O cálice da vitória Mourinho reflecte cada vez mais um tique muito especial. O tique do sucesso mal assimilado, do sucesso mal resolvido, do sucesso mal relativizado. No FCPorto encontramos um fenómeno muito próprio do alcoolismo: quem sofre deste “vício” basta-lhe uma pinguita para ficar bêbedo; aos do FCPorto basta-lhes também uma pequena contrariedade para assumirem uma posição absoluta, extremada e patética de valorização do seu sucesso. Encapotada da nobre estratégia de “ fingir perseguido para melhor prosseguir “. Os “meus” lagartos, por exemplo, andaram uma carrada de anos à míngua, e acabaram por ganhar um campeonato sem estar à espera, lá fizeram a sua festarola e pronto: Partiram para outra - disparate claro, mas não ficaram a “remoer” na vitória. Depois ganharam outra vez, disseram-lhes que foi o Jardel que ganhou sozinho, mas olha ...gozaram a vitória, repetiram a festarola e partiram para outra – disparate claro, mas sem dramas, sem nostalgias folclóricas, sem bacocas psic...
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A mostrar mensagens de outubro, 2003
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Deprimidos !? Só se formos parvos. A correr fora das premissas do post anterior aparece o extraordinário episódio do “psiquiatra de bibi”. Trata-se de algo que nem deve ser humorizado, porque só se ia estragar a sua virgínia beleza : O suposto médico psiquiatra foi arranjado pelo advogado de bibi, porque se conheciam das reuniões de condóminos. Solícito, prestou-se de forma graciosa e de «grande elevação moral», a ajudar desvendar os lugares mais recônditos da psique do arguido. Põe-se agora em causa a sua verdadeira especialização em psiquiatria. Pura falsa questão. Parece que o portentoso especialista teria diagnosticado “amnésia lacunar ”. Trata-se dum equívoco: a sua especialidade é ginecologia e o mal encontrado é a, também frequente, “ amnésia la-conar “. Eu gosto deste país. E muito. Os que estão deprimidos podem ir andando. Só atrapalham isto.
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Silogismos do real Primeiro grupo avulso de premissas: 1º Um presidente da república tem de vir dizer que não confunde velhas amizades com as suas responsabilidades. Não afirmou quais são as suas responsabilidades 2º A provedora da instituição do estado que é guardiã de crianças desprotegidas, tem de ser posta no lugar – e bem – por um advogado que defende um pedófilo assumido 3º O procurador-geral da república e o bastonário da ordem dos advogados jogam à bisca lambida com cartas abertas sobre o amor à verdade (porque a justiça não pode ser amada) 4º Os jornalistas queixam-se de que querem transformá-los nos bodes expiatórios das crises do regime (actualmente são apenas bodes marradores) 5º Certo juiz terá dito a um criminoso homicida que “você não devia existir”. Não se sabe a opinião do criminoso. 6º Um deputado em exercício é arguido de um processo de pedofilia. Mas não tem multas de trânsito por pagar. Segundo grupo de premissas a granel: Presidir, prover, procurar, bastonar, info...
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O nosso equilíbrio interior também está prenhe de equívocos. O novo dicionário não ilustrado continua a arriscar nestes meandros, mantendo-se inquietantemente afastado das empolgantes entrevistas políticas com que somos brindados.(entradas 246 a 252) Auto-estima – Estado de alma hiper valorizado. O recurso exagerado a esta excitação, emanada das revistas de psicologismos afrodisíacos vendidos ao quilo, produz efeitos enganadores. A Nandrolona parece açúcar mascavado comparado com este doping de almanaque. Espírito Crítico – Engrenagem automática das personalidades mais débeis, que não conseguem encontrar a genuína força na lúcida, serena e incondicional credulidade. Crer desmedidamente é o caminho que dá mais probabilidades de chegar a acreditar nas coisas certas. Desconfiar é uma vergonha da nossa condição. Paz de consciência – Estado de vigília que deixa o paciente com uma espécie de gnose epidural: ou seja, enquanto lhe vão à carteira ele pensa que lhe estão a limar os calos. Valori...
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O novo dicionário não ilustrado tem mesmo que fazer um parêntesis na futilidade dos factos e avançar para a angustiosa, mas heróica e virtuosa vida interior. O homem é que é um bordel de inevitabilidades morais. Mas ficam mal numa capa de revista. ( entradas 238 a 245 ) Preguiça in (acordar e levantar-se da cama)– Momento em que descobrimos que não é o sonho que comanda a vida, e em que desconfiamos que o valor da gravidade é muito superior àquele que nos andaram a vender. Sofrimento in (levar os filhos a fazer cocó numa casa de banho pública)– Momento empolgante da vida dos pais que os leva a reflectir na procriação e a chegar à conclusão que é uma realidade a exigir reformas profundas. O homem deveria alegar incompatibilidades. Responsabilidade in (tomar consciência que a filha anda a namorar)– Situação de peculiar nervosismo, que nos leva a oscilar entre as medidas de prisão preventiva ou a escuta telefónica; mas geralmente ficamo-nos pela acolhedora ignorância do segredo de j...
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Jornalistas. Têm muito jeito e põem-se muito a jeito. Uma das garotas de ipanema do jornalismo – helena matos – encheu-se de graça e ontem terá escrito a coisa mais linda de que «os jornalistas já têm de zelar pelo direito de informar, não podem estar também a zelar pelo cumprimento do segredo de justiça» Eu, escravo da civilização dos deveres, agora já me sinto libertado! Não me podem acusar mais de sujar a tampa da sanita! Então se já tenho que zelar por esvaziar a atormentada, impaciente e cheia de direitos bexiga, queriam ainda que cuidasse de acertar o meu irrequieto e ácido jacto naquele assimétrico e desconchavado buraco!?... E tenho eu que zelar por gerir os direitos dos accionistas, e agora ainda me exigem que arranje dinheiro para pagar os ordenados, e por cúmulo que os transfira para a conta dos empregados! A natureza – que nunca se engana – de facto já tinha dado um lamiré, quando demonstrou que a quem se incumbe de zelar por fornecer o espermatozóide, não se lhe exige a ma...
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Sexo O notíciolítico O sexo simula a nossa condição. Não foi concebido para ser percebido, é banal, dissimulado, óbvio e provincianamente misterioso. Está ali, na berma da estrada, pode funcionar como escapatória, mas também rende bem como “vomitatório”, GNR de turno, estação de serviço ou via sem saída. Dar-lhe um rumo parece torná-lo redondo e redundante, mas a doutrina católica e o “Freudianismo” colocaram-no nos dois extremos da barricada. “Os dias que correm” servem-se dele para vender cacofonias paramentadas de letra de imprensa, drageias, teorias, congressos e acórdãos de tribunal. Deixa-me desconfortavelmente indiferente a “pornografização” dos sentidos, mas quase me revolta a “terapeutização” sexual dos sentimentos. De qualquer forma, passo ao lado da sua banal ridicularização e da sua ridícula demonização. Ou seja, estou inutilmente à toa. Sem Descartes. Como todos. O sexo, infelizmente só é ambíguo na sua simbologia. A sua tão flagrante “obviedade” baralha-nos: nada pode se...
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Diálogos de barriga aberta - Aquele rapaz, o nelo carrilho, acho que escreveu uma carta aberta - Bem o pessoal dos correios agora não tem mãos a medir - Ele bastava ter telefonado ao ferro, que a sic depois punha aquilo num texto com pontuação certa e tudo - Deixa-me que eu agora estou mas é aqui “à coca”, a ver o que é que os gajos do PS vão dizer - Acho que vão fazer um documento de “solidariedade contida” - Se calhar já estão a reter líquidos !? - Nã, esses tipos da sic já sabem é tudo o que vai acontecer - Parecem uns abutres ali à espera.... - Bem, mas os abutres também fazem parte do equilíbrio natural.... - Pois é, acho que senão os mortos fediam e eram um foco de bactérias - É que o estômago desses bichos produz uns ácidos tão fortes que, vê lá tu, até dão cabo do antrax - Ah ! Então se calhar então foram eles que chegaram ao Iraque antes dos americanos, e arrasaram com as armas bacteriológicas!... - Abençoados abutres, e a gente que não lhes dava o devido valor! - Benditos sej...
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Mas ele há gente para tudo... A maioria das mães daria a vida pelos seus filhos A maioria dos polícias não é corrupta A maioria das amas não bate nas crianças A maioria das famílias não se vê ameaçada pelas redes de prostituição A maioria dos políticos não é artista de cinema A maioria dos filhos dos ministros entra para a universidade sem cunhas A maioria dos árbitros não foi ao Brasil com a conta paga pelo F.C.Porto A maioria dos Presidentes da república não é parva A maioria dos crentes reza todos os dias pelo PS A maioria dos caixotes do lixo não tem acórdãos da relação A maioria das empresas vende com factura A maioria dos livros escolares não foi inspirada no bigbrother A maioria dos apresentadores de televisão não pinta o cabelo de louro A maioria dos juízes não manda os jornalistas à merda A maioria dos helicópteros dos bombeiros não anda em serviço turístico A maioria dos deputados não está presa A maioria dos padres acredita em deus A maioria das conversas telefónicas não apa...
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Hoje o novo dicionário não ilustrado vai enrebanhar um pouco – pra desenjoar. Pelo menos que seja por uma causa inútil. ( entradas 232 a 237 ) Pedreiro – Profissão fornecedora de alegres mitologias em torno das mãos calejadas. Revela a sua moral no respeito alquímico da mistura de cinco de areia com uma de cimento. A perfeição atinge-se no espatulado de fino reboco que afaga o tijolo e acolhe a tintura. Muitos já se consolam se as paredes fizerem esquadria. Escritor – Profissão cliente de todas as mitologias que fermentam em torno de mentes delicadas. A moral deve viver suspensa, para que a mistura das palavras não redunde numa cartilha de avulsos pudores, enxertada de previsíveis rancores. A perfeição atinge-se no fino fraseado que consola o ego e acolhe o aplauso. Muitos já se contentam com o prefácio dum génio de circunstância. mas já que estamos nisto... Comentador – Profissão manipuladora das mitologias mais frágeis. A sua moral encontra-se no deixar algumas migalhas para os que ...
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Pleuresias incompletas Encharcada No princípio era a separação de poderes Decretada pela tradição Mas havia uma atracção, fatal, e dois poderes acabaram por trocar olhares logo ficaram juntinhos Chegam a roçar-se levianamente Um terceiro poder enciúma-se e espraia-se um ambiente tenso Alguns risinhos Meio malandros Meio nervosos Meio desconfiados Mas com três meios.... extravasa o copo! Derrama-se poder para o chão, num charco, e não há quem drene... Tudo chapinha todos se enojam mas todos gostam e vão dando gritinhos. É como brincar ao quarto escuro.
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Não arranjo como fugir disto. O novo dicionário não ilustrado deixou-se apanhar pelo polvo do burgo. Só que, como não podia deixar de ser, cortado aos bocadinhos e em vinagrete. ( entradas 224 a 231 ) Crime – Termo que só ganha valor poético nos manuais de direito. Na boca do povo parece uma cárie tão irreversível, que nem com uma placa nova de recurso aparentamos ter dentes d’albarran. Indícios – Na era dos sinais, na era do famoso retorno às simbologias, os indícios são peões de um jogo de bombeiros: dum lado os do “ fogo posto ”, e do outro os do “ fogo de vista ”. Investigação – Termo que se refere à busca incansável da verdade dos factos; tem como padrão o seguinte: a verdade dos factos não existe, quem corre por gosto é que não se cansa, e quem busca são os cães. É neste forno que se cozem os ingredientes do “ fast-jail ” Contraditório – Extraordinária faculdade de alguns humanos em ver o cu onde apenas aparentam umas calças. Prevendo essa visão radiológica, o outro – não menos p...
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Pleuresias incompletas Eu claudico -Antes, como qualquer parvo, falava com os meus botões, -agora falo para o blog. -Do botão para a pantalla... -Será uma evolução? -Ou será que ainda vou ter um blog em madrepérola? -Falar de nós é o maior risco. -Atirar aí para a frente a nossa irrelevância. -E ficar a olhar para ela... -A esperar que a baba escorra -E porra... -Então e aquela coisa de nos devermos encontrar a nós próprios? -Se calhar é tanga? -E se não temos nada na manga!? -Ficamos aí à mercê -E a indiferença ainda pode ser a maior graça -Antes isso que ser apregoado na praça -Como um sacana dum safio, safa...
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Regras imortais Garcia de Resende dizia ao seu amigo Potas ( Rui de Figueiredo ), descrevendo-lhe uma regra hipócrita da vida ascética: “ Nunca rir no mosteiro. Diurnal, breviário, contas pretas e rosário sempre à mão, mas sem rezar a nenhum santo do calendário! Disciplinas rijas às escuras e no chão. Muitos suspiros, fingir que anda adoentado, para escapar à reza do coro. No refeitório, jejuar à grande. No quarto, comer bem.” Parecia um post para ser dedicado ao quarto dos pulhas , mas eles agora andam mais sensíveis e.... lembrei-me que podia antes dedicá-lo ....a todos nós! A hipocrisia é a religião do in(?)consciente, que tem o seu deus no limbo da razão. Há que viver à grande e trazer a consciência protegida dos ventos fortes.
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A fatal futilidade dos factos - Pedologias O PS, que já sabia que tinha que fazer uma bela caminhada com um pedroso no sapato, não aguentou, e tratou de aliviar o incómodo desatando aos tiros. Conclusão: aqueles pés ficaram desfeitos em buracos, e a única coisa que ficou a dar sustentação ao rabiosque foi um calcanhar de Aquiles . A esperança é agora... uns pés de barro .
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Os homens são o que são. Mas podem ser o que ainda não são. O novo dicionário não ilustrado arrisca mais uma vez. Deixando-se levar pelo caminho incerto das palavras. Apenas isso. ( entradas 216 a 223 ) Culpa – Fenómeno confrangedor de natureza muito híbrida ( ou plástica ), que geralmente é sustentado por equilíbrios de encolhida masculinidade com agressiva feminilidade. Algumas arquitecturas financeiras ajudam igualmente a aplacar e camuflar este fenómeno também ele demolidor. Perdão – Estado da natureza de características redentoras, experimentado por almas raras e de poucas falas, e muito apregoado por almas com taras e de falas baratas . As almas que pretendem ser meramente sérias evitam a questão. Inveja – (Já tratada em tempos num texto autónomo). A maior das virtudes de fronteira. Vilipendiada pelos artistas da dissimulação, e bem manejada belos malabaristas da palavra. No circo da opinião é a palavra mais bem amestrada Ciúme – Fenómeno relativamente mal explorado por ter aleg...
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Fátinha Felgueiras, no Brasil, continua a seguir com deslumbramento os acontecimentos da terra donde Cabral saiu, também ainda inocente. Paulinho ( não o dos magalas ) foi inspirador. Ela tinha mesmo que falar urgentemente com Paulinho Pedroso. Viu-se à rasca. O pessoal do PS agora troca de nº de telefone com mais frequência do que os ministros do governo dão galgas. Mas lá chegaram à fala e .... Dada a extraordinária performance demonstrada por ambos a lidar com o fenómeno da prisão preventiva : um – “no antes” - a evitá-la, o outro – “no depois” – a empoleirar-se nela, não foi difícil estabelecerem uma estratégia comercial para oferecer os seus serviços à população em geral. Tudo se basearia no originalíssimo sistema dos pacotes: Pacote escapadela : Ideal para todos os presumidos culpados. Voucher completo com nome falso, documentos sem rasura, e fanfarra de desagravo na estância de acolhimento. Inclui a pulseirinha - não electrónica – correspondente à pensão completa. O passeio aos...
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Pleuresias incompletas Fados ladrados Estamos “mal fadados” Com as casas das músicas E das orquestras E das óperas Filhas de pautas demasiado orgulhosas Que se enfeiram em vaidades de maestros mal amestrados Só que os verdadeiros donos da música tocam instrumentos com cordas especiais Quando fogem do tom Basta-lhes mudar de corda Não se dão ao trabalho de tentar afinar Chegam a escolher Rouxinóis amaneirados e roucos e domesticados Para disfarçar a falta de instrumentos e as letras mal amanhadas E assim ficamos entretidos Com o folclore Que sempre tem cores mais vistosas E com o chilreio que sempre é menos cansativo que o solfejo Aparentemente, não temos fôlego Para muito mais que sacudir o rabo Como alguns cães
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O recorrente uso de K. Popper para nos reavivar o racionalismo democrático e liberal é um esforço válido. O contra-a-corrente no passado dia 6 de Outubro brindou-nos com uma dança de conceitos Poppianos, que nos pode fazer mirrar o espírito se não for descodificada. O novo Dicionário não ilustrado , que aprendeu com K. Popper que “ninguém sabe o suficiente para ser intolerante”, vacilou mas avançou :( entradas 208 a 215 ) Estado (A necessidade do) – A tímida e camuflada mentalidade utilitarista olha para os conceitos com a pala da necessidade para se proteger da luz. Com este “grilhão”, o estado fica preso ao inútil critério de ser preciso. Depois, se é um bem ou um mal, escolhe-se conforme as rimas mais de feição. Ditadura e democracia – A distinção entre estes dois conceitos, quando baseada na apreciação do método afecto a cada um deles para “aliviar a sociedade do seu governo”, induz-nos na conclusão de que, na democracia não nos desembaraçamos do governo nem com sangue, e na dit...
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Pleuresias incompletas Chicos Hispanos Deu-se um golpe de teatro A espanha desinteressou-se de nós. Ficou aberta uma brecha para nós avançarmos Avançámos Demos conta deles. A água agora já corre de cá para lá Andorra passou a ser na serra da estrela Estamos a dominá-los A peseta já só vale 5 tostões Mas não existe peseta Não faz mal : A EDP corta-lhes a luz Desesperados, eles Prometem vassalagem eterna Desconfiamos Pelo sim pelo não Pomos um corta vento e não casamos com os gajos(as) Eles desesperam Nós temos pena deles Ligamos o disjuntor Falta-nos o fôlego para dominar Eles aproveitam Atacam de TGV Fomos abafados outra vez Atraiçoados pelo nosso bom coração O pulmão também não ajudou
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Crises... venham elas Está criada a ideia de que o pais não beneficia com estas crises políticas : falso ! Pode beneficiar, sim senhor ! Aqueles a que nós convencionámos chamar “ os portugueses” continuam excessivamente resignados a ser considerados os bombos da festa. Mantemos colado na nossa débil “consciência colectiva” que só quem tem poder , dinheiro e amigalhaços é que tem direito a rir-se com o palhaço rico. No circo da justiça, da saúde, da segurança, da educação, dos impostos, o cidadão comum sente que há trapezistas com redes mais fortes e outros com redes mais frágeis. Este sentimento generalizado é o claro sinal do nosso “atraso de cidadania”. Mas firmemente baseado nos factos e nos seus esgares. Estas crises, e a sua “manipulação”, constituiriam uma das boas oportunidades para quem está no poder de demonstrar que não será assim. Para ver se as pessoas começam a ter condições para pensar que:... A D. Idalina que continua a sair de Massamá às 6.00, e continua a pôr a fil...
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Vírus falante Atravessa o linguarejar do poder político que o referendo sobre a constituição europeia é fundamental para legitimar o “sim” !... Terei ouvido bem ? Então, mas essa coisa das eleições não serve para a populaça poder escolher "sim" ou "não"? ... Claro, depois de termos sido superiormente esclarecidos- como Sampaio manda – com o amplo debate abrilhantado pelos comentaristas de turno. Ah!.. está bem, democracia era só aquela coisa dos gregos. Agora é a endémicocracia . Somos governados pelos vírus bem falantes, que parasitam criteriosamente espalhados no corpinho da plebe mal imunizada.
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Como terminar o calvário dos políticos Tentando ir ao encontro das legítimas "ansiedades" do Liberdade de Expressão , penso que a única hipótese de safar isto é consagrar em sede de "lei de primeira categoria", o seguinte : Por definição não há políticos nem desonestos, nem com honra Os políticos só são obrigados a prometer o que não podem cumprir Os políticos não devem ter responsabilidades, apenas habilidades Os políticos podem avisar antes de dizer a verdade Os políticos devem ser apenas reeleitos, não precisam de ser eleitos O eleitor devia pagar propinas para votar. Os políticos podem conceder bolsas de voto. A posição alcançada pelas elites deve ser protegida por deus. Na sua ausência, pela SIC. Os políticos devem ter nomes de santos. Também não devem ser invocados em vão. E retenho : "A forma mais sofistidada de populismo é o anti-populismo" . Em cheio.
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Ainda sobre importância das coisas e as portas que se abrem. Quando foi da ofensiva no Iraque, o comando militar americano informou a dado momento que as forças americanas já estavam capazes de atacar os “alvos de oportunidade” Esta estratégia militar reflecte uma situação simultaneamente "precária e interessante". À falta das “referencias” estáveis e dalguma forma perenes, leva a que nos orientemos cada vez mais por pequenos sinais. O “momento” passa a concorrer com o “planeamento”. Esta “gestão” das portas que se abrem e fecham é uma das ambiguidades do nosso tempo. Tempos em que se tem de equilibrar a unidade do ser com a oportunidade do estar . É assim que vamos pesando a importância das coisas. Não queremos viver nem numa cela, nem numa contínua corrente de ar. E estou de acordo com o serportuguês : quando vemos uma porta fechada temos mesmo é que a abrir. Como os miúdos. E quando vemos uma porta aberta temos é de espreitar. Como os graúdos. Ah!...quantas portas abriríam...
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Todos nós temos o secreto desejo de que os tratados de moralidade se inspirem na nossa nobre alma. A política moderna resolve também esse problema, estando sempre com a mão na consciência . O novo dicionário não ilustrado seguiu esse processo ( entradas 199 a 207 ) Consciência tranquila – Estado de hibernação moral em que o grande sono do bem estar se sucede ao desconforto de uma vigília demasiado exigente. Consciente da realidade – Estado extremamente perigoso, onde a excitação pode tomar o lugar geralmente ocupado pela estupidez. Só que a estupidez já estava bem acamada, pouco se mexia, e agora a consciência vai ter que, alvoroçadamente, fazer o ninho outra vez. Consciência do dever cumprido – Momento de rara felicidade, geralmente vivido junto ao espelho, ou de rara micose no couro cabeludo sentado a uma secretária com uma folha de papel em branco. Consciência Limpa – Estado asséptico e letárgico alcançado à base de purgas sucessivas, efectuadas à custa das consciências alheias qu...
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Parecer ser para ser bem aparecido A vida em sociedade, tal como assistimos e participamos, com mais ou menos comoção, mais ou menos exaltação e mais ou menos indiferença, assenta em “variáveis” muitas delas de insondável ponderação. A condição do indivíduo perante o Estado, é uma delas e existe não só “in facto”, mas também ( essencialmente ? ) na percepção individual dessa condição . Esta percepção é então por sua vez um elemento chave daquilo a que se poderá chamar a “ coabitação saudável do indivíduo com um poder autoritário, discricionário, externo, legal e organizado” Tem-se aceite que essa sã coabitação é nevrálgica para o chamado “aperfeiçoamento da sociedade”. O principal atentado a essa percepção é a emissão voluntária ou involuntária de sinais que revelem a fragilidade ( real ou potencial ) do indivíduo perante esse poder. E pior, que mostrem que só "há é que aguentar". Por mais que possa custar a quem julga ter os seus direitos bem defendidos, a quem pensa que ...
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Confissões monologadas de um futuro ex-ministro no “ corredor da morte ” Eu acho que sou praticamente um homem bom. Vivo embalado pela minha honestidade. A minha consciência está tão tranquila que só de pensar na maldade ( a dos outros claro ) me dá convulsões. Angustia-me que se possam suspeitar de que eu tenha prejudicado alguém. Para mim todos os homens são iguais. Até as mulheres também são. Condescendo alguma diferença para os bichos. Mas trato-os como irmãos. Nunca fugi das minhas humildes responsabilidades. Até já me pediram muitos favores. Mas eu não sou de favorecer ninguém. Fico com pânico de que outra alma indefesa possa ficar apeada dos seus direitos. Sou assim pronto. Até dizem que sou socialista. Como eu gostava que todos pudessem ter acedido às oportunidades que eu tive. Se calhar é por isso que há pessoas tão revoltadas. Mas nada justifica a sermos vingativos. E às vezes dá no que dá. Desgraças. É pena a sociedade não ser como eu. Até aprendi a amar as diferenças e ter ...
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A geometria euclidiana não conseguiu descortinar que uma circunferência era uma figura geométrica com quatro lados. Foi a política que revolucionou, quando veio demonstrar que tal era possível se os lados fossem levemente arredondados. Que lados eram esses foi o que o novo dicionário não ilustrado acabou por descobrir :( entradas 195 a 198 ) Influência – Tipo de vírus cuja propagação se faz muitas vezes com o gozoso consentimento do hospedeiro e o acolhedor carinho do infectado Alternativa – Figura de estilo que mescla a tauromaquia com os mais finos bares de estrada espanhóis, e que permite, com tamanho enxerto, escolher a melhor farpa e, logo de seguida, a melhor cama. Expectativa – Paródia com figurantes escolhidos a dedo, com ponto amestrado, e que bate os recordes de assistência na ante-estreia. O encenador é também o artista mor. O pano está sempre em baixo. Imagem – Objecto de deleite , que frequentemente serve para abafar o mero dislate , e que muitas vezes apetece fazer ...
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Sacrifícios “Não me venham pedir milagres “ disse hoje a nossa Nélinha Ferreira Leite. Bem, ... à moça, de facto... já não a deixam brincar aos juros, já não a deixam ir à tipografia fazer umas notas à maneira, o saldanha sanches não a deixa inventar mais impostos, e os ministros não têm nenhum corpinho de jeito... por favor ! Arranjem-lhe uma azinheira rápido ! Depois, à Santa Nélinha da Ladeira do Déficit, para três pastorinhos...sugiro-lhe dos melhores apascentadores da pradaria : F. Louçã; penitência : fazer uma via-sacra à casa branca e pedir ao bush para subir a renda das Lages. P. Portas; penitência : nomear o Monteiro procurador-geral da república M. Soares; penitência : estar calado e ir para voluntário da cruz vermelha ... O dinheiro havia de aparecer ! Era só tarifar em condições as indulgências....
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Como eu invejo um bom ritual No “post” anterior referi-me à centrifugação. Mal ficaria que não desse nota dum blog com esse nome, que eu descobri recentemente e que gosto de ler. Ainda há pouco tempo aí se lia : “Este ritual arrasta-se até eu ter comichão na cabeça ou noutra parte qualquer e decidir que são horas de banho com lavagem de cabelo ” Gosto.
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Centrifugações Andei com as "roupinhas do menino Jesus" nos braços. Nem sabia bem o que lhes fazer. Mas não podia ficar com elas assim...eram paninhos de gente boa... . do Cruzes "o Novo Testamento não é fruto directo e acabado dos ensinamentos de Jesus, mas antes fruto de uma teologia ou tradição cristã. Teologia essa que, como outras da altura, procurava responder satisfatoriamente todos os paradoxos e questões irrespondidas que a persona Jesus de Nazaré lhes havia legado. " do Avatares "Mas também não é necessário chegar ao Jesus histórico, ele mesmo. Muitos dos que o conheceram em directo, não só não creram nele, como até o mataram!" do Miniscente "Trata-se de entender que o período da chamada revelação cristã é ocorre num período em que a literatura apocalíptica judaica dominava imagética e retoricamente. " "Embora a simbólica da redenção remeta para um avènement do novo reino, este só se viria a cumprir no mistério e constituir-se-ia, ...