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A mostrar mensagens de setembro, 2003
Technorati - A Teresa Guilherme do Big Blogger. ( pode ficar como entrada apócrifa do novo dicionário não ilustrado...)
Só me saem é frascos. Mas podia ser pior. Deixem que eu trato disso II As leguminosas estavam bem arrumadas em apenas dois frascos tubulares e imponentes. Bem rolhados. Um estava do lado esquerdo do balcão ( próximo do cesto do pão ), o outro mais do lado direito ( junto à fruta). Aparentemente estes dois frascos esgotavam o espectro gastronómico das leguminosas daquela cozinha. O feijão-frade estava orgulhoso com o seu fraco levemente azulado. O rótulo tinha tons alaranjados e estava escrito com uma letra cuidada e direitinha. Mas o grão-de-bico também estava satisfeito. O vidro era ligeiramente rosado e a etiqueta era pujante num encarnado orgulhoso. Tinha letras arrojadas. Tudo corria bem naquele corrupio da dispensa para a cozinha, do frasco para o tacho, ou da a saladeira para o prato. O grão-de-bico e o feijão-frade confraternizavam alegremente, desde que fosse claro que as refeições tinham sempre que contar com eles. Um belo dia apareceu lá por casa um saco com feijão manteig...
Lugares comuns Como são maltratados os lugares comuns. Ou são usados com o desleixo da ignorância, ou são aparelhados com prefácios devastadores como “apesar” e “mas”, ou servem de mero trampolim para devaneios assoberbados. Tenho pena. Um lugar comum é um sítio onde gosto de ir com frequência para me sentir bem, para ver que a inocência existe, e que o bem ganha sempre ao mal. Um lugar comum não atraiçoa, não nos falha, está ali à nossa espera para o usarmos quando for preciso. É um porto de abrigo, mesmo para um barco que não sacou nenhum peixe do mar. Um lugar comum é bem diferente de uma ideia feita . Uma ideia feita é um cubículo onde se esconde um ladrão à espera de quem venha. É um vão de escada andrajoso , onde se põem os que espreitam por debaixo das saias, porque não têm cara para lançar um piropo arrojado, com medo de um pueril desprezo. A inocência perde-se na terra das ideias feitas. Amar é um lugar comum. A amizade está cheia de ideias feitas. A Paz é uma ideia feita. A F...
Às vezes penso que sou um bocado cão rafeiro. Não sou como os de raça, que são especialmente sensíveis, tudo lhes “implica com os nervos”. Mas não sou dado a rosnar. Estava neste pensamento fútil e irrelevante quando fui atacado pela zoológica do poder . O novo dicionário não ilustrado estava atento e ficou em cima de um galho à espreita. ( entradas 184 a 194 ) Vacas sagradas – São os ruminantes da política moderna. Ficam anos “moendo” povo, e depois fazem o resto da digestão num agradável pasto em pousio, ou atrapalhando o trânsito aos outros Elefantes brancos – Quando na selva se encontra uma clareira e até dá jeito uma sombra, geralmente não há tempo para plantar uma árvore porque podem aparecer as feras da concorrência. Os grandes paquidermes são então uma boa opção, pelo menos para alçar a perna e aliviar rápido a bexiga do poder. Peixe graúdo – Figuras que, mareadas pelas ondas do poder, quando são postas à venda na “lota das urnas” julgam que merecem uma padiola de luxo. Enguia...
Quase tudo dito "Um país pode não ser aquilo que parece ser no ecrã, mas será sempre a importância que dá a tudo o que vê na televisão." In Abram os olhos A subtileza da simplicidade. E no sítio.
Deixem estar que eu trato disto Maria Elisa foi para Londres no helicóptero dos Bombeiros de Lamego. A agulheta e a mangueira ficaram em terra porque podem ser precisos para a remodelação. Portas fica em brasa porque o dito helicóptero era preciso para o congresso. Acaba por fretar um cacilheiro. Aos passageiros que ficaram inesperadamente em terra prometeu-se-lhes que, ou iam nos submarinos, ou aproveitavam o túnel do metro que por esta altura já deve estar na Trafaria. Instala-se a confusão. Aparece o Bloco de esquerda e diz : «agora isto é connosco. Eu sou aquele quem vos apazigua.» F. Louçã entretanto abespinhado, apregoa que a esquerda já não é um bloco, mas sim um floco. O algodão nunca engana, explica ele. Rosas cala, portanto consente. Se consente é porque a esquerda também tem sentimentos. Mas Mizé Nogueira Pinto diz que os sentimentos são património da direita. Instala-se a confusão ideológica. É chamado à colação um tal de P. Mexia . Este diz que agora já não se pronuncia so...
God at blogger.com – Live A saga continua Parte II – A enfardadeira automática Cruzes ! Jamais a expressão “enfardadeira automática” foi, é, ou será um insulto. E pior seria se eu insultasse alguém que não conheço, e a quem até devo agradecer pelos textos que produz, e pela fermentaria de ideias que suscita Mas eu por acaso gosto de enfardadeiras. Ainda noutro dia comprei uma HSM 12 Gigant que me custou uns 2000 contos ( foi em leasing). É da HSM Pressen gmbh, e até tem sido muito jeitosa. Uma enfardadeira, ou compactadora, é um equipamento empolgante porque transforma um amontoado balofo de coisas num volume condessado e reduzido; coisas essas que dispersas fazem imenso transtorno, ocupam um espaço despropositado, e incapacitam-no para outras utilizações mais interessantes e produtivas. Não poucas vezes ficaríamos com essas coisas na mão sem saber o que fazer com elas. Como com a própria história . Todo o “material” fica portanto reduzido a um concentrado suavemente cúbico e de fác...
Este sim é o Abrupto que vale mesmo a pena. Referindo-se a um livro de Soljénitsyne, um autor que acabou por marcar a minha juventude e”envolver-me no eslavismo" ( não “pan” ) “Não foram só os alemães que tiveram um sério "problema judeu", foram também os russos, que matavam os seus judeus de forma mais primitiva e sem a eficácia das tecnologias e da burocracia alemã. Só que uma parte dos judeus russos respondeu tornando-se revolucionária, tendo um papel decisivo no comunismo soviético, dando bons revolucionários, bons intelectuais, bons polícias e bons torcionários, uma combinação mais comum do que se pensa, para depois caírem na máquina trituradora de Estaline.” In Abrupto E foi bom ler isto, porque hoje também estou um bocado “ O carvalho e o bezerro “
Oh, oh.... brigado Américo Isto não é uma resposta mas sim “um andar à volta de” Na ambiguidade descarnada o discurso parece humor. Mas é só húmus. Terra fértil. Eu sou de facto uma pessoa que pensa relativamente mal para os cânones estipulados. O Américo acertou em cheio (sem ironia); eu tenho um certo impulso em emaranhar argumentos com conclusões, e a deixar constantemente espaços em aberto. Daí estar sempre precisado de valorizar a ambiguidade. É um refúgio, uma fragilidade (?). No entanto, na sua interessantíssima “Busca do Olimpo Perdido da Retórica” o R&P podia ter parado no apeadeiro dalguns discursos “marginais”, foi este o meu “pungente” apelo de simples leitor dedicado e interessado. ou será que não existe um discurso no diálogo com Deus??? ou será que o “monólogo” não é um discurso que também obedeça a “regras” ??? Ou será que não há discursos que apenas visam testar ideias, sem uma persuasão directa de terceiros ??? Ah ...é verdade, “chutar para canto” também é uma bo...
O poder “divinizado” provoca certos arrepios e deve ser bem desmontado. Colocá-lo no divã é uma opção redutora mas interessante. O Novo dicionário não ilustrado tratou hoje, então, do poder “divanizado” . Para espairecer um bocado, e a ouvir a Carla Bruni, desparamentei-me (...) de preconceitos, e ouvi assim o que o "poder" tinha para me dizer :( 172 a 183) “Voltaria a fazer o mesmo” –Frase reveladora do “princípio da constância” que enuncia que qualquer “aparelho psíquico” tende a manter constante o nível de excitação. No aparelho de estado, e no aparelho dos dentes a excitação está muitas vezes presa por arames “Não há contradição no que digo” – No exercício do poder o mecanismo de “defesa” livra-nos de uma “condensação” demasiado complexa. Esmiuçando: o poder ao exercer-se recalca vários factos difíceis de ligar, factos esses que já de si apresentavam a concentração de outras representações simbólicas. Ou seja, um tipo está tão “à nora”, que contradizer-se é o melhor qu...
E se o consenso for um cristal ? “....Pensar é então duas coisas essenciais, inseparáveis e irredutíveis: por um lado, uma actividade que pressupõe uma abertura, um acolhimento do estranho, uma projecção para fora; por outro, a exposição à permanente ameaça da cristalização, e a exigência de sempre, a cada passo, lhe resistir.” In caminhos errantes . Li e gostei. Cristalizar é também uma fina ambiguidade.
Ano 2070 – A odisseia da chalaça Na semana passada a Bomba fez 100 anos. Encerrou o seu blog nesse dia, porque finalmente tinha recebido os parabéns do Abrupto . Este, vendo que tinha sucumbido a essa prosaica e pueril atitude, considerou também que já não era digno de ser o blog de referência e encerrou-o sem glória, dedicando-se agora a fazer puzzles com os 33.456.778 fragmentos de pinturas, que andou a impingir ao povo durante estes anos. Fiquei apenas eu e o Pipi . Escrevo hoje porque finalmente atingi o “clímax” de ser o blog mais visitado. Pudera, o Pipi há mais de um mês que só escreve : roto, sarapitola, roto, sarapitola, roto, sarapitola... O seu último leitor – um velhote vendedor de chás afrodisíacos na rua Anchieta - morreu ontem, e eu não perdoei. Mantenho dois leitores fieis, à conta das cervejolas que lhes fui pagando ao longo dos anos. Venci. Hoje vou fazer a minha entrada nº 33.333.456 do dicionário, subordinada ao tema “ os antropoblogues e o sexo pago“ Na vida polít...
Wild child world Avança a corrida para forjar um “cavaleiro andante” americano. Já arranjaram um com nome de fábrica de sapatos. Mónica está à espreita, e até já comprou um vestido novinho em folha. Madonna vai dando autógrafos. Diz que o mundo é das crianças. Narciso Miranda não se pronuncia.
Consenso , dispenso A “consensualização” julgo que provoca deseconomias em qualquer sistema. Arriscaria até que roça a perversidade na economia do discurso, na economia do pensamento, e na economia da acção. Concedo apenas que seja um mero autoregulador ( como agora está na moda...e parece que todos acabam por gostar...) da energia errática e frágil do compromisso. Sou levado a demonstrar ( espectáculo !) isso, socorrendo-me ( numa 1ª etapa) duma breve e avulsa lista, mas criteriosa..., de funestas consequências , inevitáveis apoucamentos, ou apenas tristes sinas: Temos então que o consenso ( num sentido lato do termo ) aparece nomeadamente...quando: Na "lógica" desportiva : abdicamos do ataque porque o empate é já um bom resultado para todos Na "lógica" do casamento : por vezes se tem de abdicar de algo de próprio, em prol da sã convivência e da sustentação de um bem considerado superior. Na "lógica" da concorrência : se abdica de certos mercados/produto...
Lubrificações da psique Há pouco o jornalista de turno na SIC perguntava ao político de turno na mesma SIC: “ Porque é que acha que caem as pontes ? “ Ele há gajos com jeito para tudo !... A psicanálise identifica o conceito de “facilitação” como o mecanismo que diminui a resistência de passagem da excitação de um neurónio a outro.( isto dos neurónios ...) É pá, pessoal jornalista aí das televisões, acho que já estão a "facilitar" um bocado, hem...
Pela boca morre o peixe Encontro-me pessoalmente com vários discursos “corrompidos” : O discurso em procuro convencer-me a mim próprio; O discurso em que procuro convencer Deus ; O discurso em que procuro vislumbrar o que sou pelo que digo. Chamo-lhe discursos “corrompidos” porque funcionam ( julgo) com uma lógica algo ambivalente : ou seja, são reflexivos na medida em que se “conhecem e vivem para si próprios” e são dependentes porque só fazem sentido com interlocutor certo e já bem armadilhado e calafetado . Deverei usar artes de persuasão ou de ornamentação ? O estimado Américo que não me deixe apeado....porque eu preciso destes discursos como do pão para a boca. ...
God bless-me a mim sff Descortino dois "estilos" de ateísmos na sacristia bloguística. O do “ nunca é tarde ” e o do “ cruzes canhoto ”. Descrêem de maneiras diferentes. Ou seja, há muitos "deuses" ( dizem alguns ) mas também há vários “não-deuses” ( digo eu). O nunca têm um ateísmo estético e levemente sobranceiro, que eu até invejo ( fica aqui mais uma vez demostrado o meu especial apreço pela inveja, mesmo por algo que não cobiço...). Vê a ideia de Deus como “mal” pensada ou até “oportunísticamente” pensada, ou mesmo “que se fôda” pensada. O “ cruzes ”, não vem agora ao caso se é canhoto ou não, amachuca evangelhos, apóstolos e concílios como uma enfardadeira automática , ou seja, tem um ateísmo que me soa a mecanicista, previsível e...redutor. Este não o invejo tanto, mas gosto de acompanhá-lo, por que geralmente reforça a minha débil fé e abre o meu espírito. Como já se viu num meu infeliz e estéril post anterior, não sou grande amante da discussão, da livre ar...
O novo dicionário não ilustrado teve de arejar de ambientes onde nunca se devia ter metido, e decidiu ir beber uma cervejola com o ......Leviathan para tratar de negócios. ( entradas 162 a 171) Abuso de direito – Sub-reptícia figura do chamado “estado de direito democrático” que noutros regimes se denomina de ignomínia inominável do ditador Agarrado ao poder – Fenómeno da química política que confere poderes especiais ao estatuto de eleito e que geralmente não se dissolve no mero diluente “ democrático”, nem depois de bem "esfregado o sufragado". Livre convicção do juiz – Forma erudita da expressão “ entregue aos bichos”. Alguma confiança em Darwin e algum pânico de Rousseau é o que nos resta. Critérios casuísticos - Quando o “ caso a caso ” gera mais casos que o acaso. O cidadão face à máquina burocrática do estado – Movimento circular das pedrinhas de David, que mais não passa de massagens drenantes a Golias, que se mantém deitado na sua marquesa bebendo drink Medidas...
Irrelevâncias A «polémica», o «diálogo», «responder pelas suas ideias», «argumentação», «concordar – discordar», um “triângulo não amoroso” encontrado em flashes no terras , no retórica e no reflexos . Não tenho madeira de qualidade para dar mais sustento a esta " Table ronde " , mas surge-me dizer que: no contraditório apenas se sobrevive . Eu de facto não respondo pela minhas ideias. Não me deixa em suspenso a sua sobrevivência, apenas desfruto delas. Como efemeridades. Puerilidades. Pensar será um desmamar precoce se apenas for uma resposta e uma pergunta. ........ : quando me contrariassem já estaria do vosso lado...sou levado a dizer. Mas não me ignorem pela vossa rica saúde.... e agora apetece dizer como Martin Amis: “antes de enfrentarmos a experiência, esse inimigo miserável, vamos a mais inocência, só mais um pouco. “ e a experiência é a contradição!....
Hedonismos junto ao couro cabeludo - Então é curtinho mas sem ficar espetado, não é ? Mas o que é que isso interessa corte mas é devagarinho a fazer aquelas cócegas boas com o som de fundo da televisão e dos outros a falarem. Ah que desgraça aquela casa a arder e o benfica é qu’é sempre a mesma coisa coitados vão ficar tantos anos a chupar no dedo como os outros... ganham aquele dinheiro todo e é só esquemas chiiiih.. que miséria coitadinhos nem têm de comer e não há quem ponha mão nisto e qualquer dia os espanhóis tomam conta dagente... o pensamento já estava suspenso em flores de bem estar ... - Ké um cafézinho o siôr ! Que voz de mel e a mexerem–me no cabelo como eu gosto os meus olhos até devem estar a revirar e... isto é tudo política... eu se me caísse uma ponte em cima do carro não lhes saia do pé da porta.. o que sr engenheiro costuma levar é este fortificante...hum .mexa mais aí ...no brasil o turismo ainda está por explorar e este ano fui....a minha filha casa-se co...
Estou sempre errado. Por isso gosto de andar distraído, a beber irrelevâncias e a gostar de quem gosto. Fujo do relativo para o incerto. ...Mas como invejo uma bela paranóia!
Constituição Parece que a oposição ( termo traiçoeiro...) agora quer trazer para a agenda a revisão constitucional. Já estava a ver que nunca mais falavam disso.... Eu sou daqueles que acha que, sim senhora, devemos ter uma constituição. Irei agora arrolar um conjunto de profundas e ponderadas razões para a sua existência. Tenho que escolher umas quantas...mas quantas?... Dez – Não pode ser porque o decálogo tem de se guardar para coisas mais sagradas Onze – Não pode ser porque é a primeira capicua e isto pode trazer conotações esotéricas que eu abomino. Doze- A dúzia está muito relacionada com concepções mercantilistas que eu também rejeito Treze- Está demonstrado cientificamente que dá azar, apesar da Formiga ainda não ter apresentado nenhuma imagem satélite. Catorze – Este número é absolutamente sensaborão e inestético. Quinze - Porque não! Porra... Dezasseis – É um número redondinho, nem sequer é primo e a família é um valor a defender. Dezassete – O avatares já usou este númer...
Dedicado a alguns daqueles infelizes liberais que não conseguiram resolver as suas pulsões anarquistas, e recalcaram-nas por imperativos de organização social ou dependência económica. A política pode ser encarada como uma arte de distribuir asneiras pelo espaço. Procura não desperdiçar tempo e fazer com que apareça rapidamente uma asneira nova e melhor. O novo dicionário não ilustrado tentou descodificar algumas políticas artísticas . Políticas expressionistas - Visam que as asneiras provoquem emoções fortes, mesmo que desligadas da realidade Políticas impressionistas - Procuram fazer com que as asneiras mostrem um mundo colorido, com o qual nos possamos apaixonar com um primeiro e fugaz olhar Políticas cubistas - Permitem que se veja logo ao mesmo tempo todas as faces da mesma asneira Políticas barrocas- Possibilitam juntar muitas asneiras diferentes num curto espaço, mesmo que estejam todas uma em cima das outras. Políticas maneiristas – Visam alongar as asneiras, deformando-as...
Esqueci-me ...a frase com que se inicia o último post é de Mário de Carvalho. Quando se coleccionam sentimentos, as palavras são um porto de abrigo....
"Lá fora" não se passa nada Andei “Trombudo, miudinho, vidrento e implicativo”. Nada que um médico não atenuasse. “ Tens de ser mais condescendente “ disse-me a consciência ( mais pesada que o costume). Toma permissilina , para acabar com esses estafermococos – ainda acrescentou a D. Complacência da ervanária. E depois ainda ouvi o CVM a sacar ao seu entrevistado de ontem que“ o que distingue o cepticismo do cinismo é a generosidade “. Fiquei pior outra vez. Ora não sou especialmente céptico, nem especialmente cínico, nem –infelizmente - especialmente generoso. Resta-me pelo menos ser invejoso. Do Avatares , pela sua genuinidade e por ser destemido a pensar . É outra lição para um dissimulado como eu. Um dia- se ele quiser - ainda beberemos um cerveja juntos... Hoje não, que faz anos que nasceu o meu amigo Tolstoi....
Beijar a verdade like a virgin Sta Teresa de Ávila no seu “Caminho de Perfeição” dá a entender que prefere um “ director espiritual ” inteligente e “ que tenha letras ”, a outro ignorante e iletrado “ por bom que seja ”. É a desfaçatez de quem Lhe beija a face. Ora, esta espiritualidade profunda pode-nos toldar a mente, mas agora amplia-me o olhar. Também sou capaz de preferir homens de poder inteligentes e compenetrados a outros apenas sérios e simplórios. E inquieta-me pensar assim. Mas depois olhem, a nós... que Deus nos proteja, e a eles... que não lhes aconteça como no livro de Ester... ( O tal que pode provocar as leituras potencialmente ambivalentes de aViz e aVoz – afinal tão próximos, até na grafia..., e sem grande deserto, nem planície alentejana, que os separe... apesar de serem o meu alfa e omega na lista aqui do lado.) E agora inquieto-me outra vez...e se a verdade só se deixar mesmo beijar pela virtude ?!
Dizem que País está em farrapos e só lhe dão fancaria Vou desanuviar isto... Vou interpor um ricurso no tribunal da reinação Primeiros : O funcionário que me atendeu por causa da contribuição autárquica estava com uma T-shirt que não era de marca. Não aceito que me cobrem assim os impostos. Não há dignidade. Segundos : A UNESCO teima em não considerar o P.C.P. “Património Artístico da Humanidade”. A parcialidade tem limites. Terceiros – Aquela coisa que chamaram de “momento interpretativo” foi entregue aos políticos e não ao jornalista que estava de turno. É ilegal. Quartos – Os GNR foram para o Iraque mas deixaram cá os cavalos, e como não há quem os monte vão ficar constantemente aos coices com o Portas. E o Bush que lhes pague a ração s.f.f. Quintos – O canal “a dois” descrimina as relações poligâmicas, e nem o Capitão Roby, nem a minoria árabe se revêem nesse modelo. Sextos – A certos políticos também se lhes devia dar a prerrogativa de governarem de cara tapada. A outros, a ...
O pecado mora sempre ao lado Ver o mundo pela transparência dum diáfano papiro, olhando de soslaio para os outros que se conspurcam, digladiam e canibalizam no charco . Eis uma fórmula que põe santos de pó dum lado e monstros de lama doutro. A tela e o óleo aguentam tudo. Eu cá acho que sou o anjinho pensativo de Raffaello na “ Madonna Sistina” que está em Dresden, e que terá feito chorar Dostoyevsky depois de tantas horas a olhar para ele.
Convicções II - Acid morning again Bem melhor que uma convicção é uma boa micção. Boris Vian tinha-o insinuado de uma forma brilhante no Outono em Pequim : “...o cálculo, demasiado complicado, dissolveu-se-lhe na cabeça e veio a ser expulso normalmente na urina, fazendo toc ao bater na porcelana. Mas só muito mais tarde " Eu por acaso até já tinha referido isto num email com destinatário óbvio, mas ela não ligou muito, porque se calhar estava num daqueles dias Linkxados ... É que nem sempre temos porcelana à mão, e muitas vezes tem de ser um mictar vertical num sobreiro, ou um mictar horizontal numas sardinheiras.
Mais ou menos a meio da morning blog E já agora caro Abrupto , com que bichito do Bosch é que você se identifica mais ?...
A convicção faz o ladrão Irrita-me quem tem orgulho nas suas convicções. Ter convicções está demasiado valorizado. Como está mal visto ter certezas, todos se refugiam nas convicções, que parecem coisa mais nobre e fina. Claro que sempre temos de viver com algumas; a sobrevivência da espécie com níveis sanidade mental aceitáveis assim o exige. Mas o que temos é muita tendência para as mimar em excesso, mesmo sem tiques proselitistas que agora todos gostam de evitar, e elas ficam assim como que marcas distintas na nossa alma pensante, crente e séria. E a quem não tem uma como a nossa, damos-lhe o calor e o carinho da ironia.... Mas adiante. Mau mesmo é ter orgulho nelas. Não passam, na maior parte das vezes, de intermediárias do pensamento. São dealers de um deus menor. Vivamos com elas , mas não vivamos delas . No “final do dia“ geralmente não trazem para casa o “rendimento” que estamos à espera, e depois já estaremos muito cansados para procriar. ...ah ! e Deus geralmente não entra nes...
" Dezenas de Cadáveres não reclamados em França ". A este rastejante infortúnio não lhe toca ser de esquerda ou de direita, nem anti-americano, nem neo-conservador, nem horizontal, nem vertical. Nem a poesia lhes decifra esta sorte. Espero que lhes calhe um “anjo de turno” parcial e bem vestido. Sórdida Solidão. Magoa. E eu que não tenho a arte de entristecer !...
O novo dicionário não ilustrado já tinha ido uma vez ao supermercado do poder. Hoje foi ao hospital . Eleições – Momento determinante da vida hospitalar em que se decide se os políticos ficam ligados à máquina ou se têm alta “Travessia do deserto” – O velho conflito entre o ser e o parecer, pode exigir intervenções de cirurgia plástica e assim longos períodos no recobro Remodelação – Momento de grande ansiedade vivido pelos políticos nas listas de espera “Tribunal da opinião pública” – Serviços de diagnóstico que decidem se os Políticos têm de ir para as urgências ou se safam em mero ambulatório Sondagens – Momento stressante em que os políticos são apanhados a mijar para as análises Rotatividade no poder – Mecanismo efusivamente reclamado por políticos algaliados , que querem passar a ser eles a segurar no.... taco do poder Mecanismos de regulação - Pretenso controle sanitário que o sistema democrático impõe, colocando os políticos com arrastadeira , quando se prevê incontinência...
Traumas Quando lí no Alfacinha algumas referências a Carlos Amaral Dias, assaltou-me a mente uma daquelas suas frases no “ Freud para além de Freud”. Dizia ele que “havia em Freud uma peculiar capacidade de tolerar a insegurança e de ter a coragem de continuar por aí “ Não sei se será totalmente verdade, mas eu gostava de ser assim, até porque “ trauma é o que não pode ser pensado ”. E pensar, como sabemos, não desemboca na opinião. Desfaz-se na opinião.
Fátinha limpa a seco Fátinha Felgueiras anda desconsolada naquele Brasil distante. Como não tem blog eu dispus-me a fazer eco do seu sentir. “Já não sou notícia. E olho praí com tristeza e com algum ressentimento. Trocaram-me por uns miúdos de cara tapada. Então os coitados do PS !...Dei-lhes a solução de mão beijada : mandei uns gajos aplicarem-lhes um ensaio de porrada, podiam fazer de vítimas!... mas nada. E como nem sabem falar ao telefone estragaram tudo. Ainda avisei o Ferrito para vir ter comigo, mas ele disse que não podia porque tinha um pedroso no sapato. Deu no que deu. Bem....acabei por montar uma cadeia de limpeza a seco com a Mónica Lewinky. É boa moça e avançámos no negócio. Para passar a ferro quisemos contratar o Santana Lopes , só que o tipo agora passou-se para a SIC-à-Sec. O Sócrates acabou por dizer que queria antes passar o Ferro aí em Portugal. Ficámos apeadas. Lembrei-me de repente do Arnault para arrumar os cabides. É um rapaz alto e com os cabides não corria...
Estamos com excesso de passado, com excesso de presente e com excesso de futuro. Falta-nos Tempo Virgem.
As virilhas estão finalmente secas e a humidade subiu até às superestruturas asexuadas, mas também delicadas. O novo dicionário foi também apanhado nesse processo histórico-anatómico ( 130 a 136 ) Forte corrente de opinião – Movimento de ideias, que pouco tem a ver com as luas, mas que geralmente desagua numa bela maré vazia. Sentido de estado – Quando numa encruzilhada, promovida a rotunda, aparece um polícia sinaleiro mostrando o caminho ...às moscas. As pessoas frequentam outras veredas. Causa nacional – Espécie de vírus que actua tipo carraça e que geralmente não funciona de forma epidémica, porque há outros vírus mais fortes como o “interesse individual” e o “agora tenho uma ropinha para estender” Coração da democracia – Nome destinado ao parlamento e que sugere a necessidade de by-pass constantes. Opções históricas – Quando é atraiçoada uma abençoada indecisão. Geralmente dá em Tratado e frequentemente é maltratado. Valores fundamentais – Interessante regime de castas ideológic...