Riga de Aluguer
Carlinhos sonhava com o Báltico. Poderia ter optado por uma nostalgia mais estónica mas não há nada como aquela letal-luz-letã. Uma luz que mata sem pulsão, mata apenas como desejo mal reprimido. Não tendo nenhum útero conhecido por aquelas bandas acabou por arrendar um apartamento pelo airbnb onde iria passar uma semana até que as águas do Daugava lhe rebentassem nos cornos. Ia só mas esperava que alguma companhia pudesse desabrochar naquele final de Primavera, numa espécie de namoro floralmente assistido, isentando-o daquelas liturgias de engate que obrigam a percorrer bancas de orquídeas vendidas ao preço de resgates a países de mau rating. Pediu à pombinha do espírito santo que lhe fizesse bater à porta uma fêmea com língua de fogo e que, assim, ficasse bem escaldado com o primeiro beijo. Fecharia os olhos e amaria que nem uma Cância desprendida, sem se preocupar de qual ventrículo viria a paixão envolvida. E foi assim numa Riga alugada que Carlinhos encontrou uma senhoria...