uma arma de retórica obrigatória desde que o Brian Eno se lembrou de começar a verter o ruído do seu autoclismo para débitos em conta produzidos pelos copiraites. Como tem um travo demasiado intenso deve apenas ser utilizada uma vez em toda a lista, mas se por descuido pingar uma segunda vez nunca esquecer de regar também com várias aspersões de essências de 'tamanha sofisticação' ou 'abrangência tal'. 'Visionário' - É um term...

Demi-douzaine pour les vacances

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O dicionário não ilustrado (entradas 1315 a 1320) avança com os n+1 do verão do nosso contentamento: Segundas Intenções – Como apenas Deus alcança escrever direito por linhas tortas, o mais próximo que lá chegamos é falar dizendo aquilo que não queremos dizer. Podemos contudo ficar descansados pois o inferno está cheio, sim, mas é de boas e primeiras. Terceiro Mundo – Ainda assim com direito a pódio, este mundo é onde os outros dois vão buscar as medalhas de bom comportamento. Paraíso para missionários, enfermeiras, estatísticos e fabricantes de tendas, é o melhor local para as nossas boas intenções - acima insinuadas -poderem treinar os músculos sem apanhar nenhuma distensão. Pelo sim pelo não, mandar o Guterres como batedor. Quarto Poder – Com os primeiros três poderes esgotados de tanto serviço ao Bem Comum, este quarto pegou nas boas intenções que ainda sobraram de cima e decidiu dedicar-se à maldade privada, oferecendo um telecomando de brinde para os súbditos poderem escolhe...

Corn Flakes

A secção de gaffes do think tank de Sócrates reune de emergência este fim de semana a fim de discutir a política de gaffes para o exigente período eleitoral que se aproxima. Tendo perdido Pinho, o principal fornecedor de material de primeira, com o crescente apagamento de Lino e face à entrega da alma ao criador de Candal, o PS terá de encontrar sangue novo para renovar o seu capital de gaffes, não podendo deixar todo o orçamento entregue a José Lello e Ana Gomes. A gaffe assume crescentemente na política uma posição de relevo, e todos sabemos que muito do futuro se pode jogar numa gaffe certeira. O PS sabe o quão arriscado poderá ser deixar gaffes nas mãos de arrivistas, amadores, ou de meros curiosos em lapsos, ou mesmo biscateiros de calinadas. A fim de precisar os conceitos, hoje o dicionário não ilustrado , nas suas entradas nºs 1311 a 1314, dá um primeiro passo, que, sendo um pequeno passo para este blog, será um grande passo para todos vós. Gaffe – É o instrumento mais nobre da...

We are the world

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Jamais este blog poderia ficar indiferente aos avanços da Esmeraldísica, a ciência que estuda os ‘supremos interesses das crianças’. O dicionário não ilustrado (1303 a 1311 ) faz então hoje a categorização essencial, numa espécie de aristotelismo da paternidade. Reims, pormenor da Catedral de Pais biológicos – somos óbvios elos duma cadeia de esperma, que delicadamente apelidamos de sangue, e, mesmo que nalguns casos se tenham intrometido o leiteiro ou o homem da tv cabo, afinal todos nos apresentamos banhados por um qualquer óleo de linhagem. O que pouparmos no adn acabamos por gastar na graxa. Pais afectivos – a noção de sentimento é muito importante para a espécie, e sem ele poderíamos resumir-nos a um cocktail de azias e flatulências. Uns pais que se sentem são condição para que o imprescindível e estruturante remorso futuro esteja garantido. Pais adoptivos – Sabermo-nos filhos também duma verdadeira vontade burocrática e não apenas duma mera tesão deveria engrandecer o nosso cará...

Escala de Farmer

O dicionário não ilustrado ( 1289 a 1306) apresenta hoje em primeira mão e exclusivo a definitiva Escala de Farmer. A Escala de Farmer é uma espécie de meta-escala de mohs, e quantifica o nível de desgaste que se pode infringir a almas duras mas no fundo muito sensíveis. Foi criada em 1858 por uma hipnotizadora alemã de seu nome Johanna Farmer, quando esta por acaso se enganou e deixou a avó hipnotizada enquanto fervia o leite. Foi condenada a trabalhos forçados durante 35 anos, cumpridos a dactilografar receitas de caranguejo na grelha. Nível ( 1 ) ‘ Insinuar ’ – Trata-se dum desgaste muito simples que pode ser perfeitamente antidotado com um vulgar ‘vai ver se chove’. Nível ( 2 ) ‘ Maçar ’ – Este segundo nível apresenta já alguma consistência, mas é ainda facilmente rechaçado com uma série de humm’s, ou mesmo aplicando um ar de enjoo, com ou sem franzidela de nariz Nível ( 3 ) ‘ Confundir ’ – É um nível intermédio, geralmente o desgaste dá-se pela via d’«o que é que este gajo quer d...