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Canónicas #7 «Temos de adoptar a opinião de que exigir que tudo o que nos passe na mente tenha também de ser do conhecimento da consciência é fazer uma exigência impossível» S. Freud, in ‘ O inconsciente’ , 1915
Canónicas #3 «O Inconsciente é semelhante a um grande círculo que contém o Consciente como um círculo mais pequeno» S. Freud, in ‘ A interpretação dos Sonhos’ , 1899 (apesar de pós-datada para 1900)
Apenas tentando pôr um termo (mais ou menos decente) a isto {1} {2} {3} {4} {5} {6} {1} Uma das distracções de Deus deverá ser certamente ver-nos entretidos a brincar com as rocas dos fins e dos princípios, chocalhando os poucos grãozitos de realidade a que se nos é dado a chamar pomposamente de 'fenómenos' nos dias mais iluminados e ‘merdas’ nos dias normais. Kant no prefácio à ‘Crítica da razão pura’, em 1781, começa assim: «A razão humana, num determinado domínio dos seus conhecimentos, possui o singular destino de se ver atormentada por questões, que não pode evitar, pois lhe são impostas pela sua natureza, mas às quais também não pode dar resposta por ultrapassarem completamente as suas possibilidades. Não é por culpa sua que cai nessa perplexidade. Parte de princípios, cujo uso é inevitável no decorrer da experiência e, ao mesmo tempo, suficientemente garantido por esta. Ajudada por estes princípios eleva-se cada vez mais alto (como de resto lho consente a natureza) para...
Quaresma XXVIII Ora aqui estão então contributos do... «Enquanto o homem normal admite uma categoria de actos acidentais não necessitando de motivação, categoria em que coloca uma parte das suas manifestações psíquicas e actos falhados, o paranóico recusa às manifestações psíquicas de outrem qualquer elemento acidental. Tudo quanto observa nos outros é significativo, logo susceptível de interpretação. Donde lhe vem esta maneira de ver? Aqui, como em muitos outros casos análogos, projecta provavelmente na vida psíquica alheia o que existe na sua própria vida em estado inconsciente. Quantas coisas se comprimem na consciência do paranóico e que, no homem normal e no nevrótico, existem só no inconsciente, onde a sua presença é revelada pela psicanálise. Quanto a este ponto, o paranóico tem então, em certa medida, razão, pois vê qualquer coisa que escapa ao homem normal, a sua visão é mais penetrante que a do pensamento normal, mas o que retira ao seu conhecimento todo o valor é a extensão ...
Maria, ( sim, agora dirijo-me directamente a si, e em serpentina, para não me poder agarrar ) Nos primórdios da psicanálise Freud escrevia que a «consciência de hamlet (outra vez este gajo) é a sua sensação inconsciente de culpa». Inaugurava-se assim aos poucos aquilo que G. Steiner chamaria de «metáforas controladoras», referindo-se aos mitos em oposição às «metáforas paralelas do pecado» que seriam estruturantes para as visões teológicas. Ora a ‘confissão’ nasce essencialmente no seio dum processo reconciliatório, longe de ‘sensações inconscientes’ sejam elas do que forem, e antes a responder aos apelos de união com Deus que sentem as almas que dalguma forma o reconhecem. A ‘forma’ actual do sacramento até é tardia – trazida para a europa ocidental por missionários irlandeses, julgo – mas não desvirtua o essencial da religião, ou religiosidade se quisermos adverbiar a conversa, que é ligar e converter (a par da dimensão vocacional). O mecanismo/método/doutrina/literatura/mitologia/en...
reflexos e actos fal(h)ados “Seria errado supôr uma oposição onde existe uma relação de cooperação” (*) Numa conferência de 1893 Freud aborda a etiologia da histeria expondo pela primeira vez a noção de afecto como um dos elementos que liga alma e corpo, ou seja, as componentes psíquica e física do ser humano. Mais tarde, e ainda sobre a histeria, concluirá existirem três modalidades gerais através das quais se processará o aliviar da excitação na sequência do processo traumático na base da sua génese: o movimento, a fala e a associação. Em 1891 é publicada a que muitos investigadores consideram ser a primeira verdadeira obra teórica de Freud (**) em que se clarifica alguma da relação entre a histeria e o uso das palavras e onde se encontra, de forma simples e clara, explicação para alguns mistérios quase insondáveis da natureza humana em geral (e da blogueira em particular): "há casos em que os afásicos sensoriais não dizem nem sequer uma palavra compreensível mas desbobinam síla...
‘We must say of Freud: after him there is only commentary’ (*) Ao ler Clara F.Alves no Expresso a escrever isto « numa conversa que tive uma vez com George Steiner, queixava-se ele de que a literatura, e o romance como grande arte, tinha deixado de focar e tocar a história do mundo para a poder organizar com a imaginação» lembrei-me logo daquela vez em que eu e o Freud fomos comer uns caracóis ali à Rua da Esperança e em que ele espantado e intrigado por eu não usar os palitos chupando directa e deliciadamente os caracóis da casca, acabou por me dizer à laia de desabafo científico: é por estas e por outras que eu concluo que tive uma infância infeliz e não soube aproveitar devidamente o processo amamentativo ao estar sempre a pensar em como por os palitos ao meu pai. (*) in ‘Where shall wisdom be found’ de H. Bloom, pag 240, ed. da Penguin group
Traumas Quando lí no Alfacinha algumas referências a Carlos Amaral Dias, assaltou-me a mente uma daquelas suas frases no “ Freud para além de Freud”. Dizia ele que “havia em Freud uma peculiar capacidade de tolerar a insegurança e de ter a coragem de continuar por aí “ Não sei se será totalmente verdade, mas eu gostava de ser assim, até porque “ trauma é o que não pode ser pensado ”. E pensar, como sabemos, não desemboca na opinião. Desfaz-se na opinião.