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A mostrar mensagens de março, 2012

Lançamentos Exemplares

A editora Choco com Tinta tem o prazer de anunciar que vai lançar o livro de prefácios de Ernesto Mourão, intitulado: 'O que nos traz a Culatra'. Neste Volume estarão reunidos os mais representativos prefácios escritos por Ernesto para os vários autores da Choco em quase 3 anos de colaboração íntima e cúmplice. Sem os seus prefácios a literatura Portuguesa estaria órfã, e mesmo que a controvérsia neles esteja sempre presente, não é por acaso que se fala do prefácio antes e do prefácio depois de Ernesto. Passando também a partir de agora a contar com toda a obra de ficção de Ernesto Mourão no nosso Catálogo, julgamos estar a dar a uma das vozes mais singulares da nossa escrita o espaço de liberdade e afirmação que ele merecia e ansiava. Aproveitamos também para agradecer à editora Mosca Morta, agora integrada no grupo Derrapagem, pela forma cordata e justa como tratou connosco desta transferência que já se prenunciava. excerto da nota de impressa emitida pela Choco com ...

Comunicações Exemplares

Na sequência do uso abusivo de citações de Oscar Wilde por algumas editoras, designadamente a Mosca Morta e a Fuligem, a Associação Portuguesa de Epigrafistas decidiu iniciar um boicote a este autor até que sejam respeitadas a quotas instituídas pelo Registo Nacional de Frases de Belo Efeito ( o RENALFABETO). Depois de termos ultrapassado o período conturbado da liberalização da epígrafe, que deu origem ao fenómeno que ficou conhecido como o subprime de zaratrusta , com uma proliferação abusiva de frases de Nietzsche que se vieram a confirmar ser afinal do Sr. Marco Alberto, vemo-nos agora confrontados com uma concentração excessiva de epigrafes num único autor que, não só viola o principio básico da concorrência entre citados, como lança no descrédito o trabalho do 'Vasculhador de frases de belo efeito', uma profissão que deve merecer o maior apoio de toda a sociedade, necessitada que está cada vez mais de referências e pontos de apoio. Assim, a partir de hoje e por tempo in...

Apoio à Leitura

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Necrologias exemplares

Faleceu de morte súbita, à primeiras horas do dia de hoje, o escritor Dário Carneiro que contava com 61 anos. Com uma vida dedicada a elevar a ficção a patamares e alçapões pouco experimentados pela ficção nacional, Dário teve no seu último romance 'Infernizar' , editado pela Choco com Tinta, um êxito de vendas que o levou a ser traduzido em mais de 20 línguas, 5 dialectos e 3 sotaques. Iniciou a sua carreira como promotor de vendas na Rosicler, mas rapidamente os seus contos foram notados por Nelson Barbosa, o famoso editor da saudosa Cacimba, que o trouxe para a ribalta e que culminou com a atribuição do prémio Pingo Doce das Letras em 2013. Pelo meio ficou a sua turbulenta relação com Custódia Passos (a autora do agora reeditado 'Sorte Macaca') que provocou o suicídio desta, num caso ainda por explicar e que envolveu o estranho desaparecimento da pilinha de Flávio Cossaco. A sua obra influenciou bastantes romancistas e produtores de folhetos de promoções da nova ge...

Fofocas Exemplares

«Depois dos êxitos tão retumbantes como inesperados dos últimos títulos da chancela Mosca Morta, aos quais não foi certamente alheio o caso amoroso e escaldante entre Simone Bolina e Flaubert Queirós ( que chegou a publicar o bestseller 'Colchão de Noiva' na já extinta Cacimba), os accionistas do Grupo Derrapagem assinaram um memorandum de entendimento visando a absorção da Mosca Morta, por troca de acções com a sua filial Fuligem. Dois editores desta última já reagiram e mudaram-se para a Adamastor, que agora passará a contar no seu portfólio com mais nomes sonantes do chamado romantismo esclerótico, a corrente literária que a trouxe para a ribalta, iniciada por Salvador Alves Arinto com o seu título emblemático 'As minhas cruzes'. A comunidade literária aguarda com expectativa estas mudanças, mas a Associação Portuguesa de Epigrafistas já fez saber que tem em preparação um pré-aviso de greve a frases de Nietzsche e Óscar Wilde. A Relações Públicas da Derrapagem, Jud...
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Pormenor do Tecto da Igreja de S. Nicolau, em Lisboa

Plágios Exemplares

Alexandre Felipe Caramelo era o quarto filho do comerciante de retalho de Setúbal, Felipe Paulo Caramelo, que ficou célebre no seu tempo, e ainda hoje recordado, por causa da sua morte trágica, ocorrida há precisamente 15 anos, degolado por Lurdes Felinto, e de que falarei mais tarde. Agora apenas digo que este «comerciante de retalho» era um sujeito estranho, mas desses que se encontram com frequência, um tipo de homem que não só não sabe fazer nada, como é depravado, mas que trata dos seus interesses com uma perfeição de mestre, no fundo a sua única e real qualidade. Felipe Paulo, por exemplo, começou do nada, era um comerciante de pouca importância, fazia-se convidado para as mais diversos festas, introduzindo-se assim em ambientes que normalmente lhe estariam vedados, mas acabou deixando uma fortuna ainda hoje difícil de avaliar. Era também aquilo que hoje se chama um homem excêntrico mas, repito, não o era por estupidez, era-o essencialmente por inaptidão, e ainda por cima dum g...

Badanas Exemplares

Carlos Corrimão nasceu no Ribatejo em 1958 e é filho do mártir comunista Feliciano Corrimão. A matéria prima das suas crónicas tem origem no absurdo que é confiar naqueles que se elegem pelo voto - o votómito, expressão por si inventada. O seu estilo inconfundível não deixa margem para dúvidas pelo tom compulsivo e pela estética repulsiva. As suas influências, como ele dizia, devem encontrar-se nas anedotas porcas e na dona zulmira, pessoa que não se chegou a saber se existia na realidade, mas que todos os sinais apontam para ter sido uma freira carmelita a quem comprava maçã reineta no convento de coimbra. As edições Adamastor já tiveram o privilégio de editar o seu livro de contos 'Pauzinhos ao Sol', o seu romance 'O Caril' e prepara-se para editar a sua biografia de Diogo Cão. A presente recolha das crónicas que publicou no Benavente Weekly ( um jornal de teor anarquista entretanto comprado pela holding Huambinova) são uma demonstração de que Corrimão é uma voz lum...

Prólogos Exemplares

A acção desta Peça decorre na zona da Rua dos Correiros, em Lisboa, e tem como cenários principais um café, uma farmácia e uma modista. Os dois protagonistas principais são Carlos Suiço, um alfaiate reformado que recorda os seus clientes famosos e que se diz detentor da fórmula do modelo de corte universal, e Silvia Mourão, uma empregada de café que está apaixonada pelo filho de Carlos, um ajudante de farmácia que se vê apanhado numa rede de contrabando de genéricos. Luísa L. Saleiro (nunca saberemos o significado do L.) é empregada do gabinete de moda da Dona Armanda Moutinho e tem um caso amoroso com Carlos, que é viúvo e, obviamente, carente, não por ser viúvo mas por ser homem. Luísa tem aspirações a poetisa (talvez por isso o uso do L. com funções estético-enigmáticas) e por várias vezes se vê em situações incómodas com as clientes de Dona Armanda que nem sempre assimilam bem as imagens lirico-simbólicas que Luísa por vezes deixa à socapa nas etiquetas. Tudo se passa na Primaver...

Apresentações Exemplares

Não deixou de ser simpático da parte da equipa editorial da Fuligem terem-me convidado para apresentar este livro póstumo do Rui Filete, mas eu sei que se ele ainda cá estivesse entre nós gostaria que fosse eu a apresentar ao mundo este seu último livro. O Rui a partir de certa altura, como alguns saberão, começou a intitular-se como Ensaísta. Quando a primeira pessoa lhe perguntou por que raio se apresentava ele assim sendo um mero assentador de tacos, ele respondeu ligeiro e sem hesitações que se assumia como um especialista em saias. E de facto era. Disse-me um dia que tinha percebido que as mulheres serviam um pouco mais do que para fornicar depois de uma lhe ter enxugado uma lágrima com uma bordinha da saia plissada e ele ter ficado imediatamente com uma espécie de excitação mas em que a afluência vascular curiosamente se dirigia para o dedo grande do pé. A erecção do dedão grande passou a ser uma espécie de tesão de substituição que, entre outros efeitos práticos o obrigou a c...
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Pormenor do tecto da Igreja do Sacramento, em Lisboa

Epílogos exemplares

Raimundo dedicara a maior parte da sua vida adulta a descobrir a fonte tipográfica ideal. Não se tratou de encontrar a que permitia uma leitura mais descansada, ou rápida, ou mesmo esclarecida, mas antes aquela mais inspiradora. Passou horas a fio a testar serifas, hastes, pernas, grossuras, espaços, aberturas, eixos, formas e contraformas, com uma minúcia de relojoeiro e uma devoção de eremita. O seu sonho foi revelar a fonte da sedução, a fonte que desse à palavra mais sentido e que a fizesse entrar na alma do leitor, ora arredondando-a, ora picando-a, ora torcendo-a ou esticando, num esforço quase mediúnico de expressionismo tipográfico para transformar a letra impressa num elixir de comer com os olhos. Procurava letras que se pudessem pegar com as mãos e que cada um pudesse levar ao colo e guardar como pequenos graalinhos, tesouros de efeito e feitio. Chorou porque uma terminação era demasiado grosseira, gritou com serifas que pareciam ouriços, éles que pareciam chouriços, exaspe...

prefácios exemplares

Quando em Janeiro dum ano que já passou Mónica Meireles deixou Felipe Farinha e o trocou pelo inesperado Joaquim Dias, eu estava longe de perceber que esse desenlace iria levar Felipe a uma fase de recreação artística de índole renascentista. Mónica geria a sua relação com ele numa base estruturalóide, ou seja, Felipe representava uma parte bem definida e localizada na sua holística pessoal, com funções e operacionalidades que respeitavam um modelo subjacente, algo entre um sistema operativo e uma rede de hormonas, caprichos, racionalidades avulsas e cartilagens. De forma quase implícita a vida em comum cumpria rituais, regimentos, rotinas que funcionavam como que bebendo duma norma iso dedicada a conjugalidades. Liberto dessa programação, mesmo que pela via da estruturação de apêndices ósseos frontais, Felipe, em vez de se entregar à depressão inerente ao abandono ou à luxúria decorrente da emancipação, dedicou-se a elaborar frescos de memória destinados a misturar cenas l...

epígrafes exemplares

The forward violet thus I chide: 'Sweet thief, whence didst thou steal thy sweet that smells, If not from my love's breath de W. Shakespeare, soneto nº99, in O Alperce e a Nêspera , de Marco Alberto, edições Choco com Tinta, 2013

Sinopses exemplares

Álvaro Gaspar apenas fora realmente feliz enquanto vendia automóveis em múltiplas mãos. O que ele se deliciara-se a fazer recuar conta quilómetros, a falar dumas pastilhas de travão trocadas à pressa como se dum turbo em folha se tratasse, e a disfarçar riscos de pintura com misturas químicas que fariam inveja a prémios nobel. Quantos romances de amor não tivera de escrever mentalmente para enfiar uma carrinha ao preço duma limusine, «oh se este banco de trás falasse», passara a ser uma das suas palavras de ordem quando as mudanças automáticas lhe vieram reduzir o efeito dos trocadilhos com as manetes. Não que aqueles tempos em que fundou a seita de adoradores de tubérculos não tivesse sido também recompensadora, mas ao ser esse o critério mais importante nada se teria assemelhado aqueles meses gloriosos em que manteve a coluna semanal sobre aplicações financeiras alternativas num jornal electrónico especializado em roupa íntima feminina. Chegou a ter mais cartas que o consultóri...
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Pormenor do tecto da Basílica dos Mártires, em Lisboa

Últimos Parágrafos #8

«No dia em que o circo fechou, Julio Facada levou a sua cadela ao veterinário para a desparasitação, era um luxo para as circunstâncias do momento, mas Filipinha seria tratada como uma princesa até que lhe fosse possível. Já Rogério Fantasia dedicou as suas últimas horas na tenda gigante a limpar as bostas de Filipão, o Elefante mais velho e amestrado, que conseguira vender à justa a um circo checo e que tinha andado de diarreia nas últimas semanas, sensibilidades de animal, nada que não tivesse também acontecido a Nabucodonosor, um tigre com sete anos que acabou por ser praticamente oferecido a uma empresa de eventos e publicidade que tinha várias contas para multinacionais de champô. Enfim, a bicharada praticamente toda tinha encontrado um destino decente, até a dupla de macaquinhos, Saraiva e Gonzaga, tinham conseguido impingir a um contrabandista de animais ali com uma loja de fachada de selos e moedas junto à Paiva Couceiro. Aparentemente tinham ido num lote com três catatuas e ...

Últimos Parágrafos #7

«A primeira varejeira apareceu muito antes de os primeiros vermes terem sido avisados da ocorrência. Os raios do último sol do dia refractavam pela janela dentro e incrustavam-se nas cartilagens mais expostas criando aureolas dum brilho de cristal. A boca mantinha-se aberta parecendo reter uma frase espirituosa, o olhar era ainda de interesse pela vida mas a postura do tronco já desenganava qualquer diagnóstico mais optimista. A tripa ondulada esboçava um tímido assomo pela fresta que se abria no imponente ventre mas não chegava a instigar nenhuma curiosidade mais exigente. Quando a luz da Lua grávida despontou, um serviço de porcelana ainda a desenvencilhar-se do embrulho quis recebê-la com a distinção que merecia, mas deitada na bancada pouco mais havia que aquela bela cabeça de pescada.» in Colchão de Noiva , de Flaubert Queirós, Edições Cacimba, 2013

Últimos Parágrafos #6

«A memória dos seus beijos era já uma coisa longínqua, mal os distinguia de simples amostras de perfume, perdera para sempre aquela sensação única do contacto, fosse tímido fosse brutal, com a sua pele, o coração desabituou-se de batidas galopantes e nunca mais teve apertos de peito provocados pela espera, pela aproximação da despedida, pelo anúncio da chegada. Regressava agora ao ser amorfo do qual pensara nunca mais vir a pertencer, teve de repescar uma essência perdida, vasculhar nos confins da capacidade de nada sentir e voltar a militar na suas teorias de desprendimento científico. Teve-a ali, nas suas mãos e deixara-a fugir, nem sabia se para outro se para ninguém, só sabia que já não a tinha, o resto não interessava, descobrira que o nada é afinal a outra face do tudo num mundo onde o meio termo é uma ilusão de óptica.» in Fim de Tarde , de Salvador Alves Arinto, edições Fuligem, 2013

Últimos Parágrafos #5

«Comprou finalmente o seu direito a ser escravo por duzentos dólares. A vida livre trouxera-lhe dissabores dos quais nunca se soubera desenvencilhar de forma conveniente e ficara com frequência encurralado entre escolhas várias. Encruzilhadas, Bifurcações, Alternativas, Opções, de tudo isso ficaria agora dispensado, pagava para que decidissem por ele, era a melhor aplicação para as poupanças que lhe restavam. Quando Philip lhe perguntou se não viria a ter saudades de ser livre, respondeu-lhe com um sorriso condescendente que a liberdade apenas lhe servira para ter comido gelado de pistacho quando afinal baunilha teria sido mesmo a melhor escolha. Só a escravidão lhe permitiria apreciar a desilusão como destino e o destino como ilusão. Comprou roupa nova com os seus restantes cem dólares e entregou-se a uma instituição pública como funcionário para todo o serviço. Tomariam conta dele como numa utopia comunista falida, e fariam novamente doutrina consigo. Adquiriria estatuto de case st...

Últimos Parágrafos #4

«O diabo saiu-lhe do corpo pelas três da tarde. Aproveitou e foi beber uma cerveja bem gelada testando de caminho em que estado lhe tinham ficado as entranhas. A primeira sensação foi boa, afinal o diabo deveria ter passado o tempo apenas em zonas mais subidas, e o paladar também não o traiu, exceptuando um certo travo exagerado, mas esperado, a enxofre. A ultima golfada foi acompanhada duma ave-maria mental, uma espécie de oração de circunstância mas eficaz. No pires ainda jaziam uns quantos cajús, que de forma súbita começaram a exalar um odor bafiento e acre. O diabo esconde-se nos aperitivos, riu-se. Sentia-se verdadeiramente aliviado, tinham sido dois anos de convivência controlada com o maligno, sem subsídios, sem nenhuns apoios, contra a opinião de todos, sem nunca saber ao certo onde estava metido, diga-se, mas guardara a última moeda no forro das calças para o exorcismo e vencera a tentação de a trocar por um arroz de lampreia; afinal um arroz de lampreia não passa dum a...

Últimos Parágrafos #3

«A graxa já estava em grânulos, muitos anos tinham passado desde a última vez que tinha aberto aquela lata. Olhou para os sapatos castanhos com a mesma complacência com que tinha escrito a sua carta de demissão, e tomou consciência de que começara agora a ser mais um homem a carregar a sua insignificância, despido da influência que tinha exercido de forma implacável. Quase por reflexo cuspiu para o coiro seco e reparou que afinal quase tudo precisava duma boa cuspidela antes de ser começado.  Imolara-se no fogo do esquecimento para salvar a pele a um presidente eleito por meia dúzia de votos manipulados, mas quem cospe por último cospe melhor, foi a resposta final da sua consciência bem treinada para produzir consolações de recurso.» in Surto de Sorte , de Jaime J. Jardim, edições Derrapagem, 2013

Últimos Parágrafos #2

«O ranho corria-lhe agora sem cerimónias e quando, por fim, recolheu o sal de duas lágrimas que ainda deslizavam como que perdidas, já nem estranhou a falta da saliva, que entretanto ficara retida na represa de entre-lábios, secos, tão secos eles estavam de não ver boca alheia ia para mais de vinte horas, incluindo as duas do sonho que Sofia levava. Quando Bartolomeu chegou, inclinou-se, e perante aquele panorama hídrico encolheu os ombros, virou-se para uma mulher de olhos brilhantes que o controlava em espera técnica, abraçou-lhe a cintura vindo de estibordo e levou-a para a proa. Já o sol nascera e Indira vencera.» in Mangericão e Coco , de Vasco Dias, edições Adamastor, 2014

Últimos Parágrafos

«Carlos desceu então as escadas, deu-se ainda ao cuidado de olhar para cima, pôs as mãos cuidadosamente nos bolsos e só depois de respirar quase piedosamente fundo saiu para a rua. Foi recebido por uma chuva cinematográfica, mas sem táxi a parar à porta, pelo que teve de esperar dois literariamente infindáveis minutos. Teria sido um crime passional, uma precipitação, uma negligência, o resultado duma indiferença moral, não sabia. Os advogados que decidissem. Para ele chegava-lhe uma consciência pesada, afinal de contas nunca se dera bem com a alma limpa. Só o crime pondera, disse por fim ao taxista, e é para o Beato, mas não vá pelo rio, por favor.» in Ruído e Sombra , de Flávio Cossaco, edições Fuligem, 2013