O dicionário não ilustrado desdenhando na separação de poderes foi outra vez à catequese; quando quisermos fazer a vontade a Cavaco, e estivermos à beira de descobrir os tais de "políticos competentes" podemos dar uma vista d’olhos nestas - pouco mais que meia dúzia - entradas. Isto depois de dizer um valente e reconfortante foda-se, claro. ( 925 a 932 ) Políticos escatológicos –São os que antevendo o fim do mundo em cuecas preparam a sociedade com medidas elásticas e aderentes Políticos exegetas –São os que nos apresentam o palavreado já bem passadinho a ferro e sem as rugas da dúvida, mas que não se esquecem de nos borrifar de esperança antes para descortinarmos neles personalidades modelares e bem vincadas Políticos taumaturgos –São os que vivem para lá do explicável e nos fodem o possível, tornando insuportavelmente maçador o razoável Políticos apologéticos – São os que refutam os que nos querem mal, e nos abrem os olhos para aquelas verdades que se não fossem eles até...
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A mostrar mensagens de novembro, 2004
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“internettes” em versão comunhão dos santos; walking aos bochechos around [1][2][3][4][5][6][7][8]and [9] «Nenhum de nós vive para si mesmo, e nenhum de nós morre para si mesmo» S.Paulo, Carta aos Romanos 14, 7 [1] A ideia do “corpo místico de Cristo”, apesar dos seus “contornos beatos”, tem um quê de especial. Tem uma "força metafórica" como toda a palavra revelada e lembra-me até que Deus é a única palavra que se manteve metáfora - e repare-se que Jesus nada escreveu, nem mandou escrever. E é por isso que Deus ( na sua concepção cristã – a até mais precisamente católica) será sempre a fusão entre o "Logos" joanino, o Parabolador dos sinópticos, o Paráclito, e aquela Coisinha que nos mexe na alma e que às vezes até deixa que lhe chamemos comichão; entre outras coisas. [2] A ideia de que «só nós estamos no mundo; Deus não se aproxima desta atmosfera» ( in Aviz ) é instrumentalmente boa para servir o essencial - e louvável - conceito de separação entre a cidade ...
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E ainda me apeteceu dizer mais isto sobre o tal de “buttigliones em flor” case-study Buttiglione pode perfeitamente ter equacionado bem a questão “moral” versus “política”, Bolonitiglione pode perfeitamente ter equacionado bem a questão “moral” versus “direito”, Bottrigglione pode perfeitamente ter equacionado bem a questão “convicções” ( isto é quê ao certo? já nem o Pascal faria aforismos com isso ) versus “exercício do poder”, Bruttiglione pode perfeitamente ter equacionado bem a questão “cidadania” versus “moralidade”, Brittilgnobne até pode estar a rezar o terço de braço dado com um panasca apelando pela salvação de ambos e isto tudo no intervalo inspirativo da elaboração duma lei em que os enfia a todos na pildra ou numa casa de correcção na companhia dumas putéfias de estimação, tudo referendado e bem embrulhado, mas lá por isso ele não deixa de parecer uma pagela de parvoíce e prestou um péssimo serviço a essas “mulheres fatais” todas aí de cima. É que a estupidez também foi cr...
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Isto vai-se a ver continua a encher não pára de encher está sempre a querer encher mas é apenas verbo de encher e não sei quando irá acabar porque sinto-me a alimentar uma enorme câmara de ar e só me apetece soprar e mais soprar e soprar nem que seja para o ar para ver uma pena voar a despedir-se do pássaro porque este nem sabia assobiar Não basta dizer palavras enigmáticas para se ser shaliah; mas a economia até vai crescer, Pinilla já marca, o petróleo vai descer, uma Condoleeza casta - e ainda bem que não morde - é a imagem da América (que preteriu assim Laeticia), Mónica Lewinsky já era, Cicciolina não sei o que é feito dela, Bottiglione (ou o raio como o gajo se chama) voltou ao baptistério, Barroso já conseguiu acertar com uma equipa de matraquilhos a sério, vão acabar os benefícios fiscais e os prevaricadores têm os dias contados, ninguém atina com os juizes naturais, foda-se continua a ser um palavrão e merda uma indecência, o Jesus histórico atormenta-nos a consciência, Arafat...
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Este é praticamente um post político Li a propósito da reabertura do MoMA que o seu primeiro director Alfred Barr desdenhando um pouco da pintura naturalista/realista, dizia que “ não haveria problema em eliminar o ‘parecido com a natureza’ porque no melhor dos casos é supérfluo, no pior distrai ”. Também prefiro as abstracções porque acabam por nos concentrar no essencial. E tenho uma certa pena dos que nos querem mostrar ‘as coisas como elas são’. É que assim nem distraem.
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Porque isto é mesmo assim. O delgado precisa de companhia; e eu se calhar estou mas é grosso. Portas é um caso típico de sobrevalorização da análise politica. É o vulgar gajo inteligente que será sempre utilizado por outros mais estúpidos dando a ideia que é ele que está a dominar a coisa. Portas é pois um caso de confrangedora fragilidade. Um boneco cuja inteligência dará para brincar com outros bonecos mas que nunca fará mais que toys stories. Eu também já pensei que o problema podia ser ele. Mas não é. Entrou arrombando a porta do fragilíssimo monteiro, pode até ter sido ele a impedir a AD martelada de marcelo, mas acabou por ser guterres a entregar o poder de fininho a barroso, e à pele, safa – ajudado por santana (a anedota barroso nunca teria ganho umas eleições sem santana). Assim portas deu à costa apenas para fazer uma aritmética eleitoral simples a barroso; tem poder, claro, até uma porteira tem poder, pois se quiser lixa-nos a conduta do lixo. Hoje portas continua a ser o pr...
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pensando bem Desta vez não tive de te mentir, foi mesmo meia dúzia, claro, estava a ver que não te rias, já foi um sorriso mais gozão eu vi bem, também não era para menos, escusavas era de ter ficado depois com esse olhar distante, refugiaste-te nas festas do polegar, o que é que me querias com o polegar, já sabes que detesto sinais, mas agora olhaste para mim outra vez e não encolheste os ombros, olha que se quiseres podes estar-te a marimbar, eu não importo, eu sei que me segues com o olhar que tens dentro, mesmo quando te afliges porque a respiração já não é o que era, e já não te distrais tanto com esse olhar que tens de fora. Meia dúzia, bem, eu também não vi, mas já me disseram que foi bailareco, agora é que ninguém nos apanha, os lampiões já andam à nora, é, está no papo, eles já nem dão luta pois aquilo está ganho, até amanhã então, mas agora fizeste um sorriso meigo, não me mintas assim a sorrir está bem, mas pensando bem mente-me mesmo se fazes favor. Só a mentir é que a gent...
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Contos em que a companhia era uma merda também A cidade era Dublin, a chuva era estúpida, o céu benza-o Deus, o gajo do taxi era maluco, excêntrico era uma palavra muito comprida, o hotel era uma merda, a companhia era uma seca, mas o viajante era pouco exigente, e no fundo não passava da primeira vez. O bar era típico mas horrível, a cerveja era doce e sofrível, a música quase não se percebia e inesperadamente recitavam poesia. Ele não tinha saco para poemas, não apreciava fumar erva, só que a companhia era uma merda, tem de se repetir isto porque senão nem parece possível, a cerveja já enjoava e cheirava a cânhamo, foda-se se aquilo era a Irlanda vou ali e já venho, bem vamos lá tentar perceber o que é que eles diziam, merda não se percebe nada, parece que miam, que filha da puta de pronúncia, e nem são escoceses os cabrões, é que ele pensava mesmo assim, com muito fumo, com muita cerveja morna e uma companhia de merda só se consegue pensar à base de palavrões, caralho ó menos vendem...
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Machonices clássicas para desenjoar Outono again Há uma coisa que está cientificamente provada: o exercício físico reduz as capacidades intelectuais da mulher. Este ser, já de si frágil, mesmo osteoporoticamente quebradiço, ao entregar o seu corpo ao desgaste provoca uma migração enzimática da bainha de mielina que se transforma numa espécie de mero collant de axónios. Esta deslocação não terapeutica vem catalizada pelo suor que nos revela assim a sua envergonhada faceta de forte diluente das capacidades intelectuais femininas sempre reféns dum sudário masculino. A mulher quando se deixa envolver pela actividade corporal em regime de esforço, seja qual for a forma em este que se apresente, acaba por criar uma turbulência hormonal na camada de ar electricamente condutora que ela foi constituindo intra-craneanamente com um esmero bordatório, e que permitiu ao bolbo raquidiano feminino conviver saudavelmente com o seu cerebelo e sem intrigas nem infiltrações de maior causadas pela humidad...
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com todos os efes e erres Reparei há pouco que esse tal de guterres terá dito que vivemos um reality show na política portuguesa. Esse político-sacristão que nos fez viver num virtuality show uns quantos anos, foi o mesmo que teve como ministro da agricultura um gajo que comeu mioleira para assinalar ao povo que não havia crise com as vacas loucas, que chegou a ter como ministro um tal de armando vara (sem comentários), que teve como ministro das finanças um tal de oliveira martins ( não, não foi da cultura: foi finanças mesmo) , é verdade o nosso narciso miranda chegou até onde?, que descobriu para o mundo o génio político de jorge coelho, que conseguiu arrancar do cabeleireiro uma tal de maria de belém, e que deixa como legado político um carrilho casado com uma bárbara. Portugal ao recordar guterres, portugal ao destapar guterres da benta pia, portugal ao preparar-se para levar guterres num andor ao poder, mostra de facto um país que nem merece que ponham a derreter umas velinhas po...
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de nuncas e de tantos Disse-te que o sporting tinha cilindrado o porto. Menti-te está bom de ver, mas soube-me bem; «vamos "limpar" aquilo outra vez» e ainda te saquei um meio sorriso, aquele meio sorriso ainda de miúdo que sempre tiveste, a segurar os olhos verdes de malandro, de bom e decente malandro. Apalpavas-me a manga do casaco, parecia que estranhavas a fazenda, mas tu querias lá saber da fazenda, perguntei-te se gostavas da gravata, mas tu querias lá saber da gravata, só querias confirmar que eu estava ali, que daquela vez não te ia deixar sem companhia para as piadas; Esforçavas-te para ouvir os meus disparates, mas depois só encolhias os ombros, aquilo era um encolher de ombros não era, nunca me custou tanto ver um encolher de ombros, nunca me custou tanto apertar-te a mão, mas também nunca me apeteceu tanto apertá-la; e nunca me custou tanto dizer-te até amanhã. Tantos nuncas para um nunca tanto é que é a porra.
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Numerologia de trazer por casa nas entradas 916 a 924 do dicionário não ilustrado . Um – É um número a desprezar, reparemos que nem Deus nosso Senhor quis ser apenas um. Dois – O número mais lixado de se aguentar. Três – Muito mau dia para falar desta conta; estou com peseiros na consciência (sorry, um dicionário também tem direito aos seus recalcamentos) Quatro – O número sagrado para qualquer batoteiro. Gosta de ver os adversários de gatas a procurarem onde é que ele escondia os trunfos Cinco – Reflete a angústia da falta no manipulador maneta Seis – O número que demonstra que muitas vezes uma “meia” pode chegar a ser mais famosa que uma “completa”. Sete – Se não fosse a semana este número nem existia. Oito – Duas bolas serão sempre duas bolas, estejam em que posição estiverem. Nove – O número do dia em que foi inventada a verdadeira prova real. Nem todas as razões se confirmam na inversão dum rácio.
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Os estados d’alma voltam ao dicionário não ilustrado . Há que tratar também das nossas coisinhas e assim. ( No fundo todos somos gajas, não será verdade ó almodôvar ). Nas entradas 907 a 915 , descodificam-se alguns dos mais nobres momentos por que pode passar a nossa condição de seres eleitos se bem que nem todos sufragados. ( e pronto não passei das 10... entradas, claro.) Estou na merda – Situação de suave decadência, que ao deixarmos fermentar muito poderemos rapidamente passar à condição de meros gasjos naturais. Estou fodido – Situação de decadência político-sexual em que deixamos de controlar os orgãos de cópula e passamos a estar dependentes da reacção dos ossos do orifício. Vai-se andando – Situação que ocorre quando tomamos excessivamente consciência da nossa condição de bípedes. Muitas vezes isso atrapalha e afinal nem queremos muito mais do que viver alegremente com uma mão à frente e outra atrás. Estou puto – Estado d’alma cujo enunciado é aconselhável por decência só no ...
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Contos duma mulher ali em combinação e que nem sequer olha para a janela sem palavrões, sem sexo, sensaboria Mas a mim não me enganas. Passaste estes anos todos sentada nessa cama, vestida só com uma camisa de dormir, fazias-te triste a olhar para um papel desdobrado mas sem nada escrito, ó julgas que eu não topei logo. Eu deixei foi a coisa ir correndo, as mulheres são umas sonsas, isso já se sabe, mesmo quem não sabe nada de mulheres isso pelo menos sabe, e então vestida só com uma “combinação”- que deliciosa palavra- ali com a alcinha a babar-se por ver um beijinho no ombro e o pescoço a treinar a sensualidade dum acto esquivo, ali com o cabelo arredondado, a fingir um carrapito, a dar-te um ar genuinamente sério e desgraçadinho, quero-te avisar isso comigo não pega. Vamos jantar fora ou não vamos? Decide-te, então! Detesto perder tempo em quartos de hotel. Não sabes ao certo se eu sou o homem da tua vida. Acontece, é uma dúvida que acontece, mas se pensasses bem verias que eu sou o...
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Agora para variar um post marado Estas eleições americanas revelam-nos até à exaustão que o país que endeusa a competição, o país que precisa quase obsessivamente de premiar os mais eficientes, que possui os melhores centros de saber, que alimenta as mentes mais brilhantes, vive agora abanando o cu entre um tal de homem básico e bronco, e um tal de “mal menor” e “ o melhor que se arranja”. Na ânsia viciante de escolher os melhores, a competição e a concorrência podem-se transformar num simples “biologismo” ( devo ir pagar isto com juros ) , num “endeusamento” dos mecanismos de adaptação, e farão resvalar o exercício do poder para uma mera amanuência da sobrevivência das espécies, que acabará forçosamente por diluir os conceitos de “bom” e “mau”, fabricando líderes de polichinelo que mais parecem frutos secos embebidos em Armagnac. A terra da monitorização das instituições, a terra onde se disputam os mais capazes e estes são treinados para se disputarem entre si, a terra em que se leva...
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Fezadas sul-americanas. Mas com pouco picante. Dumas famosas conversas entre E. Sabato e J.L. Borges “orientadas” por O. Barone entre finais de 74 e princípios de 75 (e passadas a livro), retirei esta passagem: Sábato: (Con tono escéptico) Pero dígame, Borges, ¿a usted le interesa el budismo en serio? Quiero decir como religión. ¿0 sólo le importa como fenómeno literario? Borges: Me parece ligeramente menos imposible que el cristianismo (ríen). Bueno, quizá crea en el Karma. Ahora, que haya cielo e infierno, eso no. Sábato: En todo caso, si existen, deben ser dos establecimientos con una población muy inesperada. (Por un instante las risas se confunden con las palabras. Los dos se divierten). Barone: ¿Y que opina de Dios, Borges? Borges: (Solemnemente irónico) ¿Es la máxima creación de la literatura fantástica! Lo que imaginaron Wells, Kafka o Poe no es nada comparado con lo que imaginó la teología. La idea de un ser perfecto, omnipotente, todopoderoso es realmente fantástica. Sábato: ...