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A mostrar mensagens de outubro, 2005
Aqui jaz um post - Li outra vez, estava uma trampa, apaguei. - Então porque é que não apagaste os outros?
sonho de uma manhã de outono: ser musa intertextual (*) (*) leia-se: em regime de copy&paste
"Passando-lhes pelo estrado" 3. Anatomo-fisiologia do ósculo Mas voltemos à verdadeira dialéctica: lábios versus mãos. É aqui onde realmente se joga todo o destino dum homem que não queira viver apenas dando lustro ao soalho do divino estrado feminino. 3.1. Perspectiva bio-físico-química O lábio é sem dúvida um instrumento que foi bafejado pela benesse da localização estratégica. Vizinho do nariz, vizinho dos dentes, porteiro da língua, condómino da bochecha, parece aquela ave que todas as reservas ecológicas gostariam que lhes viessem desovar em cima. Este bolbo sanguíneo apresenta dois prosaicos movimentos ao seu dispor. O mais clássico é o chamado 'beijo' e é talvez o exemplo mais acabado do sucesso sexual periclitante e instável. Já foram observados tanto a resultarem na mais valente e empolgante fornicação (designação derivada da culinária alentejana e que descreve o momento em que o cozinheiro mete o cação no forno) como a resultarem no mais desanimador 'ago...
Génesis revisitado Socraates depois da maioria absoluta avisou as tribos que Deus lhe tinha dito num sonho que com ele a descendência socialista seria numerosa como o pó da terra, e que bastaria lá haver pelo menos um justo (actualmente tinham dois: a mme Barroso e o Guterres) para serem poupados àquela dose da dissolução com que levaram os Sodoma Lopes e Gomorra Portas. Preparavam-se assim para viver todos contentes, e até tinham feito um pacto (isento de corte de prepúcio, contudo) de que se garantissem que circunlixavam o povo rapidinho nos dois primeiros anos talvez Deus os iluminasse com um candidato em condições para a presidência. Constatando o meio uterino do partido a envelhecer a olhos vistos, Socraates desesperou, adiantou-se ao Criador, e informou que iria gerar um candidato de nome Soaares, moço este que certamente garantiria uma prole socialista a crescer que nem estrelas no céu. A coisa parecia poder correr normalmente, o outro possível e incómodo candidato (pode fazer d...
"Passando-lhes pelo estrado" 2. Anatomo-fisiologia da cerviz Comecemos por uma lateralidade procurando criar ambiente, pois até um texto técnico precisa dum ambiente descontraído para ser bem recebido; detenho-me por isso no pescoço da mulher, que é aparentemente uma atracção logo aos primeiros acordes das hormonas, que só se aguentam calmas quando os sustenidos estão embebidos em bemol. Mas desmistifiquemos sem demora: tirando o caso quase zoológico de Celine Dion, o pescoço duma mulher é um dos grandes equívocos do erotismo; e fica já arrumado o postulado: nem todo o arrepio é uma descarga hormonal. A mulher utiliza esta ilusão de que no pescoço se situa uma espécie de aleph do prazer para ir ganhando tempo, para dar a entender ao homem que tem pontos sensíveis afastados do centro de gravidade. Ora um ponto sensível que esteja longe do epicentro não passa duma figura a dar serventia à retórica poética, dum entreposto manhoso, dum posto de muda de montada, duma senha de raci...
"Passando-lhes pelo estrado" - Toda a mulher é uma lição - Parte I 1. Preâmbulo A grande dúvida da vida de qualquer homem é se deve começar a abordar uma mulher - no esplendor do seu estrado - com os lábios ou com as mãos. Com o coração está fora de questão porque, como já se sabe, o risco deste vir a amolecer os movimentos dalguns músculos mais sensíveis e essenciais é muito grande. Fazê-lo à base de 'paleio' será sempre uma solução de 'recurso', ou seja, basta ver o resultado da fusão gráfica dos conceitos: é um mero 'recreio'. Este texto é praticamente científico, não cairá jamais na divagação lírica, nem mesmo se esta ajudasse a rimar, nem na divagação onírica, nem mesmo se ajudasse a sublimar recalcamentos, nem cairá na divagação humorística mesmo que esta ajudasse quimicamente ao sempre difícil orgasmo, intelectual entenda-se.
Ou o nó da gravata Qualquer mulher que se preze é uma exigente executora de metas difíceis. Quando conhece um homem mune-se de uma tabela swat e começa por proceder a uma avaliação da tarefa em causa. Em seguida, elabora um plano de actuação que o transforme no super-homem com que sempre sonhou. No entanto, o resultado do trabalho, a que dedica por vezes anos de afinco, não consegue, alguma vez e ainda que por aproximação, deixá-la satisfeita. A cada dia que passa mais se apercebe terem-se as mudanças planeadas, quando executadas, transformado em defeitos. Não é que não goste do trabalho feito, não gosta é do efeito. Única conclusão lógica, inteligente e pragmática, possível: é do nó, e não do tecido, o defeito. [ Bom, este é um tema tabu aqui na «casa» mas, dadas as circunstâncias, a tentação foi mais forte. E livre-se de emigrar, nem com aquela algaraviada sobre despedida se safa! ]
cada um sabe onde lhe aperta o sapato quando num fim de tarde em que o sol se punha ali à beira-rio (há sempre este cliché, não? mas foi mesmo assim) confessei a alguém (a quem na devida altura - e perante a sua ofuscante elegância em beges e azuis - expliquei dever ser a barriga masculina aos quarenta e tais mais calo sexual que pneu) que gostaria de viver, ainda que por um dia apenas, na pele de um homem (outro inevitável cliché com a atroz vulgaridade das conversas privadas em voz alta ao telemóvel ou no café), não estava realmente nadinha à espera de poder um dia experimentar viver na pele-blog deste... ah, calço abaixo de 39, faxavor
Homens de flesh & bones Talvez resultado da leitura do novo e badalado blog sociedade anónima e sobre o efeito duma febre que só espero não esteja relacionada com uma canjita que comi à atrasado (e gajo que não se refira a esse 'blog de meninas' no prazo duma semana pode ser considerado complexado) (Este é um texto praticamente teórico, e revelador de que os homens também não têm pruridos nenhuns em falar dos seus problemazinhos, sejam eles a masturbação em grupo, sejam os terços às quintas feiras, sejam a paixão pela playstation, sejam o primeiro beijo lambuzado ou ressequido, sejam a incapacidade de dizer a um amigo que a mulher dele é como as botas da tropa… marcha sempre) {1} É sabido que para o homem a sua barriga assume uma simbologia de carácter dinâmico, e tem para com ela uma relação de altos e baixos ou, para utilizar uma expressão que dá sempre muito boa serventia: de amor-ódio. Freud acabou por menosprezar esta fracturante problemática em favor da sensaborona ‘...
«Where is the "I"?» (*) ainda sobre a história universal, adão e eva in(ex)cluídos, em 25 linhas e mais um pouco: 1. "I never painted my dreams, I painted my own reality" (**) e sobre o recurso ao distanciamento, ainda que ao preço do coração, como forma de recusa à trivialidade: 2. "These canvases I've painted I did with my own hands; they wait for you upon the walls to please you as I planned." (***) [(*) Frida Kahlo, in catálogo à exposição "Frida Kahlo", na Tate Modern (9 Junho - 9 Outubro 2005), Tate Publishing (p. 31) - (**) Frida K., idem, contracapa - (***) Frida K., idem, para o convite à exposição de 1953 (p.8)]
De shorts história Julgaram-se amantes nesses últimos anos. Tinham feito tudo como mandava o catálogo: encontros furtivos e fins de semana prolongados, ora beijos meramente prometidos ora beijos sofregamente concretizados, ora simples escapadelas ora sofisticadas programações, sexo seguido ou não de boas refeições, confidências arrastadas, passeios à beira mar, despedidas desconsoladas, corações sempre a dançar. Até que um dia descobriram o fingimento que alimentavam. Afinal ambos eram solteiros, livres, descomprometidos, mas achavam isso tão insuportável que alimentaram assim um crime artificial que lhes desse sentido àquela culpa estúpida que sentiam por aparentemente tudo lhes ser permitido. Ela ao descobrir a fraude da fraude pegou na roupa dele e atirou-a pela janela fora, ele riu-se e fez o mesmo com as roupas dela. Ficaram ambos apenas com uns calções horríveis, daqueles que não enganam ninguém: nem tapam, nem insinuam, nem espevitam, nem castificam. Mas a força metonímica do ce...
Só me apetece escrever textos de despedida Se Deus por acaso quisesse fazer isto outra vez de novo e me pedisse a opinião, eu dizia-lhe. Ai dizia, dizia. Para já, àquela não a fazia sair duma costela, é logo algo que sai um pouco de esguelha, fica condicionada a simbologia, fica prejudicada a genealogia, acho que foi mal pensado, teria antes escolhido uma tíbia ou uma falangeta, e viu-se, deu logo azar com o Caím e com o Abel, e depois foi por aí fora; e pelo menos teria feito uma pausa com aquilo que aconteceu com o Abraão, era muito tribo, era muita confusão, demasiado deserto, demasiadas tendas, demasiado borrego assado, eu cá essa cegada teria saltado, e depois de ver os etruscos e os egípcios com tanto figurão, e tanta figurinha, e tanto enchumaço, nãnã, eu não teria avançado tão rápido, eu teria pensado melhor, teria mesmo repensado, e ter-me-ia certamente assustado com aqueles gregos todos a trabalhar em seco, borrifando-se para a saída e borrifando-se para o beco, aí teria feit...
a gebak dos lagartos uma ordem sua, já se sabe... quando, na minha inocência, esperava por uma indicação salvífica da demissão (*) daquele rapaz loiro e encorpado que em pequenino deve ter-se empanturrado de koggertjes e de poffertjes (**) e até já tinha preparada uma faixa de homenagem a dizer tot ziens! em letras azuis desenhadas a rigor, eis que sobre mim se abate a notícia de ter sido, afinal e mal feitas as contas, aquele rapaz moreno, musculado e de aspecto pacífico criado a migas de couve e bifinho da lezíria (***) a ser demitido, carago! (*) leia-se pontapé naquele sítio que deixa de ser costas, para me deixar de eufemismos inúteis (**) ultimamente tem-me apetecido muito mandá-lo comer, sei lá!, bolbuisjes ? mas não sou mãe dele nem digo palavrões por causa da manutenção do bom nome da família (***) e que, esse sim de forma generosa e determinada, tanto tem contribuído para o bom lugar do clube que me afaga o coração [ nota de rodapé: aqui para nós, a carolina deve ter ...
Basicamente, um post de futebol para gajas (*) O actual momento futebolístico está marcado por diversas circunstâncias que apenas estão ao total alcance do universo feminino. Tomemos o caso de Nuno Gomes. A menina. Esse maravilhoso jogador conhecido na Europa pelo movimento arredondado que faz com a mãozinha no cabelo em torno da orelha, de repente torna-se de igual modo notado porque começou a marcar golos. A última vez que o conseguiu foi precisamente no sábado passado, onde acabou por ser acolitado pelos defesas-tipo-araras de uma equipa treinada por aquele moço holandês que já fez mais pelo ensino do inglês que duas reformas educativas juntas, dado hoje não haver puto que antes de sair para a bola não se chegue à mãe e lhe peça um ‘white handkerchief’. Poderia dissertar um pouco mais sobre estes inesperados sudários da futebolidade, simbologias para novas vias sacras, mas preferia antes deixar definitivamente claro que todos os problemas do futebol moderno se situam no equilíbrio e...
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ÿ [Perdão?! Como diz que disse? Ah, estruturalismos!]
Manual de estereotipagem rápida ( blogue sem disfunção eréctil, mas que não rime, será sempre meio apanascado) Pegue-se selectivamente num tique E apetrechemo-lo dum belo par de pernas; Exageremos-lhe depois o andar remoçado, Façamos um suspiro parecer um chilique Tudo recheadinho com umas piadas modernas E teremos uma figurinha em ponto rebuçado Com o tique já em forma de trejeito E todo ele a apoderar-se do sujeito O povo estará então pronto a babar-se de gozo; É o momento certo de apelar ao belo efeito Tirando-lhe a casca, mostrando-lhe bem o caroço Resumindo, temos assim nesta fase: O ventre já está à mostra, E o rabo já está quase; Só falta tirar a última crosta Antes que a rima se atrase e comece a fazer fernicoques, ou outros tormentos, no maravilhoso reino dos berloques e dos afrontamentos. E é nestes preparos que chegamos à parte final, Temos o sujeito já meio em pelota À mercê da infalível técnica do ‘tal e qual’: enquanto a divina excepção arrota A regra torna-se uma flatulê...
A alta marroquinaria Por falar em 'coiros & escritos', uma expressão ouvida hoje a um jovem: "A língua tapa-lhe os olhos".
Conto duma mulher a dois tempos Helena não era de Tróia mas sabia-se encurralada num coração palpitante e julgava-se com direito a ser resgatada por uma paixão ardente e descompensada. Podia ser das ditas platónicas, poderia ser daquelas de rotativo quarto de hotel, podia ser com alguém de apelido conhecido, podia ser com um Zé-ninguém. Pensava mesmo que uma mulher que não tivesse ainda deixado um homem a bater com a cabeça nas paredes, a andar com um olhar distante e a dizer parvoíces sem sentido era sinal de que tinha passado ao lado da sua condição hormonico-cromossómica. Tinha mails para responder, mensagens para dar vazão, chamadas para retribuir, tinha pendentes daquelas promessas de combinações feitas para despachar expediente, mas era tudo com homens que apenas lhe poderiam dar segurança, apenas lhe poderiam dar uma vida boa, apenas lhe poderiam dar filhos, apenas lhe poderiam dar um carinho contratado, e isso parecia-lhe ser mais ou menos como ela tinha aprendido na sua vida: ...
Manual de canonizagem rápida (não tenho pedalada para esta convidada e qualquer dia ela rifa-me e vai a remar para algum blog político) Primeiro: Nunca se fazer perceber à primeira. Segundo: Nunca rimar por afeição mas apenas por defecção. Terceiro: O espaço e tempo nunca tomarem conta do enredo e ao não haver enredo falar apenas do espaço e do tempo. Quarto: Fazer notar-se a existência duma memória rica e dum inconsciente remediado, mas é essencial valorizar o recalcamento dado-lhe o aspecto de livre associação. Quinto: Mostrar-se desinteressado, ausente, sempre entre o ‘para cá’ e o ‘para lá’ da realidade, mas jamais incorrer no discurso diurético pois o leitor ao ter de ir fazer uma mijinha - mesmo rápida - pode perder o fio à meada. Sexto : Fazer de Deus um instrumento de escrita e de estilo, tal como o ponto e vírgula, a frase curtinha, a frase que nunca mais acaba e a exaustividade gongórico dependente. Sétimo : Jamais tratar o eu por ‘você’ e muito menos tratar o tu por ‘ele’, ...
no frost guruism (ou colectânea expresso de insubstantivos advérbios de moda. ou pastéis de massa tenra com manteiga e banha) "Que dias há que n’alma me tem posto Um não sei quê, que nasce não sei onde, Vem não sei como, e doi não sei porquê." Que a blogosfera é um imenso 'intertexto' (antigamente chamava-se plágio à praga mas 'mudam-se os tempos, mudam-se as vontades' como lá dizia o rapaz d'outras eras) todos quantos por aqui andam o sabem e o refraseamento, acuradamente contextualizado de acordo com as regras do pós-modernismo, dá lugar a um moderno cânone: mudam-se os nomes, mudam-se os autores (se bem que não seja próprio dar nas vistas). O canonizador moderno e autorizado, naturalmente apoiado numa das abundantes e multiparadigmáticas cátedras disponíveis no mercado selectivamente aberto da glorificação inter-pares, é a versão no frost da arca congeladora que era a censura à antiga: por redução lapidar decide quem, como, o quê e porquê dar a conhece...
Três contributos claros para o processo de reajustamento do cânone ocidental “ Pode o candidato «usar» a sua mulher as vezes que quiser” de Clara Ferreira Alves in expresso, 8 Outubro “ Os maridos, Babalu, são a espécie mais incompreendida pela nossa sociedade, e a que merece menos compaixão” de Clara Pinto Correia, in ‘No meio do caminho’, pag 238 ( não consegui ir mais longe) “Os homens são como os bebés” de um mail acabadinho de receber de uma leitora praticamente anónima.
o exercício do imprevisto, "o erro de Narciso" (*) e o tempo "Há uma emoção que é inseparável do encontro com qualquer homem que nos surge no caminho". Esta citação de Lavelle, uma das quatro escolhidas por Cesare Pavese para assinalar o dia 9 de Outubro de 1939 no seu "Ofício de Viver", evoca o erro que constitui o desejo de apropriação, de captura, daquilo (ou daqueles) a quem se dedica o que designarei por amor-paixão: o erro de Narciso. No contexto relacional o erro de Narciso pode ser entendido como o desejo (necessidade?) de alguma coisa que seja um complemento de nós mesmos, numa espécie de ilusão em que se acredita que o que se capturar alimentará, de alguma forma obscura, a nossa sede de absoluto. E no entanto será, isso sim e apenas, a raiz de todos os fracassos porque o aborrecimento e a insatisfação estão associados a todas as acções de captura como muito bem o sabem os caçadores na sua obsessão com a 'ausência do novo'. Contra esta in...
É tudo uma questão de método. E duma insónia das boas, claro. Depois de ver meio mundo rendido ao método George (que estará certamente para a crítica literária como o método Milton está para a esterilização de biberons) vejo-me compulsivamente levado a testá-lo face a um dos monumentos mais significantes do nosso património literário que é a lírica camoniana na sua versão sonetada, tanto mais que também o vejo arredado - tal como a até há pouco tempo injustiçada MRPinto – da corrente crítica literária ( senão vejamos há quanto tempo o mil folhas não faz a recensão dum soneto de Camões; meu Deus, nem o Abrupto) Quero antes de tudo dizer que abracei este projecto com o coração limpo de quaisquer preconceitos e, diria mesmo, prenhe do afã de me encontrar com a verdadeira literatura, com a verdadeira força do génio. E foi assim que ataquei a caderneta dos sonetos tomado duma força quasi obsessiva que me fez ferozmente sublinhar, riscar, dobrar cantinhos, desenhar simbolos fálicos, marcar ...
Yoga para ‘românticos de coração mole’: primeiro shake e depois espeare «Rainha – Hamlet, tu quebraste em dois o meu coração. Hamlet – Oh, atira fora a pior parte E vive mais pura com a outra metade» Estive indeciso entre isto e uma passagem do novo livro da Clara Pinto Correia que comecei a ler e que na pag 15 escreve isto: «Ai, foda-se. Estou lixada com este gajo» Mas eu prometo que voltarei ao Camões.
Porque há dias em que a voz se dá a quem (*) de infernos entendia: S'io credesse che mia risposta fosse A persona che mai tornasse al mondo, Questa fiamma staria sanza piu scosse. Ma perciocche giammai di questo fondo Non torno vivo alcun, s'i'odo il vero, Sanza tema d'infamia ti rispondo. Io fui uom d'arme, e poi fui cordigliero, credendomi, sì cinto, fare ammenda; e certo il creder mio venìa intero, se non fosse il gran prete, a cui mal prenda!, che mi rimise ne le prime colpe; e come e *quare*, voglio che m'intenda. Mentre ch'io forma fui d'ossa e di polpe che la madre mi diè, l'opere mie non furon leonine , ma di volpe. (*) Dante Alighieri - La Divina Commedia, "Inferno" (Canto XXVII, 61-75)
Subsídios para uma demissão (peseiro pode estar genuinamente aflito, a sua alma gentil pode estar a aparvalhar e a não o deixar partir serenamente, e eu gostava de lhe dar uma mãozinha que a todos beneficiaria; assim aqui vai uma hipótese desinteressada para uma carta de demissão) Queridos sportinguistas, Esta é hora de alguma tristeza, mas temos de enfrentar os factos, e as oportunidades da vida têm de ser agarradas com determinação. Fui efectivamente convidado para mandatário da campanha do dr. Soares para os ‘falhados, incompreendidos, perdedores e deprimidos’. É um convite que muito me orgulha e estou confiante de que posso fazer um bom trabalho junto destes cidadãos que também merecem ter uma voz, que também merecem ter um saldo credor na sociedade. Sei que deixo um ataque criativo como um pintor medieval, uma defesa de betão apenas com despiciendas brechas dalgumas polgadas , e um meio-campo em perfeito carrossel qual circo chinês, reconheço que fiquei impedido de impor a minha ...
Ou das sortes da lírica? Que também se podem escrever assim, com ou sem mudança de género: «Todo o animal da calma repousava, Só Liso o ardor dela não sentia, Que o repouso do fogo em que ardia Consistia na Ninfa que buscava.»
Misoginias alternativas ? «Nunca ponha ninguém sua esperança em peito feminil que, de natura, somente em ser mudável tem firmeza» mas ainda voltarei a este gajo, quando tiver tempo.
A propósito de misoginia: Talvez orelhas de frade? Ou pudim do abade de Priscos? Ou barriga de freira no tacho?
Psicologia à la redoute Este último post da minha rica convidada («hóspede»! credo!?, eu já acabei o ‘desmaker residence’, pois como sabe não aguento uma série com mais de 4 ou 5 episódios ) , é um autêntico manancial ( se bem que devidamente maquilhado e condensado) da genuína psicologia doméstica feminina e criou-me um apelo de registo vertiginoso à sua descodificação. O dicionário não ilustrado escolheu do texto apenas meia dúzia de elementos estruturantes ( eina, que bela expressão) que por lá navegavam fazendo crer que não tinham nada a ver com isso: ( Mas como a minha guest star não é pessoa especialmente competitiva nem devo ter direito a qualquer tipo de resposta - coisa que de resto já estou habituado) ‘repetitivas cogitações’ – A mulher tem de repetir para acreditar. Não é um problema de desconfiança, mas sim de gestão da consistência. Não é um problema propriamente de inseguranças mas sim de amor à estatística. A sua reconhecida maior dificuldade de abstractizar leva-a a te...
oh lord, make me pure... (*) é sobejamente conhecido da psicologia doméstica (e também dos textos do FJViegas como aquele em que diz que 'tudo se vê quando é escrito') serem as nossas mais fundas, repetitivas e prementes cogitações filhas do que nos vai enchendo a alma; por aqui, e em abono da verdade que é só uma embora às vezes ande camuflada como nos aperitivos, há um homem que ocupa o pódio das preocupações (neste momento por acaso até está de novo a perder mas manda a boa fé que o atribuamos ao facto de ser alguém a quem o poder securizante da repetição apaixona) do meu hospedeiro; as minhas, prosaicas e gastronómicas como nem poderiam deixar de ser, preenchem-se neste momento com o efeito do valor calórico de cada um dos 'beijinhos de amor' (**) que estou a acabar de meter nas caixinhas e com que brindarei vítima adequada, ciente que estou do tão velhinho quanto subtil ditado da minha bisavó aqui adaptado: "trinta segundos na boca, toda a vida n... a alma...
Este é um blog praticamente minimalista. Mas sempre com a porra do ralenti ligado. Não vá de arrefecer de repente. Aquele princípio credulitário que se poderia enunciar como: devemos acreditar que as coisas são como parecem a não ser que, e até ao momento em que, tivermos indícios de que estamos enganados, leva-me a olhar para o cardápio dos dias e cada vez encontrar mais indícios de que Deus existe. S. Tomás e outros carolas movidos de boa vontade, de tempo livre e da falta de sistemas de aquecimento central em casa, teimaram em organizar provas da existência de Deus envoltas num cruzamento de metafísica com botânica ascética, e deixaram-nas para a posteridade sem a preocupação de ir actualizando a grelha. Temendo que lhes aconteça o mesmo que à SIC, o dicionário não ilustrado faz-lhes hoje um ligeiro refreshing à luz do psicadelismo dos factos que a actualidade nos presenteia, qual milagres em formato de reality show. ( entradas 1105 a 1109 ) 'Prova do movimento' – Como na...