A Arte de nos bem mandar à merda
O espírito humano socorrendo-se das harmoniosas artes da retórica e da socialização tem desenvolvido ao longo do tempo diversificadas formas de ir mandando à merda o próximo. Não é propriamente uma sofisticação do espírito civilizado mas é algo-que-tem-os-seus-quês. Há, para começar, vários desafios em presença. O visado entenderá bem? Como faço a distinção entre um mandar à merda e um vai-te foder? (que não são a mesma coisa, a escatologia é uma ciência exacta). Como evito a decadência e simultaneamente dou glamour ao processo? Enfim, há um sem número de matizes neste exigente saber. Existe, desde logo, uma forte separação entre as correntes maximalistas e as minimalistas, com muito maior prevalência recente destas últimas. Importará assim perceber, principalmente como sujeitos passivos, qual a técnica de informe minimal que os nosso mandante estará a utilizar. Vou concentrar-me nos formatos escritos pela maior afinidade que têm com o próprio meio que estou a utilizar para m...