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Luna Park

«A vida é extremamente complexa, e os acasos são, por vezes, necessários» Álvaro de Campos (FP), em entrevista ao jornal A Informação , a 17 Setembro de 1926. .

Vista de perto, toda a gente é monotonamente diversa

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(frase de F. Pessoa, no 'Livro do Desassossego' , nº83; imagem de ' Hunger ')
120 anos e uns pózes Não sei se tinha chegado a dizer-vos (este ‘vos’ é um acto que demonstra a minha enorme esperança e não inferior optimismo) mas praticamente arranquei a ler o Pessoa ao mesmo tempo da sopa de legumes. Quando ainda estava de biberon houve uma tentativa de bordadura dumas frases soltas do Desassossego no meu babete, mas eu extasiava-me, parava-se-me a digestão, e por duas vezes bolcei de forma extemporânea (acho que é a primeira vez que escrevi esta palavra, daí algum nervosismo) pelo que a minha mãe optou por me iniciar apenas aquando da ingestão da sopa, utilizando o velho expediente de ter um verso avulso do ‘Guardador de rebanhos’ no fundo do prato, coisa que me inspirou de forma orgânica e definitiva, e além disso me tornou muito bom de boca, entre outras extremidades, se boca for considerada tecnicamente uma extremidade, claro. Como calcularão, no meu primeiro conjunto de pás, balde e ancinho estava gravada toda a ‘Ode marítima’ porque a minha avó gostava muito...
Luna Park (hors serie 2/9) «Tudo se penetra.», F. Pessoa, ' Livro do Desassossego ', ed Assírio & Alvim - nº 228 020707
Luna Park «Sentir tudo excessivamente, Porque todas as coisas são em verdade excessivas» (…) «De que serve ter uma sensação se há uma razão exterior para ela?» Fernando Pessoa, Álvaro de Campos
Luna Park “Às vezes, quando penso nos homens célebres, sinto por eles toda a tristeza da celebridade. A celebridade é um plebeísmo. Por isso deve ferir uma alma delicada. É um plebeísmo porque estar em evidência, ser olhado por todos inflige a uma criatura delicada uma sensação de parentesco exterior com as criaturas que armam escândalo nas ruas, que gesticulam e falam alto nas praças. O homem que se torna célebre fica sem vida íntima: tornam-se de vidro as paredes da sua vida doméstica; é sempre como se fosse excessivo o seu traje; e aquelas suas mínimas acções - ridiculamente humanas às vezes - que ele quereria insisíveis, coa-as a lente da celebridade para espectaculosas pequenezes, com cuja evidência a sua alma se estraga ou se enfastia. É preciso ser muito grosseiro para se poder ser célebre à vontade.” Fernando Pessoa, “Notas Autobiográficas e de Autognose”
rolling conditions "Nada, num sentido, é mais incómodo que o próximo. Este desejado não é o próprio indesejável?" Este sóbrio conjunto afirmação-pergunta, feito um dia por Lévinas, o homem que como poucos terá definido o valor da alteridade, vinha-me à ideia sempre que abria esta página e via a imagem de um berlinde a rolar, sem que pudesse adivinhar se um tanto à toa ou se, numa hipótese mais preocupante, tendo como destino o abandono. Como... [Ah, como já sei que alguém me vai chamar 'speeded-não-sei-quantos' aproveito para afirmar que também acho serem os intelectuais, e particularmente os universitários, "coca-bichinhos" das ideias". Tenho dito e segue o berlinde.] ... na raridade do momento de uma grande alegria, efémera porque incapaz de permanecer pela fuga dos instantes, a dar lugar ao desgosto. Ou, porque me lembrei de palavras de um Musil ainda jovem, como quanto experimentado por inquestionado se pode tornar incompreensível na apropriação que...
Nem tudo o sara é mágico Ouvir Saramago a dizer baboseiras em directo, dando aquele ar de que pensa coisas que mais ninguém alcança, e continuar a gostar dele como escritor, reforça a ideia de que a literatura ainda é um luxo e que o pensamento pode ser apenas uma solução de recurso da pelintragem. Lembro-me sempre da frase de Fernando Pessoa (R.R.) que ele recolhe no início do “Ano na Morte de Ricardo Reis” : “ Sábio é o que se contenta com o espectáculo do mundo” . E fica-me agora esta dúvida de natureza estatística: haverá mais aforismos para “sábio” ou para “palerma”? Todas as palavras podem ter a sua magia. Mas nem todas curam os males do mundo.
Daquele gajo que ganha notoriedade à conta do subtítulo deste blog: «Olhando para o meu rebanho e vendo as minhas ideias, Ou olhando para as minhas ideias e vendo o meu rebanho, E sorrindo vagamente como quem não compreende o que se diz E quer fingir que compreende.» FP A ideia de que os que detêm o poder «não podendo fazer o que queriam, fingiram querer o que podiam» com que Montaigne termina o seu ensaio “De la liberté de conscience” ( apesar do dito, segundo parece, não ser original dele ), leva-me para este conceito do fingimento de peito feito. O fingimento é um conceito rico, muito bem explorado no “estudo” das relações amorosas, mas não é para aqui que ele hoje me leva (aliás o Avatares nessa área não dá muita margem de manobra – é praticamente o Mourinho da eros-táctica) ver nota (1) Hoje analisarei a eficácia do fingimento no exercício do poder. Ponho a conclusão logo no início que é para os que se especializaram a só ler posts curtos ainda apanharem qualquer coisa: Fingi...
Deus Fui a Fátima. Lembrei-me de quem não acredita. E lembrei-me de Henri Michaux "... o hindu não pode imaginar num homem, a indiferença religiosa." Mas «ele há isso», sim senhor. Acontece a quem se é indiferente a si próprio. E lembrei-me então outra vez de Fernando Pessoa : " Quanto mais desço em mim mais subo em Deus..." E ... se é mesmo verdade?...
Início de conversa "Só me conheço como sinfonia" é uma boa citação para início de conversa. O citado é um dos costume. Dos melhores. O título do blog tem a ver com uma das boas práticas para a vida : Melhor que um paradoxo só uma ambiguidade. E ser exigente com a vida e com o que se quer dela. A ver (posts) vamos. Não sou de nenhuma seita, não uso receitas, mas aceito conselhos e boas desopiniões.