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A mostrar mensagens de maio, 2011

Troika de MOU's (3/3)

O pior serviço que a demagogia politica prestou ao desenvolvimento humano foi a introdução abusiva e banalizadora na agenda retórica corrente do maravilhoso mecanismo da vitimização. Criar vítimas foi desde que há registos uma actividade absolutamente fundamental no estabelecimento do equilíbrio entre o homem e o que o rodeia, e sempre foi a forma mais digna deste se relacionar com a adversidade, com a imprevisibilidade e a ininteligibilidade do mundo que são, registe-se, as suas características principais. Ao contrário das suas outras companheiras de troika, a vitimização não vive apenas de prerrogativas da mente e exige competências, digamos, técnicas ou mesmo artísticas. Vitimizar não é apenas um mecanismo para chamar a atenção, a vitimização é o acto mais perfeito da mitificação humana.  A vitima é o mito mais completo. Uma generalização bem feita mesmo seguida da criação duma excepção cirúrgica, se não desencadear o processo de criação duma vítima, devidamente chorada, comiser...

Troika de MOU's (2/3)

Associada à nossa capacidade de generalização está outra das pérolas da nossa psique: a capacidade de criar excepções. Poderá mesmo dizer-se, sem causar estranheza certamente, que quem melhor generaliza é quem melhor excepcionaliza. Criar uma excepção, seja tirar alguém de uma norma, seja desviar um pressuposto para uma conclusão diferente, seja fazer um pinheiro membro de pleno direito dum eucaliptal, estamos sempre ao nível do compromisso psicológico. Se generalizar é um acto de liberdade plena, algo que surge da força telúrica do livre arbítrio, a excepção resulta sempre duma necessidade secundária, duma elaboração de prós e contras. Excepcionalizar é quase sempre conferir uma vantagem, é o grande padrinho do polvo das discriminações mentais. O primeiro acto de excepcionalização foi da serpente quando escolheu Eva e a maçã para tentar Adão, até aí tudo era a mesma coisa, até a falta da costela neste já não se distinguia no resto do esqueleto, até a maçã era uma manga mais empapelada...

Troika de MOU's (1/3)

Uma das capacidades mentais que mais nos aproxima da perfeição é a generalização. Aquilo que poderia apresentar-se como um mero expediente para nos defendermos da ditadura do caso particular revela-se uma verdadeira varinha mágica para lidar com as arestas da realidade - uma máquina de fazer verdades. De forma quase elixírica a generalização é um local refrescante, onde a estupidez se encontra com o génio, ou até a lucidez com a demência. Serve para banalizar mas também serve para sofisticar, e tanto fornece estigmas como camuflagens. Apesar de serem mais famosas as generalizações de género e de carácter, as mais interessantes são as generalizações de circunstância, aquelas que conseguem quase parecer-se a deduções e que permitem o cérebro conviver pacificamente com mentiras, ilusões, e quaisquer outro tipos de enganos diversos. Alivia sempre. Pegar numa andorinha e fazer uma primavera é o maior dom depois dos que decorrem da graça de Deus. Hoje faça este exercício: pegue numa expectat...

Tracking Poll

Espantará certamente muita gente, incluindo franjas da população geralmente bem informadas sobre assuntos do aquém e do além, quando eu vos trouxer ao conhecimento (vai ser agora) que Deus Nosso Senhor também utiliza tracking polls para aferir da Sua posição relativa no coração dos homens face aos concorrentes clássicos, como o poder, o dinheiro, os batidos de frutos tropicais ou as mini-saias. Como se sabe, a quem o homem mais mente é a Deus, inclusive uma sondagem telefónica recente revelou que se mente mais a Deus do que às próprias finanças. Ou seja, (eu estou sempre a abusar dos ou-sejas, foda-se) uma das mais importantes mutações da psique humana foi a que se deu ao nível da zona que dialoga com o Criador. Como Este não quer facilitar, nem quer ser apanhado no juízo final com uma acumulação de processos sem prova provada, vai levando a cabo baterias de tracking polls nos momentos em que a humanidade se parece estar a transformar em gás metano; se há coisa que Deus detesta é que i...

Vive la Tranche

Aparentemente Portugal, superiormente representado pelo descoberto bancário do ministério das finanças, terá recebido anteontem a 1ª tranche da famosa ajuda externa . De forma substantiva eu venho aqui porque não podia deixar de dizer ao amável, e inclusivamente estimável (amar e estimar são conceitos afins mas diferentes) público que aprecio imenso a palavra tranche. Desde logo porque é uma palavra plena (repleta também se aplicaria) de carnalidade, e qualquer homem que se preze tem de se assumir sem rodeios como um tal carnal. Por outro lado, uma bela tranche de mulher poderá ser inclusive a base da defesa de um tal Domenico Avestruz que se viu algemado há dias - confesso envergonhadamente que me comoveria tal argumento - e , convenhamos, é uma fórmula bastante mais decente que naco, seja ele de mulher, de alcatra, ou seja ele de swift bancário. Já antevejo a mobilização vascular que sentiremos ao saber que estarão à nossa disposi...
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