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A mostrar mensagens de março, 2007
Q’ridacionismo Deus foi sempre um querido desde o princípio. Deixou primeiro o homem espalhar-se ao comprido e, só depois lhe fazer ver que da sua costela nunca mais iria sair um chispe em condições, mas antes moça atrevida e insinuante, fez dele um objecto para constante invenção (apesar do Foucault, julgo, ter dito que o homem é uma invenção recente) e intermitente condimentação. Esta ideia divina dum casal primordial acho boa demais para ser apenas metafórica. Penso que a meio dos sete dias, da meia noite de quarta para quinta feira, aproximadamente, Deus terá chegado a congeminar uma comunidade de sexo e amor livre ali entre o corno de África e a virilha do Golfo Pérsico, tendo feito o primeiro teste com duas nederdalas, três cromagnons, quatro bambis e uma ninhada de cabras montesas, mas a imaginação e vitalidade da espécie em formação mostrou-se logo apurada e o resultado foi um fascinante rebanho de capri sapens e simius fabers, que acabaram por se desavir por causa duma discuss...
beyond Blondie - Maria [No Exit (Beyond), 1999]
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On the Waterfront (*) Dinamarca, apanha do berbigão. Primavera de ano desconhecido. A Sereia não estava porque tinha ido assinar um acordo de muda da escama com a L’Óreal. (*) Elia Kazan, 1954
Palmira Murcha Num blog da moda, ( dererummundi ) lia-se há uns dias em ambiente hamiltoniano : «De facto, as fêmeas são muito exigentes na escolha dos machos com que acasalam e procuram garantias que o macho escolhido tenha «bons genes» contra parasitas. Para isso é necessário que os machos as convençam da excelência dos seus genes. Para evitar «gabarolices», isto é, publicidade enganosa, as provas da boa qualidade genética são muito dispendiosas em energia: apenas indivíduos com bons genes as conseguem exibir» No entanto mais fresquinho, temos: «Na realidade, não obstante todas as evidências em contrário, para o público em geral a imagem que perdura incontestada é a da violência primeva do Homem, a sua tendência intrínseca para o mal, um assassino da própria espécie.» Tirando gostar da expressão ‘primeva’, porque me parece muito bíblica - se bem que algo discriminadora e não tão abrangente como seria primadão - fiquei enternecido com esta linguagem de precisão científica: ‘para o púb...
De passagem informam-se os dois leitores confessos (e todos os outros, incluindo tímidos, indecisos, envergonhados, curiosos ou acidentais) deste blog que, na sequência de acordo longa (ou nem por isso) e duramente (isso sim) negociado, o progenitor desta pequena (mas cuidada, há que dizê-lo) obra de arte (e design, ora essa!) regressa, de letras e imagens, à sua morada principal (e da qual nunca deveria ter saído mas, como qualquer mãe sabe, os homens crescidos são mais dados a birras que os miúdos em idade de jardim de infância): «Desfazedor de rebanhos» Com os melhores agradecimentos pela atenção dispensada e não tendo à mão, lamentavelmente, qualquer citação de autor russo que, a preceito, traduza o estado d’alma, fica a despedida com um abraço a todos quantos, por bem, vieram até aqui ao longo destes meses. Amanhã é outro dia.
u’r One In A Million - Lene Lovich
Ecce homo abandonatis É triste, mas é verdade. A patroa aqui do estabelecimento não liga nenhuminha ao que eu escrevo; e dedica-se, inclusivé, a elaborar grandes e sofisticados textos sobre o que outros meninos escrevem em torno de obtusas correlações e causalidades relativas ao empolgante tema da condição feminina. Estou a enciumar, é oficial. É que nem um mailezinho com uma palavra de conforto, nem uma sms com um smilezinho, ou mesmo com um ‘ó querido tem que se esforçar mais’, ou até um ‘perdeu a piada e o jeito, dedique-se a fazer spin-offs, e a explorar trabalhadores indefesos e envoltos em precaridade’; é que já nem peço um postezinho com mais de 3 linhas sem itálicos, já praticamente só peço uma palavra de ânimo, do género: «ânimo!»; estou objectivamente relegado para um mero valete de companhia aqui do blog, mero bloguista objecto, uma pura bucha para preencher o espaço entre os posts incrivelmente interessantes e bem pensados, que outros meninos superlativamente interessantes ...
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unbreakable, he said (*) (*) ou «a alma do objecto dele vista do lado do seu sujeito com jardim de flores, copos meio-cheios e garrafas meias-vazias ao fundo»
Manual de auto ajuda para amestradores de bivalves e outras mentes em estado de captação 1ª lição – Os grandes jectivos: o Ob e o Sub a) Objectivamente Jesus morreu pregado numa cruz, subjectivamente Deus sofreu pelos Seus filhos b) Objectivamente a Ota é um aeroporto, subjectivamente é uma plataforma de 243.657 estacas entalada entre um aquífero e uns sobreiros c) Objectivamente Portugal é uma nação, subjectivamente é onde encalhámos d) Objectivamente um beijo são dois lábios a juntarem-se, subjectivamente são dois corações a juntarem-se e) Objectivamente o SCP vai em terceiro, subjectivamente vai em primeiro f) Objectivamente o Morse é um código, subjectivamente também g) Objectivamente J L Borges não escreveu um livro de jeito, subjectivamente ensinou imensa gente a ler h) Objectivamente o Casino fica no Estoril, subjectivamente é para onde estivermos virados i) Objectivamente os fenómenos são coisas que acontecem, subjectivamente são coisas que nos acontecem j) Objectivamente é Nat...
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«dusk by the sea» (aka estoril landscape)
a puezia do dia de quêim êue guosto neim àis parêides cunfeço…
«Sou outra pessoa!» Mudou para Elseve anti-caspa da L´Óreal ou abriu o seu enésimo blog anónimo?
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clipping «E’er friend for today, is tomorrow’s heartbreak.»
O país por um canudo Depois de se ter passado uns meses atrás das sestas e das festas de Santana Lopes não vejo porque não se possa andar um bocado atrás do canudo de Sócrates. A imprensa tem de ser coscuvilheira, é essa a sua missão, para pensar por nós já temos os burocratas da CEE , a Inês Pedrosa e o Ruben de Carvalho. Num país em que as maiores mobilizações nacionais são o pirilampo mágico, os morangos com açúcar, e os gatos fedorentos, penso que sermos guiados por um cérebro filho duma pauta rasurada até era algo que ficava bem a condizer, e eu cá aproveitava o balanço e fazia também uma contagem de neurónios a uma rapaziada avulsa (de envergadura ministerial) e, se não desse cabo do orçamento do SNS, uma massagem cardíaca à oposição, visto que a estes, do pescoço para cima, já será desperdício de recursos. A não ser para procurar nódoas negras na versão oxidada de dama de ferro. Qualquer dia ainda tenho saudades do tempo em que éramos governados por um engenheiro electrotécnico ...
Luna Park «Dostoievski interessou-me na adolescência. Os adolescentes adoram Dostoievski, por causa do fogo-de-artifício e das discussões, mas não penso que os livros sejam muito bem construídos.» de Robert Dessaix, em entrevista ao suplemento ‘Ypsilon’, ‘Público’, 23 de Março
causalidade linear e estatística, lda Isto era pª ser um comentário n’ “ O Cachimbo de Magritte ” mas estendeu-se e acabei por preferir dizer por aqui o que penso desta análise de Luís Cabral. Assim sendo, peço desculpa do tempo que venham a perder ao ler este post. Não sendo leitora do Sol fui ler o artigo “O aborto e a condição feminina (O Sol, 17 Março 2007) ao blog pessoal do autor e confesso que não me pareceu muito claro. Ou isso ou, espero ser perdoada se o estiver a interpretar mal, é um artigo tendencioso e falacioso. Vejamos então: - as mulheres que têm apenas um filho têm piores condições de vida por terem apenas um filho ou será, em vez disso e bem mais plausivelmente, que só têm um filho justamente porque as suas condições de vida são já muito más e até um filho, um único filho com ou sem pai presente, é o suficiente para as piorar? Talvez não saiba mas no Portugal dos anos 60 mesmo ter apenas um, um só, um único, filho era, para a esmagadora maioria das pessoas da class...
Luna Park la chica y el mono, err… a menina e o avozinho: «Qualquer rapariga pode ser glamurosa. Tudo o que tem a fazer é ficar quieta e parecer estúpida.» - Hedy Lamarr
o «tímido» e lacrimejante bloglirismo íntimo (& counting…) Romance , aka Romanza - versão de Miriam Makeba
Apenas um post com poucas cenas de sexo e sem música Uma das mais luminosas revelações relatadas dos Evangelhos é a de que as pessoas se aproximaram de Jesus pelos mais diversos motivos: ou porque Ele os interpelava directamente, ou por curiosidade, ou porque queriam um milagre à borla, ou porque se sentiam pecadores, ou virtuosos, ou por acaso, ou porque O queriam lixar, ou porque eram importantes, ou porque eram miseráveis, ou porque eram una ‘maria vai com as outras’, ou porque tinham a mania que eram diferentes, ou porque não tinham nada para fazer, ou porque queriam aprender, um rol delas. Durante estes dois mil anos as coisas passaram-se sempre da mesma forma, a ligação entre o homem e Deus não está relacionada com nenhuma uma razão específica, nenhum temperamento específico, nenhuma aculturação específica, e não se manifesta com um padrão, não exige sequer um mesmo tipo de adesão emocional e racional. Por outro lado, os agnosticismos e os ateísmos são muito mais estereotipados. ...
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do pólen, da primavera ou do lacrimejante bloglirismo íntimo
D. Flourenço e seus dois maridos D. Flourenço tinha duas paixões: a estatuária pré Praxiteliana e o espólio perdido de Calímaco. De dia sonhava com Diadumenos de corpos epsilonizados e de noite sonanbulava com inversões poéticas inspiradas em Conópions com pêlos. Todos os dias era um castigo para se levantar porque lhe pesava a erudição naquela zona da nuca onde o indecente bafo se aloja, e por vezes impudicamente se cola que nem espuma de poliuretano mal expandido. Declarou-se um dia escritor. Iria fundir a poesia com a anatomia, o sentimento com o fermento, traria a castidade para fora do convento e faria dum obsceno gemido a ternura dum lamento. E foi assim que, da épica para a lírica e da coxa para o lombo, se deixou envolver por dois amantes ciumentos: um que parecia um verso alexandrino da cintura para cima e outro que se assemelhava a um vilancete da cintura para baixo. Vivia que nem uma autêntica redondilha. De manhã, a um recitava adaptações de Rufino, e, à tarde, a correr, ia...
ao pé disto o cioran parece o roger martin do gard não acredito na força da palavra, não acredito na força das ideias, acredito sofrivelmente na força bruta, já acreditei mais na força da mente, acredito pouquíssimo, mas ainda assim algo, na força das imagens, mas acredito no cagaço, no pânico, no terror, no desenmerdanço, no dar de frosques, no colinho da mamã, na pasta de dentes, num sinal da cruz bem feito, num beijo bem dado, numas costas largas, numa ecografia, numa dor de cotovelo, numa lágrima bem tirada, num encolher de ombros, no papel do filtro dos ‘gitanes’ quando se cola ao lábio, na misericórdia divina, na comichão que é sempre um bom sinal, na doçura dum deixa andar, e nos amores de livro, onde amar é amar.
e você? já deu palha ao seu burro ( cavalo, é? ah… ) de tróia hoje? ( pergunte-lhe ao ouvido se quer mais )
Luna Park «Eu aguentei com a graça de Deus, eu resisti com a graça de Deus», Pedro Santana Lopes, SIC Notícias, 18 de Março, Lua Nova
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hoje: metaciências e assim
axé ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão. ( ou não? )
Minha estimada senhora, cada um tem o treinador que tlebsse. Não sei se estava a referir-se premonitoriamente aos três pontinhos que os lagartos sacaram à tripeirada naquele estádio que tem mais correntes de ar que a plateia do teatro da trindade. Ao assim ser, faço-lhe notar que, quando um treinador chamado Jesualdo, que às primeiras até aparenta ser uma corruptela aligeirada do nome do Redentor, é confrontado com um outro, que já de se si é Bento, cria-se uma situação de inferioridade teológica de alguma monta; analisemos: enquanto a ‘benção’ é um acto que pretende valorizar um bem terreno, dotando-o de propriedades que garantam ao seu usufrutuário uma maior comparticipação das benesses transportadas graciosamente pelo próprio crucificado (penso que o Cardeal Patriarca ainda vai aproveitar esta frase, nem que seja na pastoral das costureiras), a redenção é um acto divino que, ao ser indevidamente apropriado por indivíduos sem preparação ou envergadura, pode acarretar efeitos secundár...
Luna Park Pode um desejo imenso / Arder no peito tanto, / […] / Que faz que leia mais do que vê escrito. - Camões, L. V., Ode VI
Proibexibicionismo Está provado que o efeito cruzado entre o tgv e a abolição dos isqueiros bic permitirá a alargar o raio de eficiência duma urgência hospitalar em 73,5 km. E se a esta combinação for associada uma subida de 15% no uso dos genéricos, um cartão único com foto tipo passe, a restrição ao uso de adjectivos na forma superlativa, e a redução das correntes de ar no palco do S. Carlos, então praticamente só com uma urgência em Abrantes, uma coincineradora em Figueiró do Vinhos, e seven up à borla para todos, a reforma do país fica feita.
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alphabet
Brandy para agnósticos Estou quase a ficar um fã daquele rapaz que escreve no ‘ a vida breve ’. Neste momento sinto-me praticamente aristocrata e, obviamente, restrito, no entanto, como dizem – mais ou menos – os ‘Smiths’ numa música do ‘the queen is dead’ – a preguiça para me levantar daqui e confirmar é fortíssima – i’m a so good looking guy que é um espanto estar aqui quase a adormecer alone, a roçar a circunspecção e a apetecer-me rezar um tercinho pelas almas desencaminhadas pelo combativo descodificador de taras e vasilhames religiosos LMJ. Aquela tal de instituição fundada pelo tipo que aparece nos filmes do Mel Gibson a verter glóbulos por tudo que é sítio, neste momento parece estar numa encruzilhada: ou monta uma quermesse de t’shirts de contrafacção na Costa do Marfim , ou vai vender brasões de parafina para Vila Viçosa. O centrão sociológico, segundo seu jorge, não quer liofilizar, aposta tudo no desinteresse religioso, nos low cost e no supermercado do corte inglês, e os t...
Luna Park «Quem não precisa de se não precisou de mais nada» de João Bénard da Costa, in ‘Os filmes da minha vida, na crónica sobre ‘Casablanca’
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movimentos elementares Rafael Múgica (aka Gabriel Celaya) © gipuzkoakultura.net Si el sol sale, zumba, truena / como un dios antiguo de la luz poderosa, / hermoso, con sus barbas floridas y sus muslos / morenos, duros, recios, / también yo soy mujer, / también me abro en espasmo, pues eso es hacer versos: / llorar mientras resbalo por caricias y ríos / de sombra espesa y dulce. Gabriel Celaya: «Posesion», in Movimientos elementales (Donostia-San Sebastián: Diputación Foral de Gipuzkoa, Departamento de Cultura, Euskara, Juventud y Deportes, 1999)
‘Guy Who Got a Headache and Accidentally Saves the World’ (*) from the dark side of the faith Leio num blog chamado ‘ a vida breve ’ que «qualquer fé é uma alternativa à realidade», acrescentando um pouco mais à frente (mas mesmo pouco, pois nem precisou de escrever muito tal a densidade do seu pensamento) que «vive nessa terra de ninguém» que é o «fora do tempo». Estamos perante uma perfeitíssima fusão entre o peter panismo e o forrest gumpismo que, para além de se poder aplicar a tudo, desde a ciência até à culinária passando pelo jogging - basta ver quantos cientistas se terão esquecido de jantar para devolver à humanidade suada o clarão do conhecimento – reforça ainda mais a minha condição de crente que se descobre afinal esvoaçando alegremente num buraco negro desgalaxizado. A ilusão-atarantada agnóstica ou ateia de que a fé coloca o homem a meio caminho entre o pavimento flutuante e o tecto falso só se pode compreender pela dificuldade que o conhecimento humano terá em distinguir...
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chorda Achillis Campari by Blahnik (Outº- Invº 94/95)
(As melhores) declarações de amor (lidas e ouvidas) em Fevereiro Bonnie ‘Prince’ Billy, no seu disco do ano passado ‘The letting go’, começa logo na primeira faixa ‘Love comes to me’ com um delicioso : «O, sugar won’t you be my only / I’m a hard-hearted honey-pot hungry shepherd / And I’m longing to be born for you». Ora dizer-se que desejávamos ter nascido por/para alguém, é – para além dum desafio ao criador – um dos clímax na declaração amorosa; ao mesmo nível está a obrigatória insaciedade, elemento fundador da relação amorosa, sem a qual ela se pode parecer a uma mera receita de arroz doce; os ‘The Shins’, aquela mistura deliciosa entre os ‘Smiths e o Tony Carreira, no seu recente ‘wincing the night away’, cantam em ‘Red Rabits’: «Born on a desert floor, you’ve the deepest thirst, / And you came to my sweet shore to indulge it, / With the wan and dreaming eyes of an orphan,/ But there is not enough, /There is not enough.». Isto ficou imediatamente a pedir assim uma coisinha mais s...
Luna Park «Apenas ao cair do crepúsculo a coruja de Minerva estende as suas asas.» - Hegel, 1821: Fundamentos da Filosofia do Direito
You gotta give to get El Perro del Mar - « God Knows »
Luna Park «Não se pode sonhar com um homem qualquer. Um marido é fácil, relativamente fácil, apesar de difícil. Mas um homem para sonhar, um homem para sonhar e que veja em mim somente uma mulher para sonhar e que não exija mais de mim…» in «Bolor», Augusto Abelaira, Ed. Bertrand, 1968 (pp 188)
YouTubas bem mas não m’alegras Desde que esta coisa dos blogs se tornou uma filial do youtube nunca mais se conseguiu dar um passeiozito pela blogaria descansado e descontraído. Ele há um pouco de tudo, mas, basicamente, ninguém quer perder a hipótese de descobrir um achado youtúbico, uma novidade cacaregante. Tenho algumas saudades dos tempos em que as verdadeiras discussões que interessavam eram sobre quem punha e não punha fotografias, quem tinha ou não comentários, quem tinha ou não aldrabado a leitura do Proust, quem usava e abusava ou não dos itálicos, quem citava ou não o Pavese, e depois, até quem impingia ou não uma musiquita. Qualquer dia, em vez de se gozar com o pacheco pereira, ou com a florbela espanca, até haverá gente a pôr vídeos com saraus de ginástica ou entrevistas com o Armando Vara. Falhos de conteúdo, cansados da forma, e obliterados de imaginação, deixámo-nos levar pela ilusão do movimento.
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pijn
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O Eclipse de facto foi ontem, no entanto, (a utilização da expressão ‘no entanto’ revela já a continuidade dum processo discursivo interior, todo ele muito próprio de seres com tendência mais espiritual, se bem que não desprezem nem os compromissos biológicos para com a espécie, nem os sociológicos para com o próximo) mme, penso que terá chegado a altura de a confrontar, e de caminho à sua liberdade, criatividade, técnica e expressividade foto-criativa, com o Futurismo Russo. Confesso que às primeiras hesitei um pouco mas queria definitivamente partilhar consigo uma especial, e antiga, predilecção minha com o poeta Viktor (depois começou a usar Velimir) Khlebnikov. Não, não a irei maçar esparramando aqui poesia destrambulhada, espasmos de ‘zaum’ (nome que os gajos deram para a linguagem para além da razão e do sentido – ‘beyonsense’ é uma tradução gira para inglês, não é? até faz lembrar aquela moça jeitosa que canta e tudo, e que daria uma ilustraçãozinha extra em bom na parte final d...
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Berlindagem de estatutos Novo vencedor do concurso BES FOTO Eu cá agora sugeria à mme que me anda sempre a mandar aqui boquinhas e coiso que arranjasse uma fotografiazinha assim dum berlinde com o símbolo da PT lá dentro e com o dedinho de Sócrates a dar-lhe uma quincadelazinha e com o Belmiro de bibe a pedir que então lhe deixem agora abrir os supermercados aos domingos à tarde e assim senão eu também fico um bocadinho blindado perdão melindrado e se quiser legendá-la como Abafador BES também pode mas não sei se serão muitos trocadilhos juntos e tal.
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Mas YouTubadas agora é que não vale A Sra ainda me está em falta com a fotografiazinha do ‘abafador BES’ – ‘o berlingador de estatutos’, mas não resisto a trazer aqui à postagem que, quando colocou aquele seu último cartoon com a ruiva encostada à carripana do gajito de cabelo ralo, numa diáfana provocação, lembrei-me de imediato da capa do disco dos ‘Beirut’- ‘Gulag Orkestar’, saído o ano passado. Quero-lhe desde já dizer que, independentemente da capa, – já lá iremos – o disco é muit’bom. No fundo até será eventualmente apenas um puto virtuoso a cantar músicas inspiradas naquilo que se pode chamar o folk-aciganado da europa do leste, uma mistura de morricone com kusturica (já ouviu os ‘Devotchka’ por acaso?) apesar do gajo ser bem americano, do mesmo sítio donde vieram os ‘The Shins’, que conhece certamente pois toda a gente fala desses gajos que fazem música para elevadores panorâmicos e bichas na autoestrada. Mas a sra se calhar pode não gostar deste, temo-o, até porque o Cura não ...
liebling Sünden «Gosto do aroma do papel, de todos os tipos. Lembra-me o aroma da pele. […] O cheiro de papel branco é como o aroma da pele de um amante novo que tenha acabado de fazer uma visita surpresa vindo de um jardim chuvoso. E a tinta preta é como o cabelo envernizado. E a pena? Bem, a pena é como esse instrumento de prazer de cuja a finalidade nunca se duvida mas de cuja surpreendente eficiência nos esquecemos sempre, sempre.» Nagiko in «O Livro de Cabeceira» (Peter Greenaway, 1996)
Pela Passadeira Rosa. Os Óscares da paróquia. Melhor filme Referendo ao aborto (apesar de ser uma sequela, desta vez as t shirts eram piores mas as miúdas mais giras) Melhor realização Sócrates, sempre entre o ‘fazer o que tem de ser feito’e o ‘quanto mais choram menos mijam’, juntando o potencial mímico do cinema mudo com o potencial distractivo dos grandes musicais Melhor montagem Vasco Rato e Odete Santos juntos na luta pelos direitos da mulher Melhor argumento original O reformismo socratalista. Um guião baseado na ideia de Portugal como uma grande Cova da Iria, em que todos somos pastorinhos a tratar de arranjar a melhor sombra na Azinheira, mas, no fundo, sabendo que a coisa só se resolve mesmo quando a Santa aparecer. Realizado por Joaquim Sapinho, dado que, se o temos de engolir ao menos que seja pequenino Melhor argumento adaptado Reuniões Camarárias na CML ( baseado no livro de fusão: ‘A última ceia em Paris’, mas sem vaselina (leia-se manteiga) nem beijo de judas) Melhor doc...
Luna Park «Natureza – Imaginavas, talvez, que o mundo tivesse sido feito por vossa causa? Pois fica sabendo que as minhas obras, planos e acções, com poucas excepções, sempre pus e ponho as minhas intenções em tudo menos na felicidade ou na infelicidade dos homens. Quando de qualquer maneira vos molesto, e seja qual for o meio que uso, não me apercebo de que faço, a não ser raríssimas vezes; do mesmo modo que, normalmente, se vos causo prazer ou benefício, não sei que o fiz; e, ao contrário do que pensais, não fiz as coisas que descreveste e não pratico as acções que referiste, para vos ser agradável ou útil. E, para terminar: mesmo que se desse o caso de eu extinguir toda a vossa espécie, não daria por isso.» de Giacomo Leopardi in ’Pequenas Obras Morais’ – ‘Diálogo da Natureza e dum Islandês’ (ed Relógio D’Água)
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still waiting, sir?