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Clownfunding

Depois do sucesso da operação de crowdfunding que se mostrou ser o nosso irs para a fazenda nacional, e face aos últimos desenvolvimentos da realidade, também chamados de actualidade, penso que se abriu o caminho para criar uma nova forma de financiamento ligada à palhaçada produzida constantemente pela bolha das notícias. Descoberta a nossa vocação científica mais recente, a panteaologia, cada português deve agora dedicar uma parte do seu tempo e talento a discernir quais os féretros que merecem ou não arrendamento vitalício em local de pompa & destaque. Depois de dada esta contribuição para o bem-estar da nação consigo própria (todos podemos ser alain’s botton da pátria), devemos concentrar a nossa wisdom of the crowds no discernimento de todas as possibilidades (versão moderna de direitos) ainda não totalmente ao dispor da paneleiragem, para que estes se sintam benzinho, confortáveis e inclusivamente sem necessidade de planos cautelares. Sendo certo que esta será uma batal...

«Marta, Marta,

andas inquieta e perturbada com muitas coisas; mas uma só é necessária.» Ao evoluírmos no e pelo tempo – fenómeno também conhecido por idade – dois caminhos nos são oferecidos , por regra: o caminho da intolerância máxima (já não estamos para aturar parvos, damo-nos ao luxo de nos irritarmos ou desprezarmos o que não nos agrada, ficamos com aquilo que chamamos pomposa e um pouco petulantemente, exigência, critério, não admitimos manchas em machetes, nem desatinos em isaltinos ), ou então o caminho da tolerância olímpica (aceitamos tudo como fruta da época, compreendemos os defeitos dos outros, vemos anúncios das telhas Umbelino Monteiro com o mesmo prazer que os anúncios dos perfumes da ralph lauren, e se para um martelo tudo é um prego, para um tolerante tudo é vaselina). Ambos são caminhos perturbadores, pois ambos nos puxam para o pior de nós, ou seja, ambos nos exigem uma experiência de racionalidade assistida para a qual não estamos talhados. O único movimento humano n...

a economia da estupidez

Ser estúpido é algo que requer uma utilização criteriosa de amplos recursos. Em geral podem encontrar-se 2 grandes tipos de estupidez: a natural e a elaborada. O primeiro tipo está bastante bem difundido pela espécie e é uma das chaves mestras da nossa sobrevivência a par do polegar pênsil, do uso do fogo, do cartão de crédito e da roda. No entanto, mesmo esse nosso talento inato para colocar a realidade ao serviço das nossas entranhas mais íntimas exige treino e interacção com vários recursos, designadamente o desprezo pelo semelhante e , nos casos mais sofisticados, o desprezo por nós próprios. Deixando um pouco de lado este tipo de estupidez natural, debruçar-me-ei no segundo tipo que chamarei de estupidez-elaborada. Quando se diz, por exemplo: não há limites para a estupidez - é precisamente desta que estamos a falar. A estupidez elaborada tem, desde logo, um ponto de contacto muito relevante com a natural, trata-se da pose. A pose estúpida é a combinação do talento natural-...

a economia da virtude

Há muito que o consumo tinha substituído a fé como principal motor da actividade e da ilusão humana. O consumo veio acompanhado de conceitos sedutores como a imaginação, a felicidade, o bem-estar, a liberdade, o progresso, e a fé foi ficando mais ligada a corrupção de almas, a liturgias bafientas, a estruturas de opressão emocional, a fanatismo , a irracionalidade e a regressão. Ora nestes tempos em que o processo de moeda ao ar que impregna toda a evolução humana entrou numa fase em que nos é apresentada a outra face temos para nos entreter o confronto semi-titânico entre a austeridade e a temperança. Assim, enquanto a austeridade nos revela os lados negros da privação, da insatisfação, da frustração, a temperança tem o seu tempo de antena para nos indicar o caminho da sobriedade, da paciência e da discrição. A opção para quem se sente fodido e mal pago é empertigar-se casto e ponderado. Se antes era preciso separar o consumo do desperdício, hoje é preciso separar a temperança ...

Não houve outro modelo como o Rebelo

Durante mais de 20 anos Rebelo Alves foi mexilhão de 1ª na costa de Peniche. Chegado ao momento de decidir qual seria o seu legado à Bibalvidade escolheu entregar-se às ciências sociais; foi inclusive mais longe, apresentou-se logo na Academia e endereçou-lhes o convite: experimentem-me desde já. Os cientistas sociais esfregaram as mãos de contentes face ao inesperado brinde e pediram a Rebelo Alves para comparecer todas as terças num tuperware em tons branco esperma com tampa verde ranho.   Numa primeira abordagem, um grupo de empíricos recreativos injectou em Rebelo uma pensão de reforma com molho de estragão e mandou-o três meses para ser cheirado pelos clientes do vila joya. Depois de ter sido exercido o contraditório com um par de ameijoas gémeas em bulhão pato, a modelação concluiu que a curva de interferência do dente de alho apresentava uma derivada superior ao esperado quando o rácio do coentro entrava na sua maturidade específica e convencional. Tirada a conclusão d...

Disfunção réptil

O lagarto Rodrigo atacou o Outono com um empenho inesperado. Tomado de subtilezas meditou sobre a desilusão que trazem todos os calores e solicitou uma transfusão. Pagou um suplemento por um lote de sangue brioso e com plaquetas já filtradas pelas mais altas literaturas, passou o recobro sobre uma folha de acácia semi-ressequida e foi visitado por duas lesmas em serviço social e uma sanguessuga em serviço de acompanhante de luxo. Libertou-se da mão violenta de Dom TSUão, inscreveu-se numa expedição a Kathmandu e mandou-os levar no. Devotadamente mamiferizado comia filetes de peixe e arrozes vários, e viciou-se em cabidela às sextas. Sonhava com a revolução permanente, a defenestração de secretários de estado, a desfloração de deputadas loiras e a imolação de presidentes de câmara sem capachinho. Já perdera a segunda guerra mundial não queria agora perder a terceira. Alistou-se na legião dos Conas, comprou um blusão de cabedal azul petróleo e alugou uma mauser que já tinha dispara...

Como acabar com o desemprego entre os jovens licenciosos

um neodesmalthusianismo Uma das mais nebulosas e até nefastas consequências da austeridade desbragada é deixar os jovens com a sua lubricidade exposta aos malefícios do tempo livre. Com uma química ainda sem enquadramento religioso o jovem recém-licencioso encontra-se numa encruzilhada de tentações que ora são assumidas como um lastro inesperado das novas oportunidades, ora consumidas precipitadamente como ilusórios projectos de inovadora investigação. Deixar desamparado um jovem licencioso com excesso de argumentos é como pôr uma piton num gaiolinha de hamsters de lacinho e dar azo a que desperdicem as energias na utilização ineficaz dos instrumentos realmente úteis que têm mais à mão. Sem vislumbrar um aproveitamento para a sua licenciosidade que corresponda às expectativas criadas, o jovem licencioso acabará por tornear a clássica e profilática inibição do libido por concupiscências de substituição. Empregar dinamicamente os jovens licenciosos é pois um imperativo nacional sob...

República de Ver mar

Não somos uma nação de gloriosos decadentes. A nossa força não vem do desespero, nem duma euforia da miséria ou catarse de declínio. O horizonte atlântico presta-nos um serviço à alma. Acarinhamos valores para literaturas de segunda, mas honestas, mimosas, fundámos o idealismo das delícias. Fazemos coisas queridas, temos sentimentos bonitos, decoramos as ansiedades com as saudades e as melancolias, polvilhamos com um ou outro acinte mas nada que ensurdeça o ouvinte, e vestimos o orgulho de pantomina ou de solidão. Todos temos uma guterronhice dentro de nós e a nossa tristeza será sempre alegre, sempre destriste. Não trabalhamos com motores de explosão, se precisamos de energia fazemos das tripas coração e depois amamos com unhas e dentes. Não temos hábitos, não temos costumes, a visão do mar infinito dá-nos esse mínimo de estabilidade que precisamos, chegam-nos e sobejam-nos as marés para marcar o tempo. Não contem connosco para modernidades, racionalizações, cosmopolitan...

autobiografia instantânea

A bateria só tem 15 minutos, rasguei-me um pouco ao lado do picotado e saiu um pó esverdeado, típico duma soberba reprimida à base de cacetadas bem dadas de moralismo cirúrgico, mas persistente; apresento um cheiro adocicado quando virado para a luz, acre na sombra, deitei-me um pouco no pires, ao mais pequeno contacto com a  humidade real começaram as bolhas de susceptibilidade, o metal da lâmina da faca foi acolhido primeiro com desconfiança, depois com crueldade e finalmente com resignação, sim faca, para me mexerem bem teve de ser com uma faca, ria-me quando vinham para mim às colheradas. Feito em montinho - já só tenho 10 minutos de bateria - pareço impreparável para o contacto com o leite e muito menos com o forno. A minha pasta inicial é repelente, sou desajustado para amores à primeira vista, quando chega o primeiro garfo cheio de proselitismos deixo-me ir, ponham mais leite que se lixe, serei tarte, serei torta, bolo, rolo, seria o que quisessem. Sete minutos. En...

O perigo do método

Se há coisa em que sou medianamente especialista é em escolher métodos perigosos. Aplicar a freudojunguice às situações que menos lhe fariam apelo é uma das minhas predilecções. Gosto adicional e designadamente de inventar expressões e de dizer que foram de freud (ou de churchill ou até mesmo de dostoievski, e uma ou outra de picasso, - não podem ser personagens inventados, nem sequer pouco conhecidos ou obscuros pois movo-me em ambientes onde a credibilidade é um valor essencial ) , e como é impossível desmentirem-me costumo ser absolutamente contundente & convincente, desde que seja também bom e barato o que leve no cabaz, obviamente. Claro que lido intermitentemente com a indiferença, a desconfiança, o leve desprezo, (nunca dei azo a desprezos de nível olímpico), a surdez táctica e , obviamente, a insinuação educada de pura charlatanice. De todas estas situações a que mais me gratifica é a de charlatanice, pois acaba por reconhecer um talento genuíno e, mais, existe uma charlata...

Veritatis Splendor 2.0

Diz-me como mentes dir-te-ei em que acreditas. Diz-me como finges dir-te-ei como te revelas. Se o maior refúgio do homem é ele próprio, ele próprio é também o seu escape, conclusão: o homem não pode fugir a si próprio. Apesar da enormidade que representa o problema de Deus, o homem deve ser o maior problema do homem. Diz-me como suas dir-te-ei como bebes. Diz-me como foges dir-te-ei como te enganam. A história é o maior divertimento humano. O futuro é o segundo maior e o nunca-jamais o terceiro. Conclusão: o presente não tem lugar no pódio. Quem diz viver do presente é um aldrabão. Ou hipocondríaco. Diz-me como cobiças dir-te-ei como possuis. Diz-me o que possuis dir-te-ei o que não terás. O homem evoluiu ao sabor do homem, o vento afinal de contas sempre contou muito pouco. Conclusão: é o colarinho que desenha o pescoço. Cada andorinha faz uma primavera, cada árvore é uma floresta, em cada nuvem há uma amante de Júpiter. Não há fumo sem fumo. Apenas o fumo conta.

Gaudium et Spes 2.0

O que divide o mundo é o mesmo que o une: o progresso. Todos o amam, todos têm medo dele, todos o admiram, todos o desprezam, todos lhe lançam impropérios e todos esperam ansiosamente que ele apareça vestido de branco a resolver-nos os problemas - depois logo veremos se era um anjo ou uma nuvem ácida. Tudo tem um princípio e um fim, dizemos de peito meio cheio - meio vazio, mas o facto de nem sequer isso sabermos ao certo nos impede de conseguirmos viver com mínimos de decência psicológica. O bem e o mal estão entranhados nas nossas acções e, se bem que de vez em quando o tenhamos de enfiar debaixo do tapete, convivemos de forma razoavelmente benigna com isso. As realidades mais importantes e determinantes da nossa vida escapam-nos na sua essência e ludibriam-nos na sua aparência, mas tal alegado drama não nos impele com regularidade ao desespero. O essencial e o acessório aparecem-nos normalmente misturados, pedindo explicações urgentes um ao outro, mas raramente nos deixamos...

Lumen Gentium 2.0

É evidente que a cegueira da avidez, o inebriamento das ideologias e a impiedade das corrupções de vária natureza dão uma explicação satisfatória para as nossas consciências face ao estado do meio que as rodeia. No entanto, corremos o risco de deixar de fora uma variável de incontestável interesse e alcance: a estupidez humana. Conhecida desde que se conhece o homem, amada desde que descobrimos o amor e preservada desde que começámos a pensar ecologicamente, a estupidez humana é a nossa grande companheira de momentos bons e momentos menos bons. Os tempos moderníssimos (que são os tempos que vêm a seguir aos modernos) trouxeram-nos novos tipos de estupidez, dos quais eu destacaria a estupidez esclarecida e a estupidez sábia. A estupidez esclarecida já nos fazia muita falta, pois o mais parecido que até agora possuíamos no nosso património era a estupidez culta, e a versão esclarecida acrescenta-nos a importantíssima componente estatística que antes apenas vislumbrávamos na mediocridade ...

adoro-vos

leitores queridos, este será sempre o vosso blogue de companhia. Podeis estar a fazer uma sopa de espinafres ou a estender uma roupinha, aqui encontrareis sempre um tempero amigo, uma brisa morna e duradoira. Podeis estar a fazer a vossa ginástica matinal ou a soprar um incómodo pavio, aqui encontrareis sempre um algodão fofo e macio. Podeis estar a preparar o veneno para limpar o sebo de quem vos aborrece, aqui encontrareis sempre uma visão serena do mundo, algo que nem o aquece nem arrefece. Podeis estar a fazer uma respiração boca a boca, ou a medir a tensão, aqui encontrareis sempre um coração que lateja mas não fraqueja. Podeis estar preparar um verso para o manjerico ou mesmo a tomar balanço para saltar uma fogueira, aqui encontrareis sempre uma rima discreta ou mesmo o motivo para uma boa bebedeira. Podeis estar a preparar a presidência dum partido ou a dar o lustro a alguma secretária, aqui encontrareis sempre uma interjeição purificadora ou uma pepineira sem malária. Podeis es...

triplex

Gajascópio Há três percursos essenciais na blogosfera feminina: acompanhar as idas da ana d' amsterdam ao ginecologista, da io à opera e da cristina ao cinema (mais tarde falarei de outros circuitos alternativos não menos interessantes). São registos que colocam à disposição do homem moderno um leque de sinais indispensáveis para a compreensão do universo da sensibilidade feminina, assim se comprovando que esta, para além de possuir o sexto sentido, também há fortes possibilidades de incorporar os outros cinco. Desde umas pernas diagnosticamente abertas, até uma japonesa a rir-se enquanto desce umas escadinhas, passando pelo tenor maltês com trinados de encantar, estamos sempre perante visões do mundo, sejam elas de pormenor ou sejam de rasgo ou pendor impressionista, que escapariam ao homem, mesmo ao mais atento. A mulher sensível começou por ser uma invenção colorida do homem carente, depois passou por ser uma obsessão sombria do homem indolente e transformou-se hoje numa dis...

Dêem-me um cérebro novo que eu trato disto

Português que não ache que Portugal é uma merda nem merece ser português. Esta condição junta-se àquela, do mesmo calibre ao nível do sine qua non, de que português que não ache que Portugal é o melhor do mundo não merece nem um pôrzinho de sol enevoado na serra da arrábida. Ou seja, nós somos ao mesmo tempo o que quer que seja e o seu contrário, subvertendo todas as leis do aristotélico universo que parece ter sido criado sem tomar em consideração a abertura de espírito que emana da portugalidade que, assim, se vê obrigada a ter de concentrar em si todo o tipo de sentimentos sobre todo o tipo de fenómenos, no fundo, estar fodido e foder tudo na mesma acopulagem; valha-me Deus. Penso assim que a alma portuguesa deverá ter direito a um tratamento especial quando chegar o momento do Juízo Final. O Juízo final, percebe-se, é um tema candente da minha riquíssima interioridade que, por experiência experimentada na própria experiência que experimentei, vos regista que com um português nunca ...

sai uma first amendement para a mesa do canto, faxavor.

Poderia existir um tipo de perversidade de 3ª geração a guardar-nos a sanidade e a graça. Qual seria a moralidade daquele mal apenas pensado instrumentalmente, - nem Kant nem os anjos lá chegavam - apenas para nele concentrar as forças que poderiam, se desgovernadas a céu aberto, desencaminhar-nos em assuntos, esses sim, de importância real, vital, escatológica. Quem ama a Deus não terá também direito a uns minutinhos de mente sacana, aquele tipo de mente que conseguisse arranjar um vestíbulo para deixar o mal real apenas à porta a falar com o capacho. Será uma quimera esta psique que consiga encontrar um local de embuste que não é nem freudiano nem pavloviano nem damasiano? Esse lugar virtual onde cometêssemos os roubos, os insultos, um ethical-punch onde deixássemos a nossa soberba a esmurrar, a brincar ao faz de conta, onde déssemos os beijos de judas, sem Lhe tocar na face, e sem receber moedas em troca. Uma zona desmilitarizada. Um campo de tiro para a culatra da imaginação. Meu ...

Parolos de todo o mundo, uni-vos

Já tivemos proletários, já tivemos burgueses, já tivemos camponeses, chegámos a ter saloios. Chegou mesmo a existir uma coisa que se convencionou chamar sociedade, que alimentou ciências com estatísticas sobre electrodomésticos e divórcios. Na mente de alguns carolas bem intencionados chegou a afirmar-se a ideia peregrina do individuo, chegámos a ver essências e substâncias nas coisas; choraram-se gerações perdidas, rascas, fodidas e soubemos equilibrar-nos entre degredados filhos de eva e abençoados filhos de deus. Piedosamente elegeram-se líderes, devotamente criou-se o direito e, que nem iluminados, levámos uma candeia a anunciar a libertação pela informação. Chegámos a conseguir resumir tudo a oprimidos e opressores, situação e oposição, a inocentes e a filhos da puta. Todos já tiveram o seu hino, a sua causa, a sua justificação. Todos já tivemos os nossos momentos de semente, de massa e de fermento, quem quisesse já podia ter escolhido uma parábola e uma bem-aventurança para si. S...

Livro do Zénesis

Constata-se exaustivamente que o grande prejudicado em todo este processo mal conduzido duma criação, agora sabe-se, feita às três pancadas (sete, para ser mais preciso) foram os descendentes de Abel. Este bimbo, depois de oferecer ao Criador o primeiro ensopado de borrego da história acabaria por entrar nela pela porta piquena, tendo permitido que o mau feitio do seu irmão mais velho - que apenas sabia fazer saladas como molho mediterrânico - vingasse, num apalpão civilizacional, pode dizer-se, sem precedentes. Para castigo, ou mera consequência da precipitação gastronómica, deixou então toda uma genealogia de bons e jeitosos primatas hominídeos, a quem já não lhes bastando a cegada da maçã precipitadamente trincada, ficaram ainda reféns da perversa sedução do vegetarianismo, das virulências pandémicas e dos - esporádicos, vá lá - períodos de euforia dos lampiões. Chegados a uma suposta fase de maturidade genética são ainda confrontados com a utilização do seu bem mais precioso, - tir...

Container Age

Imagem
Os tempos mais recentes ficaram marcados por duas polémicas sobre contentores: a das aulas para os ciganos em Barcelos, e a sempre-eterna do terminal de contentores do porto de Lisboa. Em qualquer dos casos transparece alguma sub-valorização da figura do contentor, que já não tinha boa fama desde que Melanie Klein se lembrou de lhe sacar o poder metafórico para as suas teorias de alavanca infanto-mamária, se me é permitido assim expressar. Ora o contentor – como se pode observar aqui, ou aqui , ou aqui , a mero título de exemplo (há milhares de merdas destas) – não merece. Para além de vos puder contar dezenas de coisas que se podem fazer num contentor – como se constatar aqui , ou aqui , ainda também apenas a título de exemplo – julgo ser importante voltar a dignificar o contentor e jamais deixar que ele fique ligado a este período de tanga da nossa história. O contentor é inequivocamente uma marca da nossa civilização e, para além disso, assume-se como o parente pobre do novo demo q...