No fucking problems O verdadeiro problema do nosso regime não é alimentar Santanas, mas sim criar e alimentar Barrosos. O verdadeiro problema não é ele ter fugido, mas sim termos estado presos com ele. O verdadeiro problema não está em escolher as melhores soluções, mas sim termos vivido dissolvidos em mero diluente O verdadeiro problema não é a traição, mas sim já não haver traidores em condições O verdadeiro problema não é saber o nome dos novos carcereiros, mas assegurarmo-nos de que não ficaram vestígios dos antigos O verdadeiro problema não é a existência de filhos ilegítimos, mas sim os falsos casamentos. O verdadeiro problema não é termos sido enganados, mas sim termos sido nós os fornicados e por quem afinal não alimentava senão uma provisória e estéril erecção.
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A mostrar mensagens de junho, 2004
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Grafite quem me dera ser Canson Azul Cobalto , em “os não reflexos do óbvio”: Um texto absolutamente único. Em tudo: no estilo “interpelativo”, na mistura entre a espontaneidade e a profundidade, e noutras tantas coisas que eu nem alcanço. E até na inesperada ligação aos dias. Daqueles textos em que um espírito atento só se for mesmo desenrascado é que consegue sair de lá incólume. O Pavese dizia que « Deixa-se de ser jovem quando se compreende que de nada serve contar uma dor ». Esqueceu-se de dizer que a melhor maneira de juntar os anos passados com os anos futuros é no jogo entre a refracção e a reflexão. Azul Cobalto explica.( Não garanto é que não doa )
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E que se lixe. Faz de conta que é sobre o amor à Pátria. Quem é que dizia que não se devia abusar do efeito fácil das frases curtinhas? Amor porque me maças. Porque não te limitas. A olhar para mim, e a acreditar que gosto de ti. Andas a rastejar provas. Com esse bisturi horrível. Não te dês ao trabalho. Eu não estou em demonstração: vivo em flagrante. Mira-me e caça-me. Não te queres maçar também? Fazes bem. Viveremos alheados. Mas pelo menos: bêbedos de olhar. Desfrutando apenas da estupidez da face. Ao léu. Coradinha ao sol. Moleirinha mole. A rogar abanico. A despejar para o penico. Mas quem verte águas não pode afagar mágoas. É badalhoquice. Até porque nem todo o mijo que brilha é ouro derretido. E podias-me fazer uma festa. Ao menos. Deixava-te ver o mundo deitada. Com a cabeça no meu colo. Ainda te penteava as madeixas. Para que não me beijasses só nas deixas. Como nos amores de sufrágio. Daqueles para despachar serviço. Tipo sinfonias sem adágio. Sempre reféns das contagens, co...
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O dicionário não ilustrado Tenho tendência para “desefemerizador” (mas não maníaco) e para desfrutar mais das discretas continuidades. No entanto, não consigo ficar alheio ao facto de ser no dia de hoje, em que a vida política me está a fazer mais comichões que a conta, e do que eu alguma vez esperei, que faz um ano a 1ª entrada do dicionário não ilustrado. ( Mas isto passa, claro ) É de facto um título um bocadinho presunçoso para o que muitas vezes não passou dum mero jogo de palavras que prestavam vassalagem aos efeitos do humor fácil, ou se arrastavam numa esterilidade pardacenta. Felizmente, ou infelizmente, não sei, sou pouco dado a reflexões do género “ nunca pensei chegar aqui, blá, blá”, blá ”, ou “ fui variando o estilo para sobreviver, blá, blá”, blá ”, ou mesmo “ não me deixar completamente condicionar pelos acontecimentos era essencial blá, blá, blá ”, ou então “ procurei que os assuntos não se deixassem comer pelo tempo blá, blá, blá ”. Mas a verdade, verdadinha, é que f...
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As grandes opções para um grande país Ou: do legado político de um estadista ímpar ( ajudem-no, coitadinho, que ele está à rasca para conseguir fechar a mala) Então temos: a) O tal de golpe palaciano ( mas quem manda em casa – mesmo quando estão os patrões - é a mulher-a-dias, isso já devia ser sabido por todos ) b) O tal de congresso ( para o líder do país ser eleito pelos tesoureiros das distritais do PSD ) c) As tais de eleições ( livres, eh eh eh, então estas seriam de uma liberdade sem limites ) d) A tal de pessoa-alheia-a-tendências-e-com-qualidades-inquestionáveis para o exercício da função governativa ( só que a Misericórdia já não dá mais jackpots ) e) E que tal, ó D. Duarte, chegares-te finalmente à frente!...
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O nojo dos dias. A saga continua Das minhas coisinhas Portugal vive hoje claramente um dos momentos de maior decadência como Estado político independente e soberano da sua história recente. Uns quantos políticos com caderneta profissional devidamente carimbada e que passeiam os seus chocalhos amestrados por essa Europa fora, lembraram-se de destapar a tampa da conveniência e das devidas aparências que, pelos vistos caridosamente, nos preservavam da imagem pública de povo irrelevante, e disseram ao rapazito que lá aparecia de vez em quando aos almoços, apresentando-se como primeiro-ministro, que gostariam muito de o ver a fazer de mordomo no pavilhão de caça. O seu entusiamo juvenil era tanto, que seria impossível recusar face à miragem duma dispensa cheia de tulicreme , comparada com as tísicas prateleiras do seu humilde apartamento que pouco mais mostravam que umas escanzeladas ferreirinhas com leite. O rapazola recém-casado e deslumbrado com uma amante supostamente mais experiente, d...
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Não posso estar sempre a tratar de assuntos sérios . Vou ter de me passar. Mas só ligeiramente. Esta curiosa, ou caricata, ou rocambolesca situação dum tal de DBarroso, que parece ter sido primeiro-ministro durante dois anos (pelo menos é o que diziam na televisão nos intervalos da Casa Pia) e agora (se calhar durante os penalties ficou com medo de não irmos às meias finais) apalavrou um lugarzito no éden Bruxeliano, está a alimentar o normal corrupio de paroquiais indignações e certezas. Por acaso esta hipótese de mudança de ares do tal DBarroso, deu para me lembrar duma clássica paronímia do grego: entre tropos (modo de ser, carácter) e topos (lugar). Julgo, no entanto, ser Séneca que acaba por elaborar mais sobre esta “dicotomia” dizendo que os homens para se afastarem dos problemas devem é mudar de atitude, procurar transformar-se, em vez de mudar de lugar. Deviam, dizias bem, deviam. Mas isso eram os homens, não os insectos que apenas souberam varejar-nos a sopa durante uns temp...
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Anatomias em pele de laranja. Chilli season Eu já sabia que a política era gira. Não sabia é que era tanto. Deve ser por ela ter finalmente aderido ao fio dental. O verdadeiro fio da meada da política encontra-se definitivamente no sítio onde as costas mudam de nome. E como nós já sabemos que os políticos viraram as costas ao povo, haverá o dia em que este não parará de rir de tanto festival de celulite. A democracia é aquela écharpe que de vez em quando se usa para tapar as mazelas. O nózinho para prender deve-se dar ali na zona da anca, para não ferir as famosas instituições democráticas. Sim, de lado, para não arranhar muito, mas já não evita a fricção das coxas a roçarem umas nas outras. O povo é que já se avia com antecedência de vaselina. Deslizemos pois.
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Eu cá sou pró miscuidades. E estou com os nervos em franja. Bola e política. Claro. (logo se vê depois se ainda aparecem moças jeitosas e outras religiosidades afins). Eu já não sei se o Scolari é bom treinador ou não; eu já não sei se o DBarroso tem mesmo é de desamparar-nos a loja, agora que o brasileiro reza melhor que aquela andorinha que ainda esvoaça em SBento, lá isso reza. E remodela melhor, isso a olhos vistos! Sabe agarrar-se ao que tem, sem miserabilizar, sem enfarilhar muito o discurso, e até pode fazer de nós alienados, pode, mas não faz de nós parvos. DBarroso e o seu governo reduziram-nos a meros dependentes de bola, porque, de facto, nós não queremos nem pensar que quem ganha daquela maneira épica à Inglaterra, depois pode ser governado por quem é desprezado pelos deuses ou pelos druidas. (Também gosto muito daqueles que se dedicam a esclarecer-nos que a selecção nacional não é o país, e que é somente uma selecção de futebol. Ficar-lhes-ei eternamente grato pelo esclare...
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Quem Ricardo ri melhor O pobre do Pavese logo depois de ter dito aquilo sobre as mulheres adoradas, estica-se e diz que a « recompensa por termos sofrido tanto é, depois, morrermos como cães ». A pior sina que nos pode trazer uma situação é não podermos ficar a dizer dela nem muito mal nem muito bem. Hoje driblámos uns quantos traços da nossa sina. Com bandeiras e tudo. Não morremos como cães. Pavese, podes continuar a dormir.
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Eu blogador me confesso: o meu sonho era passar a vida apenas metendo-me com os outros. Mas não posso. Parece mal. Muito obrigado pelos parabéns do aniversário deste blog à Alexandra ( se eu fosse o Guilherme Tell andava com a cabeça à nora) , à Charlotte ( a minha benzedora oficial) , ao JoãoMF ( de ti já falo), à m. ( estou sem conseguir dizer nada de jeito, e ela é muito exigente), à Margarida ( já lhe mandei a boquita por mail), que são os que eu vi..., aos que por timidez não se chegaram à frente agradeço também, e é verdade, agora reparo, ó JMF estás no meio de 4 lindas mulheres, não me digas que as conheceste na tal ida ao ginecologista; isto está a pedir, ó Bruno – e parabéns para ti – uma análise profunda das que só tu sabes fazer ( como ele ficou amuado comigo não sei se terei mesmo de implorar) Agora não sei porquê mas sinto-me menos à vontade para usar a palavra “gajas” ( deve ser porque sou muito sensível). Vou ter de perguntar à Dra Girassol que alternativas terapêutica...
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paAgora é que são mesmo só parvoíces . - Agora ? O C. Pavese era um daqueles "artistas" que gostava que me passassem ao lado. Não me interessam os homens que não sabem gerir as incompreensões do amor ( sempre a fazer fretes à decadência da alma), nem os que se matam com comprimidos ( sempre a fazer fretes às farmacêuticas) , nem os que alimentam ou aspiram por um repetitivo renascimento ( sempre a fazer fretes ao fazedores de calendários). Mas houve sempre uma coisa que me seduziu ( às vezes dolorosamente - «coitadinho»): ler aqueles de que não gosto “às primeiras”. Fui fazendo isso com este italiano angustiosamente chanfrado. E não é que até com alguma- comedida, pronto – delícia interior! O gajo escreve-me isto assim nos “diários”, e sem pedir licença : “ É incrível que a mulher adorada chegue ao ponto de dizer que os seus dias são de um vazio torturante, mas que não quer ouvir falar de nós”. Não, não é o que estão a pensar ( mas porque é que eu acho que estariam a pensar a...
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Por causas das tosses, isto hoje é dedicado aos espanhóis que estão, qual niños , a lamber as feridinhas junto das suas Macarenas Além disso, está a ficar provado com este europeu que o futebol é coisa de gajas. Só elas falam de bola com propriedade, com erudição e com ligações tão sofisticadas que fazem o Deleuze parecer um vendedor de aspiradores. Por isso eu hoje decidi dedicar-me às crianças – sim, alguém tem de ficar a tratar delas – porque sinceramente não tenho pedalada para vocês, ilustres divas da bola, Gabrielas Alves do meu coração. A análise do valor (espiritual ou não) da chamada “vida de infância” acaba por poder estar rodeada de algum “lirismo” exagerado. Eu pensava até que se tratava antes duma questão de eficácia para a alma, mas agora vejo que é uma clara adaptação da política pura. E hoje, sem me poder referir ao Montaigne porque ele não percebia nada de putos, o dicionário não ilustrado vai ao jardim-escola nas entradas 769 a 777; (aish!, e é logo hoje que chego a...
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Como ninguém lê este alçapão, a Dra Girassol mandou-me mesmo fazer um check up, e os sacanas, face ao quadro, internaram-me e puseram-me logo a soro. Agora o tratamento é todo misturado, às pinguinhas e pela veia abaixo Complexo místico-vitamínico: unhaca, gajas e blogs Acabou há uns dias o mês de Maio. Mês de Nossa Senhora. O que eu queria mesmo era que no dia em que me encontrasse com Ela, tivéssemos uma converseta mais ou menos assim. Eu – Posso entrar? N.S. – Filho! Olha quem é ele ! Anda cá meu malandro. Eu – (Isto começa bem...Ela reconheceu-me...deve ser pelas piores razões...Vou ter que dar a volta a isto por cima, caraças) Aqui estou, nas suas mãos... N.S. – Olha lá, aquelas piadinhas que tu andaste a endrominar, nem todas caíam muito bem cá em cima, sabias? Eu – Mas sabe...eu às vezes descontrolava-me, sabe como é, torna-se uma coisa vertiginosa e... N.S. - Sim. Sim. Não precisas de te justificar. Eu sei do que a casa gasta. E também já tive de safar imensos “artistas“ com ...
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Puro barroco tardio e decadente. Sem excitações, e sem remissões para revistas literárias Bola e mais bola Eu cá a mim entristece-me ver falar de bola utilizando a expressividade leviana dos palavrões. Isso não fica bem para a dignidade dum jogo que vive do cavalheirismo entre duas pernas e uma bola (se bem que possa ocorrer igualmente a troca de intimidades entre uma perna junto de duas bolas). Para já, o efeito do palavrão desfocaliza-nos da beleza do jogo, e não raras vezes nos introduz numa temática sociológica que já conduziu muitos ao inferno, onde, como se sabe, o jogo da bola é proibido e a TV por cabo também. Temos, por exemplo, o abuso do efeito artificial duma obscenidade que à primeira vista poderia descrever luminosamente a situação futebolística em que uma bola transpõe o intervalo anguloso que se produz quando duas pernas se abrem numa posição indecorosamente defensiva, chamando-lhe “grande rata ”, o que me deixa desapontado, não só porque estes bichos não têm nada que v...
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Apenas desarejando Visto que está, que o que safou esta coisa foi o aniversário do Aviz ter sido hoje, e o bronco do Scolari lá lhe ter feito o jeitinho e posto a jogar o pessoal do FCPorto - se fosse amanhã estávamos lixados - acho que de bola estamos conversados, e agora para desopilar vou arremessar com o Baudelaire que escrevia assim no “L’ Irréparable” Dis-le, belle sorcière, oh! dis, si tu le sais, À cet esprit comblé d’angoisse Et pareil au mourant qu’écrasent les blessés, Que le sabot du cheval froisse, Dis-le, belle sorcière, oh ! dis, si tu le sais Ora o que é que me fez saltar para aqui, tirando o facto de não me apetecer falar de bola, a não ser para dizer que o Scolari devia devolver já todos os ordenados que andou a receber estes dois anos, e dar para um fundo de apoio a bloguistas-treinadores-incompreendidos-e–mal-pagos, bem, o que me trouxe até aqui foi a constatação da necessidade que todos temos de uma bela feiticeira, que nos mantenha o espírito sempre atento e confi...
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Preguiça Versão sem body milk E pergunta o Terras do Nunca - «o que faz esse rebanho de abstencionistas para mudar a política?» Ora uma pergunta do JMF ( em iniciais fica mais fino) merece sempre resposta ( até porque gostei do texto dele, principalmente do «mas gramo-os»), aqui vai: Apetece-me é dormir; mas só daquele sono que vem sem ninguém pedir. Ficar deitado, pondo o corpo de lado, segurando um livro qualquer, sei lá se é de homem ou de mulher; mas seguro-o só com uma mão, sem fazer muito esforço, e sem saber do que trata, o que importa é que as folhas passem, e não me macem, nem me torrem a energia que andei a poupar de dia, para depois poder dormir, indo atrás do corpo que quer fugir . Que raio de posição, só dá para ler as ímpares, azar, ao menos não está de pernas para o ar, leio as pares quando estiver virado para a janela, e de bónus ainda vejo o Tejo, mesmo sem caravela. Vai-se é perdendo algo da história, pode ser bem verdade, e nem se estimula a memória, mas vai-se amole...
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Eu cá sou pró miscuidade 1. O momento eleitoral acabou por mostrar igualmente o “estilo” que separa a Espanha de Portugal. Enquanto que “lá” parece que são precisos atentados sanguinários e terroristas para condicionar as eleições, para “cá” basta levar dois secos dos gregos e haver um bocadinho de sol. O governo andar à nora é apenas um pormenor. 2. Os primeiros comentários pós eleitorais da coligação DBarroso & Portas poderão ficar nos anais como os comentários mais...anais mesmo. E cheira-me que a vitória eleitoral está ao alcance de qualquer um desde que Scolari não esteja na lista, e do outro lado existam Figueiredos e Arnaults. E vendo bem, estes dois podiam perfeitamente ir para adjuntos do primeiro, pois pelo mesmo não se estragavam duas “famílias”. A promiscuidade, fica assim demonstrado, é um valor seguro e a preservar. 3. Pronto meu Deus já chega, já sabemos que somos merda, já sabemos que o FRodrigues passou um ano difícil, já sabemos que se calhar somos todos evasores...
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Hoje faço parte dum rebanho que precisa duma sessão de psicanálise Junguiana patrocinada pela revista xis, afagada por uns carinhos da Madre Teresa (na impossibilidade serve a Mª de Lurdes Pintassilgo), e dum enquadramento histórico feito pelo Hermano Saraiva. Nós que poderíamos ter um alter-ego assim jeitosinho, feito à base de N. Álvares Pereiras e afins, acabamos mas é por construir com aquela merda da selecção uma espécie de ego-de-alterne. Uns apaneleiradozinhos à volta dum brazuca que tirou um curso de psicologia de favela, e que galvanizam a musculatura a ouvir o Roberto Leal na camioneta, e que pedem para andarmos a abanar bandeiras e cachecóis, estão mesmo é a pedir que se lhes enfie o pauzinho das ditas pelo alter-rabo acima. Aquele velho de bigode a quem convencionaram chamar treinador porque foi campeão do mundo com o Ronaldo, o Rivaldo, o Ronaldinho & Cia, sabe tanto organizar uma equipa de futebol como eu sei fazer cerveja num lagar de azeite. Andámos feitos parvos a ...
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Praticamente só bola 1. Não me lembro da primeira vez que vi o mar, não lembro da primeira vez que vi uma mulher como mulher, não me lembro da primeira vez que pisquei o olho, não me lembro da primeira vez que menti, não me lembro da primeira vez que comi ovo estrelado, não me lembro da primeira vez que pensei, não me lembro da primeira vez que marquei um golo, não me lembro das primeiras vezes, gaita para isto. Para que serve a memória se não nos lembramos das primeiras vezes. 2. Só que eu também não me lembro quando vi tulipas pela primeira vez, mas lembro-me quando as vi a última vez: foi como se tivesse sido a primeira. Será isto a vitória do coração sobre a memória. Não estava à espera, confesso. 3. (E corrijo-te: Se é assim que atiras «o gelo da tua racionalidade» em «confronto contra o papel», se é assim que «matas emoções», se é por isso que “dizem” que és «cobarde na tua coragem», deixa-me que te diga: abençoada «docilidade insolente» ) 4. Nem todos os quadros de Fontana repre...
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O mundo da estética mostra-nos a existência de conceitos banhados duma ambiguidade quase indecente. Vendo bem, acabo por preferir que o dicionário não ilustrado seja meramente decorativo, apenas prestando vassalagem às donzelas da ornamentação. Entradas 752 a 761. Interessante – É o que fica a meio caminho, ali especado, confiando na sedução que provoca a mera possibilidade ou a indecisão. É um simples conceito de passagem, feito para vendedores ambulantes que nunca voltarão para responder e dar a cara pelo material defeituoso. ( « gostou?») Expressivo – No fundo, só o seremos em condições se tivermos sorvido antes do copo da ingenuidade. Mas depois poderemos ser facilmente substituídos por uns recortes de papel de lustro. Decente – Sermos aprumados e limpinhos é uma boa característica em qualquer desfile paroquial. Não garante um entusiasmante odor natural, mas não é nada que não se consiga resolver com um pindérico spray de madrinhas empenhadas. Autêntico – Quem tem o secreto sonho d...
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Wordofilia Esta coisa da hipervalorização do “silêncio” como técnica depuradora da nossa “condição de consternados”, continua a deixar-me próximo do incómodo – hoje – estado de pura risibilidade. Os minimalismos “possidónicos” das imagens despojadas de textos, revelam geralmente incompetência. Esta secreção que convencionámos chamar palavras, serve é para ser espremida, e se não o conseguimos é por mera debilidade: não o disfarcemos confundindo-a com um sofisticado estado de alma. Eu até acho que já disse isto aqui, mas reforço: o silêncio como estado de pureza mística não será uma total fraude, mas roça-a. É comovedor fazer das fraquezas forças, mas topa-se à légua. Um homem a fugir e a desencantar-se do seu palavrejar é como um cavalo a ter medo de dar coices, parece um Bambi ou uma Lassie . Não abusemos da nobre e falsa erudição feita parcimónia verbal, pois corremos o risco de viver apenas nadando bruços. De facto, a palavra feita circunstância, produz mais felicidade que a palavr...
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Se eu não falasse hoje desta gaja nem era homem nem era nada O melhor quadro do mundo e arredores, a milhas de todos os outros e dando baile aos que se querem comparar é a “Alegoria com Vénus e Cupido” do Bronzino. Apetecia-me mas não me vou pôr com interpretações sobre as simbologias e as obscenas perversões que o quadro carrega; dou isso de barato (coisa que o quadro não deve ter sido porque aquele azul ultramarino era o pigmento mais caro da época) e retenho-me antes na sua óbvia artificialidade e "porcelanidade". Quando se vê o joelho de Cupido a encaixar-se na “dobra da coxa” de Vénus, eu quero lá saber quem é mãe de quem, e só me sobra lascívia, disfarçada de ternura para não ofender os olhares paralelos. Não aprecio os naturalismos e gosto das óbvias encenações. Das fabricações sem fábrica. Da política como mero teatro declamado ( ia dizer do amor como fotonovela, mas também já achei excessivo) . Este quadro hipnotiza-me um bocadinho mais que a conta, tenho de reconhec...
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O jogo da glória Serei sempre muito tentado a negligenciar o conhecimento e a reflexão quando são essencialmente de “base histórica”, principalmente porque a ignorância a isso me urge, mas também porque eles têm tendência a suportar a pior das arrogâncias: a que favorece a idolatria dos factos, ainda para mais retirados do seu altar preferido que são os biombos do tempo, mesmo que bem aparelhados pelos relicários de turno. ( estas analogias clericais já me estão a cansar um pouco ) Nos dias de hoje, em que parecia podermos já nos ter libertado do recalcamento que provocam as “rotas das especiarias” não exploradas, e assim deixar de viver desorientados , afeiçoámo-nos à instabilidade topográfica e escolhemos passar a viver agora melancolicamente desocidentados ; algo que me chama à semelhança de “desossados”, por isso é que somos bons de comer, bons de mastigar, bons de fazer aquelas bolas de carne que embucham os miúdos e enojam os pais. Tendemos para meros ruminados. Mas até gosto da ...
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É por essas e por outras Ou não terei ouvido bem Parece que a vinda de Madonna a Portugal poderá estar comprometida por causa duma tal de reunião da Igreja Maná. A liberdade religiosa dá no que dá, e depois queixam-se da intolerância. Eu avançaria mesmo para a perseguição religiosa. Volta Torquemada, estás perdoado. E de caminho traz-me o queijo Manchego que já se me acabou.
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Glandulagem again “O cão bebe ruidosamente com a língua (...) ladra quando tem medo, geme sobre as pancadas. O lobo, esse aspira a água em silêncio, uiva os seus amores e enfrenta a morte sem um queixume» (*) Eu por acaso até aprecio o insulto. Raramente me choca uma ofensa pessoal, e acho que é duma extrema humanidade fazer relevar os defeitos do alheio duma forma exemplar, desabrida e honesta. Poupar as pessoas pela via da atenção delicodoce é muito pior que entrar-lhes pela estima adentro e desfazê-la a nosso bel-prazer. A chamada dignidade humana é um pregão que se vende agora em qualquer banca de peixe fresco, e o melhor que lhe pode acontecer é acabar numa caldeirada misturada com as batatinhas às rodelas do respeito mútuo. O carácter e o feitio são meras latas de abertura fácil, e feitas para viver em ambientes de frescura controlada; não valem sequer uma história bem contada, apenas lhes descortino interesse demagógico, ou mesmo um mero pretexto para o jogo do achincalhamento....
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Os momentos da verdade Quando alguém me diz que «perdi o ritmo e agora está a custar-me recomeçar», eu só me apetece dizer que «para desculpa até nem está mal». Quem encara a vida como um relógio de corda, está mesmo a pedir que se lhe desenrosque o mecanismo todo de vez em quando, pensava eu cá comigo, mas já um bocadinho à rasca, porque como não escrevia há uns dias neste mata-borrão, cheguei a suspeitar que tinha mesmo de me socorrer da CIAtica do Bush ou da Ana Gomes aos beijos com o Ali Alatas para voltar a olear a engrenagem. Eis então que me lembro daquele balanço clássico que as grandes multinacionais do consumo fazem com as suas “imagens ético-corporativas”: entre o 1º momento da verdade - a escolha , e o 2º momento da verdade - a utilização ; imediatamente associo que as “rotinas” do consumo nos ensinam muito sobre a nossa condição. Consumir está demasiado ligado ao jogo da subtileza do vício, à ambiguidade da vaidade, e à “ruindade” da necessidade, mas também nos aproxima da...
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Banalidades & Irrelevâncias. À discrição. Não querer ir a lado nenhum e gostar de estar em todo o lado Eu gosto imenso de roscas moídas. Das que já não estão dependentes da inevitabilidade duma espiral. Das que se libertaram do sinistro papel que é ter de apertar, de segurar, de encaixar, de prender. Gosto dos seres que desprezam as buchas, que se encavilham bem em qualquer lado sem precisar de aconchegos para folgas. Gosto de quem sabe deslumbrar com uma trivialidade, de quem não precisa dum rodízio para ser variedade, de quem vê um buffet em qualquer jantar de restos. Gosto de gente repetitiva, de gente que não precisa das novidades para inovar, de quem não precisa de obscenidades para meramente ordinarar. De quem lhe basta a luz para ser suavemente obscuro ( esta foi um bocadinho para encher ) Gosto imenso de roscas moídas. Borrifam-se para a sua finalidade. Vivem como pregos. Confiam apenas na força e acutilância da sua forma, desdenham os caprichos do seu feitio. Não tenho pac...