O nosso Plimeilo Sóclates em Chinatown Como sabemos José Sócrates está a ser recebido na China com honras de presidente da Câmara. Neste tipo de viagens a figura da geminação é um must que agora também não poderia faltar. Antecipo os mais relevantes: A Muralha da China vai geminar com o Aqueduto das Águas Livres e assim também as Torres das Amoreiras e o Túnel do Marquês passarão a poder ser vistos da Lua (neste último caso será até a única hipótese, porque cá nem vê-lo). O Chap Soi vai geminar com o Bacalhau à Brás, mas não se conseguirão terminar as negociações entre os clepes e os pastéis de bacalhau porque há conflito de interesses com o óleo Fula e a magalina Vaqueilo. A Academia de acupunctura de Pequim vai geminar com a Procuradoria-geral da República e assim Maria José Morgado poderá picar cirurgicamente apenas nos podres da sociedade, sem precisar de shiatzar muito. A Praça de Tiananmen vai geminar com o parque Eduardo VII e as poucas-vergonhas passarão todas a ser feitas deba...
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A mostrar mensagens de janeiro, 2007
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Luna Park «(…) sinceramente, vigorosamente, ardentemente, fraternalmente, maternalmente, amigavelmente e apaixonadamente», de Milan Kundera, in ‘O livro do riso e do esquecimento’, D. Quixote, 1986 * «O amor não produz tanto efeito como a sua aparência» de Robert Walser, in ‘A Rosa’, Relógio d’Água, 2004
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O tal de voto Para tratar a questão em referendo duma forma relativamente fria, o mais possível isentada do seu enquadramento moral ( e religioso) , procurando eliminar ao máximo as questões e retóricas que são acidentais, os paleios de consciência, relativizar ao máximo os extremos (ilimitado valor da vida e ilimitado valor da liberdade da mulher) , e dando de barato – porque parece óbvio e consensual - que em qualquer dos casos o legislador acabará por ‘eliminar’ as penas dos casos em que o aborto continuará a ser crime, (e deixando-me de piadolas que já maçaram a senhora aqui do estabelecimento) , coloco o seguinte em cada prato da balança, e sem grande receio de termos: Deveremos ter uma lei dissuasória dum acto grave, porque termina com uma vida humana em progresso por razões que podem ser desproporcionadas, mesmo sabendo que assim se continuarão a praticar abortos ‘não protegidos’ pela lei em condições muito precárias e arriscadas Ou Deveremos proteger a autora desse acto, mesmo ...
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Centros de Saúde – tabelas 2º semestre 2007 Pensos – 3 € Injecções – 1 € Secagem de furúnculos – 2 € Desencravagem de unhas – 2,5 € (por unha) Interrupções voluntárias - de gravidez: 5 € - de digestão: 1 € - de neuras: 2 € - do pingo no nariz: 0,5 € Lavagem - ao estômago : 3 € - ao cérebro: 5 € (com credencial do Minº das Finanças) - de roupa suja: 3,5 € Erupções involuntárias - coçar: 1 € - drenar o puzinho: 2€ - esfoliar: 3 € (só com receita de dermatologista) Vapores – 3 € (Ventilan pago à parte) Desencucanços – 4,75 € (no final as asinhas do cuco podem ser utilizadas em churrasco) Desintoxicações - de Lexotans: 0,25 € (trazer saquinho para bolsar) - de Fairy: 0,50 € (ter o vileda sempre à mão) - de crabbe au curry: 75 € - de gelado: 5 € sem bolacha, 10 € com bolacha Remoção de traumas devidos a Cartas astrológicas - de todos os signos excepto aquários: 2,5 € - aquários: 35 € (com oferta de um tratado de numerologia)
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a alegre campanha É vê-los afobados na plataforma a apanhar o comboio em andamento. Uns o do ’sim’, outros o do ‘não’. Todos à procura do melhor lugar à janela do vagão-restaurante. Não vá alguém deixar de os ver e esquecê-los à sobremesa no final do repasto. Porque depois será Carnaval e as máscaras já estarão soldadas. Digo, saldadas.
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Moi et les femmes A audiência googleana disto está a apanascar um pouco... É só para informar que Clara de Sousa tomou a dianteira a Mª José Morgado, mas Florence Nightingale deu indicações de que não quer dar a liderança por perdida. Entretanto, Sta Teresinha parece também desejar entrar na corrida. De J. Binoche, nem sinais. E então de Mizé Nogueira Pinto deixou completamente de se ouvir falar. Saudades saudades, só dos tempos de Fátima Felgueiras.
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Dicionário de interiores #1 Toda a alma precisa duma boa decoração. Remoer – Processo pelo qual uma ideia passa num tabuleiro da sala de jantar para a cozinha sem deixar a acidez dos restos transformar-se em mau feitio espalhado pelo chão. Encucar – Técnica de lacagem das portas da arrecadação, e que lhes permite, ao estarem fechadas, parecerem-se a autênticas paredes de oratório em tempo de quaresma. Elucubrar – Trabalho minucioso de marmoreados que pode levar um nicho com banalidades emocionais de fancaria parecer-se a um arranjo de baixelas sempre a brilhar. Ruminar – Preparação do estuque que vai servir para disfarçar as rachas provocadas pelas infiltrações de boas intenções numa empena de desenrascanços. Florear – Técnica destinada às barras de cortinados e que permite às bainhas dos sentimentos, mesmo andando sempre arrojar pelo chão, julgarem-se a esvoaçar ao vento. Procrastinar – Tipo de torcido de verga mental usada em canapés, que acabam por não sair do hall porque nunc...
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Luna Park “Às vezes, quando penso nos homens célebres, sinto por eles toda a tristeza da celebridade. A celebridade é um plebeísmo. Por isso deve ferir uma alma delicada. É um plebeísmo porque estar em evidência, ser olhado por todos inflige a uma criatura delicada uma sensação de parentesco exterior com as criaturas que armam escândalo nas ruas, que gesticulam e falam alto nas praças. O homem que se torna célebre fica sem vida íntima: tornam-se de vidro as paredes da sua vida doméstica; é sempre como se fosse excessivo o seu traje; e aquelas suas mínimas acções - ridiculamente humanas às vezes - que ele quereria insisíveis, coa-as a lente da celebridade para espectaculosas pequenezes, com cuja evidência a sua alma se estraga ou se enfastia. É preciso ser muito grosseiro para se poder ser célebre à vontade.” Fernando Pessoa, “Notas Autobiográficas e de Autognose”
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Luna Park «A saudade é um bicho. Pode fazer-se dele um animal de companhia ou uma fera imprevisível e de difícil doma. Em qualquer dos casos a trela deve andar sempre curta e firme porque sem saudade os bichos somos nós. E, se nos arranhar, há que lamber rápido para apanhar ainda o sabor da ferida fresca» in ‘Azul Cobalto’ * Contigo aprendí / que existen nuevas y mejores emociones / contigo aprendí / a conocer un mundo nuevo de ilusiones. // Aprendí que la semana tiene más de siete días / a hacer mayores mis contadas alegrías / y a ser dichoso yo contigo lo aprendí. // Contigo aprendí / a ver la luz del otro lado de la luna / contigo aprendí / que tu presencia no la cambio por ninguna. // Aprendí que puede un beso ser más dulce y más profundo / que puedo irme mañana mismo de este mundo / las cosas buenas yo contigo las viví. // Y también aprendí / que yo nací el día en que te conocí. Armando Manzanero - «Contigo aprendi»
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Banco de esprema Gostaria também de vos dizer que me estou bastante a borrifar para os dramas pessoais e soberanamente a cagar para os dramas colectivos. Não é bonito de se dizer, não, e, saibam, não é sequer interessante de se sentir, mas a verdade é esta, não há que escamoteá-la, nem escanhoá-la, nem escalpelizá-la e agora não me estão a ocorrer mais palavras giras começadas por ‘esca’ tirando escalope e esgadanhar se bem que esta última tenha um malandro dum ‘g’ de gato. Um drama pessoal geralmente incomoda, desconcentra-nos e, não raras vezes, contemplá-lo torna-nos mais egoístas ainda, focando-nos no agradecimento bacoco pela nossa condição de meros gajos que apenas são espremidos até ao tutano pelo mundo cruel, mas que no fim acabam por não no-lo chupar (o tutano, registe-se) e ainda deixam qualquer coisinha para nós próprios desfrutarmos, género ir ao cinema, fumar um charuto ou mesmo empurrar o baloiço duma criança de faces rosadas e a dizer papá adoro-te, e se me deres uma nov...
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Luna Park Corpo de linho / lábios de mosto / meu corpo lindo / meu fogo posto.(…) milho vermelho / cravo de carne / bago de amor (…) volta a nascer / quando há calor (…) Olhos de amêndoa / cisterna escura (…) / Oh minha terra / minha aventura (…) Moira escondida / moira encantada / lenda perdida / lenda encontrada. De Ary dos Santos, in ‘Desfolhada’
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Uma coçadela casual entre duas erupções também pode ser considerado uma interrupção voluntária «Na diversidade congregada nesta enorme distância que parece percorrer a linha (…) mesmo na esfera das posições híbridas (…) o sistema terá de estar dotado de capacidade dialogante e comissiva.» clarividência estonteante – e mesmo premonitória - de marta rebelo , no blog de sevilhanas sim-referendo (isto desde que aprendi a pôr links no wordpress, agora não pára) (ai credo, vejo agora que interrompi involuntáriamente algumas frases prenhes de lógica e conteúdo… mas foi tudo uma questão de respeito pela liberdade do meu post)
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Gajos com estudos moments Isto do referendo vale essencialmente pela retórica, pelas piadas excessivas, pelo abuso de metáforas e analogias, pela estética e pela anti-estética. Algumas assim de chofre tiradas daquele blogue que diz que é uma espécie de magazine do sim (sim-referendo.blogspot.com) «Não a vida como valor supremo, desencarnado, ficção possessiva, ideia enrolada» dum tal de João Sedas Nunes, também conhecido como o Ary dos Santos do ‘sim’ «vivemos numa sociedade de cidadãos, não numa sociedade de embriões» de um tal de João Pinto e Castro, agora evitando a piadola com pinto, parece-me claramente o Guterres do ‘sim’ «Voto SIM porque quero deixar de ter vergonha do meu país» da nossa f., hoje vestida de Miguel Sousa Tavares do ‘sim’ «nunca encontrei um único argumento que me impedisse de achar que se deva começar, primeiro e antes que tudo, por fazer o possível e o impossível para se evitar» dum tal de maradona, também conhecido como o Narciso Miranda do ‘sim’. «O grande pro...
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Juliette Binoche moments Todas as mulheres deveriam ter um bocadinho de Binoche. Um bocadinho chegava. Era, no fundo, o tal ‘happy enough’ de qualquer mulher. Nota: o ranking de buscas a nomes de mulheres neste local de praticamente culto é liderado pela Maria José Morgado, logo seguida de perto pela Clara de Sousa, e em terceiro lugar a Florence Nightingale. Espero agora inverter esta tendência para poder estar bem com a minha consciência. E o meu corpo, inclusive.
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O Culpado disto É José Sócrates. Na presunção de uma capacidade única para ‘fazer o que deve ser feito’ leva o país para um referendo absurdo, tanto nos termos como na oportunidade. E porquê? Porque para esse iluminado a quem o poder caiu nas mãos como um ‘feto resultante duma noite de bebedeira’, a gravidez passou a ser mais um tema como a incineração, ou os aterros sanitários, ou as facturas discriminadas, ou o crédito à habitação, ou o seguro automóvel, ou seja, algo para se resolver limpinho, certinho e mais nada. O ‘direito à vida’, ou o ‘direito da mulher’ serão tratados como mais uns item no direito do consumidor; mas com direito a uma fanfarra referendária que alimenta ‘sim’s’ por respeito e tolerância, e ‘não’s’ por convicção de consciência. Aqui para nós, tudo uns belos fodasses.
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Luna Park «Outra vez te revejo - Lisboa e Tejo e tudo - / Transeunte inútil de ti e de mim, / Estrangeiro aqui como em toda a parte / Casual na vida como na alma, / Fantasma a errar em salas de recordações / Ao ruído dos ratos e das tábuas que rangem / No castelo maldito de ter que viver…» - Álvaro de Campos, Lisbon Revisited, 1926
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La couveuse sportif Podemos reduzir todos os problemas humanos à sua face prática, ou seja, a como encaixá-los da melhor maneira na vidinha, por forma a que não nos façam muitas comichões e nos permitam seguir em frente num caminho mais fácil, mesmo que pisque nas bermas um ‘depois logo se vê’ em cores vivas de casa de alterne. A gravidez, por exemplo, também tem essa face, ou seja: se atrapalha deve haver algumas soluções de aplicação mais fácil que outras. Desmanchá-la é por vezes a tal solução prática mais fácil e mesmo aquela que comporta menores danos face a uma análise de prós e contras ‘práticos’, é a que convive melhor com qualquer dos estilos, desde o lounge lifestyle até ao sportif lifestyle, já sem falar no ai-eu-preocupam-me-as-pessoas lifestyle. E garantir que as soluções mais fáceis sejam aplicadas com a maior limpeza e desempoeiramento é algo que se afigura duma lógica praticamente irrefutável. O homem tem de conseguir saber viver bem sem valores muito sofisticados, senã...
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Gajas inacessíveis moments Ontem vi pela primeira vez na vida (!) um episódio inteiro da Ally Mc Beal. Ia com a indicação técnica, e remota, de ‘mulher engraçada’. Mas não sei, a minha referência de ‘mulher engraçada’ será sempre a Sandra Bullock. A mulher engraçada tem de ter o chamado ‘funk apeal’, ou seja, uma espécie de ‘sex apeal’ mas que leve a cantar, ou a pensar em qualquer coisa assim medianamente dançável ou mesmo rebolável (não basta ser uma mulher em que se fique a pensar nela tout court); mesmo que eu ache a dança uma manifestação da degradação do mamífero, que fica ali situado entre a borboleta e o beija-flor, consoante o ritmo do abananço de rabiosque. Uma ‘mulher engraçada’ tem de aguentar ouvir connosco os ‘I’m from Barcelona’ sem nós conseguirmos ficar com as mãos quietas, tipo jamiroquais lovers, e passarmos meses sem nos sair essa vertigem ululante da cabeça. Sintetizaria, a título de mensagem prática: toda a mulher deveria gostar de ser uma mulher engraçada, começa...
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QREN e o código da estrada As prioridades do novo ‘Quadro de Referência Estratégico Nacional’ (os socialistas aplicam-se mais quando toca a escolher slogans - o chamado sloganismo democrático, bastante semelhante a onanismo democrático, por sinal) são: ‘qualificação dos recursos humanos’, ‘competitividade’ e ‘valorização do território’. Julgo que sempre os mesmos de há vinte anos. Não é uma crítica, eu acho que pode ser bom que se mantenham as prioridades. Desde que se mantenha constante o sentido, claro. E conservar também uma distância prudente para com os da frente, não vá de se dar alguma colisão.
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Maria José Morgado moments ( pessoal: vocês leram bem, repito: leram bem!? as declarações da tal de procuradora geral adjunta??? Topem só: ‘sim porque’ por exemplo…«o aborto ilegal é um negócio que produz dinheiro sujo, que não é tributado”, ou «Estes fenómenos potenciam a corrupção, a venalidade e crimes de enriquecimento ilícito». Volte Cardeal, está perdoado! ) Então por uma corrupção legalzinha e limpinha: Junta-se um dirigente desportivo com as vacinas em dia com um árbitro sem alergias a fungos. Encontram-se num restaurante devidamente vistoriado e aprovado pela ASAE e de caixa registadora com o talãozinho numerado e identificado a servir de factura. O dirigente solicita o NIB ao árbitro que entretanto apresenta o documento aprovado pela câmara que o tinha licenciado para fiscal de linha. O Dirigente pega no cartão multibanco e dirige-se à caixa mais próxima na presença duma carrinha de reboques do ACP que tinha ganho a concessão para o acompanhamento das corrupções na grande Lis...
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‘Homem moderno fez sexo com Neandertais’ (*) Certamente Baudelaire não o saberia, Sade deixou passar, Picasso topou-o bem, Charlie parker sonhou em fazer a música ambiente, a Quercos quer essa pila embalsamada, Mª José Morgado diz que não é uma prioridade para a sua investigação, António Damásio diz que já não vai a tempo porque aquilo são um monte de ossos, Paula Rego diz que lhe parece uma cena demasiado bucólica, Inês Pedrosa diz que é uma notícia bonita porque não refere os sexos envolvidos, Cristiano Ronaldo diz que nem viu bem como elas eram, Vasco Graça Moura diz que rima com ‘doce inverno’ e ‘almas banais’, mas Luis Pacheco diz que rima bem com ‘dores no esterno’ e com ‘outras que tais’, S. Rushdie diz que o mal foi um deles ter começado a pensar que Deus os estava a ver, mas Sócrates quer garantir que, se voltar a acontecer, tudo se pode resolver com a maior responsabilidade e limpeza possível. (*) mais um título da Público de hoje, claro
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Fedra moments Pior que um coração despedaçado é mesmo uma rima não ser compreendida. Toda a vida ( intra e extra-uterina ) deve poder ser resumida a uma cadência alexandrina. ‘Medeia é uma história desgraçadamente muito actual’ (*) Janeiro 16th, 2007 As utopias mais ou menos camufladas sobre o destino do género humano deslocaram os mitos da felicidade para o campo da facilidade e do bom senso. O bom é o fácil, é o que não faz sofrer, é o que relaxa as consciências dadas ao tormento. Criaram-se novos romantismos, novos idealismos, novos realismos, todos ao serviço da vertigem dum ‘tem de ser’ com cheirinho. Carentes duma causalidade mais profunda os homens têm de se satisfazer com as causalidades de ocasião, com os servicinhos que a espécie exige para se manter à tona com a aparência de mamíferos esclarecidos e sem comichões nas partes. O pragmatismo é agora apenas um caroço que se chupa, é o que resta dum fruto que já nem se sabe de que árvore veio; nem interessa, desde que dê bom efei...
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The f. ’rendum Existe um novo desporto nacional (*): acompanhar o que fernanda cancio (com circunflexo – o nome, claro) escreve, e que se encontra também em glória fácil (http://gloriafacil.blogspot.com), sobre o referendo ao ivgorto. O conteúdo já pouco importa, e, tal como na discussão sobre o futebol, o essencial é ver se os argumentos passam ou não pelo crivo do slow motion. Ou seja, se aquilo tudo dito, mas mais devagarinho, com as câmaras a apanhar todos os ângulos, continua a fazer sentido. Basicamente, tudo me parece um pouco a famosa ‘mão de Vata’ (atenção isto não é trocadilho!!! Estou mesmo a referir-me à famosa mão do lampião Vata) um bailado esbracejante de retórica, crendices e voluntarismo, mas que por vir acompanhado de boa música nos encanta. Mas eu confesso, gosto daquilo; não a acho tanto um Afonso Costa, como dizia o João Gonçalves do PdP (http://portugaldospequeninos.blogspot.com), mas sim um Ronaldinho Gaúcho da liberalização, (tudo comparações masculinas, que abo...
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Eva moments Deus pensara em tudo, mas como não tinha jeito para o desenho, deixou os últimos retoques nas mãos dum pintor naturalista. Saiu um paraíso pomaroso. Frutas de pele aveludada e caroço misterioso. E temperada frondosidade. O casal primordial desconhecia a maldade, só ao de leve a adversidade, por isso olhavam-se como se por detrás da pupila, estivessem o coração, o fígado e o rim, todos numa fila, e respiravam com o ofego suave, sem ponta de neura, como a quem do pulmão só lhe interessasse a pleura. Ela encontrou a serpente num dia solarengo; fizeram-se amigas e decidiram alambazar-se - como se o futuro fosse antes - com umas reinetas de formas jeniferlopezantes. Caminharam primeiro no sentido da polpa para a grainha e depois sumo para o batido. Chegou a alvitrar-se que o pecado original fora patrocinado pela Moulinex: first peel, after sex . Mas o Adão, claro, não quis perder pitada, e interpôs-se, está bom de ver, no sofisticado sistema de equilíbrio entre uma cobra e uma m...
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Sta Teresinha moments Mas na págª 5 do referido Público (que também pode ser considerada a antepenúltima se acabarmos a leitura na págª 7, o que já nem era um esforço tão pequeno como isso) o nosso Pacheco Pereira (hoje ‘historiador’, não sei se terá uma escala de profissões por dia da semana) que também faz arranjos de flores em abrupto.blogspot.com (mas não sei se tem entregas ao domicílio) diz que «Para o ‘mundo’ faz mais falta uma Igreja sólida, lenta e prudente, ou seja conservadora, do que uma Igreja ‘progressista’». Lá está, ser pago para escrever em vez de ser pago para pensar dá nestes arrojos. A Igreja não foi criada - quem criou… quem foi? Quem foi? – para dar estabilidade ao mundo, nem para ser útil ao ‘mundo’. Para isso inventaram a roda, o micro-ondas e – às vezes parece que infelizmente – a imprensa. A Igreja, é antes de tudo, antes de tudo, antes de tudo, foda-se: antes de tudo! Hem! Uma Igreja de Vocações. Algo que ‘ficou’ para ajudar o homem a unir-se a Deus, sabendo-...
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Marlene Dietrich moments Hoje, na melhor página do Público, a antepenúltima, e que fala sempre das fofocas e bizarrias – no fundo o que verdadeiramente interessa nos jornais desde que apareceram os blogues e desapareceu a ‘cara da gente’ do Diário Popular – refere-se que foi encontrado um brinco de Marlene Dietrich, que ela tinha perdido junto a um lago em Inglaterra há mais de 70 anos. (Note-se que apenas mulheres muito especiais perdem os seus brincos, sejam quais forem as circunstâncias). O artigo refere ainda que, para além do brinco, no lago, entretanto esvaziado, foram encontradas mais «três dentaduras, um olho de vidro e um soutien». Não indica se eram também da nossa Marlene. Vamos sonhar que não, claro, pois nunca mais nos seduziríamos com uma mulher a piscar-nos o olho e a sorrir. Mas não vos deixo sem que antes cite o nosso P. Mexia (http://estadocivil.blogspot.com), que está cada vez melhor: «A natureza fez com que ele não a satisfizesse. A civilização fez com que ela não o...
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'Ser liberal como opção quando já palpita um' Estado-nação? Manifesto pelo ‘sim’ à burocracia Custa-me ver o país a querer simplificar-se. O Estado deve ser barroco nos procedimentos, maneirista no contacto com os cidadãos, e suprematista na sua autocrítica. O cidadão é um elemento frágil do sistema social e não tem capacidade para se organizar sem um devido enquadramento de formulários, despachos intercalares e deferimentos. O acompanhamento do cidadão deve ser efectuado em várias sedes, somos todos uma fusão de corpo, direitos, alma e vícios, pelo que nenhum documento deverá ser de única via, só o quadruplicado protege o cidadão atormentado. O cidadão só deverá ser confrontado com o sufrágio directo em casos de extrema delicadeza, como seja o uso da epidural, da terebintina, ou o teor de calcário na água benta, e de preferência deverão ser aproveitados experientes administrativos já bem rodados e oleados, como a declaração do irs, o selo do carro, ou, no limite, os cartões de...
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Henry Miller moments Um grupo de trabalho, presidido por um senhor aparentando estado catatónico permanente e irreversível, recomenda ao governo português que seja disponibilizada ao contingente de cidadãos a frequentar os manic… er… as escolas nacionais o mínimo de uma sessão mensal (haja quem ensine estatística), obrigatória e devidamente avaliada, de sexualidade, perdão, sobre.
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Luna Park “Conhecer as coisas não é sê-las [à minha responsabilidade acrescento «ou tê-las»]; nem sê-las [vg. «tê-las»], conhecê-las. Para ver uma coisa é necessário que nos afastemos dela, e a distância converte-a de realidade vivida em objecto de conhecimento.” Ortega&Gasset, in “Para uma psicologia do homem interessante” (Estudos sobre o amor, pg. 145)
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Querem fazer o favor de assobiar (*) À semelhança de pintores, patés, blogs, after shaves e marcas de lingerie existem muitos escritores sobreavaliados. Raymond Carver é um dos casos mais paradigmáticos. Diz-se que inventa ambientes como se estivéssemos a falar dum hemofílico a lamber uma ferida; pois eu cá vou mas é finalmente entregar todos os livros que tenho dele à obra do padre Américo, algo que já venho a adiar desde que o lobo antunes começou a escrever livros que nem um neurónio art deco enfiado numa massa encefalica manuelina. Desconfiem sempre de gajos que só estão bem com os mundos criados pela cabeça deles, pois nenhuma cabeça está à altura duma salada de búzios, ou duns profiteroles. Aliás, o verdadeiro teste dum escritor é vê-lo a descrever uma receita de cozinha; não é uma foda, nem um pôr do sol, nem uma pilha de nervos, nem uma ida à pesca, nem uma senhora a passear com um cão, não, isso qualquer tcheckov fazia no intervalo de duas radiografias aos pulmões, vão por mi...
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We are our own parables Com o mar português a balançar os seus sentimentos entre uma despenalização próxima e uma pena capital longínqua parecemos a tripulação duma traineira que não sabe se haverá de congelar se de amanhar logo o peixinho. Conhecendo apenas o que é a vida por apalpação e o que é a morte por exclusão de partes vivemos reféns duma cultura de informação e de menorização de danos. Ou seja : de sobrevivência, apesar de sermos uma espécie de aparência tendencialmente autodestruidora (inconsciente e pulsionarmente?); haja algum cabrão que explique isto sem ser à base de lapsus. Já fui tentado várias vezes a pensar que Deus não existia, mas o meu corpo expeliu mais rapidamente a ideia do que a própria mente; formigueiro nas extremidades, algum atordoamento, nem deu tempo para me mijar pelas pernas abaixo, nem para aprofundar a ideia em condições mínimas, estou por isso também refém daquele cagaço mitológico da falta de sentido; se isto tudo não tem um sentido até poderia ser ...
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Luna Park Porque sou Cavaleiro Andante / que mora no teu livro de aventuras / podes vir chorar no meu peito / as mágoas e as desventuras / (…) / Sempre que a rádio diga / que a América roubou a Lua / ou que um louco te persiga / e te chame nomes na rua / (…) / Podes vir chorar no meu peito / longe de tudo o que é mau / que eu vou estar sempre ao teu lado / no meu cavalo de pau. De Rui Veloso e Carlos Tê, em «Cavaleiro andante»
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‘portugal é o país em que um gajo vai ao restaurante e pede um bife mal passado e recebe um duro como cornos’ (*) Sócrates, o grande chefe faz-o-que-tem-que-ser-feito, sabe que pode ser uma daquelas figuras da história que passará ao lado duma grande biografia. Tal como aconteceu ao cavalo de gengis khan, ou ao cabeleireiro do marquês de Pombal, à virilha de Napoleão, ou mesmo o tipo que segurava no saco de enjoo do Cristovão Colombo, há personagens na história que cumprem o seu dever mas que correm o risco de não servirem nem para nota de rodapé, nem mesmo para decorar o teleponto da Barbara Guimarães. Sócrates informou-se junto do drink tank ( ou seja, o think tank depois duma almoçarada bem regada, como já tive aqui ocasião de explicar) e indicaram-lhe que tudo tinha a ver com a combinação de duas coisas chamadas: carisma e sorte. De sorte ele já tinha ouvido falar – era uma sandes mista de sampaio, barrosada com santana – mas agora a tal coisa do ‘carisma’ deixou-o intrigado. Tent...
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Luna Park “Charles Darwin tinha razão quanto ao poder de escolha da fêmea: ela tem capacidade para moldar os machos e para criar novas espécies.” Therese Ann Markow, bióloga, Universidade de Arizona, Julho 2003 * “Os adornos do macho não são necessariamente uma componente física, mas sim bens adquiridos.” Gerald Borgia, biólogo, Universidade de Maryland, Julho 2003
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Da moral do indivíduo à conservação da espécie passando por reduzidos afloramentos sexuais Hoje todos nos arrepiamos com quem dá ares de professor de moral. «Quem é este gajo para estar a dizer o que se deve fazer» é o gargarejo mental com que imediatamente bochechamos a nossa dita consciência livre, e que queremos tão tranquila que nem um bebé depois de bolçar. E é assim que, progressivamente, se vão instalando os discursos de tolerâncias bacocas e ‘enquadramentos relativizantes’, deixando campo aberto tanto para a ignorância ético-patológica, como para aquele tipo de arrogância zoológica de quem olha para a banana chamando-lhe abacaxi e esperando que os outros salivem em carreirinha. Ou seja, as modernas alergias ao correcto e incorrecto e os clássicos pruridos morais e amorais, convivem agora alegremente com aquela força que move os novos iluminados, aqueles tais que ‘sabem o que deve ser feito’, ou aqueles que, ao mesmo tempo que vão dizendo: «eu não quero dar lições de moral a nin...